ser precursoras para uma mudança positiva para elas, pois, por meio de novos conhecimentos e
reflexões, poderiam trazer novos elementos para as suas vivências, oportunizando um olhar sobre si
mesma diferenciado, além de aprimorar as suas relações sociais e o trabalho do dia a dia. Diante disso,
verifica-se a influência de uma cultura cristalizada, fruto de séculos de manutenção que faz com que
as pessoas que vivem nela, reproduzam os seus comportamentos de forma natural, sem grandes
questionamentos, pois, era isso que viam os seus pais, tios e avós fazerem. No entanto, mesmo que
seja algo tradicional, aprendido e incentivado pelo núcleo familiar, não quer dizer que seja algo
saudável, do ponto de vista do processo de saúde/doença. Grande parte das mulheres entrevistadas,
relataram possuir algum problema físico ou emocional e geralmente, esses sintomas não são
considerados para buscar um tratamento médico ou psicológico adequado, sendo negligenciado ou o
tratamento realizado de modo natural, com chás e outros produtos naturais. Dessa forma, conclui-se
que embora os movimentos feministas, compostos em sua maioria por mulheres que buscam
questionar aspectos da própria realidade tenham ganhado ênfase nas últimas décadas, ainda
apresenta-se com alcance baixo no meio rural, pois, poucas apresentaram uma postura questionadora
frente a sua realidade e destas, um número menor ainda, apresentou sugestões de como mudar tais
perspectivas. Ainda, pode-se concluir com essa pesquisa, a falta de incentivos da esfera governamental
para essas mulheres, sobretudo, políticas públicas que envolvam questões sobre aprimoramento
técnico, saúde e bem-estar, além de outras ligadas ao desenvolvimento social, com ações que visam
dar suporte para essas mulheres, garantindo o acesso a direitos fundamentais.
Palavras-chave: Empoderamento - Agricultoras familiares - Subjetividade - Cultura patriarcal.
Acadêmico: Vanessa Kowalek
REMINISCÊNCIAS DA FÉ, UMA CICATRIZ INTOLERADA
A presente pesquisa tem como pergunta norteadora: Existe intolerância religiosa em nosso meio e qual
seu impacto na saúde mental? Nesse sentido buscou-se a compreensão da Intolerância Religiosa sob
a ótica da Psicanálise, com ênfase nas religiões de matriz africana. A pesquisa é justificada, no aspecto
pessoal, pelo desejo de compreensão das raízes de intolerância, bem como a busca por melhores
caminhos na relação entre a informação e melhores condições de aceitação ao outro. No aspecto
social, a propagação da informação colhida, possibilitando ampliação da consciência e respeito às
crenças que não são suas, contudo tão falhas e verdadeiras como as suas. E, desta forma, tentar
reduzir os números de doenças psicossomáticas relacionada ao enfraquecimento da fé ou repressão
de suas crenças verdadeiras, refletindo de forma direta, na redução de preconceitos. A pesquisa é
fenomenológica, a qual descreve, de forma direta, a experiência como ela é, através de uma realidade
construída socialmente e interpretada em sua forma. Contudo, a realidade não é única, quanto menos
sua interpretação. (GIL, 2002) Quanto à natureza, é uma pesquisa básica, objetivando gerar
conhecimentos novos, úteis para o contexto científico, entretanto sem prática prevista. Quanto a sua
forma, é quali-quantitativa, unindo a forma quantitativa, traduzindo números levantados e analisando
as informações; e, qualitativa, considerando a dinâmica entre o mundo real e o sujeito e atribuindo,
portanto, significados à interpretação do fenômeno. (GIL, 2002) Quanto aos objetivos, trata-se uma
pesquisa exploratória, proporcionando maior familiaridade com o problema e o tornando explicito
através da relação entre os dados e a teoria. Por fim, o procedimento específico utilizado é a pesquisa
de campo, onde é necessário que o pesquisador colete dados, buscando um resultado através de sua
análise e interpretação. (GIL, 2002). Para discutir os resultados, fez-se necessário que se volte a
História do Mundo e a História do Brasil para que se compreenda as raízes do que se é intolerante. A
intolerância religiosa, tema antigo no convívio da humanidade é retratada de diversas formas e
discutida, formalmente, há pouquíssimo tempo, meados de 1989, com a modificação do Código Penal,
que considerava crime o que hoje é religião. (SOUZA, 2019). O Brasil possui uma identidade nacional
híbrida ocorrida no período colonial, miscigenada por crenças, culturas e elementos, entretanto, a
alienação e o fanatismo criam uma lacuna sem apoio de fé, o desrespeito. (OLIVEIRA, 2011). A
Psicanálise, a qual precisa ser compreendida além do conservadorismo de sua teoria, aponta a
subjetividade e cultura ligadas por símbolos. Símbolos estes, que podem ser compartilhados, podendo
ou não gerar pertencimento, mas que estão na dialética entre a dinâmica pulsional e as normas sociais,
criando um mal-estar sociocultural nos seres humanos, como aponta Freud. (FREUD, 1928-1930). No
início do sec. XX, em meio a guerra e nazismo, Freud funda a psicanálise e o desenvolvimento de sua
teoria, ou seja, em meio a uma grande luta de poder e domínio de raças. Através da obra “Moisés e o
monoteísmo” (1937-1939), Freud “extrai os traços da singularidade judaica e reflete profundamente
sobre a estrutura religiosa de um Estado laico que, sob o signo do ódio, fomentava um estado de