Aromaterapia inalatória com Lavandula x intermedia para redução da ansiedade: estudo de Fase I e ensaio clínico controlado randomizado duplo-cego de Fase II PDF Free Download

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E
COMPORTAMENTO
AROMATERAPIA INALATÓRIA COM LAVANDULA X INTERMEDIA PARA
REDUÇÃO DA ANSIEDADE: ESTUDO DE FASE I E ENSAIO CLÍNICO
CONTROLADO RANDOMIZADO DUPLO-CEGO DE FASE II
THEONYS LUIZ SILVA BORGES
JOÃO PESSOA, PB
2023
THEONYS LUIZ SILVA BORGES
Aromaterapia inalatória com Lavandula x intermedia para redução da ansiedade:
estudo de Fase I e ensaio clínico controlado randomizado duplo-cego de Fase II
Dissertação de mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Neurociência
Cognitiva e Comportamento da Universidade
Federal da Paraíba, para obtenção do título de
Mestre, na linha de pesquisa: Neurociência
cognitiva pré-clinica e clínica, com orientação
da Profa Dra Mirian Graciela da Silva Stiebbe
Salvadori.
JOÃO PESSOA, PB
2023
B732a Borges, Theonys Luiz Silva.
Aromaterapia inalatória com Lavandula x intermedia
para redução da ansiedade : estudo de fase I e ensaio
clínico controlado randomizado duplo-cego de fase II /
Theonys Luiz Silva Borges. - João Pessoa, 2023.
86 f. : il.
Orientação: Mirian Graciela da Silva S. Salvadori.
Dissertação (Mestrado) - UFPB/CCHLA.
1. Aromaterapia. 2. Ansiedade - Tratamento. 3. Óleos
essenciais - Inalação. 4. Lavanda. I. Salvadori, Mirian
Graciela da Silva Stiebbe. II. Título.
UFPB/BC CDU 615.85(043)
Catalogação na publicação
Seção de Catalogação e Classificação
Elaborado por MAGNOLIA FELIX DE ARAUJO - CRB-15/883
Dedico este trabalho à Marlene e Stefany Borges, que me dão diariamente motivos para viver, e
a Ricardo Puppe, que caminha ao meu lado em todos os momentos.
AGRADECIMENTO
Na ciência, nada é realizado sozinho; muitas pessoas estiveram ao meu lado e
contribuíram para o sucesso deste estudo. Gostaria de começar agradecendo à minha
orientadora, Mirian Salvadori, por todo o cuidado, apoio e respeito. Atitudes como a dela não
são comuns na academia, o que me faz sentir ainda mais privilegiado.
Agradeço aos alunos José Jackson Soares e Isabel Alencar, que atuaram como
assistentes de pesquisa e compartilharam tantos momentos de angústia e felicidade durante o
experimento, assim como à aluna Michely Oliveira, que se dispôs a nos ajudar em um
momento em que estávamos com poucas forças. Agradeço também a todas as pessoas que se
voluntariaram e participaram do estudo, realizando as inalações e vindo ao laboratório. Todos
vocês foram essenciais e serei eternamente grato.
Expresso meu agradecimento aos professores Ricardo Dias de Castro e Melyssa
Galdino, que estiveram na banca de qualificação e deram contribuições extremamente
importantes. Agradeço ao professor Nelson Torro, à coordenação e à secretaria do programa,
pela disponibilidade, e às minhas colegas de laboratório, Aline Matilde, pelas palavras e
atenção nos momentos em que eu nem mesmo percebia que precisava de acolhimento;
Mayara Cecile e Antônia de Abrantes, pela parceria nas disciplinas, no experimento e na
redação dos artigos.
Também gostaria de expressar minha gratidão a Hevilla Wanderley, que me ajudou a
obter divulgação na imprensa, o que foi fundamental para conseguirmos nossos voluntários. E
ao meu terapeuta Jocerlan Alves, que me ajudou a manter a mente no lugar e a acreditar que
eu seria capaz de concluir essa etapa com mérito.
Não posso deixar de agradecer ao meu marido Ricardo Puppe, por todo o suporte e
incentivo, por ouvir meus desesperos e mostrar os obstáculos maiores que eu havia
superado. Também agradeço à minha mãe, Marlene Borges, que sempre esteve interessada e
entusiasmada com a pesquisa. Sua motivação em me ver tornar mestre também me motivou.
Por fim, quero expressar minha gratidão às versões de mim que ficaram pelo
caminho. Nunca imaginei que a pós-graduação seria uma jornada de autoconhecimento.
Aprendi muito sobre mim mesmo, sobre o que sou capaz, sobre pedir ajuda, sobre reconhecer
méritos e limitações, sobre expressar-me, sobre confiar, sobre não ter medo de ser julgado e
sobre enfrentar medos. Sou imensamente grato por ter vivido essa experiência.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Fluxograma da Fase I.............................................................................................. 29
Figura 2 - Fluxograma da Fase II............................................................................................. 31
Figura 3 - Variável Ansiedade-Estado/Idate-E.................................................................... 49
Figura 4 - Variável Ansiedade-Traço/Idate-T...................................................................... 49
Figura 5 - Variável Qualidade do Sono/Psqi-Br................................................................... 50
Figura 6 - Variável Depressão (Dass-21).............................................................................. 50
Figura 7 - Variável Ansiedade (Dass-21)............................................................................. 51
Figura 8 - Variável Estresse (Dass-21)................................................................................. 51
Figura 9 - Variável Pressão Arterial Sistólica......................................................................... 52
Figura 10 - Variável Pressão Arterial Diastólica..................................................................... 52
Figura 11 - Variável Saturação do Oxigênio........................................................................... 53
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Comparação entre os constituintes dos óleos essenciais........................................ 35
Tabela 2 Características da amostra (Fase I)........................................................................ 36
Tabela 3 Efeitos adversos (Fase I)........................................................................................ 37
Tabela 4 - Parâmetros psicológicos Diferença entre os grupos de acordo com o teste de
Kruskall-Wallis........................................................................................................................ 38
Tabela 5 - Parâmetros psicológicos - Diferença entre pré e pós-tratamento de acordo com o
teste de Wilcoxon..................................................................................................................... 38
Tabela 6 - Parâmetros psicológicos Diferença entre os grupo 2 gotas e o grupo 4 gotas após
a intervenção de acordo com o teste de Mann-Whitney........................................................... 39
Tabela 7 - Parâmetros fisiológicos - Diferença entre os grupos de acordo com o teste de
Kruskall-Wallis........................................................................................................................ 40
Tabela 8 - Parâmetros fisiológicos - Diferença entre pré e pós-tratamento de acordo com o
teste de Wilcoxon..................................................................................................................... 41
Tabela 9 - Parâmetros fisiológicos Diferença entre o Grupo de 2 Gotas e o Grupo de 4 Gotas
após a intervenção de acordo com o teste de Mann-Whitney.................................................. 41
Tabela 10 - Dados sociodemográficos da amostra (Fase II).................................................... 42
Tabela 11 Medidas psicológicas Diferença dos escores entre as variáveis no Grupo
Tratado e no Grupo Placebo no pré-tratamento e pós-tratamento........................................... 44
Tabela 12 Medidas fisiológicas Diferença dos escores entre as variáveis no Grupo Tratado
e no Grupo Placebo no pré-tratamento e pós-tratamento......................................................... 45
Tabela 13 Efeitos das variáveis tempo, grupo e interação tempo e grupo nos parâmetros
psicológicos e fisiológicos....................................................................................................... 46
Tabela 14 Médias dos escores das variáveis no grupo tratado e no grupo placebo, no pré-
tratamento, no pós-tratamento e no seguimento...................................................................... 46
Tabela 15 Comparação entre os grupos no pré-tratamento, pós-tratamento e seguimento, de
acordo com o post hoc de Sidak............................................................................................... 48
Tabela 16 Diferença entre as médias dos grupos no pós-tratamento e no seguimento, de
acordo com post hoc de Sidak.................................................................................................. 53
LISTA DE ABREVIATURAS
CG-EM - Cromatografia gasosa-espectrometria de massa
Dass-21 - Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse
DSM-5 - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição)
GABA - Ácido gama-aminobutírico
Idate - Inventário de Ansiedade Traço-Estado
ISRS - Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina
M ± DP - Média ± Desvio Padrão
OE - Óleos Essenciais
P. A. - Pressão Arterial
Psqi-Br - Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh
Sp. - espécie
SPSS - Statistical Package for the Social Sciences (Programa estatístico)
RESUMO
BORGES, T. L. S. Aromaterapia inalatória com Lavandula x intermedia para redução da
ansiedade: um ensaio clínico de FASE I E FASE II randomizado duplo-cego controlado por
placebo. 2023. 87p. Dissertação (Pós-graduação em Neurociência Cognitiva e
Comportamento) UFPB/CCHLA/João Pessoa, PB.
A ansiedade é um estado emocional natural que engloba aspectos psicológicos e fisiológicos,
e está presente nos transtornos de ansiedade, como uma resposta inadequada ao estresse,
sendo desproporcional à situação desencadeante e sem um objeto específico. Os ansiolíticos,
embora eficazes na redução da ansiedade, apresentam efeitos adversos e nem todos os
pacientes respondem bem a esses tratamentos. A aromaterapia, uma forma de medicina
alternativa e complementar, tem sido estudada como uma opção para reduzir a ansiedade. O
objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos da aromaterapia inalatória com óleo essencial de
Lavandula x intermedia na redução da ansiedade. O estudo consiste em um ensaio clínico de
Fase I e um ensaio clínico randomizado duplo cego controlado por placebo de Fase II. A
amostra consistiu em indivíduos jovens de 18 a 30 anos. A intervenção consistiu em duas
inalações diárias de 15 a 20 minutos, por um período de quatro semanas. Na Fase I, três
grupos de três indivíduos fizeram inalações com as posologias de duas gotas, quatro gotas ou
oito gotas. Na Fase II, o Grupo Placebo (n=21) inalou óleo de coco e o Grupo Tratado (n=20)
inalou 4 gotas de OE de Lavandula x intermedia. Como resultados, na Fase I, o grupo que
inalou 8 gotas apresentou efeitos adversos (vermelhidão, coceira, dor de cabeça, sensibilidade
olfativa e náusea), sendo esta posologia excluída da estratégia para a Fase II. Os grupos de 2 e
4 gotas não tiveram diferenças significativas nos testes, sendo a estratégia de 4 gotas
escolhida para a Fase II. Os resultados da Fase II mostraram no teste t de Studant, que os dois
grupos reduziram os escores de todas as medidas psicológicas e não diferiram entre si, no
entanto na análise de seguimento (ANOVA), o Grupo Tratado reduziu significativamente as
variáveis de ansiedade-traço (Idate-T) e ansiedade (Dass-21), e manteve a redução no follow-
up, o que não ocorreu com o Grupo Placebo. Conclui-se que após um protocolo de
intervenção de quatro semanas, foi observada a eficácia na redução dos níveis de ansiedade,
tanto no traço quanto no estado, conforme avaliado pelos instrumentos Idate e Dass-21, no
grupo Tratado. Houve também uma melhora significativa na qualidade do sono, de acordo
com o instrumento Psqi-Br, e uma redução nos níveis de depressão e estresse, avaliados pelo
instrumento Dass-21.
Palavras-chave: aromaterapia, inalação, ansiedade, lavanda, óleos essenciais.
ABSTRACT
BORGES, T. L. S. Inhalatory aromatherapy with Lavandula x intermedia for anxiety
reduction: a Phase I and Phase II double-blind, placebo-controlled randomized clinical trial.
2023. 87p. Dissertation (Master's Degree Program in Cognitive Neuroscience and Behavior)
UFPB/CCHLA/João Pessoa, PB.
Anxiety is a natural emotional state that encompasses psychological and physiological
aspects, and is present in anxiety disorders as an inappropriate response to stress, being
disproportionate to the triggering situation and without a specific object. Although anxiolytics
are effective in reducing anxiety, they have adverse effects and not all patients respond well to
these treatments. Aromatherapy, as a form of alternative and complementary medicine, has
been studied as an option for reducing anxiety. The aim of this study was to evaluate the
effects of inhalation aromatherapy with Lavandula x intermedia essential oil on anxiety
reduction. The study consisted of a Phase I clinical trial and a double-blind, placebo-
controlled Phase II randomized clinical trial. The sample consisted of young individuals aged
18 to 30 years. The intervention consisted of two daily inhalations of 15 to 20 minutes, over a
period of four weeks. In Phase I, three groups of three individuals performed inhalations with
dosages of two drops, four drops, or eight drops. In Phase II, the Placebo Group (n=21)
inhaled coconut oil, and the Treated Group (n=20) inhaled 4 drops of Lavandula x intermedia
essential oil. As a result, in Phase I, the group that inhaled 8 drops experienced adverse effects
(redness, itching, headache, olfactory sensitivity, and nausea), and this dosage was excluded
from the strategy for Phase II. The 2 and 4-drop groups showed no significant differences in
the tests, with the 4-drop strategy being chosen for Phase II. The results of Phase II showed in
the Student t-test that both groups reduced the scores of all psychological measures and did
not differ from each other. However, in the follow-up analysis (ANOVA), the Treated Group
significantly reduced trait anxiety (Idate-T) and anxiety (Dass-21) variables and maintained
the reduction in follow-up, which did not occur with the Placebo Group. It is concluded that
after a four-week intervention protocol, efficacy in reducing anxiety levels, both trait and
state, as assessed by the Idate and Dass-21 instruments, was observed in the Treated Group.
There was also a significant improvement in sleep quality, according to the Psqi-Br
instrument, and a reduction in depression and stress levels, as evaluated by the Dass-21
instrument.
Keywords: aromatherapy, inhalation, anxiety, lavender, essential oils.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 12
2. JUSTIFICATIVA............................................................................................................... 15
3. OBJETIVOS....................................................................................................................... 16
3.1. Geral...................................................................................................................... 16
3.2. Específicos............................................................................................................ 16
4. REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................................. 17
4.1. Capítulo 1 - Ansiedade e Transtornos de Ansiedade............................................ 17
4.2. Capítulo 2 - Aromaterapia, óleos voláteis e lavanda............................................. 19
4.3. Capítulo 3 - Ensaios clínicos com Lavandula sp. para redução da ansiedade...... 23
5. MATERIAIS E MÉTODOS............................................................................................. 26
5.1. Delineamento........................................................................................................ 26
5.2. Aspectos Éticos..................................................................................................... 26
5.3. Cromatografia do óleo essencial de Lavandula x intermedia............................. 26
5.4. Fase I................................................................................................................... 27
5.4.1. Participantes.......................................................................................... 28
5.4.2. Local de pesquisa................................................................................... 28
5.4.3. Elegibilidade e amostragem................................................................... 28
5.4.4. Intervenção............................................................................................. 29
5.4.5. Análise estatística................................................................................... 29
5.5. Fase II.................................................................................................................... 30
5.5.1. Participantes........................................................................................... 30
5.5.2. Local de pesquisa................... ............................................................... 30
5.5.3. Elegibilidade e amostragem................................................................... 30
5.5.4. Intervenção............................................................................................. 31
5.5.5. Análise estatística................................................................................... 32
5.5.6. Follow-up............................................................................................... 32
5.5.7. Aderência............................................................................................... 32
5.6. Instrumentos utilizados na Fase I e na Fase II..................................................... 32
5.6.1. Medidas fisiológicas............................................................................... 32
5.6.2. Avaliação da ansiedade.......................................................................... 33
5.6.3. Avaliação da qualidade do sono............................................................. 33
5.6.4. Avaliação de depressão, ansiedade e estresse....................................... 34
6. RESULTADOS.................................................................................................................. 35
6.1. Cromatografia .............................................................................................. 35
6.2. Fase I..................................................................................................................... 36
6.2.1. Característica da amostra........................................................................ 36
6.2.2. Efeitos adversos...................................................................................... 36
6.2.3. Medidas psicológicas.............................................................................. 37
6.2.4. Medidas fisiológicas............................................................................... 39
6.3. Fase II.................................................................................................................... 41
6.3.1. Característica da amostra........................................................................ 41
6.3.2. Medidas psicológicas.............................................................................. 43
6.3.3. Medidas fisiológicas............................................................................... 44
6.3.4. Seguimento(follow-up)........................................................................... 45
7. DISCUSSÃO....................................................................................................................... 54
8. CONCLUSÃO.................................................................................................................... 61
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................. 62
10. ANEXOS........................................................................................................................... 72
12
1. INTRODUÇÃO
A ansiedade é um estado emocional natural que engloba aspectos psicológicos e
fisiológicos, como medo, insegurança, palpitações, suor e tensão (Soto-Vásquez e Alvarado-
García, 2016). Nos transtornos de ansiedade, a resposta ao estresse se torna inadequada, sendo
desproporcional à situação desencadeante e sem um objeto específico. Esses transtornos são
caracterizados por comportamento de esquiva, aumento na vigilância e alerta, ativação da
divisão simpática do sistema nervoso visceral e liberação de cortisol pelas glândulas
suprarrenais (Gnatta et al., 2014).
