EFEITO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA SOBRE A ANSIEDADE E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA E A VOZ: UM ENSAIO CLÍNICO COM PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DA PARAÍBA PDF Free Download

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MACEIÓ
COORDENAÇÃO DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIEDADE,
TECNOLOGIAS E POLÍTICAS PÚBLICAS
EFEITO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA SOBRE A
ANSIEDADE E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA E A VOZ:
UM ENSAIO CLÍNICO COM PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DA PARAÍBA
ALAN LEITE MOREIRA
MACEIÓ AL
ABRIL/2024
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MACEIÓ
COORDENAÇÃO DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIEDADE,
TECNOLOGIAS E POLÍTICAS PÚBLICAS
EFEITO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA SOBRE A
ANSIEDADE E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA E A VOZ:
UM ENSAIO CLÍNICO COM PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DA PARAÍBA
ALAN LEITE MOREIRA
Orientadora: Profa. Dra. Vivianny Kelly Galvão
Coorientador: Prof. Dr. João Euclides Fernandes Braga
MACEIÓ AL
ABRIL/2024
ALAN LEITE MOREIRA
EFEITO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA SOBRE A
ANSIEDADE E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA E A VOZ: UM
ENSAIO CLÍNICO COM PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DA PARAÍBA
Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação
em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas
do Centro Universitário de Maceió como parte
dos requisitos necessários para obtenção do
grau de Doutor em Sociedade, Tecnologias e
Políticas Públicas.
Aprovado por:
____________________________________
Profa. Dra. Vivianny Kelly Galvão (Orientadora)
____________________________________
Prof. Dr. João Euclides Fernandes Braga (Coorientador)
____________________________________
Prof. Dr. Diego Freitas Rodrigues (Membro interno)
____________________________________
Prof. Dr. Cesário Da Silva Souza (Membro interno)
____________________________________
Prof. Dr. Marcelo Duzzioni (Membro externo da banca)
____________________________________
Prof. Dr. Rubens Riscala Madi (Membro externo da banca)
MACEIÓ AL
ABRIL/2024
Dedico esta Tese a minha Mainha, meu eterno anjo.
AGRADECIMENTOS
À Deus, a Jesus Cristo e à Nossa Senhora, o meu muito obrigado por toda proteção,
amparo e bençãos, divinamente concedidas.
Aos meus amados pais, Rosalvo Fernandes Moreira e Francisca Pires Leite Moreira (in
memoriam), que juntos me concederam o dom da vida, me educaram e me oportunizaram
crescimento pessoal e profissional.
À minha querida “vó”, Maria Pires Leite Moreira, que também me educou e me
proporcionou paz e fé espiritual.
Aos meus preciosos irmãos, Ana Paula Leite Moreira e Alex Leite Moreira, que
compartilharam comigo a infância, a adolescência e a vida adulta.
À minha amada esposa, Flávia Maiele Pedroza Trajano, por todo afeto e
companheirismo, bem como pelas vivências compartilhadas em todas as formações
acadêmicas: graduação, especialização, mestrado e doutorado.
Aos meus valiosos amigos, aqui representados por Larissa Nadjara Alves Almeida, por
viver comigo experiências de lazer e de vida, mas principalmente por estender a mão quando
precisei.
Aos meus admiráveis professores(as), desde os meus tios(as)da Educação Infantil até
os meus orientadores(as) da Pós-graduação, em especial à Profa. Dra. Vivianny Kelly Galvão
e ao Prof. Dr. João Euclides Fernandes Braga, que sempre compartilharam seus conhecimentos.
Aos meus guerreiros da pós-graduação SOTEPP/Unima, desde os colegas de turma até
os profissionais da educação, em especial os docentes.
Aos meus queridos pesquisadores dos grupos de pesquisa SINAPSE/UFPB e
ODIN/Unima, que colaboraram para a construção e o desenvolvimento desta investigação.
Aos meus companheiros de trabalho, da Universidade e da Escola, em especial a Saulo,
por alegrar-se com minhas conquistas, e a dupla Paloma/Ronnie, por sonharem e realizarem
juntos comigo o doutorado.
Aos professores avaliadores desta pesquisa, que prontamente aceitaram colaborar com
a construção deste estudo.
Ciente de que ninguém constrói nada sozinho, agradeço a todos que contribuíram com
a construção coletiva deste sonho, o Doutorado. Meu muito obrigado!
LISTA DE ABREVIATURAS OU SIGLAS
APA Associação Americana de Psiquiatria
CAPE-V Consenso da Avaliação Perceptivo Auditiva da Voz
CID-10 Décima Edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas de
Saúde Relacionados
CNE Conselho Nacional de Saúde
Covid-19 Doença infecciosa causada pelo coronavírus SARS-COV-2
DSM-5 Quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
DVRT Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho
EAV Escala Analógica Visual
EEPPVI Escola Estadual Papa Paulo VI
EJA Educação de Jovens e Adultos
GC Grupo Controle
GE Grupo Experimental
GRADE Classificação das Recomendações Avaliação, Desenvolvimento e Avaliação
HAS Hipertensão Arterial Sistêmica
IDATE Inventário de Ansiedade Traço-Estado
IAM Infarto Agudo do Miocárdio
LILACS Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde
OE Óleo Essencial
OMS Organização Mundial de Saúde
PICO População, Intervenção, Comparação e Desfecho
PICS Práticas Integrativas e Complementares em Saúde
PNE Plano Nacional de Educação
PNPIC Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
PRISMA Declaração dos Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-Análises
PROSPERO Registo Internacional Prospectivo de Revisões Sistemáticas
PUBMED Biblioteca Nacional de Medicina
PVC Punção Venosa Periférica
QV Qualidade de Vida
SARS-COV-2 Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (Síndrome Respiratória
Aguda Grave de Coronavírus 2)
SCIELO Biblioteca Eletrônica Científica Online
SINTEP Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba
SNC Sistema Nervoso Central
SOTEPP Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas
SUS Sistema Único de Saúde
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TPM Tensão Pré-Menstrual
UFPB Universidade Federal da Paraíba
VAS Escala Visual Analógica
LISTA DE TABELAS
Tabela 1.
Tabela 2.
Tabela 3.
Tabela 4.
Tabela 5.
Tabela 6.
Tabela 7.
Tabela 8.
Tabela 9.
Tabela 10.
Tabela 11.
Tabela 12.
Tabela 13.
Tabela 14.
Tabela 15.
Tabela 16.
Quantidade de artigos indexados em bases de dados....................................
Caracterização dos estudos selecionados quanto aos aspectos
metodológicos.................................................................................................
Principais resultados dos artigos selecionados para a revisão..........................
Professores em exercício no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da
Paraíba, por cor/raça e sexo (nov. 2020)..........................................................
Professores do sexo feminino em exercício no Ensino Médio da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba, por cor/raça e formação (nov. 2020)..............
Professores do sexo masculino em exercício no Ensino Médio da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba, por cor/raça e formação (nov. 2020)..............
Caracterização sociodemográfica de professores da Rede Estadual de
Ensino da Paraíba............................................................................................
Caracterização profissional de professores da Rede Estadual de Ensino da
Paraíba............................................................................................................
Caracterização dos hábitos e saúde geral de professores da Rede Estadual
de Ensino da Paraíba.......................................................................................
Caracterização dos parâmetros fisiológicos e socioemocionais de
professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba........................................
Caracterização dos parâmetros vocais de professores da Rede Estadual de
Ensino da Paraíba............................................................................................
Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais
em professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba do sexo masculino e
feminino..........................................................................................................
Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais, em
relação à cor/raça de professores da rede estadual de ensino da Paraíba..........
Diferença dedias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais em
diferentes grupos raciais.................................................................................
Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais, em
relação à formação de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba.....
Diferença dedias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais em
diferentes grupos raciais.................................................................................
28
30
31
55
57
58
67
68
69
70
71
72
72
73
73
74
Tabela 17.
Tabela 18.
Tabela 19.
Tabela 20.
Tabela 21.
Tabela 22.
Correlação entre parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais no
grupo experimental (G1) de professores da Rede Estadual de Ensino da
Paraíba............................................................................................................
Correlação entre parâmetros socioemocionais e vocais no grupo controle
(G2) de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba...........................
Comparação das médias dos parâmetros fisiológicos e psicológicos no
grupo G1, pré e pós experimento.....................................................................
Comparação das médias dos parâmetros fisiológicos e psicológicos no
grupo G2, pré e pós experimento.....................................................................
Comparação das médias dos parâmetros vocais no grupo G1, pré e pós
experimento....................................................................................................
Comparação das médias dos parâmetros vocais no grupo G2, pré e pós
experimento....................................................................................................
75
76
76
77
77
78
RESUMO
Os transtornos de ansiedade têm se apresentado cada dia mais evidentes entre diversos
profissionais, sendo a categoria docente uma das mais acometida. Esta pesquisa objetivou
avaliar o efeito do óleo essencial de Lavandula angustifolia sobre a ansiedade em professores
da Rede Estadual da Paraíba. Para isso, procedeu-se com uma fundamentação teórica, a partir
de uma revisão sistemática e uma revisão da literatura, além de um estudo exploratório. A
metodologia da parte experimental, baseou-se na realização de um ensaio clínico, quantitativo,
duplo cego, transversal, realizado com professores do Ensino Médio que lecionavam em uma
escola da Rede Estadual da Paraíba, durante o semestre do ano de 2023. Realizou-se a
randomização dos participantes em dois grupos, experimental e controle, para inalação do óleo
por 5 minutos. Aplicou-se o questionário de caracterização sociodemográfica, o Inventário de
Ansiedade Traço-Estado e o Whoqol-Bref, além de mensurar parâmetros fisiológicos e de
coletar amostras vocais dos participantes. Os dados foram alocados em planilha eletrônica para
análise estatística por meio do Software R versão 4.1.1. Realizou-se o teste de Kolmogorov
Smirnov, os testes paramétricos t-Student, o teste de correlação de Pearson e o teste Razão de
Verossimilhança. Investigou-se as relações entre os aspectos sociodemográficos (sexo, cor/raça
e formação) com os parâmetros fisiológicos (pressão arterial, frequência cardíaca e saturação
de oxigênio), socioemocionais (qualidade de vida e ansiedade) e vocais. A amostra foi
constituída por 32 professores, com média de idade de 43 anos, sendo a maioria homens, pardos,
casados, sem filhos, com especialização e saudáveis. Observou-se que houve efeito ansiolítico
com a inalação do óleo estudado, com redução significativa da Ansiedade-Estado, da Pressão
Arterial Sistólica e da Frequência Cardíaca, além do grau geral do desvio vocal, da intensidade
vocal e do nível de ruídos na voz dos docentes. Concluiu-se que a inalação do óleo essencial de
Lavandula angustifolia foi eficaz na redução dos níveis de ansiedade e dos problemas vocais,
possibilitando uma melhora na qualidade de vida desses profissionais. Sugere-se uma maior
atenção ao adoecimento psíquico dos docentes, sobretudo no que se refere a formulação das
políticas públicas que possibilitem a proteção e a promoção da saúde dos professores.
Palavras-chave: Óleo essencial de lavanda. Ansiedade. Qualidade de vida. Voz. Docente.
ABSTRACT
This research aimed to evaluate the effect of Lavandula angustifolia essential oil on anxiety in
teachers from the state network of Paraíba. For this purpose, a theoretical foundation was
provided, based on a systematic review and a literature review, in addition to an exploratory
study. The methodology of the experimental part was based on the conduct of a clinical,
quantitative, double-blind, cross-sectional trial with high school teachers teaching at a school
in the state network of Paraíba, during the second semester of the year 2023. Participants were
randomized into two groups, experimental and control, for inhalation of the oil for 5 minutes.
The sociodemographic characterization questionnaire, the State-Trait Anxiety Inventory, and
the Whoqol-Bref were applied, in addition to measuring physiological parameters and
collecting vocal samples from participants. The data were allocated in a spreadsheet for
statistical analysis using R Software version 4.1.1. The Kolmogorov-Smirnov test, t-Student
parametric tests, Pearson correlation test, and Likelihood Ratio test were performed.
Relationships between sociodemographic aspects (gender, race/ethnicity, and education) and
physiological parameters (blood pressure, heart rate, and oxygen saturation), socioemotional
factors (quality of life and anxiety), and vocal parameters were investigated. As a result, the
sample consisted of 32 teachers, with an average age of 43 years, mostly male, of mixed
race/ethnicity, married, childless, with specialization, and in good health. It was also observed
that there was an anxiolytic effect with the inhalation of the oil under study, in addition to its
relationship with quality of life and teacher's voice. It was concluded that the inhalation of
Lavandula angustifolia essential oil reduced teachers' anxiety levels, leading to an improvement
in quality of life and teacher's voice. It is suggested to pay greater attention to the psychological
illness of teachers, particularly concerning the formulation of public policies that enable the
protection and promotion of teachers' health.
Keywords: Lavender essential oil. Anxiety. Quality of life. Voice. Teaching.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 15
1.1 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 20
1.2 OBJETIVOS ....................................................................................................................... 21
1.2.1 Objetivo geral .................................................................................................................. 21
1.2.2 Objetivos específicos ....................................................................................................... 22
1.3 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA TESE.................................................................. 22
2 EFEITO DA AROMATERAPIA POR INALAÇÃO SOBRE A ANSIEDADE EM
ADULTOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA ................................................................... 24
2.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 25
2.2 MÉTODO ........................................................................................................................... 26
2.2.1 Formulação da pergunta de pesquisa ............................................................................... 26
2.2.2 Fontes de informação e busca .......................................................................................... 26
2.2.3 Critérios de inclusão e exclusão dos artigos .................................................................... 27
2.2.4 Informações selecionadas para análise ............................................................................ 27
2.3 RESULTADOS .................................................................................................................. 27
2.3.1 Busca dos dados............................................................................................................... 27
2.3.2 Análise dos dados ............................................................................................................ 28
2.4 DISCUSSÃO ...................................................................................................................... 33
2.5 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 36
3 ANSIEDADE EM PROFESSORES E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE
VIDA E A VOZ DOCENTE .................................................................................................. 37
3.1 ANSIEDADE EM PROFESSORES .................................................................................. 37
3.2 RELAÇÃO ENTRE ANSIEDADE E QUALIDADE DE VIDA DOCENTE................... 41
3.3 RELAÇÃO ENTRE ANSIEDADE E VOZ DOCENTE ................................................... 45
4 DESIGUALDADES ENTRE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO QUANTO AO
SEXO, À COR E À FORMAÇÃO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NA REDE
ESTADUAL DA PARAÍBA .................................................................................................. 50
4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .......................................................................................... 50
4.2 PERFIL DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA.................... 52
4.2.1 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com o sexo ............................ 52
4.2.2 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com a cor/raça ...................... 53
4.2.3 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com a formação .................... 54
4.3 DESIGUALDADES ENTRE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DA REDE
ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA .............................................................................. 55
4.3.1 Desigualdades entre os docentes de acordo com o sexo e a cor/raça .............................. 55
4.3.2 Desigualdades entre as professoras de acordo com a cor/raça e a formação .................. 57
4.3.3 Desigualdades entre os professores de acordo com a cor/raça e a formação .................. 58
4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 59
5 METODOLOGIA ................................................................................................................ 61
5.1 TIPO DE PESQUISA E CENÁRIO DA INVESTIGAÇÃO ............................................. 61
5.2 CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE ESCOLAR........................................................... 61
5.3 POPULAÇÃO .................................................................................................................... 61
5.5 SUBSTÂNCIAS EXPERIMENTAIS ................................................................................ 62
5.6 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO .................................................................. 63
5.6.1 Critérios de inclusão ........................................................................................................ 63
5.6.2 Critérios de exclusão ....................................................................................................... 63
5.7 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS .............................................................. 63
5.7.1 Medidas fisiológicas de avaliação da ansiedade.............................................................. 63
5.7.2 Medidas psicológicas de avaliação da ansiedade (Anexo A) .......................................... 63
5.7.4 Medidas vocais ................................................................................................................ 64
5.8 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS ........................................................... 65
5.9 TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS ...................................................................... 65
5.10 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS .......................................................................................... 66
6 RESULTADOS .................................................................................................................... 67
6.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIAL, PROFISSIONAL E DA SAÚDE GERAL DE
PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA ............................... 67
6.2 RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS SOCIODEMOGRÁFICOS COM PARÂMETROS
FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E VOCAIS DE PROFESSORES DA REDE
ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA .............................................................................. 71
6.3 RELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E
VOCAIS EM GRUPOS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA
PARAÍBA, COM E SEM INALAÇÃO AO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA
ANGUSTIFOLIA ...................................................................................................................... 74
6.4 COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PSICOLÓGICOS DOS
PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA, COM E SEM INALAÇÃO AO
ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA ...................................................... 76
6.5 ASPECTOS VOCAIS DOS PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA,
COM E SEM INALAÇÃO AO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA ... 77
7 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 79
7.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIAL, PROFISSIONAL E DA SAÚDE GERAL DE
PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA ............................... 79
7.1.1 Caracterização social ....................................................................................................... 79
7.1.2 Caracterização profissional.............................................................................................. 81
7.1.3 Caracterização da saúde................................................................................................... 84
7.2 RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS SOCIODEMOGRÁFICOS COM PARÂMETROS
FISIOLÓGICOS E SOCIOEMOCIONAIS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE
ENSINO DA PARAÍBA .......................................................................................................... 89
7.2.1 Relação quanto ao sexo ................................................................................................... 89
7.2.2 Relação quanto à cor/raça ................................................................................................ 90
7.2.3 Relação quanto à formação.............................................................................................. 92
7.3 RELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E
VOCAIS EM GRUPOS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA
PARAÍBA, COM E SEM INALAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA
ANGUSTIFOLIA ...................................................................................................................... 93
7.4 COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PSICOLÓGICOS DOS
PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA, COM E SEM INALAÇÃO DO
ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA ...................................................... 96
7.5 ASPECTOS VOCAIS DOS PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA,
COM E SEM INALAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA ... 99
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 100
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 103
APÊNDICE A TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) ... 119
APÊNDICE B CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA DOS PARTICIPANTES
DA PESQUISA ...................................................................................................................... 122
ANEXO A INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE) .................... 124
ANEXO B WHOQOL ABREVIADO (Versão em Português) ....................................... 126
ANEXO C CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA
ANGUSTIFOLIA .................................................................................................................... 129
ANEXO D CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE MELALEUCA
ALTERNIFOLIA ..................................................................................................................... 133
ANEXO E PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP ................................................. 138
15
1 INTRODUÇÃO
Os transtornos mentais configuram quatro das dez principais causas de incapacidade do
indivíduo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas no
mundo, aproximadamente, sofre de um transtorno mental ou neurológico (Who, 2022). Um
transtorno mental pode ser compreendido como uma doença psiquiátrica ou enfermidade cujas
manifestações são caracterizadas primariamente por prejuízo comportamental ou psicológico
da função cognitiva (Sadock et al., 2017).
Atualmente, a classificação dos transtornos mentais ou psiquiátricos
1
segue a quinta
edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, da Associação Americana
de Psiquiatria, chamada DSM-5 e o sistema de classificação desenvolvido pela OMS chamado
Classificação estatística internacional de doenças e problemas de saúde relacionados (CID-
10), que são as classificações psiquiátricas mais importantes. Existem diferenças textuais entre
o DSM e a CID, mas, segundo tratados entre os Estados Unidos e a OMS, os códigos numéricos
dos diagnósticos devem ser idênticos para garantir relatórios uniformes sobre estatísticas
psiquiátricas nacionais e internacionais (Sadock et al., 2017).
Independente do sistema de classificação adotado, os transtornos mentais são
frequentemente sistematizados em diversas categorias/classes, tais como: transtornos de
ansiedade, depressivos, do humor, obsessivo-compulsivo, da personalidade, da esquizofrenia,
bipolar, alimentares, do sono-vigília, dissociativos, do neurodesenvolvimento, neurocognitivos,
relacionados a substâncias (APA, 2014).
Esses transtornos mentais m se apresentado cada dia mais evidente nos indivíduos que
integram a sociedade moderna, sendo o transtorno de ansiedade um dos que mais acomete a
população mundial (Miranda et al., 2009; Who, 2022). No Brasil, um estudo realizado na região
metropolitana de São Paulo demonstrou que 29,6% dos entrevistados foram identificados com
algum transtorno nos últimos 12 meses e que um em cada dez entrevistados apresentam um
transtorno mental severo ativo. A pesquisa ainda relata que os transtornos mentais mais comuns
apresentados foram os de ansiedade (19,9%), seguidos da depressão (11,0%) (Andrade et al.,
2012). Portanto, a ansiedade foi o transtorno mental adotado como foco nesta pesquisa.
1
Os sistemas de classificação para diagnósticos psiquiátricos têm vários objetivos: diferenciar um diagnóstico
psiquiátrico de outro, de modo que os profissionais de saúde possam oferecer o tratamento mais eficaz; oferecer
uma linguagem comum entre os pesquisadores da saúde mental; e explorar as causas ainda desconhecidas de
muitos transtornos mentais (Sadock et al., 2017).
16
Além dos transtornos de ansiedade constituírem um dos grupos mais comuns de doenças
psiquiátricas (Sadock et al., 2017), também é importante destacar que eles são mais frequentes
entre os adultos e mais prevalentes entre as mulheres (Costa et al., 2019). Estima-se que um em
cada quatro pessoas satisfaz o critério diagnóstico de pelo menos um transtorno de ansiedade.
No entanto, sua prevalência diminui entre as pessoas com condições socioeconômicas mais
elevadas (Sadock et al., 2017), sendo um fator importante a ser considerado nas pesquisas em
saúde mental.
Vale ressaltar que, de modo semelhante aos transtornos mentais ou psiquiátricos, os
transtornos de ansiedade também se constituem em diversos tipos. Em adultos, eles incluem
sete transtornos específicos: de pânico, agorafobia, fobia específica, de ansiedade social ou
fobia social, de ansiedade generalizada, de ansiedade devido a outra condição médica e de
ansiedade induzido por substância/medicamento (Sadock et al., 2017).
Os sintomas ansiosos são um aspecto proeminente e característico do quadro clínico
específico de cada tipo de transtorno ansioso. No entanto, nesta pesquisa, adotamos o nível de
ansiedade como objeto de nossa investigação, já que é um fator comum aos diferentes tipos de
transtornos de ansiedade.
Particularmente, a ansiedade pode ser compreendida como uma resposta normal e
adaptativa que tem qualidades salva-vidas e adverte sobre ameaças de dano corporal, dor,
impotência, possível punição ou frustração de necessidades sociais ou corporais; separação de
entes queridos; ameaça ao sucesso ou à posição individual; e, por fim, sobre ameaças à unidade
ou integridade (Sadock et al., 2017). Dessa forma, a ansiedade é percebida como a antecipação
apreensiva de perigo ou desgraça futuros acompanhada por um sentimento de preocupação,
sofrimento e/ou sintomas somáticos de tensão (APA, 2014).
O indivíduo, em um momento de ansiedade, é acometido por manifestações somáticas
transitórias que pode se apresentar, por exemplo, na forma de taquicardia, hiperventilação,
sudorese, alterações gastrointestinais, e psicológicas, tais como: sentimentos de apreensão,
nervosismo, além de modificação no ciclo sono-vigília (Dractu; Lader, 1993).
Portanto, a ansiedade pode ser caracterizada por um estado emocional de desconforto
que pode desencadear uma série de alterações cognitivas, afetivas, comportamentais e
fisiológicas (Clark; Beck, 2012). Ela é considerada como uma reação natural ligada a uma
sensação de perigo iminente enfrentada pelo indivíduo em algum momento de sua vida (Braga
et al., 2010).
Entretanto, um quadro se configura como transtorno de ansiedade quando começa a
comprometer a vida do indivíduo, passando a ocupar um tempo considerável do seu dia-a-dia
17
e podendo causar um sofrimento significativo (Zamignannni; Banaco, 2005). Nesse sentido, a
ansiedade passa a ser reconhecida como patológica quando é exagerada, desproporcionais em
relação ao estímulo, ou qualitativamente diversos do que se observa como norma naquela faixa
etária e interferem com a qualidade de vida, o conforto emocional ou o desempenho diário do
indivíduo (Allen et al., 1995).
Para determinar o diagnóstico da ansiedade de cunho patológico, é necessária uma
avaliação clínica, bem como observar a frequência dos pensamentos e se eles prejudicam nas
tarefas cotidianas, levando em conta o contexto sociocultural e os grupos sociais (APA, 2014).
Tal transtorno desencadeia sinais e sintomas psicológicos e fisiológicos em detrimento
ao estímulo ameaçador. As manifestações psicológicas são bem representadas pela insegurança,
preocupação demasiada, temor, incertezas, apreensão, pensamentos negativos e pânico. Em
consonância, o aspecto fisiológico engloba disfunções gastrointestinais, palidez, taquicardia,
sudorese, tremores, tontura, espasmos musculares, e distúrbios do sono (Lima et al., 2017).
Do ponto de vista orgânico a ansiedade patológica pode ser expressa por quatro
componentes sintomáticos: manifestações cognitivas (expressas por pensamentos de apreensão,
sensação de tensão, irritabilidade, nervosismo, mal-estar); manifestações somáticas (sintomas
físicos como boca seca, taquicardia, falta de ar, sudorese, tontura, pressão no peito, tensão
muscular); manifestações comportamentais (insônia, inquietação, rituais compulsivos) e
manifestações emocionais (vivências subjetivas de desconforto e desprazer) (Braga et al., 2010;
Barros et al., 2003).
No que se refere, especificamente, ao conjunto de manifestações comportamentais, a
ansiedade pode ser classificada como Ansiedade Traço ou Estado. A Ansiedade Traço refere-
se a um padrão mais estável e usual de ansiedade do indivíduo ao longo da vida, sendo
considerado uma característica de personalidade. a Ansiedade Estado refere-se a uma
condição temporária de ansiedade referida em situações agudas e específicas, em um passado
recente, com enfoque mais contextual (Gorenstein; Wang; Hungerbühler, 2016). Essas
variáveis foram parâmetros mensurados no desenvolvimento desta pesquisa.
A ansiedade é destaque entre as principais doenças que acometem os trabalhadores
brasileiros, sendo possível identificar diferentes ambientes de trabalho com potencial indutor
de ansiedade. Entre eles, o ambiente escolar apresenta diversos fatores que contribuem para
induzir um estímulo ansiogênico. Nesse contexto, pode-se apontar a classe docente como uma
das mais acometidas, devido a diversos fatores, tais como: as condições e sobrecarga de
trabalho, a falta de reconhecimento profissional, alterações vocais, e o acúmulo de atribuições,
que podem abalar a capacidade física, cognitiva e afetiva dos mesmos, prejudicando muitas
18
vezes sua saúde e sua qualidade de vida, bem como seu desempenho dentro e fora da sala de
aula (Picado, 2010; Christophoro; Waidman, 2002; Almeida et al., 2014).
A Qualidade de Vida (QV) é um aspecto importante na avaliação do estado de saúde
dos indivíduos e da população em geral. Segundo a OMS, a QV refere-se à percepção dos
indivíduos da sua posição na vida, no contexto da cultura e nos sistemas de valores em que
vivem, bem como em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Trata-
se, portanto, de um conceito abrangente e multifatorial que incorpora de forma complexa a
saúde sica, o estado psicológico, o nível de independência, as relações sociais, as crenças
pessoais e as suas relações com as características do meio ambiente (OMS, 1998).
Recentemente, a crise sanitária e humanitária global causada pela disseminação do vírus
SARS-COV-2, a qual ocasionou a pandemia da Covid-19, impactou negativamente nas
condições de vida e na saúde da população. A categoria docente, especificamente, que já
relatava uma baixa QV, mesmo antes do período pandêmico, apresentou agravamento dessa
percepção. Segundo Lizana et al. (2021), ao realizarem um estudo longitudinal antes e durante
a crise de saúde, concluiu-se que a problemática foi agravada durante o período pandêmico, uma
vez que houve impacto significativo na saúde mental e física, decorrentes de fatores estressores
associados à sobrecarga de trabalho.
No que se refere aos problemas vocais, estes também têm relação com as condições de
trabalho do docente, como alta demanda e ambiente estressante, e com aspectos pessoais e
emocionais dos professores, sobretudo altos veis de ansiedade (Costa et al., 2013). Estudos
propõem uma relação de causa e efeito entre voz e ansiedade (Costa et al., 2013; Almeida et
al., 2014; Trajano et al., 2020). Almeida e colaboradores (2014) observaram que professores
com alta Ansiedade Traço apresentaram maior frequência de alteração vocal e,
consequentemente, maiores prejuízos profissionais, isto porque a voz é um importante
instrumento do docente e participa ativamente do processo ensino-aprendizagem. Portanto, esta
pesquisa investigou também a relação entre a ansiedade e o seu impacto na QV e na voz dos
professores.
No contexto desta problemática, no que pese a importância e contribuição da prática
esportiva e de lazer, existem diversas terapias que podem suprir as necessidades relacionadas à
ansiedade no panorama atual. A respeito das terapias farmacológicas, Braz et al. (2011)
afirmam que os ansiolíticos e os antidepressivos são bastante utilizados no controle dos níveis
de ansiedade. No entanto, para os autores, estes, muitas vezes, podem não trazer resultados
eficazes ou ocasionam efeitos colaterais e dependência química. Como alternativa, o uso das
terapias complementares tem recebido destaque tanto em países desenvolvidos, quanto nos
19
emergentes, não apenas devido a sua eficácia, mas também ao seu baixo custo (Gnatta;
Dornellas; Silva, 2011).
A OMS vem estimulando o uso da Medicina Complementar nos sistemas de saúde de
forma integrada às técnicas da medicina ocidental modernas. No Brasil, em 2006, houve a
implantação das condutas terapêuticas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta regulamentação, o
Ministério da Saúde recomenda o uso das terapias complementares para promoção, manutenção
e recuperação da saúde dos indivíduos, promovendo o cuidado humanizado e o fortalecimento
de tais práticas (Matos et al., 2018).
Logo, entre as terapias complementares para o controle da ansiedade, sem uso de
fármacos sintéticos, têm-se destacado a aromaterapia com a utilização de Óleos Essenciais
(OEs) para alívio de sintomas através de suas ações psicológicas, fisiológicas e farmacológicas
(Domingo; Braga, 2013).
Os OEs são produtos voláteis de origem vegetal, obtidos por processo físico, como
destilação por arraste com vapor de água. Podem ser encontrados em todas as estruturas
vegetais, sendo mais frequente em flores, folhas e frutos (Henriques; Simões-Pires; Apel,
2009). Ayan e colaboradores (2013) mencionaram entre os diversos efeitos positivos dos óleos
essenciais, o controle da ansiedade, redução da depressão, motivação e fortalecimento da
memória, além de melhoria nos processos cognitivos em indivíduos com demência.
Pesquisas têm comprovado efeitos ansiolíticos de OEs, tais como os de Citrus
aurantium (Malcolm; Tallian, 2018) e de Lavandula angustifolia (Javed et al., 2021), utilizados
tradicionalmente pela população em vários países no tratamento de problemas relacionados ao
sistema nervoso, tais como a ansiedade (Machado; Fernandes Júnior, 2011; Costa et al., 2013).
Os OEs possuem moléculas quimicamente complexas que podem ser administradas por
inalação ou aplicação dérmica (Domindo; Braga, 2013; Gnatta; Dornellas; Silva, 2011). Na
pele, são absorvidas e seguem pela circulação sanguínea chegando aos tecidos e órgãos.
quando inaladas, as moléculas passam pela cavidade nasal, são absorvidas pelo pulmão e
dirigem-se ao Sistema Nervoso Central (SNC), onde modulam a atividade sináptica,
principalmente nas áreas do hipotálamo e Sistema Límbico (Lee, 2016). Com a inalação, os
componentes chegam até o pulmão, onde são absorvidos para a corrente sanguínea e levados
até o SNC e se destinam para as áreas corticais e subcorticais do SNC, dessa forma, o estímulo
alcança o Sistema Límbico, onde são processados os sentimentos, motivações e emoções
(Domingo; Braga, 2013; Gnatta; Dornellas; Silva, 2011).
20
Ao inalar o óleo essencial, o indivíduo pode notar resultados à curto prazo através do
alívio desses sentimentos, bem como pode alterar parâmetros fisiológicos, tais como: Pressão
Arterial Sistêmica, Frequência Cardíaca e Saturação de Oxigênio Sanguíneo
(Hongratanaworakit, 2009). Esses parâmetros também foram variáveis mensuradas no
desenvolvimento desta pesquisa.
Estudos apresentam resultados da eficácia da aromaterapia no alívio dos sintomas de
ansiedade, que consiste na aplicação terapêutica de óleos essenciais por via inalatória (Lyra;
Nakai; Marques, 2010; Goes et al., 2012). O OE da espécie Lavandula angustifolia têm
demonstrado resultados significativos em estudos que relacionam seu uso com a redução da
ansiedade (Goes et al., 2012; Lima, et al., 2021; Javed et al., 2021; Moreira et al., 2022).
Portanto, optamos por utilizá-lo no público-alvo desta pesquisa: professores da Rede Estadual
de Ensino da Paraíba.
O OE de lavanda é frequentemente utilizado em aromaterapia. Estudos comprovaram a
eficácia deste óleo nos transtornos de ansiedade. O OE da espécie auxilia no equilíbrio mental
e na tranquilidade emocional diante das situações ansiogênicas e, além disso, também
demonstra propriedades analgésicas e anti-inflamatórias (Cunha, 2015; Bena; Moreira, 2016).