A exposição crônica ao cortisol em situações de estresse contínuo pode causar danos
progressivos ao hipocampo, levando à retração das ramificações e morte dos neurônios
hipocampais. Isso estabelece um ciclo vicioso, no qual a resposta ao estresse se torna mais
intensa, resultando em uma maior liberação de cortisol e maior comprometimento do
hipocampo (Bear et al., 2017). Além disso, a ansiedade não controlada pode ter efeitos
prejudiciais no organismo, como degradação de proteínas, dificuldade na cicatrização, maior
suscetibilidade a infecções, alterações imunológicas, desequilíbrio de fluidos e eletrólitos, e
perturbações do sono (Abbasijahromi et al., 2019).
Os transtornos de ansiedade são altamente incapacitante (Pan American Health
Organization, 2018) e estão entre as doenças mais comuns na Atenção Básica do Sistema
Único de Saúde no Brasil (Ministério da Saúde, 2013; Gonçalves, 2014). No entanto, os
estudos sobre a prevalência da ansiedade no contexto nacional ainda são limitados. Uma
pesquisa recente realizada em São Paulo mostrou uma estimativa de prevalência de 19,9%
para transtornos de ansiedade, sendo a mais alta entre as cidades do mundo (Mangolini et al.,
2019).
Na prática clínica, os tratamentos de primeira linha para a ansiedade incluem
mudanças no estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e exposição do paciente
aos estímulos que causam ansiedade. Essas abordagens visam alterar as conexões no cérebro,
de modo que os estímulos, sejam eles imaginários ou reais, não evoquem mais uma resposta
de estresse (Donelli et al., 2019). Além disso, os fármacos também são utilizados no
tratamento da ansiedade. Os ansiolíticos, como os benzodiazepínicos e os inibidores seletivos
da recaptação de serotonina, atuam na redução da ansiedade ao modificar a transmissão
sináptica química no cérebro (Andrews et al., 2018).
Os benzodiazepínicos são os medicamentos controlados mais vendidos no Brasil e são
amplamente prescritos como ansiolíticos, sendo o Rivotril® (clonazepam) um dos mais
13
populares (Anvisa, 2013). No entanto, seu uso está associado a efeitos adversos, como
comprometimento cognitivo, sedação e riscos de dependência, tolerância, ansiedade de rebote
e síndrome de descontinuação. Além disso, nem todos os pacientes respondem positivamente
a esses tratamentos e poucos alcançam uma recuperação completa (Andrews et al., 2018;
Goes et al., 2015).
A aromaterapia é uma forma de medicina alternativa e complementar que utiliza óleos
essenciais extraídos de diversas partes de plantas para modificar comportamentos e emoções,
e tem sido objeto de estudos no contexto da redução e manejo da ansiedade (Gnatta et al.,
2014; Soto-Vásquez e Alvarado-García, 2016).
Os óleos essenciais são compostos por moléculas químicas complexas e podem ser
aplicados na pele ou inalados. Quando inalados, suas moléculas entram em contato com os
nervos olfativos nas narinas, que possuem uma conexão direta com o Sistema Nervoso
Central. Isso pode influenciar a frequência cardíaca, pressão arterial, respiração, atividade das
ondas cerebrais e a liberação de hormônios em todo o corpo (Gnatta et al., 2014).
A lavanda (Lavandula sp.), uma planta medicinal da família das Lamiaceae, é
amplamente utilizada na aromaterapia devido aos seus benefícios, como redução da dor e
desconforto, aumento da circulação sanguínea, efeitos relaxantes e propriedades carminativas.
Seu óleo essencial é considerado o menos tóxico e alergênico (Karadag et al., 2015).
Existem cerca de 39 espécies de lavanda, sendo as mais comumente usadas na
aromaterapia a L. angustifolia, L. latifolia, L. stoechas e L.x intermedia (um híbrido natural de
L. angustifolia e L. latifolia, também conhecido como Lavandula hybrida). Essas espécies
possuem composições químicas distintas, mas os principais componentes incluem linalol,
lavandulol, acetato de linalil, cânfora, cineol, cariofileno, canfeno, dipenteno, limoneno,
ocimeno e terpineno (Genc e Saritas, 2019).
O óleo essencial de Lavandula sp. atua no sistema límbico, em particular na amígdala,
produzindo um efeito sedativo através da interação com o ácido gama-aminobutírico (GABA)
e inibindo a liberação de acetilcolina. Além disso, também interage com o transportador de
serotonina (SERT), e receptores GABA-A e NMDA, exercendo efeitos neurofarmacológicos
(Elisabetsky et al., 1999; Donelli et al., 2019).
Por meio do receptor 5HT-1A em áreas específicas do cérebro, como o hipocampo,
córtex cingulado anterior, giro temporal, giro fusiforme e ínsula, o OE de Lavandula sp.
produz efeitos semelhantes aos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), mas
aparentemente não causa alterações no volume da matéria cinzenta, ao contrário dos ISRS
(Baldinger et al., 2015).
14
Devido ao fato da aromaterapia inalatória ser uma terapia acessível e de fácil aplicação
(Goes, 2015; Gnatta, 2014), este estudo com o óleo essencial de Lavandula x intermedia
destaca sua importância na redução da ansiedade, fornecendo evidências adicionais sobre os
benefícios dos óleos essenciais. Além disso, oferece um protocolo clínico que pode facilitar a
integração da aromaterapia aos tratamentos complementares disponíveis no SUS e em outros
serviços de saúde mental. Esse estudo contribui para fortalecer a utilização dos óleos
essenciais, fornecendo diretrizes claras sobre a posologia e duração do tratamento.
15
2. JUSTIFICATIVA
A partir de uma revisão sistemática registrada no PROSPERO (número
CRD42021274209), foram identificados ensaios clínicos nos quais o óleo essencial de
Lavandula sp. foi utilizado para reduzir a ansiedade em diferentes contextos.
Esses estudos envolveram pacientes com doença arterial coronariana, infarto agudo do
miocárdio, submetidos à hemodiálise, aguardando colangiopancreatografia endoscópica
retrógrada (CRPE), antes da cirurgia de câncer de mama, pré-operatórios com hiperplasia
prostática benigna (HPB), mulheres pós-menopausa, pacientes queimados e mulheres pós-
cirurgia cesariana, onde o óleo essencial de Lavandula sp. foi utilizado isoladamente ou em
combinação com outros óleos essenciais (Karadag et al., 2015; Najafi et al., 2014; Senturk e
Kartın, 2018; Saritas et al., 2020; Beylikliogku e Arslan, 2018; Genc e Saritas, 2019; Jokar et
al., 2020; Seyyed-Rasooli et al., 2016; Abbasijahromi et al., 2019).
Todos os estudos mencionados demonstraram a eficácia do óleo essencial de
Lavandula sp. na redução da ansiedade. No entanto, cada ensaio clínico utilizou diferentes
espécies da planta e protocolos de aplicação, como posologia e concentração do óleo
essencial, o que dificulta a replicação dos resultados.
Além disso, existe uma lacuna na literatura em relação aos efeitos ansiolíticos deste
óleo essencial em situações que não são especificamente ansiogênicas. Portanto, este trabalho
teve como objetivo avaliar os efeitos da aromaterapia com óleo essencial de Lavandula x
intermedia na redução da ansiedade em indivíduos com traço ansiogênico e estado de
ansiedade médio, estabelecendo um protocolo de aplicação clínica com critérios específicos
para padronizar essa terapia.
16
3. OBJETIVOS
3.1. Geral
Avaliar os efeitos da aromaterapia inalatória com óleo essencial de Lavandula x
intermedia para redução da ansiedade em adultos com traço ansiogênico médio e
alto.
3.2. Específicos
Padronizar um protocolo de aplicação clínica de quatro semanas de aromaterapia
com óleo essencial de Lavandula x intermedia.
Investigar o efeito ansiolítico desta terapêutica após um perído (de 30 dias) sem
inalação (follow-up).
Analisar os efeitos da intervenção na qualidade do sono e nos níveis de estresse e
depressão através de escalas psicológicas.
17
4. REFERENCIAL TEÓRICO
4.1. Capítulo 1 - Ansiedade e Transtornos de Ansiedade
A ansiedade é um estado emocional normal que envolve componentes psicológicos e
fisiológicos. É marcada por sentimentos como medo e insegurança, e apresenta características
físicas distintas, como palpitações, suor e tensão muscular (Soto-Vásquez e Alvarado-García,
2016). Os transtornos de ansiedade, por sua vez, são caracterizados por uma resposta
inadequada ao estresse, tornando-se patológicos quando são desproporcionais à situação que
os desencadeia, ou quando não um objeto específico ao qual se direcionem (Gnatta et al.,
2014).
A ansiedade não controlada resulta numa exposição contínua ao cortisol, que pode
levar à retração das ramificações e morte dos neurônios hipocampais, aumento da degradação
de proteínas corporais, dificuldade de cicatrização de feridas, aumento do risco de infecção,
alterações nas respostas imunológicas, desequilíbrio de fluidos e eletrólitos e alterações no
padrão de sono (Abbasijahromi et al.,2019), estabelecendo um círculo vicioso, onde a
resposta ao estresse se torna cada vez mais pronunciada, induzindo uma maior liberação de
cortisol e por consequência, maiores danos ao hipocampo (Bear et al. 2017).
Durante a ativação da divisão simpática do sistema nervoso e a estimulação da
glândula adrenal, ocorre a secreção de adrenalina e noradrenalina (Moradi et al., 2020). Sob a
influência da amígdala, o hipotálamo secreta hormônios liberadores do hormônio
adrenocorticotrófico (ACTH), que por sua vez ativa o córtex adrenal, desencadeando a
secreção de hormônios glicocorticoides. Esses hormônios afetam o metabolismo da maioria
das células do organismo, resultando no aumento da frequência cardíaca, da frequência
respiratória, da pressão arterial e da oxigenação do sangue (Lent, 2010; Shirzadegan et al.,
2017; Kim et al., 2021).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 3,6% da
população mundial, o equivalente a cerca de 264 milhões de pessoas, sofrem de transtornos de
ansiedade (Cui et al., 2022). Esses transtornos são classificados como o segundo fator mais
incapacitante na maioria dos países das Américas, de acordo com a Organização Pan-
Americana da Saúde (Pan American Health Organization, 2018). No Brasil, eles estão entre
as três doenças mais frequentes na Atenção Básica do Sistema Único de Saúde, juntamente
com a depressão e as síndromes de somatização (Ministério da Saúde, 2013; Gonçalves,
2014).
18
Os transtornos de ansiedade abrangem uma variedade de condições, que incluem, mas
não se limitam a transtorno de pânico, agorafobia, transtorno de ansiedade social e transtorno
de ansiedade generalizada (Giacobbe e Flint, 2018). Entre esses transtornos, o transtorno de
pânico (com ou sem agorafobia) é o mais comum, correspondendo a 6,0% de todos os tipos
de transtornos de ansiedade, seguido pela fobia social (2,7%) e transtorno de ansiedade
generalizada e fobias específicas (2,2%) (Craske et al., 2017).
Cada subcategoria dos transtornos de ansiedade apresenta seu próprio conjunto de
sintomas e critérios diagnósticos, mas de acordo com a CID-11, os sintomas comuns incluem
apreensão, hiperatividade motora e hiperatividade autonômica (Cui et al., 2022). Várias
anormalidades biológicas têm sido implicadas na fisiopatologia desses transtornos. Os
sistemas de ácido gama-aminobutírico (GABA), norepinefrina e serotonina desempenham
papéis cruciais na modulação do circuito emocional subjacente à ansiedade e à depressão, que
estão intimamente interligados (Romana et al., 2020).
No caso dos transtornos de ansiedade, existem várias opções de tratamento
disponíveis, incluindo medicamentos e psicoterapia. Em geral, o tratamento para transtornos
de ansiedade leve não requer tratamento excessivo, porém, é indicado quando os pacientes
apresentam desconforto significativo ou experimentam consequências relacionadas ao
transtorno. Por exemplo, a ocorrência de depressão subsequente, pensamentos suicidas ou uso
indevido de álcool são possíveis resultados que indicam a necessidade de tratamento
(Bandelow et al., 2017).
Na prática clínica, as abordagens de tratamento de primeira linha para a ansiedade
incluem mudanças no estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e exposição
gradual do paciente a estímulos que desencadeiam ansiedade. Em nível neurobiológico, o
objetivo da psicoterapia é modificar as conexões cerebrais de modo que esses estímulos,
sejam eles imaginários ou reais, não provoquem mais a resposta ao estresse (Donelli et al.,
2019; Cui et al., 2022).
Outra forma de tratamento é o uso de medicamentos, como os ansiolíticos, que
reduzem a ansiedade ao afetar a transmissão sináptica química no cérebro. As principais
classes de medicamentos atualmente utilizadas no tratamento dos transtornos de ansiedade são
os benzodiazepínicos e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (Andrews et al.,
2018).
No contexto da medicalização, os benzodiazepínicos ocupam o topo da lista dos cinco
medicamentos controlados mais vendidos no Brasil, correspondendo a aproximadamente 50%
de todas as prescrições de psicotrópicos. O Rivotril® (clonazepam), por exemplo, ocupa a
19
posição na lista dos 100 medicamentos mais vendidos no país e, em cerca de 93% dos casos, é
prescrito como ansiolítico (Anvisa, 2013).
Embora esses medicamentos sejam eficazes, seu uso pode acarretar efeitos adversos,
como comprometimento cognitivo, quedas, sedação, além de riscos de dependência,
tolerância, ansiedade de rebote e síndrome de descontinuação (Andrews et al., 2018). Além
disso, nem todos os pacientes se beneficiam dos tratamentos disponíveis, e apenas uma
parcela alcança uma recuperação completa (Goes et al., 2015).
4.2. Capítulo 2 - Aromaterapia, óleos voláteis e lavanda
Nos últimos anos, tem havido um aumento no número de estudos sobre o uso de
tratamentos de medicina alternativa e complementar, como a aromaterapia, no tratamento dos
transtornos afetivos (Soto-Vásquez e Alvarado-García, 2016). A Organização Mundial da
Saúde tem incentivado o desenvolvimento de pesquisas científicas na área das terapias
complementares para obter um melhor conhecimento sobre a eficácia, segurança e qualidade
dessas práticas (Gnatta et al., 2014).
A medicina tradicional persa, com uma história que remonta a 10 mil anos atrás,
enfatizava o uso de drogas à base de ervas aromáticas para o alívio emocional e tratamento de
diversos distúrbios, incluindo a ansiedade (Alijaniha et al., 2013; Mosleni et al., 2019).
Civilizações antigas, como Egito, China e Índia, utilizam a aromaterapia como terapia
complementar há pelo menos 6 mil anos (Ali et al., 2015).
No Brasil, em 2015, o Ministério da Saúde incorporou as práticas integrativas e
complementares no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares (PNPIC). Isso possibilitou o conhecimento, apoio e
implementação de experiências relacionadas à medicina tradicional chinesa/acupuntura,
homeopatia, fitoterapia, medicina antroposófica e termalismo/crenoterapia (Brasil, 2015).
No que diz respeito aos óleos essenciais, uma longa especulação de que alguns
óleos derivados de plantas aromáticas naturais podem ajudar a melhorar a qualidade do sono e
transtornos de humor quando inalados, devido às suas propriedades ansiolíticas e
antidepressivas (McIntyre et al., 2016; Xu et al., 2008; Vieira et al., 2018; Soares et al., 2021).
Além disso, os óleos essenciais também podem ser utilizados na prática clínica para alívio da
dor, controle do estresse, relaxamento e aprimoramento da meditação (Masaoka et al., 2013).
A aromaterapia se baseia no uso de óleos essenciais (OE) extraídos de vegetais, raízes,
caules, folhas, flores, frutos, sementes e resinas, com o objetivo de interagir com o organismo
20
e modificar comportamentos e emoções (Rose, 1995; Ali et al., 2015). Esses OE são uma
mistura complexa de componentes químicos voláteis obtidos por diferentes cnicas de
extração (destilação ou pressão a frio) evitando qualquer tipo de solvente químico, e essas
moléculas químicas de alta complexidade podem ser aplicadas diretamente na pele ou
inaladas (Malloggi, et al., 2021).
Quando os OE entram em contato com a pele, atravessam a barreira cutânea devido ao
seu baixo peso molecular e penetram na corrente sanguínea, sendo transportados para os
tecidos e órgãos do corpo (Tisserand e Young, 2014). Já quando inalados, as moléculas dos
óleos essenciais são absorvidas pelas narinas e entram em contato com os nervos olfativos,
conectando o sistema olfativo ao sistema nervoso central, permitindo o processamento de
informações sobre odores (Erdő et al., 2018; Faturi et al., 2010).
Além disso, processos de ordem superior, localizados no córtex pré-frontal, mediam a
experiência do olfato. Quando as moléculas odoríferas entram em contato com a mucosa
nasal, os neurônios de primeira ordem transmitem a resposta evocada pelo odor para o bulbo
olfativo (Schneider et al., 2018; Selvaraj et al., 2017).