Estudos sobre o efeito analgésico do óleo de Lavanda mostram que ele também pode amenizar
a dor relacionada a distintas circunstâncias (Hasanzadeh et al., 2016).
Portanto, nesse contexto, delimitamos nosso problema de pesquisa: qual o efeito da
inalação do OE de Lavandula angustifolia sobre os níveis de ansiedade em professores da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba e qual sua relação com a qualidade de vida e a voz desses
profissionais?
Como hipótese de pesquisa tem-se que a inalação do OE de Lavandula angustifolia
neste grupo de professores controla os níveis de ansiedade e, por consequência, contribui para
a melhora da QV e para a redução das possíveis alterações vocais apresentadas.
1.1 JUSTIFICATIVA
Conforme apontam Araújo et al. (2019), ao pesquisar sobre trabalho e saúde de
professoras no Brasil, existe uma ausência de políticas públicas de regulação dos ambientes e
gestão do trabalho docente. Corroborando com esse argumento, Carlotto et al. (2019)
concluíram que os transtornos mentais em professores constituem uma realidade preocupante,
a qual necessita monitoramento constante para o estabelecimento de ações para promoção da
saúde e prevenção de agravos mentais à saúde dos docentes.
21
Portanto, sabendo-se que no ambiente escolar a ansiedade acomete a saúde dos
professores e compromete a qualidade do processo ensino-aprendizagem; deve-se investir, para
além dos tratamentos farmacológicos tradicionais, em terapias complementares que
possibilitem a redução da ansiedade nestes profissionais da educação. Antes, porém, deve-se
investigar o impacto desta terapia no contexto específico dos professores da educação básica.
Em paralelo, esta pesquisa também foi motivada a partir do nosso percurso formativo,
profissional e acadêmico. A princípio, devido a nossa formação inicial, realizada nos cursos de
Bacharelado em Farmácia e de Licenciatura em Química e, a nossa formação continuada,
realizada em curso de Especialização e de Mestrado na área da Educação. Paralelamente,
também é devido às nossas experiências profissionais de docência na Educação Básica e de
gestão na Educação Superior. Além disso, academicamente, pesquisamos sobre as questões do
ensino no âmbito das políticas públicas de formação docente e da saúde mental.
A partir desse itinerário formativo, nos preocupamos em propor à linha de pesquisa
“Tecnologia, Ambiente e Saúde”, do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias
e Políticas Públicas (SOTEPP) do Centro Universitário de Maceió (Unima), uma investigação
que possibilite aproximar/articular a Educação e a Saúde, sendo, portanto, realizada por meio
da investigação da avaliação do efeito da inalação do OE de Lavandula angustifolia sobre a
ansiedade em professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba e a sua relação com a QV e a
voz do docente.
Considerando este caráter interdisciplinar, que vai ao encontro dos propósitos deste
Programa de Pós-Graduação, SOTEPP/Unima, delimitamos essa temática como viável para
conciliar tais motivações e inquietações de pesquisa.
Salientamos, também, a importância desta pesquisa, dado o ineditismo da temática,
tendo em vista a escassez de pesquisas, em nível de Doutorado, sobre a avaliação dos efeitos
da inalação do OE de Lavandula angustifolia sobre a ansiedade em professores da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba, relacionando-a com a QV e a voz. Dessa forma, esse estudo foi
um campo de investigação científica relevante, inédito e original.
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo geral
Avaliar o efeito do óleo essencial de Lavandula angustifolia sobre a ansiedade em
professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba.
22
1.2.2 Objetivos específicos
Revisar os fundamentos teórico-científicos sobre a aromaterapia e ansiedade em
professores e a sua relação com a qualidade de vida e a voz do docente;
Caracterizar o perfil social, profissional e da saúde dos professores;
Investigar o efeito do óleo essencial de Lavandula angustifolia sobre a ansiedade em
professores e sua relação com a qualidade de vida e a voz;
Mensurar os parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais dos participantes;
Comparar os resultados dos parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais entre os
grupos estudados.
1.3 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA TESE
Após apresentarmos uma contextualização sobre a temática e problemática desta
pesquisa, na qual este capítulo 1 elucidou suas justificativas e seus objetivos, passaremos a
apresentar as fundamentações teóricas que embasarão os resultados e discussão desta
investigação, pois, ao fundamentarmos teoricamente o trabalho, poderemos fazer um
delineamento adequado do objeto de pesquisa (Minayo, 2009), além de a teoria ser essencial
para responder às questões impostas pelo problema investigado (Triviños, 1987).
No capítulo 2, apresentamos a revisão sistemática intitulada Efeito da aromaterapia por
inalação sobre a ansiedade em adultos”, publicada na revista Neurociências da Universidade
Federal de São Paulo UNIFESP (Moreira et al., 2022). Tal revisão foi necessária para
fundamentar as escolhas metodológicas deste trabalho e, para isso, objetivou identificar os
ensaios clínicos realizados com aromaterapia por inalação e discutir seu efeito sobre a ansiedade
em adultos.
Por meio de uma revisão da literatura, o capítulo 3, intitulado Ansiedade em
professores e sua relação com a qualidade de vida e a voz docente”, apresenta as principais
investigações sobre a problemática da ansiedade relacionada com a qualidade de vida e com a
voz no contexto do público-alvo desta pesquisa: os(as) professores(as).
No capítulo 4, por sua vez, apresentamos o estudo exploratório intitulado
Desigualdades entre professores do ensino médio quanto ao sexo, à cor e à formação”,
referente à Rede Estadual de Ensino da Paraíba, publicado no periódico Atos de Pesquisa em
Educação da Fundação Universidade Regional de Blumenau FURB (Moreira; Galvão, 2023).
23
Os caminhos metodológicos empregados na pesquisa experimental deste estudo, estão
descritos no capítulo 5. Os resultados e a discussão estão detalhados nos capítulos 6 e 7,
respectivamente.
Por fim, o último capítulo desta tese, procura articular as evidências científicas
analisadas e construir as considerações finais. Acerca da formatação desta tese, realizada de
modo alternativo (artigo), cumpre esclarecer que, tal estrutura e organização especial, se
encontra estabelecida no Regulamento do SOTEPP/Unima.
24
2 EFEITO DA AROMATERAPIA POR INALAÇÃO SOBRE A ANSIEDADE EM
ADULTOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
RESUMO
Introdução. A ansiedade é um dos transtornos mentais que mais acomete a população mundial
e a aromaterapia tem se destacado como uma terapia para o seu controle. Objetivo. Identificar
os ensaios clínicos realizados com aromaterapia por inalação e discutir seu efeito sobre a
ansiedade em adultos. Método. Trata-se de uma revisão sistemática, de caráter exploratório e
abordagem descritiva, a partir das bases de dados LILACS, SCIELO e PubMed. Utilizou-se os
descritores “aromaterapia”, “óleos essenciais” e “ansiedade” para busca no título e no resumo
dos artigos. Incluiu-se apenas ensaios clínicos com pertinência quanto à pergunta de pesquisa
deste estudo. Resultados. Analisou-se quatorze artigos publicados entre os anos de 2000 e
2020, com amostra dos estudos variando entre 17 e 361 participantes. Identificou-se que
78,57% das pesquisas foram transversais e realizadas com pacientes em procedimentos e
atendimentos médico ou odontológico, sendo 64,29% desenvolvidas no continente Asiático.
Também se verificou que 57,14% dos estudos utilizaram o Inventário de Ansiedade Traço e
Estado (IDATE) como método para avaliação da ansiedade e em 57,14% usaram o óleo
essencial de Lavanda, sendo inalado em 64,28% com o auxílio de algodão/gaze ou de máscara
e em sessões entre 5 minutos e 15 minutos. Além disso, 71,43% das investigações indicaram
redução significante da ansiedade. Conclusão. Apesar da divergência de algumas pesquisas, a
aromaterapia por inalação controla os níveis de ansiedade em adultos, podendo ser indicada
como terapia complementar neste público.
Palavras-chave. Aromaterapia; Óleos essenciais; Ansiedade
ABSTRACT
Introduction. Anxiety is one of the mental disorders that most affects the world's population
and aromatherapy has stood out as a therapy for the anxiety control. Objective. To identify
clinical trials conducted with inhalation aromatherapy and discuss its effect on anxiety in adults.
Method. This is a systematic review, of exploratory character and descriptive approach, from
the LILACS, SCIELO and PubMed databases. The descriptors "aromatherapy", "essential oils"
and "anxiety" were used to search the title and abstract of the articles. Only clinical trials with
relevance to the research question of this study were included. Results. Fourteen articles
published between the years 2000 and 2020 were analyzed, with study samples ranging from
17 to 361 participants. It was identified that 78.57% of the research were cross-sectional and
carried out with patients in medical or dental procedures and care, being 64.29% developed in
the Asian continent. It was also found that 57.14% of the studies used the Anxiety Trait and
State Inventory (IDATE) as a method to assess anxiety and 57.14% used Lavender essential
oil, being inhaled in 64.28% with the aid of cotton/gauze or mask and in sessions between 5
minutes and 15 minutes. In addition, 71.43% of the investigations indicated a significant
reduction in anxiety. Conclusion. Despite the divergence of some research, aromatherapy by
inhalation controls anxiety levels in adults and can be indicated as a complementary therapy in
this public.
Keywords. Aromatherapy; Essential oils; Anxiety
25
2.1 INTRODUÇÃO
Os transtornos mentais são um conjunto de doenças psiquiátricas ou enfermidades cujas
manifestações são caracterizadas primariamente por prejuízo comportamental ou psicológico
da função (Sadock et al., 2017), sendo a ansiedade um dos transtornos que mais acomete a
população mundial (Miranda et al., 2009).
A ansiedade pode ser caracterizada como uma sensação difusa, desagradável e vaga de
apreensão; é um sinal de alerta, indicando um perigo iminente e capacitando a pessoa a tomar
medidas para lidar com a ameaça (Sadock et al., 2017). Também pode ser compreendida como
uma antecipação de ameaça futura, sendo frequentemente associada a tensão muscular e
vigilância em preparação para perigo futuro e comportamentos de cautela ou esquiva (APA,
2014).
Apesar da ansiedade ser um sentimento orgânico e funcional do corpo humano, muitas
vezes ela pode ser acompanhada por sintomas autonômicos, tais como: cefaleia, perspiração,
palpitações, aperto no peito, leve desconforto estomacal e inquietação, indicada por uma
incapacidade de ficar sentado ou em pé por muito tempo (Sadock et al., 2017).
Nesse contexto, para determinar o diagnóstico da ansiedade de cunho patológico, é
necessária uma avaliação clínica, bem como observar a frequência dos pensamentos e se eles
prejudicam nas tarefas cotidianas, levando em conta o contexto sociocultural e os grupos sociais
(APA, 2014).
A respeito das terapias farmacológicas, além dos benzodiazepínicos e antidepressivos,
existem os moduladores dos canais de cálcio, relaxantes musculares e analgésicos, sendo que,
estes muitas vezes podem não trazer resultados eficazes ou ocasionam efeitos colaterais e
dependência química. Desta forma, os indivíduos buscam tratamento em outras terapias (Braz
et al., 2011).
Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem estimulando o uso da
Medicina Complementar nos sistemas de saúde de forma integrada às técnicas da medicina
ocidental modernas. No Brasil, em 2006, houve a implantação das condutas terapêuticas por
meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema
Único de Saúde (SUS). Nesta regulamentação, o Ministério da Saúde recomenda o uso das
terapias complementares e integrativas para promoção, manutenção e recuperação da saúde dos
indivíduos (Brasil, 2006).
Entre as terapias para o controle da ansiedade, sem uso de fármacos sintéticos, têm-se
destacado a aromaterapia. Ela corresponde a uma terapia popular, na qual se faz o uso de Óleos
26
Essenciais (OEs) aromáticos derivados de plantas. Sua utilização é comumente realizada por
via inalatória ou por massagem (Lee, 2016).
Pesquisas têm demonstrado efeitos ansiolíticos de OEs utilizados tradicionalmente pela
população em vários países no tratamento de problemas relacionados ao sistema nervoso, tais
como a ansiedade (Machado; Fernandes Júnior, 2011; Costa et al., 2013).
Considerando a problemática da ansiedade, bem como a potencial eficácia da
aromaterapia e dos OEs sobre o controle dos seus níveis, este estudo teve como objetivo
identificar os ensaios clínicos realizados com aromaterapia por inalação e discutir seu efeito
sobre a ansiedade em adultos.
2.2 MÉTODO
Trata-se de uma revisão sistemática, com caráter exploratório e abordagem descritiva,
que teve por base metodológica as recomendações da declaração PRISMA (Galvão; Pansani;
Harrad, 2015), quando aplicável. O protocolo das etapas de construção da presente revisão
sistemática foi registrado na International Prospective Register of Systematic Reviews
(PROSPERO), sob o protocolo número CRD42022330371.
Foram seguidas as seguintes etapas: formulação da pergunta de pesquisa, coleta de
dados (identificação dos artigos), seleção (exclusão dos artigos), definição das características
de elegibilidade e análise das evidências científicas selecionadas.
2.2.1 Formulação da pergunta de pesquisa
A formulação da pergunta baseou-se na metodologia da estratégia PICO (Santos;
Pimenta; Nobre, 2007), sendo o “P” correspondente aos “Participantes” (adultos), o “I” à
“Intervenção” (aromaterapia por inalação), o “C” à Comparação” (controle) e o “O” aos
“Outcomes/Desfechos” (ansiedade). Portanto, a pergunta norteadora desta pesquisa foi: o uso
da aromaterapia por inalação altera os níveis de ansiedade em adultos?
2.2.2 Fontes de informação e busca
A busca foi realizada na base de dados da LILACS (https://lilacs.bvsalud.org), da
SCIELO (https://scielo.org) e da PubMed (https://pubmed.gov). Utilizaram-se os descritores
(pesquisados e validados no portal www.decs.bvsalud.org) aromaterapia”, “óleos essenciais”
27
e “ansiedade”, em língua inglesa, os quais foram combinados utilizando-se a seguinte ordem e
operadores booleanos: aromatherapy “OR” oils, volatile “AND” anxiety. Buscaram-se os
termos no título e no resumo. Os artigos duplicados nas diferentes bases de dados foram
considerados apenas uma vez.
2.2.3 Critérios de inclusão e exclusão dos artigos
Incluíram-se apenas artigos completos de ensaios clínicos com pertinência quanto à
pergunta desta revisão, sem restrição quanto ao ano e ao idioma da publicação. Excluíram-se
os artigos nos quais o experimento foi realizado com pessoas de idade inferior a 18 anos e
superior a 59 anos, bem como os que aplicaram a aromaterapia por outras vias de administração,
diferente da inalação, em pelo menos um dos grupos experimentais.
Após as etapas de busca e seleção inicial dos artigos, realizou-se a leitura completa dos
estudos, visando realizar a análise da qualidade metodológica dos estudos a partir das diretrizes
metodológicas GRADE. Nesta etapa, também foram excluídas as pesquisas com nível de
evidência baixo ou muito baixo e com informações incompletas e/ou inexistentes quanto às
categorias de análise.
2.2.4 Informações selecionadas para análise
Os dados extraídos dos artigos selecionados foram sistematizados nas seguintes
variáveis: autor/ano, objetivo, tipo de estudo, amostra, país, método de avaliação da ansiedade,
óleo de utilização, método de aplicação do óleo, resultados e se a utilização do OE alterou os
níveis de ansiedade.
Para a etapa inicial de análise dos resultados, realizou-se a análise estatística descritiva,
que visou descrever os dados observados. Em seguida, procedeu-se com a discussão dos
resultados.
2.3 RESULTADOS
2.3.1 Busca dos dados
A busca dos dados foi realizada em 19 de maio de 2021, sendo a leitura e seleção dos
artigos realizada de 20 de maio de 2021 até 26 de agosto de 2021 e a análise e discussão dos
resultados realizada de 27 de agosto de 2021 até 13 de maio de 2022.
28
A busca resultou em um total de 36 artigos previamente selecionados (Tabela 1).
Tabela 1. Quantidade de artigos indexados em bases de dados.
Base de dados
Nº de artigos
identificados
Nº de artigos
excluídos
Data da busca
LILACS
18
17
19/05/2021
SCIELO
2
2
PubMed
67
32
Total
87
51
2.3.2 Análise dos dados
A partir dos 87 artigos previamente identificados, foram excluídos 51 estudos na fase
da identificação. Após a leitura na íntegra dos 36 artigos selecionados, foram excluídos mais
22 artigos na fase da seleção. Dessa forma, foi avaliado que apenas 14 artigos correspondiam
aos critérios de inclusão descritos nesta pesquisa (Figura 1).
A partir da leitura completa dos artigos incluídos nesta revisão sistemática, as variáveis
foram extraídas e organizadas em tabelas. A Tabela 2 apresenta a distribuição dos artigos de
acordo com: autor/ano, objetivo, tipo de estudo, amostra e país de realização da pesquisa.