O trato olfativo é um sistema complexo composto por axônios sensoriais e dendritos
de segunda ordem, presentes nas células mitrais e tufadas localizadas no sulco olfativo do
prosencéfalo basal, que transmitem informações para várias regiões dos lobos frontal e
dorsomedial (Nagayama et al., 2014 apud Cui et al., 2022; Smith e Bhatnagar, 2019 apud Cui
et al., 2022).
O processo de percepção olfativa inicia-se com a ligação de moléculas odoríferas a
proteínas receptoras apropriadas e culmina no córtex cerebral superior, permitindo que
sejamos conscientes de um odor. Os compostos odorosos podem desencadear vias de
transdução quimioelétrica, modulando a excitabilidade dos neurônios sensoriais ao converter
estímulos químicos em impulsos elétricos (Cui et al., 2022).
Posteriormente, os neurônios sensoriais olfativos conduzem os impulsos elétricos para
as regiões límbicas e hipotalâmicas do cérebro por meio do bulbo olfativo e do córtex olfativo
superior. Essas projeções em conjunto formam o córtex olfativo primário. Em seguida, essas
áreas olfativas estabelecem conexões de ordem superior com o rtex pré-frontal orbital,
amígdala, hipotálamo, gânglios basais e hipocampo (Angelucci et al., 2014 apud Cui et al.,
2022; Lie et al., 2021 apud Cui et al., 2022).
A administração nasal de medicamentos facilita a administração, por não ser invasiva
e proporciona uma maior biodisponibilidade devido à evitação do metabolismo hepático de
primeira passagem. Além disso, contorna a barreira hematoencefálica podendo aumentar a
21
disponibilidade do fármaco no sistema nervoso central (SNC) (Malloggi et al., 2021). Todos
os componentes do óleo são eliminados do corpo por meio da micção, excreção, respiração e
pelos poros em um período de 4 a 20 horas após o uso (Barradas e de Holanda e Silva, 2021
apud Cui et al., 2022).
Os OE possuem a capacidade de estimular respostas fisiológicas nos sistemas nervoso,
endócrino e imunológico ao alcançarem o sistema límbico, que desempenha um papel
fundamental na regulação de sentimentos, memória, impulsos e emoções. Isso pode afetar a
frequência cardíaca, pressão arterial, respiração, atividade das ondas cerebrais e a liberação de
diversos hormônios por todo o corpo (Gaware, et al., 2013; Cooke e Ernst, 2000; Seyyed-
Rasooli, et al., 2016).
O olfato é um sentido especial que permite que as informações olfativas cheguem
diretamente ao córtex piriforme, córtex entorrinal e amígdala, sem passar pelo tálamo. Essa
entrada direta de informações olfativas nas regiões límbicas pode contribuir para a
modificação das sensações de dor e desconforto, uma vez que a amígdala é uma área
reconhecida por seu envolvimento em processos relacionados à dor (Masaoka, et. al., 2013).
No início do século XX, a aromaterapia foi definida pela primeira vez como uma
forma de tratamento médico pelo químico francês René-Maurice Gattefossé (Cui et al., 2022).
Ele descobriu os efeitos calmantes da lavanda e popularizou seu uso em diversas aplicações
alternativas ou complementares, como vemos hoje, seu uso parte de desde propriedades
antieméticas até ação sedativa, alívio da dor e efeitos cognitivos recentemente descobertos
(Miller e Miller, 1999).
Os estudos realizados por Gattefossé foram uma inspiração para o médico Jean Valnet,
que estabeleceu as bases da medicina baseada em plantas ao utilizar o óleo essencial de
lavanda para aliviar os ferimentos dos veteranos de guerra na Indochina em 1948 (Malloggi,
et al., 2021). Posteriormente, ele expandiu o uso desse óleo essencial para tratar a agitação em
pacientes psiquiátricos (Thomas, 2002).
A Lavandula sp. é uma das principais plantas utilizadas na aromaterapia e segundo a
Federação Internacional de Óleos Essenciais e Comércio de Aromas (IFEAT), tem sido a
matéria-prima mais amplamente adquirida em todo o mundo para a extração de óleos
essenciais (Malloggi, et al., 2021).
De origem mediterrânea, seu OE oferece diversos benefícios, incluindo redução da dor
e desconforto, melhoria da circulação sanguínea no corpo, efeitos relaxantes e propriedades
carminativas (que promovem o relaxamento do músculo liso). Além disso, o OE de
Lavandula sp. é considerado o menos tóxico e alergênico entre os óleos essenciais disponíveis
22
(Karadag et al., 2015; Abbasijahromi et al., 2019; Kritsidima et al., 2010; Muzzarelli et al.,
2006).
A lavanda faz parte da família Lamiaceae, que apresenta muitas espécies com
diferentes características químicas. O gênero Lavandula sp. tem aproximadamente 30
espécies cultivadas em todo o mundo que compartilham constituintes e propriedades químicas
principais semelhantes (Kim et al., 2021). Seu óleo essencial é extraído das flores e caules por
destilação a vapor, resultando em um líquido incolor ou amarelo pálido com um aroma doce,
floral e herbáceo (Kim et al., 2021; Malloggi et al., 2021).
As espécies mais utilizadas na aromaterapia são a L. angustifolia, L. latifolia, L.
stoechas e L.x intermedia. Embora as proporções de suas composições químicas possam
variar substancialmente, os componentes principais comumente encontrados incluem
lavandulol, linalol, acetato de linalil, cânfora, cineol, cariofileno, canfeno, dipenteno,
limoneno, ocimeno e terpineno (Genc e Saritas, 2019; Donelli et al., 2019).
Devido a sua estrutura molecular que permite a formação de ligações de hidrogênio
com os receptores olfativos, o monoterpeno linalol (3,7-dimetilocta-1,6-dien-3-ol)
desempenha um papel significativo na transmissão da estimulação olfativa. Essa capacidade é
influenciada pela presença do átomo de oxigênio na molécula. Além disso, uma estreita
relação química entre o acetato de linalil e o linalol, pois o linalol é o produto comum e direto
resultante da hidrólise do acetato de linalil, juntamente com o ácido acético (Malloggi et al.,
2021).
O linalol tem como alvos principais os receptores GABA-A. Essa interação é
responsável pela indução do sono por meio do efeito sedativo do ácido gama-aminobutírico
(GABA), especialmente na amígdala, e também pela inibição da liberação de acetilcolina
(Karadag et al., 2015; Hossain et al.,2002; Milanos et al., 2017). A pesquisa de Harada et al.
(2018), mencionada por Malloggi et al. (2021), reforçou que o efeito do linalol é mediado
pelo GABA, sendo antagonizado pelo flumazenil.
Considerando o papel da via GABAérgica na modulação da excitação no locus
coeruleus, é possível supor que o óleo essencial de Lavandula sp. possa induzir a diminuição
da excitação por meio dessa via, como observado por Breton-Provencher e Sur (2019), citados
por Malloggi et al. (2021). Estudos também sugerem que tanto o linalol quanto o acetato de
linalil possuem mecanismos complementares relacionados aos efeitos cognitivos do óleo
essencial de Lavandula sp. (Cavanagh e Wilkinson, 2002; Degel e Koster, 1999).
Além dos mecanismos anteriormente mencionados, algumas evidências indicam que o
linalol também atua pela via serotoninérgica, o que pode ser atribuído à ativação do núcleo da
23
rafe (Elisabetsky et al., 1999; Donelli et al., 2019; Malloggi, et al., 2021), sendo mediado pelo
receptor 5HT-1A em áreas específicas do cérebro, como o hipocampo, córtex cingulado
anterior, giro temporal, giro fusiforme e ínsula.
Essa ativação apresenta efeitos semelhantes aos dos inibidores seletivos da recaptação
de serotonina (ISRS), embora o óleo essencial de Lavandula sp. pareça não causar alterações
no volume da matéria cinzenta, ao contrário dos ISRSs, conforme observado por Baldinger et
al. (2015).
4.3. Capítulo 3 Ensaio clínicos com Lavandula sp. para redução da ansiedade
A aromaterapia tem ressurgido na literatura científica nas últimas décadas, ganhando
destaque como uma das práticas integrativas e complementares mais utilizadas na medicina
(Malloggi et al., 2021). Especificamente, nos últimos anos, tem havido um aumento contínuo
no uso da aromaterapia como terapia adjuvante para transtornos mentais, como ansiedade e
depressão, impulsionando a pesquisa sobre os mecanismos de ação e protocolos de tratamento
nessa área (Cui et al., 2022).
Esta terapêutica tem se destacado também para alívio da dor, controle do estresse,
relaxamento diário e aprimoramento da prática de meditação em contextos clínicos. Seu uso
tem sido particularmente eficaz na redução da dor e desconforto, embora os mecanismos
subjacentes a esses efeitos ainda não estejam completamente compreendidos, incluindo a
possível influência de efeitos placebo relacionados (Masaoka et al., 2013).
O uso do óleo essencial de Lavandula sp. tornou-se popular, tendo sua eficácia
avaliada em um grande número de ensaios clínicos, e mostrando ser capaz de diminuir a
ansiedade e a depressão comórbida em vários ambientes (Kim et al., 2021). Estudos de
revisão e meta-análise têm levantado questões sobre as formas de administração dos óleos
essenciais, a heterogeneidade de protocolos e possíveis falhas metodológicas (Kantor, 2009;
Ng et al., 2018, citados por Malloggi et al., 2021).
A revisão sistemática realizada por Cui et al. (2022) avaliou especialmente a eficácia
da aromaterapia no tratamento de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, e apresentou
resultados promissores indicando que a inalação é uma opção eficaz para melhorar estas três
condições, tendo vantagens como alta permeabilidade, metabolismo rápido, não retenção e
baixa toxicidade. Os autores ressaltam ainda que é crucial esclarecer a dose segura de óleos
essenciais inalados em aplicações clínicas, enfatizando uma relação dependente entre dose e
eficácia.
24
De acordo com a revisão de Kim et al. (2021), a Lavandula sp. apresentou
propriedades ansiolíticas e antidepressivas, com base nos ensaios clínicos analisados. Ao
observar a meta-análise para ansiedade autoavaliada, onde incluiu-se 30 estudos, foi possível
constatar que a inalação deste OE foi significativamente superior aos comparadores
(tratamento padrão, placebo ou nenhum tratamento).
A meta-análise (Kim et al., 2021) ainda avaliou o efeito antidepressivo, incluindo 10
estudos e revelou que este mesmo OE também foi superior ao placebo ou nenhum tratamento
em sete dos dez estudos randomizados controlados (RCTs). A análise de subgrupo pela via de
administração mostrou que a aplicação da Lavandula sp. por meio de massagem, inalação e
administração oral (silexan) foi significativamente superior ao tratamento padrão, placebo ou
nenhum comparador de tratamento.
Esta terapêutica com Lavandula sp. mostrou maior eficácia em populações com
doenças coronarianas e/ou pacientes em UTI, enquanto a eficácia para populações com
ansiedade e/ou depressão apresentou menor significância estatística. O risco geral de viés nos
estudos avaliados foi baixo, com apenas cinco estudos classificados como de alto risco. A
análise de sensibilidade mostrou que a exclusão desses estudos de alto risco não alterou
significativamente o efeito médio, sugerindo que os tamanhos de efeito podem não ter sido
superestimados (Kim et al., 2021).
Essa meta-análise confirmou resultados de outras revisões, como a de Kang et al.
(2019) e Donelli et al. (2019), que também mostraram uma diminuição significativa na
ansiedade com o uso de lavanda, embora a magnitude do efeito tenha variado ligeiramente
entre as revisões.
Ainda na revisão de Kim et al. (2021) não foram encontrados efeitos consistentes nos
parâmetros fisiológicos. Embora a Lavandula sp. tenha mostrado uma diminuição
significativa na pressão arterial sistólica, não foram observados efeitos significativos na
pressão arterial diastólica, frequência cardíaca e níveis de cortisol salivar ou sérico. Nas
revisões de Kang et al. (2019) e Donelli et al. (2019), essa inconsistente também foi
observada, sendo salientado pelos outros que poucos estudos se propõe a analisar os
parâmetros fisiológicos, necessitando assim de mais observações para uma conclusão robusta.
Uma revisão sistemática realizada por Malloggi et al. (2021) investigou os efeitos da
aromaterapia com Lavandula sp. no aprimoramento cognitivo. Os resultados mostraram que a
inalação do OE resultou em diminuição do nível de excitação e melhora do componente
sustentado da atenção, o que a torna um método prático e não invasivo para melhorar as
funções cognitivas.
25
Estudos anteriores também apoiaram essas descobertas. Saiorwan et al. (2012, citado
por Malloggi et al., 2021) observaram uma diminuição dos parâmetros autonômicos e
aumento da potência nas bandas alfa, beta e teta durante a inalação do OE de Lavandula sp.,
indicando uma redução no estado de despertar. Além disso, um estudo de EEG conduzido por
Park et al. (2019, citado por Malloggi et al., 2021) encontrou ondas alfa aumentadas após a
inalação deste mesmo OE, sugerindo um efeito relaxante.
Outros três estudos (Diego et al., 1998; Dimpfel et al., 2004; Songsamoe et al., 2020)
também mostraram uma correlação positiva entre a inalação do óleo essencial de Lavandula
sp. e o aumento da potência beta, indicando uma redução na excitação e melhoria nas tarefas
de atenção sustentada (Malloggi et al., 2021).
26
5. MATERIAIS E MÉTODOS
5.1. Delineamento
O presente estudo consiste em um ensaio clínico de Fase I e um ensaio clínico
controlado randomizado duplo cego de Fase II. Este delineamento é definido como um estudo
experimental que analisa os efeitos de uma intervenção em seres humanos.
5.2. Aspectos Éticos
Todos os procedimentos levaram em consideração os padrões éticos da Declaração de
Helsinque de 1964 e respeitaram os aspectos éticos para pesquisas com seres humanos
conforme a Resolução 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o Número do Parecer:
5.544.633, e registrada na plataforma do Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC). O
sigilo e o anonimato foram atestados e explicados no Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) (ANEXO 2), assim como a possibilidade de desistência em qualquer
etapa do estudo.
5.3.Cromatografia do óleo essencial de Lavandula x intermedia
O OE de Lavandula x intermedia foi adquirido através da empresa Scentec
Fragrâncias, National Partner da International Flavors e Fragrances (IFF), com os devidos
certificados de autencidade, onde uma amostra foi então submetida à cromatografia gasosa,
para análise dos constituintes.
A análise de cromatografia gasosa-espectrometria de massa (CG-EM) é uma técnica
analítica amplamente utilizada em diversos campos, tanto na indústria quanto em laboratórios
de pesquisa, para a análise de amostras de OE. Essa técnica combina a separação
cromatográfica em uma coluna específica com a detecção por espectrometria de massa,
permitindo a identificação e a caracterização do perfil químico do OE. Durante a análise, cada
composto volátil presente na amostra é separado e retido por um tempo fixo na coluna
selecionada, e seu espectro de massa característico é registrado. A identificação dos
compostos é realizada comparando-se os tempos de retenção e espectros de massa
27
experimentais com aqueles de compostos puros previamente conhecidos (Malloggi et al.,
2021).
Em nosso estudo, a análise por CG-EM foi realizada em um sistema Shimadzu QP-
2010 Ultra Quadrupole MS, operando com energia de ionização de 70 eV. Foi utilizada
coluna capilar de sílica fundida RTX-5MS capilar (30 m x 0,25 mm d.i., 0,25 μM de
espessura do filme); Hélio como gás carreador, fluxo de 3 mL/min com split 1:100. As
temperaturas do injetor e do detector foram de 220 ºC e 280 ºC, respectivamente. A
temperatura da coluna foi programada de 40 ºC (isotérmico por 1min) a 220 ºC, a 10 ºC/ min
(permanecendo isotérmico por 2 min a 220 ºC), de 220 ºC a 280 ºC a 20 ºC/ min
(permanecendo isotérmico por 5 min a 280 ºC). Foi realizada varredura dos íons em modo
scan, com m/z 50 a 500. A identificação das substâncias foi efetuada através da comparação
dos seus espectros de massas com as bibliotecas do sistema CG- EM (Nist. 08 e Wiley 9).
5.4. Fase I
Um dos primeiros passos na avaliação de um novo tratamento/fármaco é estabelecer a
dose que será administrada, os ensaios clínicos publicados sobre a utilização da Lavandula
sp. para redução da ansiedade mostraram uma variabilidade de estratégias quanto à posologia,
o que nos fez realizar um estudo preliminar, classificado como um ensaio clínico de Fase I,
sendo caracterizado como um estudo prospectivo, quantitativo, comparativo, de campo e de
intervenção.
A análise dos dados da Fase I ocorreu a partir da observação dos efeitos adversos e da
análise dos parâmetros psicológicos (ansiedade-estado e ansiedade-traço, medido pelo Idate;
depressão, ansiedade e estresse, medidos pelo Dass-21; e qualidade do sono, medido pelo
Psqi-Br) e fisiológicos (pressão arterial e saturação do oxigênio) dos sujeitos participantes.