Observa-se que os artigos foram publicados, por diferentes autores, entre os anos de
2000 e 2020. Ressalta-se que dos artigos analisados, 92,86% (n=13) foi publicado em língua
inglesa e 7,14% (n=1) em ngua portuguesa. Todos os artigos avaliaram a eficácia da
aromaterapia por inalação, com uso de óleo(s) essencial(ais), sobre a ansiedade em adultos.
Quanto à metodologia, 78,57% (n=11) desenvolveram estudos transversais, enquanto
21,43% (n=3) realizaram estudos longitudinais. Além disso, a amostra das pesquisas variou
entre 17 e 361 participantes, sendo 78,57% (n=11) dos estudos realizados com pacientes em
procedimentos e atendimentos médico ou odontológico e 21,43% (n=3) com estudantes ou
servidores-administrativos da Educação Superior. Quanto aos países de realização das
pesquisas, 64,29% (n=9) das investigações foram desenvolvidas no continente Asiático,
liderados por Japão e Irã (Figura 2).
29
Figura 1. Fluxograma das fases e da seleção de estudos.
Figura 2. Distribuição geográfica de realização das pesquisas no mundo.
Desenvolvido com o software infogram.com.
Identificação
Seleção
Elegibilidade
e Inclusão
30
Tabela 2. Caracterização dos estudos selecionados quanto aos aspectos metodológicos.
Autor (ano)
Objetivo
Tipo de
estudo
Amostra
País
Wiebe (2000)
Avaliar a eficácia da aromaterapia envolvendo
óleos essenciais na redução da ansiedade pré-
operatória em mulheres submetidas a aborto
Transversal
66 Mulheres aguardando aborto
cirúrgico em uma clínica de aborto
urbana e autônoma em Vancouver
Canadá
Lyra; Nakai;
Marques (2010)
Verificar a eficácia de aromaterapia na
diminuição de níveis de estresse e ansiedade
(traço e estado)
Longitudinal
36 Alunos de cursos de graduação
da área da saúde na Universidade
de São Paulo
Brasil
Grunebaum et
al. (2011)
Avaliar os efeitos do aroma do óleo essencial
de lavanda contra placebo na percepção da dor
e nos níveis de ansiedade dos indivíduos
submetidos a injeções faciais cosméticas
eletivas de toxina botulínica tipo A para a
correção de rugas glabelares
Transversal
30 pacientes da Miller School of
Medicine da Universidade de
Miami
EUA
Goes et al.
(2012)
Avaliar o potencial efeito ansiolítico do aroma
de laranja doce (Citrus sinensis) em voluntários
saudáveis submetidos a uma situação
ansiogênica
Transversal
30 estudantes de pós-graduação do
sexo masculino
Brasil
Ueki et al.
(2014)
Examinar se a aromaterapia envolvendo a
inalação de óleo de yuzu (Citrus ichangensis ×
Citrus reticulata) foi eficaz na redução da
ansiedade das mães por seu filho doente
recebendo uma infusão em uma clínica
pediátrica
Transversal
121 mães cujo filho foi submetido
a infusão intravenosa no Hospital
Infantil de Nakano
Japão
Huang e
Capdevila
(2016)
Analisar a eficácia da aromaterapia na melhoria
do desempenho no trabalho e na redução do
estresse laboral
Transversal
37 servidores administrativos
universitários
Espanha
Karaman et al.
(2016)
Avaliar a eficácia da aromaterapia de lavanda
na dor, ansiedade e nível de satisfação
associados à punção venosa periférica (PVC)
em pacientes submetidos à cirurgia
Transversal
106 pacientes submetidos à
cirurgia no Hospital da Faculdade
de Medicina da Universidade
Gaziosmanpasa
Turquia
Hozumi et al.
(2017)
Investigar os efeitos da aromaterapia na
ansiedade e desconforto abdominal durante a
colonoscopia
Transversal
361 pacientes do Hospital das
Forças de Defesa Pessoal Sendai
Japão
Matsumoto;
Kimura e
Hayashi (2017)
Investigar os efeitos terapêuticos sobre os
sintomas pré-menstruais usando fragrância de
yuzu e aromaterapia com lavanda
Transversal
17 mulheres com sintomas pré-
menstruais subjetivos em um
laboratório de uma universidade
em Osaka
Japão
Shirzadegan et
al. (2017)
Examinar os efeitos do aroma de gerânio na
ansiedade
Longitudinal
80 pacientes com Infarto Agudo do
Miocárdio (IAM)
Irã
Hamdamian et
al. (2018)
Avaliar os efeitos da aromaterapia com Rosa
damascena sobre a dor e a ansiedade na
primeira fase do trabalho de parto em mulheres
nulíparas
Transversal
110 mulheres Nulíparas em
hospital em Jajarm
Irã
Ozkaraman et
al. (2018)
Examinar os efeitos da aromaterapia com óleo
de lavanda sobre ansiedade e qualidade do sono
em pacientes submetidos a quimioterapia
Longitudinal
70 pacientes com câncer
submetidos a quimioterapia em
unidades ambulatoriais
Turquia
31
Abbaszadeh,
Tabari e
Asadpou (2020)
Examinar o efeito do aroma de lavanda na
ansiedade de pacientes submetidos à biópsia da
medula óssea
Transversal
80 pacientes encaminhados ao
Hospital Vali-e-Asr para biópsia
de medula óssea
Irã
Jadhav e Mittal
(2020)
Avaliar o efeito da aromaterapia na taxa de
sucção do bloqueio do nervo alveolar inferior
(IANB) em dentes com pulpite irreversível
Transversal
46 pacientes em procedimento
operatório de sucção do bloqueio
do nervo alveolar inferior (IANB)
em dentes com pulpite irreversível
Índia
Após a caracterização metodológica dos artigos selecionados, a Tabela 3 apresenta os
resultados principais dos artigos de acordo com: autor/ano, método de avaliação da ansiedade,
óleo essencial utilizado, método de aplicação do OE, resultados e se o uso do OE alterou os
níveis de ansiedade.
Observa-se que, como método para avaliação da ansiedade, 57,14% (n=8) das
investigações utilizaram o Inventário de Ansiedade Traço e Estado (IDATE), seguido por
14,28% (n=2) que utilizaram a Escala Visual Analógica (VAS). Já quanto ao óleo utilizado na
inalação, observa-se uma variedade de óleos e de misturas, em quantidades diversas. No
entanto, foi predominante, em 57,14% (n=8) dos estudos, o uso de OE de lavanda.
Tabela 3. Principais resultados dos artigos selecionados para a revisão.
Autor (ano)
Método de
avaliação da
ansiedade
OE utilizado
Método de aplicação do
OE
Resultados
O uso do
OE alterou
os níveis de
ansiedade?
Wiebe
(2000)
Escala verbal
de ansiedade
de 0 a 10
Mistura de OE de Vetivert,
Bergamota e Gerânio.
10 minutos cheirando um
recipiente com a mistura de
óleos
Não houve
diferença
significante
entre os grupos
Não
Lyra; Nakai;
Marques
(2010)
Inventário de
Ansiedade
Traço-Estado
(IDATE)
5 mL de soro fisiológico
acrescido de 2 gotas da sinergia:
50% de Lavanda (Lavandula
officinalis), 10% de Laranja
azeda
(Citrus aurantium var. amara),
20% de ilang-ilang, (Cananga
odorata) e 20% de cedro
(Cedrus atlantica).
Sete sessões (duas vezes por
semana) de 10 minutos de
inalação, com os sujeitos
deitados em decúbito lateral
numa maca e com o auxílio
de um inalador.
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Grunebaum
et al. (2011)
Inventário de
Ansiedade
Traço-Estado
(IDATE)
4 gazes embebidas em 60mL de
água e três gotas de OE de
Lavanda.
As gazes foram aplicadas nos
rostos dos sujeitos por 1 min
antes e depois do
procedimento.
Não houve
diferença
significante
entre os grupos
Não
Goes et al.,
(2012)
Inventário de
Ansiedade
Traço-Estado
(IDATE)
OE de Laranja doce (aroma de
teste: 2,5, 5 ou 10 gotas) e óleo
essencial de Melaleuca (aroma
de controle: 2,5 gotas).
5 minutos de inalação do óleo
essencial com o auxílio de
uma máscara cirúrgica antes
do procedimento.
Não houve
diferença
significante
entre os grupos
Não
Ueki et al.
Inventário de
2 a 3 gotas de OE de Vuzu,
Inalação por até 2 horas (foi
Redução
Sim
32
(2014)
Ansiedade
Traço-Estado
(IDATE)
diluídos em 100mL de água.
usado o usou o método de
intenção de tratar: os
participantes podiam decidir
se e quando desligar o
difusor).
significante
dos níveis de
ansiedade
Huang e
Capdevila
(2016)
Inventário de
Ansiedade
Traço e Estado
(IDATE)
OE de Petitgrain
Difusores de óleo foram
ligados e permaneceram em
funcionamento durante toda
a sessão de 20 a 25 min
Não houve
diferença
significante
entre os grupos
Não
Karaman et
al (2016)
Escala Visual
Analógica
(VAS)
2 gotas de Alfazema a 1% OE
(óleo de Lavandula angustifolia)
em uma gaze impermeável de 5
a 5cm absorvente.
Inalação por 5 minutos, antes
e durante o procedimento de
punção, com o auxílio de
gaze impermeável
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Hozumi et al.
(2017)
Escala de
Avaliação
Numérica
(NRS)
Três misturas de 70mL de água
com 0,05mL de óleo de
Lavanda, com 0,30mL de óleo
de Toranja e com 0,05mL de
óleo de Osmanthus.
Inalação usando o método de
difusão de vapor por 15
minutos em média
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Matsumoto;
Kimura e
Hayashi
(2017)
POMS test
10mL de Vuzu ou OE de
Lavanda.
Inalação por 10 minutos com
o auxílio de uma pequena
almofada de algodão
projetada para um difusor.
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Shirzadegan
et al. (2017)
Inventário de
Ansiedade
Traço e Estado
(IDATE)
Três gotas de OE de Gerânio
foram derramadas em adesivos
absorventes fixados dentro das
máscaras de O2.
Inalar o aroma por 20
minutos por dia em dois dias
consecutivos, com o auxílio
de máscara de O2.
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Hamdamian
et al. (2018)
Inventário de
Ansiedade
Traço e Estado
(IDATE)
OE da planta Rosa foi obtido por
destilação em água e foi diluído
a 2% em óleo de Gergelim
Uma gaze de algodão foi
fixada no colarinho de cada
participante. Esta gaze foi
dosada com 2 gotas (0,8mL)
por uma sessão de 30
minutos
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Ozkaraman
et al. (2018)
Inventário de
Ansiedade
Traço e Estado
(IDATE)
OE de Lavanda (Lavandula
hybrida) e Óleo de Melaleuca.
Três gotas de Lavanda ou
óleo de Melaleuca foram
colocadas em um pedaço de
algodão que foi colocado no
pescoço e ombros de cada
paciente, durante 30 dias,
sendo cada sessão realizada
uma vez ao dia por 5 minutos
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Abbaszadeh,
Tabari e
Asadpou
(2020)
Escala de
Ansiedade
Visual (VAS)
OE de Lavanda
3 gotas de óleo essencial de
Lavanda a 10% em uma bola
de algodão por 15 min a uma
distância de 7 a 10cm.
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
Jadhav e
Mittal (2020)
Escala de
Ansiedade
Odontológica
Modified
(MDAS)
OE de Lavanda
Inalação do OE por 15
minutos a cada 2 horas, na
sala do procedimento,
utilizando um aquecedor de
velas.
Redução
significante
dos níveis de
ansiedade
Sim
33
No que concerne ao método de aplicação dos OE, 64,28% (n=9) das pesquisas
realizaram a inalação do OE com o auxílio de algodão/gaze ou de máscara, enquanto 35,71%
(n=5) com o auxílio de difusor/aquecedor do vapor. Quanto ao tempo de inalação, houve uma
variação considerável para cada sessão de aromaterapia, no entanto, 64,28% (n=9) dos estudos
realizaram sessões entre 5 minutos e 15 minutos.
Em relação aos resultados das pesquisas, 71,43% (n=10) indicaram redução significante
nos níveis de ansiedade. Entretanto, em 28,57% (n=4) dos estudos não houve diferença
significante da ansiedade entre os grupos estudados.
2.4 DISCUSSÃO
Esta pesquisa identificou que nos últimos anos, entre 2016 e 2020, a investigação dos
efeitos da aromaterapia e dos óleos essenciais sobre a ansiedade em adultos tem sido
exponencialmente desenvolvida em diversas regiões do mundo, sobretudo nos países dos
continentes asiático, europeu e americano. Essa tendência vai ao encontro dos achados de uma
análise bibliométrica (Koo, 2017), que havia revelado um aumento constante no número de
artigos sobre aromaterapia publicados entre 1995 e 2014, sendo liderado por EUA, Reino Unido
e Japão.
Ressalta-se que, no Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares, instituída em 2006 no âmbito do Sistema Único de Saúde, incluiu a
aromaterapia como uma das suas práticas apenas a partir de 2018 (Brasil, 2018). Pesquisadores
identificaram, através de uma revisão integrativa (Ferraz, 2020), que a expansão da PNPIC,
investigada entre 2006 e 2019, tem repercutido em um impacto positivo dessas práticas no país,
sobretudo nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.
Esta revisão sistemática evidenciou ainda que a inalação de OE pode controlar a
ansiedade em adultos. Isso ocorreu, sobretudo, nos estudos longitudinais, onde 100% (n=3) das
pesquisas evidenciou a redução significativa dos níveis de ansiedade. Por outro lado, entre os
estudos transversais, apenas 63,64% (n=7) ratificou este efeito, enquanto 36,36% (n=4) não
encontrou diferença significante entre os grupos investigados.
No que se refere à divergência de ação observada entre os diferentes tipos de estudo,
existe uma tendência de que, nos estudos longitudinais, seja obtido melhores resultados quanto
à terapia, possivelmente devido a quantidade de sessões da aromaterapia e inalação do OE ser
mais elevada. A expressiva popularidade dos estudos transversais na área da epidemiologia
34
pode ser atribuída ao baixo custo, a facilidade de realização, a rapidez com que é empregada e
a objetividade na coleta de dados (Pereira, 1995).
Lyra; Nakai; Marques (2010), em num estudo longitudinal, investigou o efeito da
aromaterapia na diminuição de níveis de ansiedade (traço e estado) de 36 alunos de graduação
de cursos na área da saúde, através de 7 sessões (duas vezes por semana) de 10 minutos de
inalação, e revelou que a aromaterapia foi eficaz na redução dos níveis de ansiedade.
Do mesmo modo, ao examinar os efeitos do aroma de gerânio na ansiedade entre 80
pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), por meio da inalação do aroma por 20
minutos por dia em dois dias consecutivos, Shirzadegan (2017) evidenciou que a aromaterapia
inalatória com óleo essencial de gerânio é recomendada para reduzir a ansiedade.
Por fim, ao examinar os efeitos da aromaterapia com óleo de lavanda sobre a ansiedade
em 70 pacientes com ncer submetidos à quimioterapia, através de uma inalação diária de 5
minutos durante 30 dias, Ozkaraman et al. (2018) também constatou a redução significante
apenas nos níveis de ansiedade traço.
entre os estudos transversais, Wiebe (2000), ao avaliar a eficácia da aromaterapia,
envolvendo a inalação por 10 minutos de uma mistura de óleos essenciais, na redução da
ansiedade pré-operatória de 66 mulheres aguardando aborto cirúrgico em uma clínica,
identificou que não houve diferença significante entre os grupos experimentais. Logo, o estudo
concluiu que a aromaterapia envolvendo óleos essenciais não é mais eficaz do que ter os
pacientes inalando outros odores agradáveis para reduzir a ansiedade pré-procedimento.
Convergindo com este resultado, Grunebaum et al. (2011), Goes et al. (2012) e Huang;
Capdevila (2016) também revelaram que não houve diferença significante entre os grupos
experimentais. Para essa conclusão, foi avaliado os efeitos do aroma do OE de lavanda nos
níveis de ansiedade de 30 pacientes submetidos a injeções faciais cosméticas eletivas
(Grunebaum et al., 2011); o potencial ansiolítico do Citrus sinensis em 30 estudantes de pós-
graduação do sexo masculino submetidos a uma situação ansiogênica (Goes et al., 2012); e o
efeito da aromaterapia na melhoria do desempenho no trabalho e na redução do estresse laboral
de 37 servidores administrativos universitários (Huang; Capdevila, 2016).