A compreensão da necessidade de conduzir estudos de Fase I baseia-se na importância
de estimar a tolerabilidade e caracterizar a farmacocinética e a farmacodinâmica de uma
substância que irá interagir com o organismo. Esses estudos visam determinar a dose máxima
que pode ser administrada antes que ocorra toxicidade inaceitável nos participantes, conforme
descrito por Friedman, Furberg e DeMets (2010).
A segurança e eficácia do OE foram avaliadas por três parâmetros: a) ausência de
efeitos adversos durante as quatros semanas de tratamento; b) redução dos escores das escalas
psicológicas e c) não alteração dos parâmetros fisiológicos. A dose que apresentou menos
efeitos adversos e melhor eficácia caracterizada por diminuição significativa das escalas
28
psicológicas e não alteração dos parâmetros fisiológicos foi utilizada como posologia padrão
na Fase II.
5.4.1. Participantes
Foram selecionados por conveniência, nove alunos voluntários saudáveis da
Universidade Federal da Paraíba.
5.4.2. Local da pesquisa
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Psicofarmacologia, da Universidade Federal da
Paraíba. A participação foi voluntária e se deu após a leitura e concordância com o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual descreve a pesquisa e assegura o
anonimato.
5.4.3. Elegibilidade e amostragem
Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: indivíduos saudáveis; maiores de 18
anos; que sintam odores e aromas. Os critérios de exclusão foram: pacientes com histórico de
reações alérgicas aos componentes do produto, e/ou fazendo uso de fármacos ansiolóticos ou
antidepressivos.
Os nove indivíduos foram alocados em três grupos experimentais com três
participantes (n=3). A escolha desse número de sujeitos foi embasada nos princípios de
amostragem humana propostos por Friedman, Furberg e DeMets (2010), considerados
pioneiros no estudo clínico de Fase I. Essa fase tem como objetivo principal proporcionar uma
avaliação preliminar da segurança de um produto em teste, sendo conduzida em pequenos
grupos de voluntários saudáveis. Em cada grupo, cada sujeito atuou como seu próprio
controle, comparando sua avaliação clínica inicial com a avaliação clínica final realizada após
a inalação do óleo essencial de Lavandula x intermedia.
A figura 1 representa o método desta fase.
29
Figura 1 - Fluxograma da Fase I
5.4.4. Intervenção
Antes de iniciar o tratamento, os voluntários responderam ao formulário
sociodemográfico e médico (ANEXO 1), e às escalas psicológicas, e seus parâmetros
fisiológicos foram registrados, em seguida receberam o Kit Intervenção para realizarem as
inalações em casa.
O protocolo do estudo consistiu em duas inalações diárias (manhã e noite) por 15 a 20
minutos em um período de quatro semanas. Cada grupo contou com posologia diferente: duas
gotas, quatro gotas ou oito gotas, aplicadas em uma bola de algodão presa ao colarinho (numa
distância de aproximadamente 30 cm).
Ao final do período de 28 dias, os voluntários voltaram ao laboratório para novas
medições, e para avaliarem os efeitos adversos.
5.4.5. Análise estatística
Utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21, a
análise estatística foi conduzida com um nível de significância de 5%. Para avaliar as
diferenças entre os grupos no pré-tratamento e pós-tratamento, foi aplicado o teste de
Kruskall-Wallis. Para avaliar as diferenças pré e pós-tratamento dentro de cada grupo,
utilizou-se o teste de Wilcoxon. Além disso, foi realizado o teste de Mann-Whitney para
identificar eventuais diferenças entre dois grupos específicos.
30
5.5. Fase II
5.5.1. Participantes
A amostra inicial foi composta por 67 pessoas, que realizaram a triagem (que consistia
no preenchimento das escalas Idate-E e Idate-T, no formulário sócio demográfico e médico, e
na Entrevista clínica estruturada para os transtornos do DSM-5), e responderam às escalas
psicológicas qualidade do sono de Pittsburgh/Psqi-Br, escala de ansiedade, depressão e
estresse/ Dass-21, e tiveram as medidas fisiológicas (pressão arterial, frequência cardíaca e
saturação de oxigênio) registradas. Durante o tratamento, 26 pessoas desistiram e/ou não
retornaram para as avaliações pós-intervenção, totalizando 41 pessoas. No entanto, mais 10
pessoas não retornaram para as avaliações de seguimento (follow-up).
5.5.2. Local da pesquisa
Esta fase aconteceu no Laboratório de Neurociência Social, na Universidade Federal
da Paraíba. A participação foi voluntária e se deu após a leitura e concordância com o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual descreve a pesquisa e assegura o
anonimato.
5.5.3. Elegibilidade e amostragem
Os critérios de inclusão foram: ter idade entre 18 anos a 30 anos, com traço
ansiogênico e estado de ansiedade médio ou alto (com escores acima de 30 no Inventário de
ansiedade traço-estado/Idate), e que sintam odores. os critérios de exclusão foram: ser
dependente químico, ou estar usando medicamentos ansiolíticos, antidepressivos, anti-
histamínico, narcóticos, ser alérgico a odores/aromas. Também seriam excluídos na triagem
pessoas que se enquadrassem nos critérios diagnósticos de Transtorno de Ansiedade
Generalizada, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtorno Depressivo Maior e Transtorno
de Déficit de Atenção, de acordo com a estratégia de rastreio Entrevista Clínica Estruturada
para os Transtornos do DSM-5 (ANEXO 9).
Os participantes foram divididos em dois grupos: Tratado e Controle, e foram
alocados randomicamente, com permuta em blocos na taxa de 1:1, através de um gerador de
números aleatórios do programa de randomização online (www. random.org).
31
Os assistentes de pesquisa foram treinados para aplicar os formulários, medir os
parâmetros fisiológicos e entregar os kits com o tratamento aos voluntários, e ao contrário do
pesquisador responsável, não estavam cegados quanto ao tipo de tratamento que os
voluntários receberam.
A figura 2 representa o método desta fase.
Figura 2 - Fluxograma da Fase II
5.5.4. Intervenção
Foi criado um protocolo de aplicação clínica de quatro semanas de inalação diária de
15 a 20 minutos, tendo como base os ensaios clínicos de Conrad e Adams (2012), Jokar et al.
(2020), e Barati et al. (2016), combinado com a estratégia de realizar duas inalações por dia
(manhã e noite), como sugerido por Najafi et al. (2014), Shirzadegan et al. (2017; 2020).
Antes de iniciar o tratamento, os voluntários responderam ao formulário
sociodemográfico e médico (ANEXO 1), e às escalas psicológicas, e seus parâmetros
fisiológicos foram registrados, em seguida receberam o Kit Intervenção para realizarem as
inalações em casa.
O Grupo Tratado inalou quatro gotas do OE de Lavandula x intermedia aplicadas a
100% de concentração, em uma bola de algodão presa ao colarinho, para inalação, enquanto o
Grupo Controle inalou quatro gotas de óleo de coco, também em uma bola de algodão presa
ao colarinho. Ao final do estudo, foi oferecido ao Grupo Controle o mesmo tratamento.
O algodão foi escolhido por não promover a difusão do aroma no ar, evitando assim a
dispersão de componentes voláteis (Malloggi et al., 2021).
32
5.5.5. Análise estatística
Utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21, a
análise estatística foi conduzida com um nível de significância de 5%. Para comparar as
médias pré e pós-intervenção entre os grupos, foi aplicado o teste t de Student de amostras
independentes. para avaliar os efeitos das intervenções dentro de cada grupo, utilizou-se o
teste t de Student de amostras dependentes pareadas. Além disso, foi realizada a análise de
variância (ANOVA) mista e o teste post hoc de Sidak para comparar os grupos no
seguimento.
5.5.6. Follow-up
Foram realizadas avaliações de seguimento (follow-up) após quatro semanas da
finalização do tratamento, onde os voluntários responderam novamente às escalas
psicológicas e registraram os parâmetros fisiológicos.
5.5.7. Aderência
Foram utilizadas três estratégias de aderência: a) calendário de acompanhamento de
auto aplicação (ANEXO 7); b) lembrete eletrônico diário para as aplicações e c) contato
direto com o pesquisador para tirar dúvidas.
5.6. Instrumentos utilizados na Fase I e na Fase II
5.6.1. Medidas fisiológicas
As medidas de variabilidade da Pressão Arterial (P. A.) foram mensuradas utilizando o
esfigmomanômetro digital de pulso, sendo registrada na ficha do voluntário a média de três
leituras, e a saturação do oxigênio foi medida através do oxímetro de dedo digital, colocando
o dedo indicador do voluntário, higienizado com álcool 70%, sem esmalte nas unhas, no
espaço emborrachado do aparelho, até a leitura das medidas.
33
5.6.2. Avaliação da ansiedade
O Inventário de Ansiedade Traço-Estado (Idate)(ANEXO 3 e 4) foi desenvolvido por
Spielberger et al., sendo posteriormente traduzido e adaptado para o Brasil por Spielberger,
Biaggio e Natalício (1979). Este instrumento é amplamente validado no país e sua aplicação
em pesquisas científicas é autorizada pela resolução 002/2003 do Conselho Federal de
Psicologia (Barros et al., 2011; Borine, 2011).
Composto por duas escalas de autorrelato, o Idate mede dois tipos distintos de
ansiedade: estado e traço. Cada escala consiste em 20 afirmações, avaliadas em uma escala
Likert de 4 pontos. Os escores totais de cada escala variam de 20 a 80, sendo que valores mais
altos indicam um maior nível de ansiedade. Os escores são interpretados da seguinte forma:
níveis baixos de ansiedade entre 20-30, níveis médios de ansiedade entre 31-49 e níveis altos
de ansiedade acima de 50 pontos (Barros et al., 2011).
A parte que se refere ao traço no Idate possui uma base biológica e descreve a forma
como os indivíduos geralmente se sentem, indicando uma predisposição estável para
experienciar, expressar e descrever emoções negativas, como preocupações e medos. Por
outro lado, a parte relacionada ao estado descreve o estado emocional transitório das pessoas
em um determinado momento, caracterizado por sentimentos de nervosismo e apreensão, bem
como respostas fisiológicas como aumento da respiração ou frequência cardíaca (Spielberger
et al., 1979). Esta ferramenta é amplamente utilizada para avaliar a ansiedade em populações
normais e é um dos instrumentos mais utilizados no Brasil (Borine, 2011).
5.6.3. Avaliação da qualidade do sono
O Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (Psqi-Br) (ANEXO 5) foi desenvolvido
por Buysse et al. (1989) e adaptado para o contexto brasileiro por Bertolazi et al. (2011). Este
instrumento tem como objetivo fornecer informações sobre o tipo e a gravidade dos distúrbios
do sono, bem como a qualidade do sono ao longo de um período de 1 mês. O Psqi consiste em
um total de 24 questões, sendo que 19 delas são autorrelatadas pelo próprio indivíduo,
enquanto as outras 5 são respondidas por um parceiro de cama ou colega de quarto, mas não
são consideradas na pontuação (Bertolazi et al., 2011). No nosso estudo, apenas os itens de
autorrelato foram utilizados.
As 19 questões autorrelatadas do Psqi abrangem diferentes aspectos da qualidade
subjetiva do sono, incluindo latência do sono, duração do sono, eficiência habitual do sono,
34
distúrbios do sono, uso de medicamentos para dormir e disfunção diurna. Essas questões o
agrupadas em sete componentes. Cada item recebe uma pontuação de 0 (nenhuma
dificuldade) a 3 (dificuldade severa), e as pontuações dos sete componentes são somadas para
gerar uma pontuação global do Psqi, que varia de 0 a 21. Uma pontuação total abaixo de 5
indica uma boa qualidade do sono, enquanto uma pontuação igual ou superior a 5 indica uma
qualidade do sono. Uma pontuação acima de 5 indica que o indivíduo está sofrendo
significativamente em pelo menos duas áreas do sono ou está experimentando um sofrimento
leve a moderado em mais de três áreas do sono (Buysse et al., 1989).
5.6.4. Avaliação de depressão, ansiedade e estresse
A Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (Dass) (ANEXO 6) foi desenvolvida por
Lovibond e Lovibond (1995) e possui duas versões. A versão curta contém 21 itens que
avaliam depressão, ansiedade e estresse, utilizando sete itens para cada construto mental. Já a
versão longa é composta por 42 itens, sendo 14 itens para cada fator ou construto. Essa escala
de autorrelato foi adaptada e validada para a língua portuguesa por Vignola e Tucci (2014). A
pontuação é baseada em uma escala Likert de quatro pontos, variando de 0 (não se aplicou a
mim) a 3 (aplicou-se muito), referente aos sentimentos experimentados durante a última
semana.
Na subescala de estresse, as perguntas 1, 6, 8, 11, 12, 14 e 18 o utilizadas. A
subescala de ansiedade é composta pelas perguntas 2, 4, 7, 9, 15, 19 e 20. a subescala de
depressão é formada pelas perguntas 3, 5, 10, 13, 16, 17 e 21. Para obter a pontuação final, os
valores de cada subescala são somados e multiplicados por dois para corresponder à
pontuação da escala original (Dass-42). A classificação dos sintomas de estresse varia de
acordo com a pontuação: 0-10 = normal; 11-18 = leve; 19-26 = moderado; 27-34 = severo;
35-42 = extremamente severo. A classificação dos sintomas de ansiedade é a seguinte: 0-6 =
normal; 7-9 = leve; 10-14 = moderado; 15-19 = severo; 20-42 = extremamente severo. Por
fim, a classificação dos sintomas de depressão é: 0-9 = normal; 10-12 = leve; 13-20 =
moderada; 21-27 = severa; 28-42 = extremamente severa (Vignola e Tucci, 2014).
35
6. RESULTADOS
6.1 Cromatografia
Os resultados obtidos na cromatografia (conforme apresentado na tabela 1) estão em
concordância com as informações encontradas na literatura a respeito dos componentes dos
óleos voláteis da Lavandula x intermedia. Conforme descrito por Tisserand e Young (2014), a
Lavandula x intermedia é um híbrido natural e artificial resultante do cruzamento entre
Lavandula angustifolia e Lavandula latifolia, também conhecida como Lavandula hybrida
Reverchon ou Lavandula hortensis Hy. As cultivares de óleos essenciais mais comuns dessa
espécie são a OE Abrialis e OE Grosso. Ao compararmos os constituintes principais presentes
em nosso óleo com aqueles descritos na literatura, confirmamos que estavam presentes em
proporções adequadas.
Tabela 1 Comparação entre os constituintes dos óleos essenciais
OE usado no estudo
Lavandin Abrialis (Tisserand e Young, 2014)
Constituinte
Área %
Área %
Linalool
36.50%
30.038.0%
Linalyl acetate
31.62%
20.030.0%
Camphor
9.38%
7.011.0%
1,8-Cineole
7.74%
6.011.0%
b-Caryophyllene
3.42%
3.07.0%
Borneol
2.37%
2.04.0%
Isoborneol
1.35%
1.54.0%
Thymol
1.70%
1.02.0%
alpha terinyl acetate
0.85%
0.51.5%
Limonene
0.79%
<1.0%
Dolcymene
0.76%
beta-Pinene
0.68%
Lavandin Grosso (Tisserand e Young, 2014)
Terpinen-4-ol acetate
0.54%
Área %
Geranyl acetate
0.45%
22.528.0%
alpha-Humulen
0.44%
26.237.5%
Plinol
0.36%
6.612.2%
Neryl acetate
0.31%
5.210.2%
gamma-Terpineol
0.28%
1.92.7%
2.42.9%
0.91.1%
2.32.4%
1.11.6%
01.5%
01.2%
01.2%
03.3%
01.1%
36
6.2. Fase I
6.2.1. Características da amostra
Em junho de 2022, foram selecionados nove voluntários saudáveis que atendiam aos
critérios de elegibilidade, incluindo critérios de inclusão e exclusão. Desses voluntários,
33,3% eram do sexo masculino e 66,7% do sexo feminino. Todos possuíam nível superior
completo ou em andamento, e a idade média era de 28,8 anos. A tabela 2 apresenta esses
dados, incluindo a porcentagem das características econômico-familiares.
Os voluntários foram alocados aleatoriamente em três grupos: Grupo de 2 gotas,
Grupo de 4 gotas e Grupo de 8 gotas.
Tabela 2 Características da amostra (Fase I)
Variável
Idade
(M ± DP)
28,8 ± 5,4
Sexo
33,3 % - masculino
66,7 % - feminino
Nível econômico
11,1 % - menos de um salário mínimo
22,2% - até dois salários mínimos
66,7 % - mais de 2 salários mínimos
Nível educacional
11,1% - Ensino Superior incompleto
88,9 % - Ensino Superior Completo
6.2.2. Efeitos adversos
A avaliação dos efeitos adversos é uma parte fundamental da estratégia de observação
direta intensiva e, juntamente com a análise abrangente dos parâmetros psicológicos e
fisiológicos, forneceram informações para a definição da posologia na intervenção da Fase II.
Conforme apresentado na tabela 3, o grupo que recebeu 8 gotas demonstrou a
ocorrência de todos os efeitos adversos avaliados, incluindo vermelhidão, coceira, dor de
cabeça, sensibilidade olfativa e náusea. Dentre esses efeitos, os mais significativos foram a
dor de cabeça, relatada como moderada em 33,3% dos casos e forte em 33,3%, a sensibilidade
olfativa moderada em 33,3% e a náusea moderada em 33,3%.
Os grupos que receberam 2 gotas e 4 gotas não apresentaram vermelhidão nem
coceira, porém relataram ocorrência de dor de cabeça leve (66,7% no grupo de 2 gotas e
33,3% no grupo de 4 gotas). Além disso, o Grupo de 4 Gotas relatou sensibilidade olfativa
leve em 33,3%, enquanto o Grupo de 2 Gotas relatou náusea leve em 33,3%.
37
Tabela 3 Efeitos adversos (Fase I)
Efeitos adversos
Grupo 2 gotas
Grupo 4 gotas
Grupo 8 gotas
Geral
Vermelhidão
Nenhum
Leve
Moderado
Forte
100%
0%
0%
0%
100%
0%
0%
0%
66,7%
33,3%
0%
0%
88,9%
11,1%
0%
0%
Coceira
Nenhum
Leve
Moderado
Forte
100%
0%
0%
0%
100%
0%
0%
0%
66,7%
33,3%
0%
0%
88,9%
11,1%
0%
0%
Dor de cabeça
Nenhum
Leve
Moderado
Forte
33,3
66,7%
0%
0%
66,7%
33,3%
0%
0%
33,3%
0%
33,3%
33,3%
44%
33,3%
11%
11%
Sensibilidade olfativa
Nenhum
Leve
Moderado
Forte
100%
0%
0%
0%
66,7%
33,3%
0%
0%
0%
66,7%
33,3
0%
55,6%
33,3%
11,1%
0%
Náusea
Nenhum
Leve
Moderado
Forte
66,7%
33,3%
0%
0%
100%
0%
0%
0%
66,7%
0%
33,3%
0%
77%
11,1%
11%
0%
6.2.3. Medidas psicológicas
Conforme está demonstrado na tabela 4, o teste de Kruskal-Wallis mostrou que não
houve diferença significativa entre os grupos no pós-tratamento sobre as variáveis analisadas:
ansiedade-estado e ansiedade-traço, medidas pelo Idate; depressão, ansiedade e estresse,
medidas pelo Dass-21; e qualidade do sono, medida pelo Psqi-Br.
38
Tabela 4 - Parâmetros psicológicos Diferença entre os grupos de acordo com o teste de Kruskall-Wallis
Variável
Grupo 2 gotas
Mean Rank
Grupo 4 gotas
Mean Rank
Grupo 8 gotas
Mean Rank
Significância
X² (p)
(Kruskal-Wallis Test)
Idate-E
pré-tratamento
5,67
4,00
5,33
X²=0,622 (p=0,733)
pós-tratamento
5,00
2,67
6,50
X²=3,139 (p=0,208)
Idate-T
pré-tratamento
5,00
4,67
5,33
X²=0,089 (p=0,957)
pós-tratamento
4,00
4,00
6,00
X²=1,000 (p=0,607)
Psqi-Br
pré-tratamento
3,83
4,50
6,67
X²=1,898 (p=0,387)
pós-tratamento
3,67
4,83
5,25
X²=0,708 (p=0,702)
Depressão (Dass-21)
pré-tratamento
5,67
4,83
4,50
X²=0,304 (p=0,733)
pós-tratamento
3,17
4,50
6,50
X²=2,593 (p=0,274)
Ansiedade (Dass-21)
pré-tratamento
5,17
3,83
6,00
X²=0,989 (p=0,610)
pós-tratamento
4,83
2,17
7,50
X²=5,919 (p=0,52)
Estresse (Dass-21)
pré-tratamento
4,00
4,67
6,33
X²=1,216 (p=0,544)
pós-tratamento
4,50
3,17
6,50
X²=2,593 (p=0,274)
Na tabela 5 é possível observar que o teste de Wilcoxon mostrou que não houve
diferença significativa em nenhum parâmetro psicológico.
Tabela 5 - Parâmetros psicológicos - Diferença entre pré e pós-tratamento de acordo com o teste de
Wilcoxon
Variável
Grupo 2 gotas
Média
(Desvio Padrão)
Grupo 4 gotas
Média
(Desvio Padrão)
Grupo 8 gotas
Média
(Desvio Padrão)
Idate-E
pré-tratamento
53,67 ± 21,079
44,33 ± 2,082
48,00 ± 19,079
pós-tratamento
49,00 ± 18,745
35,00 ± 5,000
57,50 ± 3,536
Significância Z (p)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,000 (p=0,317)
Idate-T
pré-tratamento
49,00 ± 17,521
47,67 ± 5,859
44,33 ± 16,773
pós-tratamento
42,33 ± 15,695
40,67 ± 6,028
47,50 ± 6.364
Significância Z (p)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,342 (p=0,180)
Psqi-Br
pré-tratamento
7,00 ± 1,000
7,33 ± 1,528
8,33 ± 1,155
pós-tratamento
4,33 ± 0,577
4,67 ± 0,577
6,00 ± 2,828
Significância Z (p)
Z=-1,633 (p=0,102)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,342 (p=0,180)
39
Depressão (Dass-21)
pré-tratamento
8,00 ± 4,000
6,67 ± 1,155
6,67 ± 5,033
pós-tratamento
4,50 ± 3,817
4,00 ± 3,464
8,00 ± 0,000
Significância Z (p)
Z=-1,633 (p=0,102)
Z=-1,414 (p=0,157)
Z=-0,447 (p=0,655)
Ansiedade (Dass-21)
pré-tratamento
16,67 ± 1,155
14,00 ± 3,464
17,33 ± 11,547
pós-tratamento
12,67 ± 3,055
7,33 ± 2,309
21,00 ± 1,414
Significância Z (p)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,604 (p=0,109)
Z=-1,342 (p=0,180)
Estresse (Dass-21)
pré-tratamento
11,33 ± 12,702
8,00 ± 3,464
11,33 ± 4,619
pós-tratamento
8,25 ± 6,089
5,33 ± 2,309
11,00 ± 1,414
Significância Z (p)
Z=-0,816 (p=0,414)
Z=-1,633 (p=0,102)
Z=-1,342 (p=0,180)
Também foi realizada uma comparação entre o Grupo de 2 Gotas e o Grupo de 4
Gotas, para avaliar a redução dos escores e assim poder selecionar a melhor estratégia de
posologia para a Fase II, uma vez que o Grupo de 8 Gotas foi excluído por apresentar todos os
efeitos adversos avaliados.
Como pode ser analisada na tabela 6, de acordo com o teste de Mann-Whitney, não
houve diferença estatisticamente significativa entre o Grupo de 2 Gotas e o Grupo de 4 Gotas
nas variáveis analisadas após a intervenção.
Tabela 6 - Parâmetros psicológicos Diferença entre os grupos 2 Gotas e 4 Gotas após a intervenção de
acordo com o teste de Mann-Whitney
Variável
Grupo 2 gotas
Mean Rank
Grupo 4 gotas
Mean Rank
Significância
U (p)
(Mann-Whitney Test)
Idate-E
4,33
2,67
U=2,000 (p=0,275)
Idate-T
3,33
3,67
U=4,000 (p=0,827)
Psqi-Br
3,00
4,00
U=3,000 (p=0,456)
Depressão (Dass-21)
2,83
4,17
U=2,500 (p=0,361)
Ansiedade (Dass-21)
4,83
2,17
U=0,500 (p=0,072)
Estresse (Dass-21)
3,83
3,17
U=3,500 (p=0,653)
6.2.4. Medidas fisiológicas
Conforme está demonstrado na tabela 7, o teste de Kruskal-Wallis mostrou que não
houve diferente significativa entre os grupos no pós-tratamento (e também não havia
diferença significativa no pré-tratamento) sobre as variáveis analisadas: Pressão Arterial
Sistólica, Pressão Arterial Diastólica e Saturação do Oxigênio.
40
Tabela 7 - Parâmetros fisiológicos - Diferença entre os grupos de acordo com o teste de Kruskall-Wallis
Variável
Grupo 2 gotas
Mean Rank
Grupo 4 gotas
Mean Rank
Grupo 8 gotas
Mean Rank
Significância
X² (p)
(Kruskal-Wallis Test)
P. A. Sistótica
pré-tratamento
4,00
5,67
5,33
X²=0,622 (p=0,733)
pós-tratamento
4,00
5,33
4,00
X²=0,556 (p=0,757)
P. A. Diastólica
pré-tratamento
4,83
5,33
4,83
X²=0,067 (p=0,967)
pós-tratamento
4,00
5,50
3,75
X²=0,822 (p=0,663)
Ox. Saturação
pré-tratamento
5,33
4,83
4,83
X²=0,080 (p=0,961)
pós-tratamento
2,83
5,50
5,50
X²=3,810 (p=0,149)
Na tabela 8 é possível observar que o teste de Wilcoxon mostrou que os grupos não
divergiram significativamente nas variáveis fisiológicas.
41
Tabela 8 - Parâmetros fisiológicos - Diferença entre pré e pós-tratamento de acordo com o teste de
Wilcoxon
Variável
Grupo 2 gotas
Média
(Desvio Padrão)
Grupo 4 gotas
Média
(Desvio Padrão)
Grupo 8 gotas
Média
(Desvio Padrão)
P. A. Sistólica
pré-tratamento
120,67 ± 5,033
125,67 ± 10,017
122,33 ± 10,786
pós-tratamento
121,63 ± 8,733
124,67 ± 12,858
118,50 ± 4,950
Significância Z (p)
Z=0,000 (p=1,000)
Z=-0,272 (p=0,785)
Z=0,000 (p=1,000)
P. A. Diastólica
pré-tratamento
81,33 ± 5,508
84,00 ± 9,644
82,67 ± 9,609
pós-tratamento
82,75 ± 8,631
87,67 ± 11,930
80,50 ± 9,192
Significância Z (p)
Z=-1,414 (p=0,655)
Z=0,000 (p=1,000)
Z=-1,000 (p=0,317)
Saturação do oxigênio
pré-tratamento
96,33 ± 4,619
98,33 ± 0,577
98,33 ± 0,577
pós-tratamento
98,38 ± 1,408
99,00 ± 0,000
99,00 ± 0,000
Significância Z (p)
Z=-0,447 (p=0,655)
Z=-1,414 (p=0,157)
Z=-1,414 (p=0,157)
Na comparação entre o Grupo de 2 Gotas e o Grupo de 4 Gotas, através do teste de
Mann-Whitney, para avaliar a diferenças dos escores no pós-tratamento (conforme pode ser
observado na tabela 9), não foi observada diferença significativa nos parâmetros fisiológicos
avaliados.
Tabela 9 - Parâmetros fisiológicos Diferença entre o Grupo de 2 Gotas e o Grupo de 4 Gotas
após a intervenção de acordo com o teste de Mann-Whitney
Variável
Grupo 2 gotas
Mean Rank
Grupo 4 gotas
Mean Rank
Significância
U (p)
(Mann-Whitney Test)
P. A. Sistólica
3,00
4,00
U=3,000 (p=0,513)
P. A. Diastólica
3,00
4,00
U=3,000 (p=0,513)
Saturação do oxigênio
2,50
4,50
U=1,500 (p=0,121)
6.3. Fase II
6.3.1. Características da amostra
Entre os meses de agosto e novembro de 2022, um total de 67 voluntários foi
selecionado para participar do estudo, considerando os critérios de elegibilidade estabelecidos
(inclusão e exclusão). No entanto, ao longo do processo, 26 voluntários desistiram antes de
completar as quatro semanas de intervenção. Durante a fase de seguimento (follow-up), outras
10 pessoas não compareceram para a avaliação das medidas psicológicas e fisiológicas.
42
Portanto, o estudo contou com a participação de um total de 41 indivíduos, que foram
alocados aleatoriamente em dois grupos: Grupo Tratado, composto por 20 voluntários
(48,8%), e Grupo Controle, composto por 21 voluntários (51,2%). Do total de participantes,
29,3% (n=12) eram do sexo masculino e 70,7% (n=29) do sexo feminino, com uma média de
idade de 25,4 ± 3,3 anos.
A tabela 10 apresenta a distribuição percentual da amostra em relação às
características econômico-familiares, educacionais e ao consumo de substâncias, tanto para
cada grupo separadamente quanto de forma geral.
Tabela 10 - Dados sociodemográficos da amostra (Fase II)
Grupo Tratado
Grupo Controle
Geral
Idade
(M ± DP)
24,9 ± 3,0
(M ± DP)
25,9 ± 3,6
(M ± DP)
25,4 ± 3,3
Sexo
Masculino
Feminino
25%
75%
33,3%
66,7%
29,3%
70,7%
Nível econômico
Menos de 1 salário mínimo
1 salário mínimo
Até 2 salários mínimos
Mais de 2 salários mínimos
0
10%
50%
40%
4,8%
9,5%
42,9%
42,9%
2,4%
9,8%
46,3%
41,5%
Nível educacional
Ens. Fund.
Ens. Médio
Ens. Sup. Inc.
Ens. Sup. Comp.
0%
5%
50%
45%
4,8%
14,3%
52,4%
28,6%
2,4%
9,8%
51,2%
36,6%
Consumo de álcool
Diário
Esporádico
Não faz uso
0%
75%
25%
0%
85%
14,3%
0%
80,5%
19,5%
Consumo de cigarro
Diário
Esporádico
Não faz uso
15%
5%
80%
14,3%
9,5%
76,2%
14,6%
7,3%
78%
Consumo de maconha
Diário
Esporádico
Não faz uso
10%
10%
80%
14,3%
9,5%
76,2%
12,2%
9,8%
78%
Consumo de café
Diário
Esporádico
Não faz uso
60%
20%
20%
61,9%
14,3%
23,8%
61%
17,1%
22%
43
6.3.2. Medidas psicológicas
Conforme evidenciado na tabela 11, o Grupo Tratado apresentou uma redução
estatisticamente significativa (p=0,0001) nos escores de ansiedade-estado, avaliado pelo
Idate-E. A média pré-tratamento foi de 54,40 ± 11,293, e a média pós-tratamento foi de 41,55
± 10,792. No entanto, em comparação com o Grupo Controle, a diferença não foi significativa
(p=0,976), uma vez que esse grupo também apresentou uma redução estatisticamente
significativa (p=0,001) nos escores pós-tratamento (de 52,90 ± 12,012 para 41,67 ± 13,268).
Quanto à variável ansiedade-traço, medida pelo Idate-T, ambos os grupos
apresentaram uma redução estatisticamente significativa no pós-tratamento (p=0,000), mas a
diferença entre os grupos não foi significativa (p=0,215).
O mesmo padrão ocorreu com os escores do instrumento Psqi-Br, utilizado para
avaliar a qualidade do sono. O Grupo Tratado apresentou uma redução significativa (p=0,000)
nas médias pré-tratamento de 11,20 ± 2,285 para 7,10 ± 2,024 no pós-tratamento, assim como
o Grupo Controle, que teve média de 10,29 ± 2,741 no pré-tratamento e média de 6,71 ±
3,334 no pós-tratamento (p=0,001). Não houve diferença estatisticamente significativa entre
os grupos (p=0,659).
Foi observado também o efeito placebo nas três subescalas do instrumento Dass-21.
Na subescala de depressão, o Grupo Tratado apresentou uma redução significativa (p=0,003)
nas médias pré-tratamento de 18,50 ± 9,622 para 10,40 ± 7,067 no pós-tratamento, enquanto o
Grupo Controle teve uma redução significativa nos escores (p=0,000) das médias pré-
tratamento de 17,62 ± 12,355 para 8,29 ± 8,861 no pós-tratamento. No entanto, a diferença
entre os grupos não foi estatisticamente significativa (p=0,652).
Na subescala ansiedade (Dass-21), o Grupo Tratado apresentou uma redução
significativa (p=0,000) nas médias pré-tratamento de 21,60 ± 7,444 para 10,40 ± 7,067 no
pós-tratamento, enquanto o Grupo Controle teve uma redução significativa (p=0,005) nas
médias pré-tratamento de 16,38 ± 9,851 para 9,14 ± 10,268 no pós-tratamento. Não houve
diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p=0,652).
Na subescala estresse, houve uma redução significativa nos escores em ambos os
grupos (p=0,000), com médias pré-tratamento de 27,20 ± 7,466 para 15,70 ± 7,491 no Grupo
Tratado e de 23,90 ± 9,066 para 13,52 ± 8,875 no Grupo Controle. A diferença entre os
grupos não foi estatisticamente significativa (p=0,403).