Nesse sentido, as conclusões destes estudos transversais o ao encontro dos achados
de uma pesquisa que, ao considerar a inconsistência na literatura empírica quanto a ação
relaxante do aroma de lavanda (Howard; Hughes, 2008), procurou esclarecer se o aroma e/ou
as expectativas de lavanda explicavam o relaxamento pós-estresse de 96 universitárias
saudáveis. Este estudo concluiu que as associações de aroma de lavanda com relaxamento
assistido podem ter sido influenciadas por vieses de expectativa, e que as expectativas
35
relevantes são facilmente manipuláveis. Portanto, os pesquisadores ressaltaram que futuras
pesquisas em aromaterapia devem buscar explicitamente o controle para as influências das
expectativas psicológicas dos usuários com relação à provável ação do aroma, as quais podem
influenciar os resultados, além da necessidade de reavaliar criticamente a defesa generalizada
e incorporação das práticas de aromaterapia na saúde (Howard; Hughes, 2008).
Por outro lado, tem-se o grupo de estudos transversais (Ueki et al., 2014; Karaman et
al., 2016; Hozumi et al., 2017; Marsumoto, Kimura; Hayashi, 2017; Hamdamian et al., 2018;
Abbaszadeh; Tabari; Asadpou, 2020; Jadhav; Mittal, 2020) que demonstrou a eficácia da
aromaterapia por meio da inalação de OE sobre a ansiedade em adultos. Ueki et al. (2014), ao
examinarem se a aromaterapia com óleo de yuzu foi eficaz na redução da ansiedade de 121
mães cujo filho foi submetido a infusão intravenosa em hospital infantil, observaram que a
inalação por até duas horas do OE reduziu significantemente os níveis de ansiedade.
Ao avaliar o efeito da aromaterapia de lavanda na ansiedade associada à Punção Venosa
Periférica (PVC) em 106 pacientes submetidos à cirurgia, Karaman et al. (2016) identificaram
que houve redução significante dos níveis de ansiedade e, portanto, ratificou que a aromaterapia
com lavanda teve efeitos benéficos sobre a ansiedade.
Da mesma forma, outras investigações (Matsumoto; Kimura; Hayashi, 2017;
Abbaszadeh; Tabari; Asadpou, 2020; Jadhav; Mittal, 2020) também identificaram redução
significante dos níveis de ansiedade ao utilizar o óleo de lavanda. Matsumoto; Kimura; Hayashi
(2017) observaram que a inalação da fragrância de yuzu diminuiu significantemente a ansiedade
durante a Tensão Pré-Menstrual (TPM), assim como a aromaterapia com lavanda. Dessa forma,
o estudo realizado com 17 mulheres com sintomas pré-menstruais, concluiu que a aromaterapia
com fragrância yuzu pode servir como uma modalidade anti-TPM, dado seus efeitos
psiconeurofisiológicos comparáveis aos da lavanda, um odor relaxante representativo.
Abbaszadeh; Tabari; Asadpou (2020), ao examinarem o efeito do aroma de lavanda na
ansiedade de 80 pacientes submetidos à biópsia da medula óssea, constatou que o cheiro de
aroma de lavanda é eficaz para reduzir a ansiedade em pacientes submetidos a este
procedimento. Dessa forma, indicou-se que esta fragrância pode ser usada pela equipe de
tratamento em clínicas de hematologia e oncologia para reduzir a ansiedade causada pela
biópsia de medula óssea.
No mesmo sentido, Jadhav; Mittal (2020) também indicaram que a aromaterapia com
lavanda pode ser usada com sucesso para aliviar a ansiedade odontológica. O estudo foi
conduzido com 46 pacientes em procedimento operatório de sucção do bloqueio do nervo
alveolar inferior (IANB) em dentes com pulpite irreversível.
36
Ao contrário, em um grupo experimental de lavanda de Hozumi et al. (2017), não houve
redução significante dos níveis de ansiedade. Por outro lado, nos grupos que utilizaram
aromaterapia com o óleo de Osmanthus fragrans e de toranja, concluiu-se que estes são
tratamentos complementares eficazes para pacientes ansiosos submetidos à colonoscopia.
Nessa pesquisa, foram investigados os efeitos da aromaterapia sobre a ansiedade de 361
pacientes submetidos à colonoscopia.
Por fim, pesquisadores que avaliaram os efeitos da aromaterapia com Rosa damascena
sobre a dor e a ansiedade na primeira fase do trabalho de parto em 110 mulheres nulíparas
(Hamdamian et al., 2018), revelaram uma redução significante dos veis de ansiedade. Essa
pesquisa indicou, portanto, a aromaterapia com Rosa damascena como um método conveniente
e eficaz para reduzir a ansiedade durante a primeira etapa do trabalho de parto.
2.5 CONCLUSÃO
Avalia-se que, de maneira geral, a aromaterapia por inalação controla os níveis de
ansiedade em adultos, podendo ser indicada como terapia complementar e integrativa neste
público. Esse efeito terapêutico foi identificado, sobretudo, nas pesquisas longitudinais e
naquelas que utilizaram o óleo essencial de lavanda.
No entanto, ressalta-se que a divergência de alguns resultados evidencia a necessidade
de um melhor ajuste metodológico na condução, a fim de evitar vieses de pesquisa.
Nesse sentido, é imperativo que mais ensaios clínicos investiguem o uso da
aromaterapia por inalação sobre a ansiedade em adultos. Assim, definir-se-á, com mais
evidência, as indicações e as posologias dos diferentes óleos essenciais para o potencial controle
dos níveis de ansiedade.
37
3 ANSIEDADE EM PROFESSORES E SUA RELAÇÃO COM A QUALIDADE DE
VIDA E A VOZ DOCENTE
RESUMO:
Introdução. A saúde mental tem sido um tema recorrente nas investigações científicas nos
últimos tempos. Objetivo. Objetivou-se fundamentar a problemática da ansiedade em
professores e sua relação com a Qualidade de Vida (QV) e a voz docente. Método. Para isso,
realizou-se uma revisão da literatura, descrevendo as evidências científicas produzidas no
mundo, no Brasil e no estado da Paraíba. Resultados. Percebeu-se que a saúde mental dos
docentes e, dentre suas múltiplas manifestações, a ansiedade, é uma questão latente a ser
considerada no campo educacional e nas pesquisas científicas, ganhando ainda mais relevância
a partir da pandemia COVID-19. Além dos possíveis prejuízos causados no processo
ensinoaprendizagem, a ansiedade também apresenta relação com a QV e com problemas vocais
desse profissional. A configuração política, estrutural e profissional da categoria provoca uma
maior sobrecarga sobre os professores, repercutindo sobre a saúde docente e implicando na
preocupante relação entre elevação dos quadros ansiosos e diminuição da QV, bem como entre
altos níveis de ansiedade e maior comprometimento vocal. Essas relações são ainda mais
evidentes entre as mulheres e nas instituições públicas de ensino. Conclusão. Portanto, ratifica-
se a tendência de que o controle dos níveis de ansiedade pode contribuir para a melhora da QV
e para a redução das alterações vocais em professores.
Palavras-chave. Ansiedade; Docente; Qualidade de Vida; Voz.
ABSTRACT
Introduction. Mental health has been a recurring theme in scientific research recently.
Objective. The aim was to substantiate the problem of anxiety in teachers and its relationship
with Quality of Life (QoL) and the teaching voice. Method. To this end, a literature review was
carried out, describing the scientific evidence produced in the world, in Brazil and in the state
of Paraíba. Results. It was noted that the mental health of teachers and, among its many
manifestations, anxiety, is a latent issue to be considered in the educational field and in
scientific research, gaining even more relevance since the COVID-19 pandemic. In addition to
the possible damage caused to the teaching-learning process, anxiety is also related to the QoL
and vocal problems of these professionals. The political, structural and professional
configuration of the teaching profession places a greater burden on teachers, with repercussions
on teachers' health and implying a worrying relationship between increased anxiety and
decreased QoL, as well as between high levels of anxiety and greater vocal impairment. These
relationships are even more evident among women and in public educational institutions.
Conclusion. This confirms the trend that controlling anxiety levels can help improve QoL and
reduce vocal disorders in teachers.
Keywords. Anxiety; Teacher; Quality of Life; Voice.
3.1 ANSIEDADE EM PROFESSORES
A saúde mental dos professores tem sido um tema recorrente das investigações
científicas nos últimos tempos, sobretudo a partir da pandemia Covid-19, pois as atividades
remotas emergenciais remodelaram as formas de exercer o ofício docente. O trabalho,
38
transferido para a casa, se sobrepôs às atividades domésticas e familiares, produzindo
consequências à saúde psíquica do professor que, mesmo pouco conhecidas, são alarmantes
(Pinho et al., 2021).
Nesse contexto, os transtornos de ansiedade têm influenciado a qualidade de vida e o
exercício profissional desses trabalhadores, repercutindo também no processo de ensino e
aprendizagem. Essa problemática, no âmbito da educação, é tema de diversas pesquisas em
todo o mundo, conforme estudos a seguir.
Li et al. (2020) realizaram um estudo com 88.611 (oitenta e oito mil e seiscentos e onze)
professores, da Educação Básica e Superior, de três cidades da Província de Henan na China.
Avaliou-se a prevalência da ansiedade e os seus fatores de influência durante a pandemia
causada pelo vírus SARS-CoV-2. Identificou-se que a prevalência global da ansiedade foi de
13,67%, sendo mais elevada e precoce entre as mulheres e menos prevalente em instituições de
ensino localizadas na zona urbana.
Na Jordânia, Almhdawi et al. (2021) conduziram uma pesquisa com 299 (duzentos e
noventa e nove) professores universitários para investigar a qualidade de vida relacionada com
a saúde, também durante a pandemia Covid-19. Apesar do isolamento social, adotado nessa
crise sanitária, tais participantes demonstraram bons níveis de qualidade de vida e de saúde
mental.
No contexto da América do Sul, a saúde mental e a ansiedade dos professores também
são frequentemente investigadas. Um estudo conduzido por Carrión-Bósquez et al. (2022) foi
realizado com 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) professores de unidades educacionais
públicas e privadas do Ensino Fundamental e Médio no Equador. Buscou-se identificar os
fatores de estresse associados ao uso das tecnologias no contexto da pandemia causada pelo
vírus SARS-CoV-2. Foi possível evidenciar que o ceticismo, o cansaço no trabalho e a
ansiedade são fatores influentes na presença do tecnoestresse docente.
De modo semelhante, na Colômbia, Marenco-Escuderos; Ávila-Toscano (2016)
realizarem uma pesquisa com 235 (duzentos e trinta e cinco) professores do Ensino Médio.
Observou-se que as manifestações de exaustão emocional foram relatadas por 23%, sendo
sugestivo da síndrome de Burnout, enquanto a ansiedade e a insônia também foram relatadas
por 18,7% dos participantes.
Quanto ao contexto brasileiro, os resultados de uma investigação realizada em
diferentes regiões do país por Troitinho et al. (2021) sugerem que o trabalho remoto
emergencial, durante a pandemia da Covid-19, exacerbou o estresse, apontando para
precarização do trabalho docente e necessidade de implementação de políticas que mitiguem
39
esses impactos. Participaram da pesquisa 50 (cinquenta) professores da Educação Básica.
Identificou-se que o trabalho remoto emergencial produziu efeitos na ansiedade-estado, afeto
negativo e estresse percebido. Além disso, as mulheres apresentaram maiores respostas que os
homens, um efeito mediado principalmente pela quantidade de trabalho doméstico realizado
pelas professoras.
Cezar-Vaz et al. (2015) realizaram um estudo exploratório com 37 (trinta e sete)
professores do Ensino Fundamental, em uma cidade do Sul do Brasil. Foi identificado que as
condições de trabalho estressantes estão relacionadas ao salário inadequado, ao excesso de
atividades e à realização de trabalho pedagógico em casa. As consequências biopsicossociais
incluem uma associação entre o salário inadequado e a ansiedade e entre o excesso de atividades
e o estresse. Por outro lado, os professores relataram que uma boa relação entre os colegas é
uma condição de trabalho que promove o bem-estar. Os autores consideram que esses
resultados são relevantes para determinar ações que melhorem o ambiente de trabalho e,
consequentemente, a saúde dos professores.
Ao realizarem uma investigação prospectiva com 106 (cento e seis) professores da rede
pública estadual, no município Francisco Beltrão - Paraná, Scandolara et al. (2015)
demonstraram que 46,2% dos participantes sofrem de algum nível de estresse psicossomático
e 21,7% possuem características de depressão. Conforme esclarecem os autores, esses dados
reforçam a necessidade de uma maior visibilidade da questão e o auxílio a esses profissionais,
procurando melhorar a qualidade de vida dessa categoria.
Ferreira-Costa; Pedro-Silva (2018) analisaram os níveis de ansiedade/depressão de 163
(cento e sessenta e três) docentes que lecionavam no Ensino Básico da rede pública estadual de
uma cidade paulista. O estudo revelou que 58% dos sujeitos demonstravam sinais de
adoecimento mental, e 27% deles apresentaram sintomas de transtorno de ansiedade e/ou
depressão. Com isso, os pesquisadores concluíram que os professores m se desgastado
mentalmente em demasia, em decorrência da imposição da dinâmica trabalhista de curto prazo,
flexível, competitivo e de produtividade.
Em um estudo transversal sobre o sofrimento mental com 1.021 professores do ensino
público do Paraná, Tostes et al. (2018) identificaram distúrbios psíquicos menores em 75%,
depressão em 44% e ansiedade em 70% da amostra investigada, apresentando relação com as
condições de trabalho.
Uma investigação com 150 (cento e cinquenta) professores universitários da área da
saúde, de uma instituição de ensino superior (IES) privada da cidade de Montes Claros, norte
de Minas Gerais, foi realizada por Freitas et al. (2021). Nesta pesquisa, identificou-se que 50%
40
apresentaram sintomas de depressão, 37,4% relataram sintomas de ansiedade e 47,2%
apresentaram sintomas de estresse. Além disso, observou-se que os sintomas de depressão
estiveram associados à variável trabalhar em mais de uma IES. As variáveis que se mostraram
associadas à ansiedade foram: “faixa etária ≥ 40 anos” e pessoas sem companheiro fixo. Já o
estresse se mostrou associado à variável estado civil sem companheiro fixo.
Ao considerarmos a região do Nordeste brasileiro, a situação apresenta-se de modo
semelhante, com algumas peculiaridades. Um estudo realizado por Pinho et al. (2021), por
exemplo, investigou características do trabalho remoto, situação de saúde mental e qualidade
de sono na pandemia causada pelo rus SARS-CoV-2 em 1.444 (um mil, quatrocentos e
quarenta e quatro) docentes de todos os níveis de ensino da rede particular do estado da Bahia.
Nesse contexto, 51,4% dos professores relataram alterações no contrato de trabalho e
76,8%, aumento da jornada laboral. O ambiente domiciliar e equipamentos tinham baixo nível
de adequação ao trabalho remoto: espaço físico (19,6%), mobiliário (21,7%), nível de ruído
(17,2%), computadores (44,5%) e internet banda larga (36,7%). Entre as mulheres, 42,3%
referiram sobrecarga doméstica alta; entre os homens, 17,4%. As mulheres apresentaram
situação de saúde preocupante, destacando-se crises de ansiedade (53,7%), mau humor
(78,0%), transtornos mentais comuns (69,0%) e qualidade do sono ruim (84,6%). Os resultados
dessa pesquisa fortalecem a necessidade de ações de proteção à saúde docente (Pinho et al.,
2021).
Também recentemente, Oliveira; Araújo; Oliveira (2022) analisaram a narrativa de uma
mestranda, que teve sua primeira experiência de ensino no estágio docência junto ao curso de
Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em situação de
Ensino Remoto Emergencial (ERE), durante a pandemia da Covid-19. Nesta experiência, o
impulso produtivo de artefatos pedagógicos digitais foi citado como um fator relacionado aos
sintomas de ansiedade.
No estado da Paraíba, uma análise documental de 254 (duzentos e cinquenta e quatro)
registos de professores tratados num serviço de investigação médica localizado em João Pessoa,
realizada por Batista et al. (2016), evidenciou que a depressão foi responsável por 52% de
absentismo dos professores, seguida de esquizofrenia (12%), desordem bipolar (10%), reação
aguda ao estresse (8%), ansiedade (7%), desordem ilusória (4%) e outras (8%). Os
pesquisadores indicam que são necessárias mais investigações para analisar a gravidade desta
problemática.
O recente relatório de dados, publicado por pesquisa realizada em parceria entre o
Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Sindicato dos
41
Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP), revelou um
diagnóstico da situação da saúde e do trabalho docente na pandemia da Covid-19 (Máximo,
2021).
Nessa pesquisa, Máximo (2021) investigou mais de 600 (seiscentos) docentes
vinculados à rede estadual da Paraíba e 56% afirmaram ter dificuldades em conciliar as
atividades profissionais com sua rotina de vida pessoal e quase 40% consideraram que sua saúde
foi muito abalada pelo trabalho remoto, principalmente entre as mulheres devido à sobrecarga
de atividades domésticas. Revelou-se também que a maioria dos profissionais relatou ter
desenvolvido algum sintoma físico ou psíquico relacionado ao trabalho, o que levou a mais de
36% dos docentes terem passado a consumir algum tipo de medicamento antidepressivo.