44
Tabela 11 Medidas psicológicas Diferença dos escores entre as variáveis no Grupo Tratado e no Grupo
Controle no pré-tratamento e pós-tratamento
Variável
Grupo Tratado
Média
(Desvio Padrão)
Grupo Controle
Média
(Desvio Padrão)
Significância teste t (p)
Idate-E
pré-tratamento
54,40 ± 11,293
52,90 ± 12,012
t’=0,438 (p=0,664)
pós-tratamento
41,55 ± 10,792
41,67 ± 13,268
t’= -0,031 (p=0,976)
Significância teste t (p)
t’=3,857 (p=0,001)*
t’=3,857 (p=0,001)*
Idate-T
pré-tratamento
62,15 ± 7,962
57,38 ± 10,897
t’=1,593 (p=0,119)
pós-tratamento
50,35 ± 11,918
45,57 ± 12,351
t’=1,260 (p=0,215)
Significância teste t (p)
t’=4,870 (p=0,000)*
t’=5,868 (p=0,000)*
Psqi-Br
pré-tratamento
11,20 ± 2,285
10,29 ± 2,741
t’=1,157 (p=0,254)
pós-tratamento
7,10 ± 2,024
6,71 ± 3,334
t’=0,445 (p=0,659)
Significância teste t (p)
t’=6,322 (p=0,000)*
t’=3,862(p=0,001)*
Depressão (Dass-21)
pré-tratamento
18,50 ± 9,622
17,62 ± 12,355
t’=0,254 (p=0,801)
pós-tratamento
10,00 ± 10,483
8,29 ± 8,861
t’=0,567 (p=0,574)
Significância teste t (p)
t’=3,361 (p=0,003)*
t’=4,466 (p=0,000)*
Ansiedade (Dass-21)
pré-tratamento
21,60 ± 7,444
16,38 ± 9,851
t’=1,907 (p=0,064)
pós-tratamento
10,40 ± 7,067
9,14 ± 10,268
t’=0,454 (p=0,652)
Significância teste t (p)
t’=5,948 (p=0,000)*
t’’=3,189 (p=0,005)*
Estresse (Dass-21)
pré-tratamento
27,20 ± 7,466
23,90 ± 9,066
t’=1,267 (p=0,213)
pós-tratamento
15,70 ± 7,491
13,52 ± 8,875
t’=0,846 (p=0,403)
Significância teste t (p)
t’=5,551 (p=0,000)*
t’=4,547 (p=0,000)*
t’: A diferença de pontuação entre os grupos Tratado e Controle foi avaliada usando o teste t de amostra
independente.
t’: A diferença de pontuação entre o pré-tratamento e o pós-tratamento de cada grupo foi avaliada usando o teste
t de amostras pareadas.
6.3.3. Medidas fisiológicas
Conforme está demonstrado na tabela 12, nenhum parâmetro fisiológico apresentou
uma redução estatisticamente significativa, nem em relação ao tempo (pré e pós-tratamento),
nem em relação aos grupos.
45
Tabela 12 Medidas fisiológicas Diferença dos escores entre as variáveis no Grupo Tratado e no Grupo
Controle no pré-tratamento e pós-tratamento
Variável
Grupo Tratado
Grupo Controle
Significância teste t (p)
P. A. Sistólica
pré-tratamento
120,50 ± 13,605
115,71 ± 9,503
t’=1,311 (p=0,198)
pós-tratamento
120,35 ± 13,484
114,52 ± 12,295
t’=1,447 (p=0,156)
Significância teste t (p)
t’=0,090 (p=0,929)
t’=0,656 (p=0,519)
P. A. Diastólica
pré-tratamento
74,55 ± 8,709
72,76 ± 7,259
t’=0,716 (p=0,479)
pós-tratamento
73,35 ± 7,372
70,43 ± 5,946
t’=1,400 (p=0,169)
Significância teste t (p)
t’=1,180 (p=0,253)
t’=2,137 (p=0,045)
Saturação do Oxigênio
pré-tratamento
98,90 ± 0,308
98,57 ± 0.811
t’=0,002 (p=0,087)
pós-tratamento
98,80 ± 0,410
98,95 ± 0,218
t’= -1,495 (p=0,143)
Significância teste t (p)
t’=1,453 (p=0,163)
t’’= -2,019 (p=0,057)
t’: A diferença de pontuação entre os grupos Tratado e Controle foi avaliada usando o teste t de amostra
independente.
t’: A diferença de pontuação entre o pré-tratamento e o pós-tratamento de cada grupo foi avaliada usando o teste
t de amostras pareadas.
6.3.4. Seguimento (follow-up)
Na fase de seguimento, ocorreram dez desistências, resultando assim em 16
voluntários no Grupo Tratado e 15 voluntários no Grupo Controle.
Através da análise de variância (ANOVA mista) entre os três tempos (pré-tratamento,
pós-tratamento e seguimento), foi observado (conforme tabela 13) que o fator tempo teve um
efeito estatisticamente significativo em todas as variáveis psicológicas: ansiedade-estado,
medida pelo Idate-E [F=9,022; (p=0,000)]; ansiedade-traço, medida pelo Idate-T [F=14,472;
(p=0,000)]; qualidade do sono, medida pelo Psqi-Br [F=10,336; (p=0,000)]; depressão,
medida pelo Dass-21 [F=7,191; (p=0,002)]; ansiedade, medida pelo Dass-21 [F=11,013;
(p=0,000)]; e estresse, medida pelo Dass-21 [F=12,966; (p=0,000)].
Esse efeito não foi observado nos parâmetros fisiológicos, e também não houve um
efeito estatisticamente significativo entre os fatores (interação) tempo e grupo, nem entre os
grupos.
46
Tabela 13 Efeitos das variáveis tempo, grupo e interação tempo e grupo nos parâmetros
psicológicos e fisiológicos
Tempo
Tempo*Grupo
Grupo
Idate-E
F=9,022; (p=0,000)*
F=1,562; (p=0,219)
F=0,102; (p=0,752)
Idate-T
F=14,472; (p=0,000)*
F=0,886; (p=0,398)
F=1,406; (p=0,246)
Psqi-Br
F=10,336; (p=0,000)*
F=0,891; (p=0,416)
F=1,073; (p=0,309)
Depressão (Dass-21)
F=7,191; (p=0,002)*
F=1,127; (p=0,320)
F=0,946; (p=0,339)
Ansiedade (Dass-21)
F=11,013; (p=0,000)*
F=1,136; (p=0,321)
F=2,050; (p=0,164)
Estresse (Dass-21)
F=12,966; (p=0,000)*
F=0,713; (p=0,457)
F=1,497; (p=0,232)
P. A. (Sistólica)
F=1,281; (p=0,277)
F=0,165; (p=0,754)
F=0,629; (p=0,435)
P. A. (Diastólica)
F=3,211; (p=0,070)
F=1,430; (p=0,248)
F=0,779; (p=0,385)
Saturação do Oxigênio
F=0,539; (p=0,586)
F=2,403; (p=0,100)
F=0,153; (p=0,699)
Teste de ANOVA mista de amostras dependentes, onde foi assumida a esfericidade (a partir do teste de
esfericidade de Mauchly) para as variáveis: ansiedade_estado (Idate-E), Psqi-Br e saturação do oxigênio, para as
demais variáveis foram aplicadas a correção de Greenhouse-Geisser.
A tabela 14 mostra as médias dos parâmetros psicológicos e fisiológicos nos três
tempos de medições, no Grupo Tratado e no Grupo Controle.
Tabela 14 Médias dos escores das variáveis no grupo tratado e no grupo
controle, no pré-tratamento, no pós-tratamento e no seguimento
Medida
Média
Modelo
padrão
Intervalo de
confiança 95%
Limite
inferior
Limite
superior
Ansiedade-
estado
(Idate-E)
Grupo
Tratado
1
55,571
2,956
49,505
61,637
2
39,786
3,637
32,324
47,248
3
46,571
2,901
40,620
52,523
Grupo
Controle
1
50,200
2,856
44,340
56,060
2
43,733
3,513
36,524
50,942
3
44,933
2,802
39,184
50,683
Ansiedade-traço
(Idate-T)
Grupo
Tratado
1
62,214
2,666
56,743
67,685
2
47,857
3,467
40,743
54,972
3
49,000
2,956
42,934
55,066
Grupo
Controle
1
54,733
2,576
49,448
60,019
2
45,733
3,350
38,860
52,607
3
47,133
2,856
41,273
52,994
Qualidade do
sono (Psqi-Br)
Grupo
Tratado
1
11,500
,632
10,204
12,796
2
7,071
,774
5,483
8,660
3
10,000
1,056
7,833
12,167
Grupo
Controle
1
10,333
,610
9,081
11,586
2
7,533
,748
5,998
9,068
3
8,467
1,020
6,373
10,560
Depressão
(Dass-21)
Grupo
Tratado
1
19,143
3,053
12,878
25,408
2
8,286
2,576
2,999
13,572
3
14,000
2,981
7,884
20,116
Grupo
Controle
1
15,200
2,950
9,147
21,253
2
9,200
2,489
4,093
14,307
47
3
8,267
2,880
2,358
14,176
Ansiedade
(Dass-21)
Grupo
Tratado
1
21,286
2,366
16,432
26,139
2
9,714
2,480
4,625
14,803
3
11,714
2,102
7,402
16,027
Grupo
Controle
1
14,800
2,285
10,111
19,489
2
9,200
2,396
4,284
14,116
3
9,067
2,031
4,900
13,233
Estresse
(Dass-21)
Grupo
Tratado
1
27,429
2,452
22,397
32,460
2
14,143
2,018
10,003
18,283
3
19,286
2,892
13,351
25,220
Grupo
Controle
1
22,667
2,369
17,806
27,527
2
14,267
1,949
10,267
18,266
3
15,333
2,794
9,600
21,067
P. A.
(Sistólica)
Grupo
Tratado
1
118,071
3,000
111,916
124,227
2
119,857
3,376
112,931
126,784
3
116,714
3,526
109,479
123,950
Grupo
Controle
1
116,667
2,898
110,720
122,614
2
117,133
3,261
110,442
123,825
3
112,400
3,407
105,410
119,390
P. A.
(Diastólica)
Grupo
Tratado
1
73,643
2,082
69,370
77,915
2
72,714
1,768
69,087
76,341
3
72,500
2,043
68,307
76,693
Grupo
Controle
1
73,533
2,012
69,406
77,661
2
71,200
1,708
67,696
74,704
3
68,067
1,974
64,016
72,117
Saturação do
oxigênio
Grupo
Tratado
1
98,857
,189
98,470
99,244
2
98,714
,100
98,509
98,920
3
98,786
,118
98,543
99,028
Grupo
Controle
1
98,533
,182
98,159
98,907
2
98,933
,097
98,735
99,132
3
98,733
,114
98,499
98,968
48
Na tabela 15, é possível observar a diferença entre as médias pré-tratamento e pós-
tratamento, e a diferença entre as médias pré-tratamento e seguimento, no Grupo Tratado e no
Grupo Controle, através do post hoc de Sidak.
Tabela 15 Comparação entre os grupos no pré-tratamento, pós-tratamento e seguimento, de acordo com
o post hoc de Sidak
Diferença média entre
pré-tratamento e pós-tratamento
(Média e valor de p)
Diferença média entre
pré-tratamento e seguimento (follow-up)
(Média e valor de p)
Idate-E
Tratado
Controle
15,786; p=0,000*
6,407; p=0,199
9,000; p=0,071
5,267; p=0,407
Idate-T
Tratado
Controle
14,357; p=0,000*
9,000; p=0,003*
13,214; p=0,002*
7,600; p=0,095
Psqi-Br
Tratado
Controle
4,429; p=0,000*
2,800; p=0,019*
1,500, p=0,485
1,867, p=0,273
Depressão (Dass-21)
Tratado
Controle
10,857; p=0,000*
6,000; p= 0,032*
5,143; p=0,500
6,933; p=0,226
Ansiedade (Dass-21)
Tratado
Controle
11,571, p=0,000*
5,600; p=0,038*
9,571; p=0,011*
5,733; p=0,168
Estresse (Dass-21)
Tratado
Controle
13,286; p=0,000*
8,400; p=0,003*
8,143; p=0,136
7,333; p=0,178
P. A. Sistólica
Tratado
Controle
-1,786; p=0,740
-0,467; p=0,992
1,357; p=0,986
4,267; p=0,687
P. A. Diastólica
Tratado
Controle
0,929; p=0,800
2,333; p=0,117
1,143; p=0,949
5,467; p=0,067
Saturação do Oxigênio
Tratado
Controle
0,143; p=0,863
-0,400; p=0,141
0,071; p=0,975
-0,200; p=0,627
49
Na análise realizada, foi observada uma redução estatisticamente significativa no
Grupo Tratado entre a média de ansiedade-estado/Idate-E no pré-tratamento e pós-tratamento
(15,786; p=0,000), no entanto, essa redução não se manteve no período de seguimento (9,000;
p=0,071) (Figura 3). Por outro lado, o Grupo Controle não apresentou diferença significativa
nas médias de ansiedade-estado/Idate-E entre o pré-tratamento e pós-tratamento (6,407;
p=0,199), nem no período de seguimento (5,267; p=0,407).
Figura 3 - Variável Ansiedade-estado/Idate-E
Na variável ansiedade-traço/Idate-T, o Grupo Tratado teve uma diferença média
significativa entre o pré-tratamento e o pós-tratamento (14,357; p=0,000), e essa diferença se
manteve significativa no seguimento (13,214; p=0,002), o que não ocorreu com o Grupo
Controle, que teve uma diferença média significativa apenas no pós-tratamento (9,000;
p=0,003) (Figura 4).
Figura 4 - Variável Ansiedade-Traço/Idate-T
50
Na variável qualidade do sono/Psqi-Br, os dois grupos apresentaram diferença média
significativa entre o pré-tratamento e o pós-tratamento (Grupo Tratado: 4,429; p=0,000;
Grupo Controle: 2,800; p=0,019), que não se manteve no seguimento (Figura 5).
Figura 5 - Variável Qualidade do Sono/Psqi-Br
Na subescala depressão (Dass-21), o Grupo Tratado teve diferença média significativa
no pós-tratamento de 10,857; p=0,000, e o Grupo Controle teve diferença média significativa
de 6,000; p= 0,032. No entanto, essas diferenças não se mantiveram significativas no período
de seguimento em nenhum dos grupos (Figura 6).
Figura 6 - Variável Depressão (Dass-21)
51
Na subescala ansiedade (Dass-21), o Grupo Tratado teve uma diferença média
significativa entre o pré-tratamento e o pós-tratamento (10,857; p=0,000), que se manteve no
seguimento (9,571; p=0,011), ao contrário do Grupo Controle, que apresentou uma diferença
significativa apenas no pós-tratamento (5,600; p=0,038) (Figura 7).
Figura 7 - Variável Ansiedade (Dass-21)
A subescala estresse (Dass-21) mostrou uma diferença média significativa no pós-
tratamento nos dois grupos (Grupo Tratado: 13,286; p=0,000; Grupo Controle: 8,400;
p=0,003), mas as diferenças não se mantiveram no período de seguimento (Figura 8).
Figura 8 - Variável Estresse (Dass-21)
52
Nos três parâmetros fisiológicos avaliados (pressão arterial sistólica e diastólica e
saturação do oxigênio), não foram observadas diferenças médias significativas tanto no pós-
tratamento quanto no período de seguimento para ambos os grupos (Figuras 9, 10 e 11).
Figura 9 - Variável Pressão Arterial Sistólica
Figura 10 - Variável Pressão Arterial Diastólica
53
Figura 11 - Variável Saturação do Oxigênio
De acordo com a análise post hoc de Sidak (tabela 16), não foram encontradas
diferenças médias significativas entre os grupos no pós-tratamento em nenhuma das variáveis,
assim como no período de seguimento.
Tabela 16 Diferença entre as médias dos grupos no pós-tratamento e no seguimento, de acordo com post
hoc de Sidak
Diferença média entre os grupos no pós-
tratamento
(Média e valor de p)
Diferença média entre os grupos no
seguimento (follow-up)
(Média e valor de p)
Idate-E
-3,948; p=0,442
1,638; p=0,688
Idate-T
2,124; p=0,663
1,867; p=0,653
Psqi-Br
-0,462; p=0,671
1,533; p=0,306
Depressão
(Dass-21)
-0,914; p=0,800
5,733; p=0,178
Ansiedade
(Dass-21)
0,514; p=0,883
2,648; p=0,373
Estresse
(Dass-21)
-0,124; p=0,965
3,952; p=0,334
P. A. Sistólica
2,724; p=0,567
4,314; p=0,387
P. A.
Diastólica
1,514; p=0,543
4,433; p=0,130
Sat. do
Oxigênio
-0,219; p=0,127
0,052; p=0,753
54
7. DISCUSSÃO
A aromaterapia tem despertado grande interesse nos últimos anos devido aos seus
baixos efeitos adversos e ao seu uso ancestral por diferentes culturas ao redor do mundo. As
investigações envolvendo óleos essenciais, especialmente a Lavandula sp., têm fornecido
evidências sobre seu potencial para melhorar a qualidade do sono e auxiliar no tratamento de
transtornos de humor (Kim et al., 2021; McIntyre et al., 2016; Xu et al., 2008; Vieira et al.,
2018; Soares et al., 2021), para alívio da dor, controle do estresse, relaxamento e
aprimoramento da meditação (Masaoka et al., 2013).
Na Fase I tínhamos o objetivo de avaliar a toxicidade do OE de Lavandula x
intermedia para determinar a posologia que seria adotada na Fase II. De acordo com a
literatura atual, este OE é considerado o meno xico e alergênico utilizados em aromaterapia,
(Karadag et al., 2015; Abbasijahromi et al., 2019; Kritsidima et al., 2010; Muzzarelli et al.,
2006), o que foi confirmado em nosso estudo, onde os efeitos adversos foram considerados
“leves”, com exceção da dose de oito gotas, que apresentou efeitos adversos “moderados” e
“fortes” e levou à exclusão do participante, auxiliando-nos a descartar essa posologia na fase
posterior.
No que diz respeito à eficácia do OE de Lavandula x intermedia na Fase I, as análises
estatísticas não mostraram diferença significativa entre os três grupos experimentais no pós-
tratamento, após 28 dias de inalação, nas variáveis psicológicas e fisiológicas, o que pode ser
explicado pelo tamanho da amostra.
De acordo com as orientações de Friedman, Furberg e DeMets (2010), optamos por
escolher a posologia mais alta aceitável, que foi de quatro gotas, e para respaldar nossa
escolha, buscamos na literatura outros estudos que também utilizaram essa posologia e
conseguiram demonstrar uma redução significativa da ansiedade, como os trabalhos de
Beylikliogku e Arslan (2018) e Saritas et al. (2020).
Na Fase II, ressaltamos a priori, que a taxa de desistência foi mais alta do que
inicialmente esperávamos. Isso nos leva a inferir que um protocolo de quatro semanas de
tratamento pode ser desafiador para os participantes. No entanto, essa alta taxa de desistência
também confere robustez às análises realizadas, uma vez que muitos ensaios clínicos que
demonstraram a eficácia da aromaterapia com OE de Lavandula sp. utilizaram protocolos de
duração inferior.
Por exemplo, estudos como o de Abbasijahromi et al. (2019) empregaram três gotas de
OE de Lavandula sp. para inalação por 30 minutos. Karadag et al. (2015) utilizaram duas
55
gotas de OE com concentração de 2% para inalação diária ao longo de 15 dias. Najafi et al.
(2014) empregaram três gotas de OE para inalação por 20 minutos, duas vezes ao dia, em dois
dias consecutivos. Beylikliogku e Arslan (2018) utilizaram quatro gotas de OE para inalação
por 20 minutos. Senturk e Kartın (2018) empregaram duas gotas de OE antes de dormir, com
duração de 30 minutos de inalação. Saritas et al. (2020) utilizaram quatro gotas de OE por 30
minutos no dia do procedimento de endoscopia. Genc e Saritas (2019) empregaram cinco
gotas de OE por 5 minutos antes da cirurgia de hiperplasia prostática benigna. E Seyyed-
Rasooli et al. (2016) utilizaram sete gotas de OE de Lavandula sp. combinado com três gotas
de OE de rosa damascena para inalação por 30 minutos.
Uma característica importante do nosso estudo é a inclusão de um grupo controle
placebo. Em uma revisão sistemática realizada previamente, verificou-se que, dos 14 estudos
que avaliaram os efeitos da Lavandula sp. na ansiedade, apenas cinco utilizaram um grupo
controle placebo, enquanto os demais compararam os resultados da intervenção apenas com o
tratamento padrão ou ausência de tratamento (Borges, 2021). Essa escolha metodológica
confere maior confiabilidade aos resultados obtidos e nos permite estabelecer comparações
mais precisas entre os grupos e sobre o tratamento em si.
Os resultados do tratamento de quatro semanas (28 dias) com duas inalações diárias de
15 a 20 minutos de OE de Lavandula x intermedia ou placebo (óleo de coco) demonstraram
uma redução na percepção de ansiedade autorrelatada, medida pelos instrumentos Idate
(estado-traço) e Dass-21, bem como uma diminuição dos sintomas de depressão e estresse,
também avaliados pelo Dass-21. Além disso, observou-se uma melhora na qualidade do sono,
conforme avaliado pelo instrumento Psqi-Br.
Inicialmente, esses resultados sugerem um efeito placebo, uma vez que o grupo que
recebeu o óleo de coco também teve alguns parâmetros psicológicos com os escores reduzidos
no pós-tratamento. Os efeitos placebo estão fortemente relacionados ao processamento de
expectativa de recompensa (Irizarry e Licinio, 2005; de la Fuente-Fernández et al., 2004), o
que pode explicar como os voluntários que receberam este engodo experimentaram uma
redução em seus parâmetros psicológicos.
Um estudo realizado por Masaoka et al. (2013) teve como objetivo investigar o efeito
placebo da aromaterapia na analgesia. Foram constituídos quatro grupos de voluntários, nos
quais apenas dois grupos inalaram OE de Lavandula sp. Entre esses grupos, um recebeu a
informação de que o OE era eficaz na redução da percepção da dor, enquanto o outro grupo
realizou a inalação sem essa informação. Os outros dois grupos inalaram um placebo, sendo
que um deles recebeu a informação de que o placebo teria efeito analgésico.
56
De fato, os grupos que inalaram o OE de Lavandula sp. apresentaram uma redução na
percepção da dor, porém o grupo que recebeu a informação de que a intervenção era
analgésica apresentou escores de dor ainda mais baixos. Nos grupos que inalaram o placebo,
aqueles que receberam a informação de que o placebo teria efeito analgésico também
relataram uma diminuição da percepção da dor em comparação com o grupo que inalou o
placebo sem receber essa informação.
Com base nesses achados, os pesquisadores concluíram que o OE de lavanda possui
potenciais efeitos analgésicos e que as expectativas geradas por informações positivas
potencializaram esses efeitos (Masaoka, et. al., 2013). A partir desses resultados podemos
compreender o mecanismo subjacente da terapia cognitivo-comportamental (TCC), que
postula que as cognições influenciam as emoções e o comportamento (Hofmann, et. al.,
2013).
As informações olfativas são diretamente transmitidas ao sistema límbico, incluindo a
amígdala e o hipocampo. Essas regiões são consideradas o centro das emoções e estão
envolvidas no processamento das expectativas de prazer e recompensa (Blood e Zatorre,
2001). A ampla sobreposição no circuito neural entre o processamento olfativo e as
expectativas de recompensa pode fortalecer a associação entre os odores de Lavandula sp. e
as expectativas geradas por informações positivas.
Além disso, a sensação agradável dos odores de lavanda também pode contribuir para
a analgesia, uma vez que essas regiões límbicas estão envolvidas no processamento do prazer
(Masaoka, et. al., 2013). A percepção do odor depende principalmente da inspiração, que
envia moléculas de odor para os receptores do nervo olfativo e ativa as áreas límbicas
olfativas.
Os padrões respiratórios são inconscientemente modificados pela estimulação do
sistema límbico. Odores agradáveis aumentam o volume corrente e reduzem a frequência
respiratória, resultando em uma respiração lenta e profunda. A indução desses padrões
respiratórios pela aromaterapia pode ser um mecanismo que contribui para a redução das
sensações de dor (Masaoka et al., 2013).
Estudos sugerem que a respiração profunda e lenta influencia a atividade do sistema
nervoso autônomo e o processamento da dor. Assim, suprimir a atividade simpática por meio
da respiração profunda e lenta pode modular a percepção da dor e afetar a atividade límbica,
especialmente a amígdala (Masaoka et al., 2013). Um estudo conduzido por Busch et al.
(2012) buscou investigar a relevância do relaxamento como um fator independente que pode
57
mediar o efeito da respiração profunda e lenta na percepção da dor, na atividade simpática e
no humor.
Os pesquisadores avaliaram o impacto de duas cnicas de respiração profunda e lenta
no humor, na excitação simpática e, especialmente, na percepção da dor em 15 indivíduos
saudáveis. Em uma das intervenções, os participantes realizaram respiração profunda e lenta
enquanto se concentravam em uma tarefa que exigia atenção persistente. Na outra
intervenção, eles adotaram uma forma de respiração voltada principalmente para o
relaxamento sem esforço mental.
No que diz respeito ao humor, os autores observaram uma redução significativa da
tensão, raiva e sentimentos depressivos após ambas as intervenções respiratórias, juntamente
com uma redução geral no nível de estresse. Isso indica que o ato de parar para respirar de
forma concentrada pode ter um efeito de regulação emocional (Busch et al., 2012).
Durante o nosso experimento, os voluntários tiveram que ajustar suas rotinas e fazer a
inalação duas vezes ao dia, durante 28 dias. É possível especular que o simples ato de
interromper o funcionamento padrão e dedicar um tempo para respirar possa ter efeitos sobre
o humor, especialmente para aqueles que inalaram o óleo de coco.
Estudos anteriores haviam demonstrado um efeito semelhante ao de Busch et al.
(2012) na redução de sentimentos negativos por meio de exercícios respiratórios em pacientes
com dor crônica e indivíduos saudáveis (Han et al., 1996; Paul et al., 2007). Esses exercícios
mostraram eficiência na redução da atividade biológica relacionada ao estresse em voluntários
saudáveis, como evidenciado pela diminuição do tônus simpático (Busch et al., 2012).
Não estamos sugerindo que os voluntários do nosso estudo que receberam o placebo
tenham adotado esse tipo específico de respiração profunda e lenta. No entanto, considerando
a conexão estrutural entre as regiões respiratórias e os neurônios dentro do complexo
amigdalino, a respiração pode desempenhar uma função específica na modulação direta do
humor por meio de mecanismos biológicos (Busch et al., 2012).
Por outro lado, o fato de os grupos não apresentarem diferenças significativas após o
protocolo de aromaterapia contradiz outros trabalhos, como o de Abbasijahromi et al. (2019),
que realizou uma intervenção de 30 minutos de inalação de 3 gotas de OE de Lavandula sp.,
em mulheres pós-cirurgia cesariana, e conseguiu reduzir a ansiedade e a dor manifestada em
comparação com o grupo controle que inalou solução salina.
Jokar et al. (2020) também conseguiram reduzir os escores relacionados a ansiedade e
depressão em uma intervenção diária de 20 minutos de inalação de OE de Lavandula latifólia
58
por 4 semanas em mulheres pós-menopausa, em comparação com um grupo placebo que
recebeu água destilada.
Kasar et al. (2020) demonstrou que a inalação de 5 gotas de OE Lavandula
angustifólia, diluído em 100ml de água destilada, também foi capaz de reduzir os níveis de
dor e ansiedade durante a injeção de ponto de gatilho, em pacientes com síndrome de dor
miofascial, e melhorar o conforto dos pacientes, em comparação com os grupos controle (que
não recebeu intervenção) e placebo (que recebeu 5 gotas de óleo orgânico para bebês).
As revisões sistemáticas realizadas por Kim et al. (2021), Cui et al. (2022), e Donelli
et al. (2019) demonstraram que um efeito positivo do OE de Lavandula sp. na redução da
ansiedade, e todos os três trabalhos apontaram para questões comumente encontradas nos
ensaios clínicos em aromaterapia: diversidade de posologias, escassez medições de
parâmetros fisiológicos (os poucos estudos que trazem esses dados, tem efeitos pequenos com
significâncias inconsistentes), e desenhos de estudos com amostras em situações pontuais e
específicas, como pacientes submetidos a cirurgia ou procedimento invasivo, pacientes
críticos com doenças cardíacas, em unidades de terapia intensiva, gestantes ou puérperas,
mulheres na menopausa, entre outros.
Realizamos uma pesquisa nos bancos de dados PubMed, BVS e Scielo utilizando os
descritores "aromatherapy" e "anxiety" em ensaios clínicos randomizados publicados nos
últimos 10 anos no Brasil. Nessa busca, encontramos apenas dois ensaios clínicos
randomizados conduzidos por um grupo de pesquisadores da Universidade de o Paulo
(USP).
Um desses estudos (Gnatta et al., 2014) teve como objetivo investigar os efeitos do OE
de ylang ylang, aplicado topicamente ou inalado, na percepção da ansiedade, autoestima e
parâmetros fisiológicos, como pressão arterial e temperatura. Os resultados mostraram que
houve diferença significativa apenas na autoestima após o tratamento, não havendo diferenças
entre os tratamentos ativos e o placebo em relação à ansiedade.
O outro estudo (Gnatta et al., 2011) visou avaliar a eficácia dos OE de gerânio e
Lavandula sp. na redução da ansiedade, comparando os resultados entre eles. A administração
cutânea desses óleos foi avaliada em uma amostra de estudantes universitários. Os resultados
indicaram que o grupo que recebeu o OE de Lavandula sp. apresentou uma redução maior nos
escores de ansiedade, embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa.
Sendo assim, ao que tudo indica, o presente estudo parece ser o primeiro no país a
avaliar um tratamento para redução dos sintomas de ansiedade em uma população diversa, por
59
meio da aplicação clínica da aromaterapia inalatória com OE de Lavandula x intermedia,
comparando-o a um tratamento placebo.
Ao realizar a análise post hoc de Sidak, observou-se que o Grupo Tratado apresentou
uma redução significativa nos escores de ansiedade-estado/Idate-E no pós-tratamento, o que
não foi observado no Grupo Controle. Além disso, ambos os grupos tiveram uma redução
significativa nos escores de ansiedade-traço/Idate-T, porém, essa redução além de ter sido
maior no Grupo Tratado, só foi mantida no período de seguimento (follow-up) neste grupo.
Esses efeitos mantidos no follow-up também foram observados na variável ansiedade
medida pelo Dass-21, com uma redução estatisticamente superior no Grupo Tratado em
comparação ao Grupo Controle. Dessa forma, embora o Grupo Controle tenha relatado uma
percepção de redução nos níveis de ansiedade, foi apenas no grupo que de fato realizou a
inalação da substância com potencial terapêutico que essa redução se manteve durante o
período sem inalação.
Em relação às demais variáveis, como qualidade do sono/Psqi-Br, depressão e estresse
(Dass-21), as reduções no Grupo Tratado também foram estatisticamente superiores em
comparação ao Grupo Controle.
O objetivo do seguimento (follow-up) foi avaliar se o uso do OE de Lavandula x
intermedia causava algum efeito rebote, semelhante ao observado em alguns medicamentos
ansiolíticos quando descontinuados (Andrews et al., 2018). No entanto, não foram observados
sinais de efeito rebote. Embora algumas variáveis, como ansiedade-estado, qualidade do sono,
depressão e estresse, tenham apresentado um aumento leve durante o período sem a inalação
do óleo, esse aumento não foi estatisticamente significativo e permaneceu em níveis inferiores
aos valores registrados antes do tratamento.
Optamos por incluir a avaliação dos níveis de depressão em nosso estudo devido à sua
relação como comorbidade da ansiedade, e também devido a evidências de estudos anteriores
sugerindo um efeito positivo do OE de Lavandula sp. na redução dos sintomas depressivos
(Jokar et al., 2020; Kim et al., 2021). Os sintomas depressivos são caracterizados por uma
gama de emoções que variam de melancolia, desesperança, desespero a incapacidade de sentir
prazer em atividades cotidianas, bem como alterações nos padrões de sono e alimentação,
fadiga e, em alguns casos, pensamentos suicidas (Cui et al., 2022).
Em nosso estudo, a intervenção com OE de Lavandula x intermedia foi eficaz na
redução dos escores relacionados à depressão, conforme avaliado pelo instrumento Dass-21.
Esses resultados também foram observados na variável qualidade do sono, avaliada pelo
instrumento Psqi-Br.
60
O sono é um aspecto frequentemente perturbado em indivíduos com ansiedade e
depressão (Santamaria e Iranzo, 2014), e estudos anteriores indicavam que a aromaterapia
com Lavandula sp. também poderia melhorar essa condição (Karadag et al., 2015; Senturk e
Kartın, 2018; Malloggi et al., 2021).
No entanto, em relação às medidas fisiológicas, nenhuma análise realizada em nosso
estudo encontrou um efeito significativo na pressão arterial e na saturação de oxigênio, o que
está em consonância com a revisão sistemática realizada por Kim et al. (2021).
No geral, os resultados do nosso ensaio clínico randomizado duplo-cego e controlado
por placebo são promissores. A intervenção com OE de Lavandula x intermedia demonstrou
eficácia na redução dos parâmetros psicológicos avaliados em todos os testes realizados.
Embora o teste t de Student tenha revelado um efeito placebo, uma vez que o Grupo Controle
também apresentou redução, é importante ressaltar que, na análise de seguimento (follow-up),
apenas os indivíduos que inalaram o óleo essencial mantiveram veis reduzidos de
ansiedade-traço e ansiedade medida pelo (Dass-21) mesmo no período sem a inalação,
sugerindo efeitos benéficos mais duradouros em comparação com o Grupo Controle.
É válido ressaltar que a crença dos participantes no tratamento pode ter influenciado
os resultados obtidos. Além disso, é possível que a simples mudança de hábito, como reservar
um momento para realizar a inalação do OE, tenha contribuído para a melhora observada no
Grupo Controle. Reconhecemos ainda as limitações deste estudo. O tamanho da amostra foi
relativamente pequeno e as desistências ao longo do protocolo de quatro semanas podem ter
afetado os resultados. Portanto, são necessárias novas investigações com amostras maiores e
um acompanhamento mais longo para fornecer evidências mais robustas sobre a eficácia da
aromaterapia com OE de Lavandula x intermedia no tratamento da ansiedade.