Considerando esse diagnóstico, o SINTEP (2021) revelou que o sistema de saúde na
Paraíba não possui atendimento específico à categoria quanto aos danos causados pelo trabalho
remoto, nem tampouco a Secretaria de Educação tem desenvolvido parcerias com outros setores
da administração pública para desenvolver políticas públicas neste sentido. Logo, o Sindicato
reivindicou ações preventivas e intervenções para promoção do direito à saúde da categoria por
meio de políticas públicas.
Tendo em vista o exposto, percebe-se que a saúde mental dos docentes e, dentre suas
múltiplas manifestações, a ansiedade, é uma questão latente a ser considerada no campo
educacional e nas pesquisas científicas, ganhando ainda mais relevância a partir da pandemia
da Covid-19. Além dos possíveis prejuízos causados no processo de ensino e de aprendizagem,
a ansiedade também pode apresentar relação com a qualidade de vida e com o
comprometimento vocal desse profissional, conforme veremos a seguir.
3.2 RELAÇÃO ENTRE ANSIEDADE E QUALIDADE DE VIDA DOCENTE
Apesar da indubitável importância e contribuição da profissão docente para o
desenvolvimento de uma nação e da sua respectiva população, por meio da condução do
processo de ensino-aprendizagem, a realidade e o contexto em que ocorre o exercício da sua
prática profissional revelam ambientes de trabalho com potencial ansiogênico nas unidades
escolares. As políticas públicas educacionais, os investimentos em educação, as instalações
físicas das escolas, os recursos didático-pedagógicos, a valorização profissional, que
frequentemente são inadequados e insuficientes, provocam uma maior sobrecarga sobre os
professores. O somatório desses fatores repercute diretamente sobre a saúde docente,
42
implicando na preocupante relação entre elevação dos quadros ansiosos e diminuição da
Qualidade de Vida (QV).
Yang et al. (2009) investigaram a relação entre a QV e a saúde mental de docentes da
Educação Básica na China. Concluiu-se que tais professores têm um estado de saúde inferior
ao da população em geral do país. Nesse contexto, também se observou que a QV das
professoras é pior do que a dos professores, diminuindo com o avançar da idade. Além disso, o
estresse e a tensão profissional induzem o agravamento das condições físicas e mentais desses
profissionais. Portanto, os autores sugerem que a existência de recursos adequados para lidar
com o estresse, nos locais de trabalho, pode ser um fator importante para elevar a QV dos
professores. Para além disso, também devem ser criadas intervenções psicológicas para os
docentes e deve ser prestado aconselhamento psicológico para aliviar o estresse e melhorar a
QV.
Ressalta-se que a QV percebida ou autorrelatada é diferente de acordo com o perfil
populacional investigado, a depender do nível de desenvolvimento do país e da caracterização
socioeconômica dos indivíduos. Ao comparar a Qualidade de Vida no Trabalho Escolar
(QVTL) de professores de escolas públicas entre 995 (novecentos e noventa e cinco) turcos e
716 (setecentos e dezesseis) paquistaneses, Akram et al. (2017), por exemplo, identificaram
distinção quanto a percepção da QV. Os turcos demonstraram uma pontuação média mais
elevada nas dimensões de apoio administrativo, instalações no trabalho e oportunidades de
desenvolvimento. Já os paquistaneses demonstraram uma pontuação média significativamente
mais elevada nas dimensões condições de trabalho saudáveis e salários decentes e justos.
Além do perfil populacional investigado, também é importante considerar o contexto
temporal vigente. Nesse sentido, sabe-se que indivíduos de todo o mundo foram afetados pela
crise sanitária da Covid-19, uma vez que ela provocou graves problemas de saúde mental e
psicológica, além de uma sensação geral de bem-estar fragilizada (D’Sousa, 2021).
Nesse contexto pandêmico, Lizana et al. (2021) realizaram um estudo longitudinal com
63 (sessenta e três) professores de escolas chilenas, visando avaliar a QV antes e durante a
pandemia da Covid-19. Elucidou-se que a percepção desses profissionais quanto a sua QV foi
afetada. Os resultados da pesquisa evidenciaram que houve uma diminuição significativa da
QV durante a pandemia em comparação com o período pré-pandêmico, sobretudo entre as
mulheres. Os autores ressaltaram que esse impacto pode estar relacionado com a sobrecarga de
trabalho devido ao teletrabalho ou a sentimentos de incerteza, solidão e medo de que a pandemia
e os seus confinamentos associados se agravassem.
43
Em paralelo, na Índia, conforme pesquisa realizada por D’Souza (2021) com 890
(oitocentos e noventa) professores indianos, evidenciou-se que o impacto da pandemia da
Covid-19 na QV foi modesto. No entanto, a investigação ressalta que a saúde mental e a QV
dos professores devem ser levadas em consideração, bem como serem oferecidos apoios que
lhes permitam lidar com as consequências dessa crise sanitária.
No que se refere à realidade brasileira, Rocha; Fernandes (2008), ao avaliarem a
qualidade de vida de 91 (noventa e um) professores do Ensino Fundamental do município de
Jequié na Bahia, concluíram que a QV da população estudada se encontra comprometida,
sobretudo nos domínios da vitalidade e da dor, o que pode repercutir no estado de saúde de tais
indivíduos. Os autores chamam a atenção para a necessidade da realização de intervenções com
tal população, tanto em nível de políticas públicas quanto em nível de ações de profissionais de
saúde. Além disso, ressalta-se que, na perspectiva de criação de escolas promotoras de saúde,
não se pode secundarizar a saúde dos docentes para concretizar esta proposta.
Pereira et al. (2014) investigaram alguns fatores relacionados com a QV de 349
(trezentos e quarenta e nove) professores das redes municipal e estadual de Educação Básica,
que trabalhavam em escolas das diferentes regiões do município de Florianópolis em Santa
Catarina. Destacou-se que os docentes com maior carga horária semanal e aqueles da rede
estadual de ensino apresentaram menores índices de QV em todos os domínios investigados.
Professores com mais tempo de serviço no magistério apresentaram menores índices de QV,
considerando o domínio físico e relações sociais. tais profissionais em cargo de gestão
apresentaram escores superiores de QV no domínio meio ambiente em relação aos
professores em exercício na sala de aula. Assim, concluiu-se que a redução da carga horária
parece ser o principal fator associado com menores índices de QV na amostra.
Silveira et al. (2011) avaliaram a QV de 23 (vinte e três) professores dos períodos diurno
e noturno de uma instituição municipal de Ensino Fundamental em Uberaba no estado de Minas
Gerais. Na pesquisa foi revelado uma situação mais preocupante entre os professores do período
diurno, que apresentou valores percentuais menores que aqueles apresentados pelo turno da
noite. Inferiu-se que fatores como a sobrecarga de trabalho, pouca prática de atividades físicas
e lazer, além de dificuldades no convívio social com colegas e alunos repercutem no cotidiano
deste profissional, em termos de vitalidade, capacidade funcional e saúde mental, podendo
interferir no desempenho profissional. Desse modo, a percepção dessa realidade se faz
necessária para incluir o professor nas políticas públicas voltadas para a saúde e bem-estar da
categoria.
44
Quanto ao contexto do ambiente escolar, Ishak et al. (2018) investigaram a QV
profissional de professores por meio de uma revisão da literatura. Os autores ressaltam que a
QV no trabalho tem a ver com o ambiente de trabalho, a recompensa, o empenho
organizacional, o reconhecimento, a gestão participativa, o equilíbrio entre a vida profissional
e a vida familiar, as instalações de bem-estar, o tratamento adequado das queixas, a satisfação
no trabalho e outros. Assim, a QV no trabalho é considerada uma questão imperativa para
atingir os objetivos da organização, uma vez que sua elevação pode resultar em seu melhor
desempenho, eficácia e capacidade de inovação.
Santos; Espinosa; Marcon (2020) avaliaram a qualidade de vida de 326 (trezentos e
vinte e seis) professores do Ensino Fundamental da rede pública municipal de Cuiabá, no Mato
Grosso, e compararam com diversos fatores. Dentre os resultados, constatou-se que as
presenças de distúrbio de voz e de transtorno mental comum afetaram a qualidade de vida dos
professores. Nesse sentido, ressalta-se a importância de intervir e abordar a saúde mental
docente, com foco na ansiedade, e a sua relação com a QV de professores.
Nesse contexto, Freitas; Calais; Cardoso (2018), após realizarem um estudo de caráter
interventivo com 105 (cento e cinco) professores de escolas públicas do estado de São Paulo,
no qual investigou-se os efeitos do relaxamento progressivo de Jacobson e observou-se
tendência de melhora dos sintomas de ansiedade e na QV, sugerem que outras intervenções
com docentes sejam desenvolvidas. Isso ampliaria o repertório comportamental de respostas
saudáveis frente a estímulos ambientais aversivos, conforme os autores.
Portanto, sobre o panorama da QV de docentes brasileiros, constata-se que a presença
de ansiedade em professores está relacionada a pior QV desses profissionais. Nesse sentido,
Lima; Coutinho (2020) apontam que ainda muito o que melhorar na QV do professor no
Brasil, uma vez que esse profissional está sujeito a condições de trabalho inadequadas, exposto
a violências, horas de trabalho mal distribuídas e defasagem salarial, repercutindo
negativamente em sua saúde, como alteração nos níveis de ansiedade.
Assim, indicando caminhos possíveis para a abordagem dessa problemática, Deffaveri;
Méa; Ferreira (2020), ao identificarem sintomas de ansiedade e estresse em 200 (duzentos)
professores da Educação Básica de uma cidade do Rio Grande do Sul, afirmam: deverão ser
organizadas políticas públicas e ações institucionais que contribuam com a QV dos professores,
tais como salário justo, infraestrutura escolar adequada, investimento em segurança nas
instituições, redução da carga horária de trabalho e respeito à classe profissional docente.
Especificamente, quanto ao contexto do estado da Paraíba, Moreira; Santino; Tomaz
(2017) indicavam que o adoecimento mental de professores, como a sintomatologia
45
depressiva, contribui com uma redução da QV de docentes. Tal estudo foi realizado com 23
(vinte e três) professores de uma escola municipal de Ensino Fundamental, localizada na cidade
de Campina Grande.
Nesse sentido, Carneiro et al. (2021), ao realizarem pesquisa com 80 (oitenta)
profissionais da educação, professores e técnicos-administrativos de uma instituição de Ensino
Profissional de nível técnico e superior no sertão da Paraíba, destacaram a importância da
autonomia como fator relevante para a satisfação e a QV no trabalho.
Bezerra; Silva (2018) constataram uma percepção mediana da QV entre dez professores
de Educação Física da rede pública e privada da cidade de Catolé do Rocha, Paraíba. Na rede
privada tem-se a capacidade funcional (93) e a limitação física (80) como ótimos valores quanto
a saúde do professor. Por outro lado, na rede pública apenas os domínios da capacidade
funcional (65) e da dor (63) foram medianos. Já os domínios da dor, do estado geral de saúde,
vitalidade, aspectos sociais, limitação dos aspectos emocionais e a saúde mental tiveram um
equilíbrio entre os professores das diferentes instituições.
A percepção negativa da QV é evidente entre professores da Educação Básica, em todo
o mundo, inclusive no Brasil e na Paraíba, sendo ainda mais manifesta entre as mulheres e nas
instituições públicas. Ressalta-se também a tendência de relação inversa entre a ansiedade e a
QV dos professores, uma vez que quanto maior o nível de ansiedade menor é a QV docente.
Desse modo, para abordagem da problemática, sugere-se considerar não apenas a realidade
específica da unidade escolar e dos professores, mas também do respectivo sistema de ensino e
dos profissionais da educação do país. Assim, as políticas públicas e as ações de promoção,
proteção e recuperação da saúde docente devem considerar não apenas o diagnóstico e as
demandas da realidade local, mas também regional, nacional e global.
3.3 RELAÇÃO ENTRE ANSIEDADE E VOZ DOCENTE
É importante destacar que as alterações nos níveis de ansiedade dos professores,
elucidada anteriormente, podem provocar comprometimento vocal desses profissionais. Nesse
sentido, passaremos a revisar as evidências científicas sobre essa relação, conforme a seguir,
visando fundamentar as discussões posteriores dos achados desta pesquisa.
Moselli; Assunção; Medeiros (2017) realizaram uma revisão bibliográfica com 15
(quinze) artigos científicos, publicados em diferentes continentes. Investigou-se sobre a
frequência de faltas ao trabalho por distúrbios de voz em professores e sua relação com aspectos
sociais, econômicos e de saúde. A frequência de faltas ao trabalho por distúrbios de voz variou
46
entre 3,5 % e 63% e os fatores associados a essas faltas foram: sexo feminino, queixa vocal
durante a formação profissional, ter presenciado episódios de violência em sala de aula,
depressão ou ansiedade, problemas respiratórios, impacto e gravidade dos distúrbios da voz na
qualidade de vida do professor.
Os autores concluem que fatores sociodemográficos, de saúde e relacionados ao
ambiente de trabalho associados à falta ao trabalho por causa da voz mostram a complexidade
do evento estudado e permitem identificar elementos para a elaboração de ações preventivas
voltadas para a saúde dos professores (Moselli; Assunção; Medeiros, 2017).
Em uma revisão sistemática da literatura, Martinez et al. (2015) evidenciaram que a
ansiedade e a qualidade de vida estão associadas à disfonia, ou seja, déficits na produção vocal
na qual a voz não cumpre seu papel básico de transmissão da mensagem verbal e emocional do
indivíduo. Além disso, verificou-se que o diagnóstico da disfonia pode estar diretamente
relacionado ao estresse, ansiedade, depressão, introversão e fobias sociais.
Moy et al. (2015) buscaram estabelecer a prevalência de distúrbios de voz e analisar os
determinantes (qualidade de vida, depressão, ansiedade e estresse) associados a distúrbios de
voz entre os professores do ensino secundário na Malásia peninsular. A pesquisa revelou que o
distúrbio da voz foi associado ao aumento do absentismo, marginalmente associado à redução
da qualidade de vida relacionada com a saúde, bem como aumento da ansiedade entre os
professores.
No que se refere ao contexto brasileiro, Medeiros; Vieira (2019) investigaram a
prevalência e duração da ausência de professores ao trabalho por distúrbio vocal no país e a
associação com os fatores de trabalho e situação de saúde. A amostra da pesquisa foi composta
por 6.510 (seis mil, quinhentos e dez) docentes da Educação sica, considerando estratos
referentes às diferentes unidades federativas.
Identificou-se que o principal motivo que afastou o professor da sala de aula foi o
distúrbio de voz (17,7%), seguido dos relatos de problemas respiratórios (14,6%) e emocionais
(14,5%), como depressão, estresse e ansiedade. No entanto, a duração da maioria dos
afastamentos (78%) ocorreu por um período curto (até sete dias). Por outro lado, também se
percebeu que a maior prevalência de ausência por distúrbio vocal ocorreu entre os professores
das regiões Norte e Nordeste, com maior duração de deslocamento para o trabalho, relato de
diagnóstico de doença ocupacional e que procuraram pelo serviço de saúde, se ausentaram por
problema emocional e problema respiratório (Medeiros; Vieira, 2019).
Concluiu-se que é elevada a prevalência de faltas ao trabalho por problema de voz por
um curto período, que se mostrou associada à presença de outras comorbidades. Além disso,
47
fatores macroestruturais indicam o caráter social do processo de adoecer e faltar ao trabalho
dos docentes (Medeiros; Vieira, 2019).
Visando identificar a prevalência de sintomas vocais e outras queixas associadas à
atividade docente, Castro et al. (2020) realizaram um estudo com 81 (oitenta e um) professores
de três escolas públicas de Ensino Fundamental, na cidade de Maceió, Alagoas. Tal pesquisa
evidenciou uma alta porcentagem de profissionais com alterações vocais (79,51%), sendo mais
comum a falha e dor ao falar e a rouquidão. Entre as queixas associadas ao trabalho, destaca-se
rinite (74,07%), ansiedade (69,13%) e insônia (51,85%). Dos fatores ambientais, a poeira foi a
mais citada (81,48%) e, além disso, uma parcela (24,69%) nunca buscou ajuda especializada.
Esta pesquisa indica que são necessárias ações de promoção à saúde vocal, buscando a
conscientização do problema e a melhora da voz do docente, com consequente elevação da
qualidade do ensino e diminuição da falta ao trabalho (Castro et al., 2020).
Ribas; Penteado; García-Zapata (2014) verificaram, por meio de uma revisão
sistemática de literatura, os estudos existentes sobre qualidade de vida relacionada à voz de
professores, dos diversos níveis de ensino. Constatou-se que o professor, mesmo tendo avaliado
sua voz como boa, apresenta dificuldades em perceber e valorizar os sintomas vocais, não os
relacionando aos aspectos negativos da sua qualidade de vida. Além disso, também se percebeu
que necessidade de aumento dos estudos de qualidade de vida relacionada à voz do professor
nos diferentes níveis de ensino e tipos de escolas.