Durante as discussões e análises dos resultados, identificou-se uma importante lacuna
nos estudos analíticos que investigam o efeito placebo em intervenções com aromaterapia.
Isso sugere a necessidade de realizar revisões sistemáticas específicas que abordem
exclusivamente estudos que incluam esse controle, o que contribuiria para a construção de um
conhecimento mais sólido e robusto nessa área.
61
8. CONCLUSÃO
O protocolo de intervenção de quatro semanas utilizando o OE de Lavandula x
intermedia demonstrou eficácia na redução dos níveis de ansiedade, tanto em sua dimensão
traço quanto estado, conforme avaliado pelos instrumentos Idate e Dass-21. Além disso,
observou-se uma melhora significativa no índice de qualidade do sono, conforme medido pelo
instrumento Psqi-Br, e uma redução nos níveis de depressão e estresse, avaliados pelo
instrumento Dass-21.
É relevante destacar que o efeito placebo ainda é pouco explorado na literatura,
especialmente nos estudos que investigam a aromaterapia. Portanto, há a necessidade contínua
de conduzir ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, a fim de aprofundar
nosso entendimento nessa área. Nota-se ainda, que a terapia com OE de Lavandula x
intermedia apresenta baixos riscos de efeitos adversos, especialmente quando administrada
em posologias moderadas.
Dessa forma, os resultados obtidos neste estudo oferecem suporte para a eficácia da
aromaterapia como uma opção terapêutica no manejo da ansiedade, qualidade do sono,
depressão e estresse. Sendo necessário prosseguir com pesquisas rigorosas para melhor
compreender os mecanismos de ação, a influência do efeito placebo e a aplicação adequada
dessa abordagem terapêutica.
62
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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72
10. ANEXOS
ANEXO 1 QUESTIONÁRIO SÓCIO DEMOGRÁGICO E MÉDICO
Questionário sócio demográfico e médico
Nome: _____________________________________________________________________
Idade: ______________ Cidade/ Estado: __________________________________________
Sexo: ( ) masc. ( ) fem. Telefone ____________________________________________
Nível econômico familiar
( ) menos de 1 salário mínimo ( ) 1 salário mínimo
( ) 1 a 2 salários mínimos ( ) mais de 2 salários mínimos
Nível educacional
( ) ensino fundamental ( ) ensino médio
( ) ensino superior incompleto ( ) ensino superior completo
Condições de saúde
( ) pressão alta ( ) diabetes ( ) colesterol
( ) outra condição: _______________________________________________________
Sobre o consumo de substâncias
Álcool: ( ) diário ( ) esporádico ( ) não bebe
Cigarro: ( ) diário ( ) esporádico ( ) não bebe
Maconha: ( ) diário ( ) esporádico ( ) não bebe
Faz uso de alguma medicação: ( ) sim ( ) não
Qual/Quais:_________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Sintomas/ Anamnese
Tem se sentido ansiosa(o): ( ) sim ( ) não
Há quanto tempo? _____________________________________
Tem se sentido estressada(o): ( ) sim ( ) não
Há quanto tempo? _____________________________________
Tem se sentido deprimida(o): ( ) sim ( ) não
Há quanto tempo? _____________________________________
Tem tido dificuldade para dormir: ( ) sim ( ) não
Há quanto tempo? _____________________________________
Tem sentido cansaço/fadiga: ( ) sim ( ) não
Com que frequência? _____________________________________
Tem tido dores de cabeça: ( ) sim ( ) não
Com que frequência? _____________________________________
Tem tido palpitações: ( ) sim ( ) não
Com que frequência? _____________________________________
Tem tido sudorese: ( ) sim ( ) não
73
Com que frequência? _____________________________________
Passou por algum evento estressor hoje? ( ) sim ( ) não
O quê foi? _____________________________________________________________
______________________________________________________________________
Aconteceu algum evento/notícia fora do comum que tenha deixado irritado?
( ) sim ( ) não
O quê foi? _____________________________________________________________
______________________________________________________________________
Alguma informação que ache relevante constar?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
É alérgico(a) a aromas ou adores? ( ) sim ( ) não
Qual?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Possui alguma outra alergia? ( ) sim ( ) não
Ao quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
74
ANEXO 2 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E
COMPORTAMENTO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Prezado(a) senhor(a),
Esta pesquisa é sobre reduzir a ansiedade através da aplicação inalatória de óleos
essenciais, e está sendo desenvolvida pelo pesquisador Theonys Luiz Silva Borges,
mestrando do Programa de Pós-graduação em Neurociência Cognitiva e Comportamento da
Universidade Federal da Paraíba, sob orientação da Profª Drª Mirian Graciela da Silva Stiebbe
Salvadori.
O objetivo do estudo é elaborar um protocolo clínico de quatro semanas para
autoaplicação de aromaterapia inalatória para reduzir os sintomas psicológicos da ansiedade e
investigar os efeitos desse tratamento nos sintomas fisiológicos da ansiedade, contribuindo
com o desenvolvimento científico e com a saúde e bem estar da população, uma vez que essa
pesquisa tem o potencial de comprovar a eficácia e recomendar a implementação desta
terapêutica à área das terapias complementares e integrativas do Sistema Único de Saúde.
Solicitamos sua autorização para participar do estudo, que corresponde a 60 dias de
intervenção, nas quais as quatro primeiras semanas serão realizadas a autoaplicação da terapia
com duas inalações diárias, sendo acompanhadas pela equipe de pesquisa através de
comunicação eletrônica e ligação. As últimas quatro semanas serão reservadas para avaliação
do efeito rebote através do seguimento (follow-up) sendo apenas solicitada nova medição das
escalas psicológicas e dos parâmetros fisiológicos ao final deste período.
Este presente Termo ainda nos autoriza a apresentar os resultados do estudo em
eventos da área da saúde e publicar em revista científica. Por ocasião da publicação dos
resultados, seu nome será mantido em sigilo. Informamos que esta pesquisa não oferece riscos
para sua saúde ou efeitos adversos relatados na literatura existente, e que em todo momento
haverá uma equipe disponível para tirar dúvidas sobre qualquer aspecto.
Esclarecemos que sua participação no estudo é voluntária e, portanto, o(a) senhor(a)
não é obrigado(a) a fornecer informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelo
pesquisador. Caso decida não participar do estudo, ou resolver a qualquer momento desistir
do mesmo, não sofrerá nenhum dano, nem haverá modificação na assistência que venha a
receber.
Diante do exposto, declaro que fui devidamente esclarecido(a) e dou o meu
consentimento para participar da pesquisa e para publicação dos resultados. Estou ciente que
receberei uma cópia desse documento.
75
__________, de __________________, de 2022.
João Pessoa, PB
_____________________________________________________
Assinatura do participante da pesquisa
Espaço para impressão dactiloscópica
_____________________________________________________
Assinatura do pesquisador responsável
Contato com o pesquisador responsável:
Caso necessite de maiores informações sobre o presente estudo, favor entrar em
contato com o pesquisador: Theonys Luiz Silva Borges (theoborgespsi@gmail.com).
Endereço: Universidade Federal da Paraíba Departamento de Psicologia, Telefone (83)
3209 8756. ou Comitê de Ética em Pesquisa do CCS/UFPB Cidade Universitária/Campus I,
Bloco Arnaldo Tavares, sala 812, telefone (83) 3216 7791.
76
ANEXO 3 INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE-T)
INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE-T)
Elaborado por Spielberger et al. (1970), e adaptado por Spielberger, Biaggio e Natalício
(1979).
Avaliação de Traço de Ansiedade
Instruções: A seguir serão feitas algumas afirmações que têm sido usadas para descrever
sentimentos pessoais. Faça um X no número que melhor indicar o estado como você
geralmente se sente. Não há respostas erradas ou corretas. Não gaste muito tempo numa
única afirmação, mas tente assinalar a alternativa que mais se aproximar de como você
geralmente se sente.
Avaliação:
1 = quase nunca; 2 = às vezes; 3 = frequentemente; 4 = quase sempre
Afirmações
1
2
3
4
1
Sinto-me bem
2
Canso-me facilmente
3
Tenho vontade de chorar
4
Gostaria de ser tão feliz quanto os outros parecem ser
5
Perco oportunidade porque não consigo tomar decisões rapidamente
6
Sinto-me descansada
7
Sou calmo(a), ponderado(a) e senhor(a) de mim mesmo
8
Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal forma que não
consigo resolver
9
Preocupo-me demais com coisas sem importância
10
Sou feliz
11
Deixo-me afetar muito pelas coisas
12
Não tenho muita confiança em mim mesmo
13
Sinto-me seguro(a)
14
Evito ter que enfrentar crises ou problemas
15
Sinto-me deprimido(a)
16
Estou satisfeito(a)
77
17
Ideias sem importância me entram na cabeça e ficam me preocupando
18
Levo os desapontamentos tão sérios que não consigo tirá-los da cabeça
19
Sou uma pessoa estável
20
Fico tenso(a), perturbado(a) quando penso nos meus problemas no
momento
78
ANEXO 4 INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE-E)
INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE-E)
Elaborado por Spielberger et al. (1970), e adaptado por Spielberger, Biaggio e Natalício
(1979).
Avaliação de Estado de Ansiedade
Instruções: A seguir serão feitas algumas afirmações que têm sido usadas para descrever
sentimentos pessoais. Faça um X no número que melhor indicar o estado como você
geralmente se sente. Não há respostas erradas ou corretas. Não gaste muito tempo numa
única afirmação, mas tente assinalar a alternativa que mais se aproximar de como você
geralmente se sente.
Avaliação:
1 = absolutamente não; 2 = um pouco; 3 = bastante; 4 = muitíssimo
Afirmações
1
2
3
4
1
Sinto-me bem
2
Sinto-me seguro(a)
3
Estou tenso(a)
4
Estou arrependido(a)
5
Sinto-me à vontade
6
Sinto-me perturbado(a)
7
Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios
8
Sinto-me descansado(a)
9
Sinto-me ansioso(a)
10
Sinto-me “em casa”
11
Sinto-me confiante
12
Sinto-me nervoso(a)
13
Estou agitado(a)
14
Sinto-me uma pilha de nervos
15
Estou descontraído(a)
16
Sinto-me satisfeito(a)
79
17
Estou preocupado(a)
18
Sinto-me superexcitado(a) e confuso(a)
19
Sinto-me alegre
20
Sinto-me bem
80
ANEXO 5 ÍNDICE DE QUALIDADE DE SONO DE PITTSBURGH (PSQI-BR)
ÍNDICE DE QUALIDADE DE SONO DE PITTSBURGH (PSQI-BR)
Elaborado por Buysse et al. (1989) e adaptado por Bertolazi et al. (2011)
Avaliação da qualidade do sono
Instruções: As seguintes perguntas são relativas aos seus hábitos usuais de sono durante o
último mês somente. Suas respostas devem indicar a lembrança mais exata da maioria da dos
dias e noites no último mês. Por favor, responda a todas as perguntas.
1. Durante o último mês, quando você geralmente foi para a cama à noite?
a. Hora usual de deitar ____________________
2. Durante o último mês, quanto tempo (em minutos) você geralmente levou para dormir
à noite?
a. Número de minutos ____________________
3. Durante o último mês, quando você geralmente levantou de manhã?
a. Hora usual de levantar?
4. Durante o último mês, quantas horas de sono você teve por noite? (Este pode ser
diferente do número de horas que você ficou na cama).
a. Horas de sono por noite ____________________
Para cada uma das questões restantes, marque a melhor (uma) resposta. Por favor, responda a
todas as questões.
5. Durante o último mês, com que frequência você teve dificuldade de dormir porque
você...
a. Não conseguiu adormecer em até 30 minutos
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
b. Acordou no meio da noite ou de manhã cedo
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
c. Precisou levantar para ir ao banheiro
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
d. Não conseguiu respirar confortavelmente
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
e. Tossiu ou roncou forte
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
81
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
f. Sentiu muito frio
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
g. Sentiu muito calor
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
h. Teve sonhos ruins
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
i. Teve dor
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
j. Outra(s) razão(ões), por favor descreva __________________________
______________________________________________________________________
Com que frequência, durante o último mês, você teve dificuldade para dormir devido esta
razão? ( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
6. Durante o último mês, como você classificaria a qualidade do seu sono de uma
maneira geral?
( ) muito boa ( ) boa ( ) ruim ( ) muito ruim
7. Durante o último mês, com que frequência você tomou medicamento (prescrito ou
“por conta própria”) para lhe ajudar a dormir?
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
8. No último mês, com que frequência você teve dificuldade de ficar acordado enquanto
dirigia, comia ou participava de uma atividade social (festa, reunião de amigos,
trabalho, estudo)?
( ) nenhuma no último mês ( ) menos de 1 vez/semana
( ) 1 ou 2 vezes/semana ( ) 3 ou mais vezes/semana
9. Durante o último mês, quão problemático foi para você manter o entusiasmo (ânimo)
para fazer as coisas (suas atividades habituais)?
( ) nenhuma dificuldade ( ) um problema muito leve
( ) um problema razoável ( ) um problema muito grande
82
10. Você tem um(a) parceiro(a) [esposo(a)] ou colega de quarto?
( ) não
( ) parceiro ou colega, mas em outro quarto
( ) parceiro no mesmo quarto, mas não na mesma cama
( ) parceiro na mesma cama
Para preenchimento do pesquisador
EC1
EC2
EC3
EC4
EC5
EC6
EC7
Pontuação final
83
ANEXO 6 ESCALA DE ANSIEDADE DEPRESSÃO E ESTRESSE (DASS-21)
ESCALA DE ANSIEDADE DEPRESSÃO E ESTRESSE (DASS-21)
Elaborado por Lovibond & Lovibond (1995) e adaptado por Vignola & Tucci (2014)
Avaliação da ansiedade, depressão e estresse
Instruções: Por favor, leia cuidadosamente cada uma das afirmações e faça um X para
indicar o quanto cada uma se aplicou a você durante a última semana.
Avaliação:
0 = não se aplicou de maneira alguma; 1 = aplicou-se em algum grau ou por pouco
tempo;
2 = aplicou-se em um grau considerável ou por boa parte do tempo;
3 = aplicou-se muito ou na maioria do tempo
Afirmações
0
1
2
3
1
Achei difícil me acalmar
2
Senti minha boca seca
3
Não consegui vivenciar nenhum sentimento positivo
4
Tive dificuldade em respirar em alguns momentos (ex. respiração ofegante,
falta de ar, sem ter feito nenhum esforço físico)
5
Achei difícil ter iniciativa para fazer as coisas
6
Tive a tendência de reagir de forma exagerada às situações
7
Senti tremores (ex. nas mãos)
8
Senti que estava sempre nervoso
9
Preocupei-me com situações em que eu pudesse entrar em pânico e
parecesse ridículo(a)
10
Senti que não tinha nada a desejar
11
Senti-me agitado(a)
12
Achei difícil relaxar
13
Senti-me depressivo(a) e sem ânimo
14
Fui intolerante com as coisas que me impediam de continuar o que eu
estava fazendo
15
Senti que eu ia entrar em pânico
16
Não consegui me entusiasmar com nada
17
Senti que não tinha valor como pessoa
84
18
Senti que estava um pouco emotivo/sensível demais
19
Sabia que meu coração estava alterado mesmo não tendo feito nenhum
esforço físico (ex. aumento da frequência cardíaca, disritmia cardíaca)
20
Senti medo sem motivo
21
Senti que a vida não tinha sentido
85
ANEXO 7 FOLHA DE INSTRUÇÃO E CALENDÁRIO
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E
COMPORTAMENTO
INALAÇÃO DE ÓLEOS ESSENCIAIS PARA REDUZIR A ANSIEDADE
INSTRUÇÕES
Aplicar 4 gotas de Óleo Essencial em um algodão;
Prender o algodão no colarinho da camiseta, a uma distância de até 30 cm do
nariz;
Inalar de 15 a 20 minutos pela manhã e pela noite;
Marcar um X no calendário ao lado referente ao dia de intervenção realizada
CUIDADOS
Não deixar o óleo destampado por muito tempo;
Evite contato do óleo com a pele e com os olhos;
Qualquer efeitos adverso como coceira, vermelhidão ou outro tipo de alergia,
entre em contato e interrompa o uso.
CALENDÁRIO DE ACOMPANHAMENTO
1ª semana
1º dia
2º dia
3º dia
4º dia
5º dia
6º dia
7º dia
Manhã
Noite
2ª semana
8º dia
9º dia
10º dia
11º dia
12º dia
13º dia
14º dia
Manhã
Noite
3ª semana
15º dia
16º dia
17º dia
18º dia
19º dia
20º dia
21º dia
Manhã
Noite
86
4ª semana
22º dia
23º dia
24º dia
25º dia
26º dia
27º
28º dia
Manhã
Noite
RETORNO
Data para retorno após finalização do tratamento:
________/________/_________ Horário:_________
Data para retorno após 30 dias da finalização do tratamento:
________/________/_________ Horário:_________
Caso haja alguma alteração do número de telefone, por favor, avise com antecedência.
CONTATO
Para qualquer dúvida, entre em contato: 083 9 9832 8652.