Assim, afirma-se a importância de ões fonoaudiológicas que se constituam como
espaços sociais e processos educativos em saúde potencializadores para promover a
sensibilização, a atenção e a percepção do professor acerca da própria voz e suas eventuais
mudanças e alterações, desmistificando a ideia equivocada de que uma alteração vocal seja
inerente à profissão (Ribas; Penteado; Garcìa-Zapata, 2014).
Sobre a autopercepção da voz por professores de escola pública, Santos et al. (2019)
concluíram que os professores apresentam maior percepção do impacto da qualidade vocal do
que a população geral. No entanto, é intrigante a falta de atenção aos sintomas e distúrbios
vocais relacionados ao trabalho e, curiosamente, as estratégias de enfrentamento das disfonias
têm maior foco na emoção do que no problema.
Estes achados podem indicar a importância de informar esta população sobre as
possibilidades do uso saudável da voz, hábitos vocais e as diferentes formas de reabilitação de
seus distúrbios, além de estabelecer políticas públicas que tenham como foco a saúde vocal do
docente (Santos et al., 2019).
48
No contexto do estado da Paraíba, Trajano et al. (2020), ao realizarem um ensaio clínico
com 52 (cinquenta e dois) pacientes atendidos na clínica-escola de Fonoaudiologia da UFPB,
identificaram uma relação direta entre os níveis de ansiedade e os sintomas vocais, e quanto
maior o grau de ansiedade, mais fortes eram os sintomas vocais.
Alves et al. (2021), ao realizarem uma investigação com 24 (vinte e quatro) pacientes
atendidos na clínica-escola de Fonoaudiologia da UFPB sobre a relação entre os transtornos
mentais e a adesão à terapia de voz. Os autores concluíram que pacientes sem adesão à
fonoterapia em voz apresentam escores mais elevados de transtornos mentais comuns e
ansiedade estado.
Costa et al. (2013) realizaram uma pesquisa com 44 (quarenta e quatro) professores
pertencentes a cinco escolas da Paraíba, entre pública e privada. Avaliou-se a interferência dos
fatores de riscos e emocionais na voz de professores com e sem queixa. Evidenciou-se que
existe uma relação entre problemas vocais e emocionais, sobretudo ansiedade. As vozes mais
alteradas emanaram de sujeitos considerados mais ansiosos.
Nesse sentido, tais autores destacaram a importância de um programa de saúde vocal
para os professores, para que estes tenham conhecimento sobre a voz e passem a manter
cuidados de saúde vocal, evitando problemas futuros que podem culminar no comprometimento
da qualidade de vida e afastamento do trabalho (Costa et al, 2013).
Almeida et al. (2014) realizaram uma comparação das características vocais e
emocionais em grupos de professores e outros profissionais da educação, vinculados à rede de
ensino da Paraíba, com baixa e alta ansiedade. O estudo envolveu 93 (noventa e três) sujeitos e
identificou que os indivíduos com alta ansiedade tiveram maior comprometimento emocional,
vocal e na qualidade de vida, sobretudo aqueles que têm a voz como instrumento de trabalho,
os professores.
Silva et al. (2019) analisaram a prevalência do distúrbio vocal e seus fatores
biopsicossociais preditores (ocupacionais, físicos, sociais, emocionais e psíquicos) em 270
(duzentos e setenta) professores da rede municipal de Ensino Fundamental da cidade de João
Pessoa. O grupo de professores investigado apresenta alta prevalência de distúrbio vocal
(86,3%) e este se manifesta, majoritariamente, de forma leve a moderada. Altas taxas de
ansiedade e de distúrbios psiquiátricos menores também foram encontradas nesta amostra.
Portanto, a partir desta revisão de literatura, que procurou elucidar e fundamentar a
problemática da ansiedade em professores e sua relação com a QV e a voz docente, ratifica-se
a hipótese de que: o controle dos níveis de ansiedade pode contribuir para a melhora da QV e
para a redução das possíveis alterações vocais. Tal proposição será discutida a partir dos
49
resultados experimentais desta pesquisa, nos capítulos 6 e 7. Antes, porém, realizaremos uma
primeira aproximação ao público-alvo desta investigação: professores do Ensino Médio da rede
estadual da Paraíba, conforme a seguir.
50
4 DESIGUALDADES ENTRE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO QUANTO AO
SEXO, À COR E À FORMAÇÃO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NA REDE
ESTADUAL DA PARAÍBA
RESUMO
Introdução. As diferenças entre a população brasileira exercem influência sobre os espaços
sociais ocupados por diferentes trabalhadores, impactando nas suas condições de vida.
Objetivo. Refletir sobre as desigualdades entre os professores do Ensino Médio da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba quanto às categorias ‘sexo’, ‘cor/raça’ e ‘formação’. Método.
Realizaram-se uma revisão bibliográfica e uma análise descritiva do banco de dados da
Secretaria de Educação do Estado. Resultados. Identificou-se que a maioria é do sexo feminino
e da cor negra. Quanto à formação, no entanto, as professoras negras são a maior parte apenas
entre os graduados e os especialistas, sendo os professores negros a maioria entre os mestres, e
as professoras brancas entre os doutores. Conclusão. Ressalta-se a necessária formulação de
políticas públicas que visem à democratização do acesso e da permanência na Educação
Superior e de ações afirmativas para o ingresso no serviço público e para a ascensão profissional
na carreira docente.
Palavras-chave. Formação de professores; Gênero; Raça.
ABSTRACT
Introduction. The differences between the Brazilian population influence the social spaces
occupied by different workers, impacting on their living conditions. Objective. To reflect on
the inequalities between high school teachers in the Paraíba State Education Network in terms
of the categories 'gender', 'color/race' and 'education'. Method. A bibliographical review and a
descriptive analysis of the database of the State Education Department were carried out.
Results. It was found that the majority are female and black. In terms of training, however,
black teachers are the majority only among graduates and specialists, with black teachers being
the majority among masters, and white teachers among doctors. Conclusion. It is worth
highlighting the need to formulate public policies aimed at democratizing access and
permanence in higher education and affirmative action for entry into the civil service and for
professional advancement in the teaching career.
Keywords: Teacher training; Gender; Race.
4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O mercado de trabalho brasileiro está marcado por desigualdades de gênero e raça,
significativas e persistentes. Essa problemática, eixo estruturante da matriz da desigualdade
social, está na raiz da permanência e reprodução das situações de pobreza e exclusão social do
país. Essa questão deve ser levada em consideração na formulação de políticas públicas,
sobretudo as de emprego, inclusão social e redução da pobreza (Abramo, 2006).
As diferenças marcantes entre a população brasileira, seja de sexo, de gênero ou de
cor/raça, exercem influência direta sobre os espaços sociais, ocupados por diferentes grupos de
trabalhadores e, por sua vez, impactam seletivamente as condições de vida dos indivíduos. Por
51
exemplo, conforme ressalta Barata (2009), a posição social dos indivíduos e dos grupos sociais
é determinante no estado de saúde da população, podendo ser mensurada por indicadores de
classe social, por variáveis isoladas como escolaridade e classe ocupacional, ou a partir das
condições de vida em determinados espaços geográficos.
Sotero (2013) ressalta que a escolaridade não é o único fator que influencia a mobilidade
social dos indivíduos, mas ainda é um dos principais definidores do posicionamento
socioeconômico na hierarquização social. A autora esclarece ainda que uma análise de gênero
deve considerar questões relativas não apenas ao acesso à educação, mas também às relações
hierárquicas (re)produzidas no próprio sistema educacional.
Nesse contexto, Abramo (2006) verificou que o nível de escolaridade das mulheres é
claramente superior ao dos homens. No entanto, a taxa de desemprego de mulheres e negros
2
é
superior à de homens e brancos. Em paralelo, os rendimentos das mulheres e dos negros são
inferiores aos dos homens e dos brancos, inclusive entre aqueles que têm o mesmo vel de
escolaridade.
As desigualdades na educação brasileira vêm por muitos anos motivando a agenda de
pesquisas e ações com foco em políticas públicas educacionais direcionadas à garantia do
direito à educação de qualidade para todos. A partir de diferentes análises, a abordagem da
desigualdade educacional tem considerado desde o acesso, a qualidade e a permanência na
escola, até as desiguais oportunidades na formação e inserção profissional, inclusive na
docência (FCC, 2020).
A partir dessas questões, o presente texto objetiva refletir sobre as desigualdades entre
os professores do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da Paraíba quanto às categorias
‘sexo’, ‘cor/raça’ e ‘formação’. Para isso, recorremos a uma revisão bibliográfica referente aos
estudos interdisciplinares sobre desigualdades e aos dados da Secretaria de Educação do
Estado.
3
Inicialmente, apresentamos alguns dados e discussões sobre o perfil do professor da
Educação Básica brasileira quanto ao sexo, à cor/raça e à formação. Posteriormente, trazemos
à tona o caso específico dos professores do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da
Paraíba, levando em conta as mesmas categorias de análise.
2
Adotamos a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que classifica os negros
como o grupo de pretos e pardos.
3
Os dados estão disponíveis na plataforma www.saber.pb.gov.br, que contém os principais indicadores da
educação no estado da Paraíba.
52
4.2 PERFIL DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA
4.2.1 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com o sexo
A partir de dados do Censo da Educação Básica dos anos de 2009, 2013 e 2017,
Carvalho (2018) analisou características demográficas, do contexto de trabalho e da formação
do docente brasileiro. Além de outros importantes resultados, a pesquisa revelou que a maioria
dos professores da Educação Básica é do sexo feminino, mas essa predominância diminui à
medida que progridem as etapas de ensino. Em 2017, professores do sexo feminino
correspondiam a 81% do total, ocupando 96,6% na Educação Infantil, 88,9% nos Anos Iniciais
do Ensino Fundamental, 68,9% nos Anos Finais do Ensino Fundamental e 59,6% no Ensino
Médio.
Mais recentemente, conforme o Censo da Educação Básica de 2020, do total de
professores que atuavam no Ensino Médio naquele ano, 57,8% é do sexo feminino, e 42,2% do
sexo masculino (Brasil, 2021). Nesse sentido, observa-se uma progressiva tendência de
‘masculinização docente’ no Ensino Médio, diminuindo a histórica representatividade das
mulheres na docência.
Durante a pandemia de Covid-19, uma pesquisa aplicada virtualmente com 14.285
professores da Educação Básica de todos os estados brasileiros, das redes pública e privada,
confirmou, mais uma vez, que as professoras se destacam na Educação Infantil e nos Anos
Iniciais do Ensino Fundamental, enquanto os homens estão mais presentes nos Anos Finais do
Ensino Fundamental e no Ensino Médio (FCC, 2020).
A feminização do magistério é um fenômeno histórico-cultural marcante no país.
Martins; Richartz (2020), ao analisar as influências das desigualdades de gênero como um
elemento da descaracterização da profissão docente, ressaltam que o processo de feminização
ocorreu principalmente quando a mulher teve o direito de atuar nos espaços públicos, a partir
do século XIX, deixando de realizar apenas tarefas domésticas e sua função maternal.
Entretanto, as dificuldades impostas pela sociedade patriarcal ainda estão fortemente presentes
nos dias de hoje.
Ao refletir sobre a relação entre gênero, educação das mulheres e feminização do
magistério na Educação Básica brasileira, Prá; Cegatti (2016, p. 225) concluíram que,
apesar das mudanças em relação à presença feminina no espaço público, ainda hoje
se encontram enormes disparidades em relação à igualdade de oportunidade entre
homens e mulheres. Mesmo em ocupações onde as mulheres são maioria, estas
53
aparecem em postos vulneráveis, enquanto os homens estão posicionados no topo da
hierarquia profissional.
Nesse sentido, precisamos estar atentos não apenas ao papel que as mulheres ocupam
na educação mas também onde e como elas estão inseridas nessa área, visando superar as
desigualdades de oportunidades em comparação aos homens. No âmbito da Educão Básica,
o fato de as professoras estarem mais fortemente presentes na Educação Infantil e nos Anos
Iniciais do Ensino Fundamental ainda evidencia a vinculação da ideia de educar com o cuidado
feminino e/ou com as obrigações domésticas. Isso acaba por alterar o significado e o valor
social e profissional que as mulheres detêm dentro do campo educacional.
Conforme ressaltam Enco; Sousa (2020) em pesquisa realizada com docentes da
Educação Básica vinculados às Redes Estaduais de Ensino de todos os estados brasileiros, a
discussão sobre a divisão social do trabalho antecede a da feminização na docência, uma vez
que a homens e mulheres são atribuídos papéis diferentes na sociedade e, dessa forma, o
trabalho masculino é valorizado de forma distinta do feminino. Logo, uma discussão sobre a
questão da mulher na docência deve ser precedida de uma análise sistêmica e estrutural da
presença da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.
4.2.2 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com a cor/raça
Com relação à cor/raça, Carvalho (2018) identificou que, no Censo de 2017, a maioria
dos professores da Educação Básica é da cor branca (42%), seguida pelos negros (29,3%), não
declarados (27,4%), amarelos (0,7%) e indígenas (0,6%). A predominância dos brancos
aumenta à medida que progridem as etapas de ensino. No Ensino Médio, são 46,7% de brancos,
28,2% de não declarados, 24% de negros, 0,6% de amarelos e 0,5% de indígenas.
Ratificando essa tendência, a FCC (2020) confirmou, mais uma vez, que a categoria
profissional docente é majoritariamente branca: 53% de mulheres brancas, 11% de homens
brancos, 26% de mulheres negras e 7% de homens negros. Entretanto, o referido estudo também
identificou que, nos últimos anos, a mudança na composição racial da população brasileira vem
favorecendo um possível equilíbrio entre docentes não negros e negros.
Além disso, Artes; Unbehaum (2021) destacam que essa mudança no perfil étnico-
racial, nas últimas décadas, é resultante do crescimento da participação de estudantes negros no
Ensino Superior brasileiro. As autoras atribuem essa nova realidade à pressão dos movimentos
sociais negros, que conquistaram importantes políticas públicas de inclusão a partir dos anos de
1990, por meio de cotas, consolidadas durante os anos 2000. Entretanto, apesar dessas
54
iniciativas, a participação de negros em comparação com o total da população ainda é distante
da ideal.
Sobre as diferenças raciais entre negros e brancos em nossa sociedade, Santos (2019, p.
941) propõe o uso do termo ‘negrofilia’ em análises sobre a branquitude:
Negrofilia é o termo usado para explicar o consumo do corpo negro e de aspectos da
negritude realizado por sujeitos brancos, que não reconhecem os privilégios de
branquitude deles. [...] a branquitude é o lugar de privilégios materiais e simbólicos
ocupados pelos indivíduos reconhecidos como brancos em nossa sociedade
racialmente hierarquizada.
Nesse sentido, o autor ainda apregoa que a educação para as relações étnico-raciais, seja
na Educação Básica, seja no Ensino Superior, o deve depender do compromisso exclusivo de
professores engajados com as pautas antirracistas, em especial os(as) professores(as)
negros(as): ela deve ser parte constituinte da formação, reflexão e ação de todos os professores,
inclusive os(as) professores(as) brancos(as) (Santos, 2019).
4.2.3 Desigualdades entre os professores brasileiros de acordo com a formação
Quanto à formação dos docentes da Educação Básica, Carvalho (2018) ressaltou que a
maioria é profissional com nível superior completo, com tendência de aumento ao longo do
tempo: de 67,6% no Censo de 2009, para 78,4% no Censo de 2017. No Ensino Médio, esse
percentual é ainda mais elevado, atingindo 91,3% no Censo de 2017.
Quanto aos professores com pós-graduação, entre os anos de 2009 e 2017 houve um
aumento de 11,7%, passando de 24,2% para 35,9%, sendo a especialização o grau mais
frequente, acima de 95%. Os professores com mestrado e doutorado estão concentrados
principalmente no Ensino Médio (Carvalho, 2018).
Vale lembrar que uma das metas do atual Plano Nacional de Educação (PNE) é fazer
com que, até o final da sua vigência, em 2024, 50% dos professores da Educação Básica tenham
pós-graduação. Recentemente, o Censo de 2020 revelou que 43,4% dos professores da
Educação Básica possuem pós-graduação lato sensu ou stricto sensu (Brasil, 2021). Nesse
sentido, observa-se uma evolução do percentual de docentes da Educação sica com pós-
graduação.
Com a análise do perfil dos professores da Educação sica brasileira, foi possível
identificar que, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, níveis de ensino em que o grau
de exigência de formação profissional é menor, estão majoritariamente presentes as mulheres e
55
os brancos ou pardos. Por outro lado, no Ensino Médio, nível em que o requisito de qualificação
profissional é maior, o sexo feminino, apesar de ainda ser maioria, está presente em menor
proporção. Além disso, uma presença ainda mais elevada de professores brancos nesta etapa.
Também se percebe que, no Ensino Médio, maior concentração de professores mais
qualificados, revelando uma marcante hierarquização na carreira profissional do docente da
Educação Básica.
Logo, essa problemática relação entre as categorias ‘sexo’, ‘raça/cor’ e ‘grau de
formação’ dos professores reflete a marcante desigualdade presente na sociedade brasileira, em
seus diversos espaços sociais, inclusive entre os profissionais da Educação Básica. Conforme
apontam Martins; Richartz (2020, p. 49), “[...] sem a equidade e a disrupção tão desejadas nas
escolas e no mercado de trabalho a mudança torna-se um mero engano”.
4.3 DESIGUALDADES ENTRE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DA REDE
ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA
4.3.1 Desigualdades entre os docentes de acordo com o sexo e a cor/raça
Na Rede Estadual de Ensino da Paraíba, existem 19.527 professores em exercício no
Ensino Médio, sendo 12.441 (63,71%) do sexo feminino e 7.086 (36,29%) do sexo masculino.
Desse total, 10.070 (51,57%) são negros, 6.013 (30,79%) são brancos, 3.028 (15,51%) são não
declarados, 296 (1,52%) são indígenas e 120 (0,06%) são amarelos (Tabela 4):
Tabela 4. Professores em exercício no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da Paraíba, por cor/raça e sexo
(nov. 2020)
Cor/raça
Sexo
Total
Feminino
Masculino
Negros
6.138
3.932
10.070
Brancos
3.999
2.014
6.013
Indígenas
193
103
296
Amarelos
82
38
120
Não declarados
2.029
999
3.028
Total
12.441
7.086
19.527
Fonte: Elaborada pelos autores com dados da Secretaria de Educação do Estado da Paraíba (2020).
A maioria dos professores em exercício no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino
da Paraíba é do sexo feminino (63,71%). Esse dado é semelhante ao que foi revelado por
Carvalho (2018) e pelo Censo de 2020, a saber, que a docência se mostra, ainda hoje, como
uma oportunidade de trabalho para as mulheres.
56
Em parte, isso pode ser devido ao fato de que, conforme aponta Sotero (2013), as
mulheres têm melhor desempenho nos diferentes níveis de ensino e estão presentes em maior
quantidade no Ensino Superior. Além disso, a autora identificou que, nos cursos de graduação
da área da Educação, os estudantes do sexo feminino também são maioria.
Os cursos de licenciatura, que são pré-requisitos para lecionar no Ensino Médio, são
ocupados majoritariamente por mulheres, conforme consenso nos debates e nas pesquisas sobre
o fenômeno de feminização da docência. Essa constatação é resultado de uma construção
histórica, social e cultural, que reflete não apenas a ideia do ensino vinculada ao cuidado
feminino mas também as relações de gênero (Vianna, 2001).
Ressalta-se que a categoria de análise ‘sexo/gênero’ deve ser considerada na reflexão
sobre as características das relações que se constituem no ambiente escolar, sendo mais um
importante aspecto nas formulações de políticas públicas para a carreira dos professores
(Carvalho, 2018).
quanto à cor/raça, um pouco mais da metade dos professores do Ensino Médio da
Rede Estadual de Ensino da Paraíba (51,57%) é negro, seguida dos que se declararam brancos
(30,79%). Em certa medida, esse dado diverge do perfil dos professores brasileiros, que é
composto por 46,7% de brancos, 28,2% de não declarados e apenas 24% de negros no Ensino
Médio (Carvalho, 2018).
Nesse sentido, apesar de os estudantes brancos serem maioria no Ensino Superior, sejam
mulheres ou homens, essa relação é invertida nos cursos de menor prestígio social, tais como
os de licenciatura (Sotero, 2013), em que os negros têm maior representatividade.
Em pesquisa realizada por Ristoff (2014), constatou-se que os cursos mais competitivos
tendem a ter percentuais menores de negros, enquanto os cursos de licenciatura e os de baixa
demanda têm percentuais maiores. No entanto, o autor ressalta que algumas políticas públicas
4
estão criando oportunidades de mobilidade social para os universitários trabalhadores, de baixa
renda, pretos, pardos, indígenas e filhos de pai sem escolaridade.
Corroborando com essa perspectiva, Carvalho (2018) ressalta que é importante debater
e considerar políticas de ação afirmativa e de promoção de igualdade no acesso à profissão e à
progressão profissional. A autora destaca ainda que a categoria de análise ‘cor/raça’ deve ser
considerada como subsídio para a formulação de políticas públicas que considerem a
4
O Programa Universidade para Todos (ProUni), o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das
Universidades Federais (Reuni), o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o novo Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior (Fies), a Lei das Cotas nas Instituições Federais, a criação de novas universidades
e de novos campi das universidades federais, a política de interiorização e a criação dos Institutos Federais de
Educação.
57
multiculturalidade, tanto para a formação do próprio docente quanto para a implementação do
projeto político-pedagógico da escola.
4.3.2 Desigualdades entre as professoras de acordo com a cor/raça e a formação
Do total de professores do sexo feminino, existem 6.138 (49,34%) declaradas negras,
3.999 (32,14%) brancas e 2.029 (16,31%) não declaradas, seguidas de apenas 193 (1,55%)
indígenas e 82 (0,66%) amarelas. Quanto à formação acadêmica, a maioria possui no máximo
pós-graduação lato sensu, sendo 5.724 (46,00%) graduadas e 5.709 (45,89%) especialistas. Por
outro lado, a minoria possui pós-graduação stricto sensu, sendo 921 (7,40%) mestras e 120
(0,96%) doutoras (Tabela 5):
Tabela 5. Professores do sexo feminino em exercício no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da Paraíba,
por cor/raça e formação (nov. 2020)
Cor/Raça
Formação
Total
Graduação
Especialização
Mestrado
Doutorado
Negros
2.691
2.946
460
41
6.138
Brancos
1646
1.961
340
52
3.999
Indígenas
133
59
1
-
193
Amarelos
35
39
7
1
82
Não declarados
1.219
683
104
23
2.029
Total
5.724
5.709
921
120
12.441
Fonte: Elaborada pelos autores com dados da Secretaria de Educação do Estado da Paraíba (2020).
Ao analisar a relação entre o grau de formação e a cor/raça, observamos que, apesar de
as mulheres negras serem maioria entre as professoras e também entre as graduadas,
especialistas e mestras, foram as mulheres brancas que obtiveram o maior número de títulos de
doutorado. Isso vai ao encontro da pesquisa de Vanali; Silva (2019), a qual constatou que, nos
três níveis acadêmicos (doutorado, mestrado acadêmico e mestrado profissional), sub-
representação da população negra no corpo discente. Nesse contexto, os autores ressaltam a
importância das políticas de ação afirmativa também para a pós-graduação.
Nesse sentido, ao dimensionar as desigualdades por sexo e cor/raça na pós-graduação
brasileira e identificar que o acesso à escolarização é diferenciado tanto por sexo quanto por
cor/raça, com piores indicadores para os negros, Artes (2018, p. 19) ressalta:
Várias conquistas [...] foram alcançadas no acesso de negros ao ensino superior
brasileiro nas últimas décadas, porém muito ainda falta percorrer para a desejável
equidade entre os grupos por cor/raça no acesso as etapas mais elevadas (e
prestigiadas) de escolarização.
58
É necessário relembrar que, apesar de a população brasileira apresentar paridade
numérica entre homens e mulheres, com um sutil predomínio de negros em relação a brancos,
o mesmo não ocorre quando se considera o cenário educacional, principalmente nas etapas mais
elevadas de escolarização (Artes, 2018).
Nesse sentido, ao investigar a presença do negro na ciência brasileira contemporânea,
Nascimento (2018, p. 123) esclarece:
[...] é necessário haver mudanças tanto na inclusão de grupos marginalizados, quanto
no debate, em trabalhos futuros, sobre o papel dessa realidade para a manutenção de
privilégios brancos no status quo e a manutenção do racismo epistêmico e sua
configuração cordial na sociedade brasileira.
Assim, o autor ainda ressalta que [...] a entrada de negros e negras [...] num espaço
como a pós-graduação possibilita novos olhares sobre os objetos científicos e, portanto,
mudanças epistemológicas na própria ciência brasileira” (Nascimento, 2018, p. 122). Dessa
forma, a democratização do acesso e da permanência nos níveis mais elevados do ensino, como
a pós-graduação stricto sensu, visando à igualdade de oportunidades para as diferentes
cores/raças, é um caminho viável para a diminuição das diferenças e das desigualdades entre
negros e não negros.
4.3.3 Desigualdades entre os professores de acordo com a cor/raça e a formação
Do total de professores do sexo masculino, existem 3.932 (55,49%) declarados negros,
2.014 (28,42%) brancos, 999 (14,10%) não declarados, 103 (1,45%) indígenas e 38 (0,54%)
amarelos. Quanto à formação acadêmica dos professores, a maioria possui no máximo pós-
graduação lato sensu, sendo 3.454 (48,74%) graduados e 2.696 (38,05%) especialistas. Por
outro lado, a minoria possui pós-graduação stricto sensu, sendo 840 (11,85%) mestres e 96
(1,35%) doutores (Tabela 6):
Tabela 6. Professores do sexo masculino em exercício no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino da Paraíba,
por cor/raça e formação (nov. 2020)
Cor/raça
Formação
Total
Graduação
Especialização
Mestrado
Doutorado
Negros
1.827
1.590
470
45
3.932
Brancos
916
803
264
31
2.014
Indígenas
65
32
4
2
103
Amarelos
17
17
4
-
38
Não declarados
629
254
98
18
999
Total
3.454
2.696
840
96
7.086
Fonte: elaborada pelos autores com dados da Secretaria de Educação do Estado da Paraíba (2020).
59
Ao analisar a relação entre o grau de formação e a cor/raça, observamos que, apesar de
o número de professores negros ser quase o dobro do de professores brancos, essa proporção
diminui à medida que o grau de formação aumenta. Enquanto, no caso dos graduados, a
proporção é de 1,95 negros para cada 1 branco, no caso dos doutores, essa relação diminui para
1,45 negros para cada 1 branco.
Portanto, conforme ressaltam Vanali; Silva (2019), além da necessidade de garantir o
ingresso dos estudantes negros na pós-graduação, outro desafio é garantir sua permanência, por
meio do estabelecimento de uma eficaz política de assistência estudantil, sobretudo nos mais
altos graus de formação acadêmica.
Não a formação impacta diretamente nos padrões de vencimento dos professores,
uma vez que estes servidores públicos estão vinculados ao plano de carreira,
5
mas também as
diferenças entre gênero e cor/raça.
Assim, infere-se que as mulheres brancas apresentam, proporcionalmente, as maiores
rendas entre os docentes, que possuem vel de formação mais elevado. Portanto, essas
desigualdades interferem diretamente nas condições de vida dos professores: saúde, educação,
segurança, moradia e qualidade de vida.
Além disso, conforme identificaram Monteiro; Altmann (2021), os homens estão
percentualmente mais presentes em cargos relacionados mais especificamente à face
administrativa da gestão do que naqueles dedicados mais diretamente à face pedagógica, o que
evidencia mais uma relação desigual entre gênero e escolha na ascensão da carreira docente.
4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A maioria dos professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba em exercício no
Ensino Médio declarou-se do sexo feminino e negro. Quanto à formação dos docentes, também
foi identificado que as professoras negras são a maior parte apenas entre os graduados e os
especialistas, sendo os professores negros a maioria entre os mestres, e as professoras brancas
entre os doutores.
A hierarquização profissional constatada nesse grupo de docentes é reflexo das relações
sexistas e racistas presentes na sociedade brasileira, que, por sua vez, são resultado de uma
construção histórica, social e cultural. Dessa maneira, ressalta-se que essas relações podem até
5
Lei Estadual nº 7.419, de 15 de outubro de 2003. Dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração para
os Profissionais da Educação do Estado da Paraíba.
60
mesmo influenciar e/ou violar o acesso e/ou exercício do direito humano à educação, bem como
influenciar o processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista a representação e identificação
de gênero e de raça entre o(a) professor(a) e o(a) aluno(a).
A partir deste estudo exploratório, sugere-se a formulação de políticas públicas que
visem à democratização do acesso e da permanência na Educação Superior, seja na graduação
ou na pós-graduação, com vistas a alcançar maior igualdade de condições entre pessoas de
diferentes raças e sexos. No contexto da docência do Ensino Médio público, aponta-se a
necessidade de desenvolver políticas de ação afirmativa para o ingresso no serviço público e
para a ascensão profissional na carreira docente.
61
5 METODOLOGIA
5.1 TIPO DE PESQUISA E CENÁRIO DA INVESTIGAÇÃO
Trata-se de um estudo quantitativo, experimental, do tipo ensaio clínico randomizado,
duplo cego, transversal, realizado com professores da Educação Básica que lecionavam em uma
escola da Rede Estadual de Ensino da Paraíba, durante o 2º semestre do ano de 2023.
5.2 CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE ESCOLAR
Localizada na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, a Escola Estadual de
Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Papa Paulo VI foi criada através do Decreto nº 20.885
de 28/2002 e reconhecida para ofertar as etapas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio sob
o Decreto nº 141/2002. No ano de 2018, após transformações na educação nacional e estadual,
ocorreu a implantação do modelo de Escola Cidadã Integral (ECI), por meio do Decreto
Estadual 38.139 de 16/03/2018 e, posteriormente, por meio do Decreto Estadual 38.696
de 03/10/2018, a instituição passou a denominar-se de Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT)
Papa Paulo VI.
Atualmente, a Escola destina-se a ofertar o Ensino Médio integrado ao Técnico e possui
Curso de Marketing e de Designer de Interiores, atendendo cerca de 600 jovens do ao 3º ano
nos turnos da manhã e tarde (integral) e 200 jovens na modalidade de Educação de Jovens e
Adultos (EJA) no turno da noite.
A escola compreende uma área total de 10.125m2, com aproximadamente 3.000 m2 de
área construída. É situada na Avenida José Tavares, no bairro de Cruz das Armas, localizada
em uma área empreendedora, residencial e cercada de comunidades carentes. A escola possui
19 salas de aulas temáticas, 03 salas de laboratórios; 01 sala da gestão escolar, 01 sala para
secretaria escolar e arquivo anexo; 01 sala dos professores; 08 banheiros femininos e 08
masculinos; 01 sala de coordenação pedagógica; 01 banheiro adaptado para alunos com
necessidades especiais; 01 biblioteca; 01 auditório; 01 refeitório e 01 ginásio poliesportivo.
5.3 POPULAÇÃO
A população do estudo foi constituída por 42 (quarenta e dois) professores em atividade
na ECIT Papa Paulo VI.
62
5.4 AMOSTRA E GRUPOS EXPERIMENTAIS
Pretendeu-se realizar um estudo censitário, onde todos os professores da unidade escolar
foram convidados a participar do estudo. No entanto, a amostra final da pesquisa foi constituída
por 32 (trinta e dois) docentes, sendo distribuídos em dois grupos de 16 (dezesseis) professores.
Esse número de sujeitos por grupo tem respaldo no estudo realizado por Goes et al. (2012), em
que cada grupo foi composto por 15 (quinze) participantes, um quantitativo que garante uma
significância estatística ao comparar os grupos do estudo.
A randomização da amostra nos dois grupos foi realizada com a ferramenta de
distribuição randômica disponível gratuitamente em “www.randomizer.org”. Este site pode ser
usado para uma variedade de propósitos, possibilitando uma maneira rápida de gerar números
aleatórios ou atribuir participantes a condições experimentais.
Os participantes da pesquisa foram alocados em dois grupos randômicos, sendo um
Grupo Experimental (G1) e um Grupo Controle (G2), com 16 docentes cada um, totalizando
32 participantes. Os participantes foram agrupados de acordo com o seguinte tratamento
aromático:
Grupo Experimental (G1): 16 participantes que inalaram 4 gotas do Óleo essencial de
Lavandula angustifolia;
Grupo Controle (G2): 16 participantes que inalaram 4 gotas do Óleo essencial de
Melaleuca alternifolia.
Os OEs foram administrados por via inalatória em máscara cirúrgica descartável, para
cada sujeito, durante 5 minutos. As doses dos OEs foram baseadas em estudos realizados
anteriormente com diferentes populações (Lyra; Nakai; Marques, 2010; Goes et al., 2012;
Hajibagheri; Babaii; Adib-Hajbaghery, 2014; Chaves Neto, 2016).
5.5 SUBSTÂNCIAS EXPERIMENTAIS
As substâncias experimentais utilizadas para inalação foram o OE de Lavandula
angustifolia e, como controle aromático, o OE de Melaleuca alternifolia, que possui ação
antifúngica e antibacteriana (Goes et al., 2012). Os OEs foram produzidos e comercializados
pela empresa brasileira “Laszlo”, escolhida por realizar e disponibilizar a caracterização
química e a cromatografia gasosa dos óleos (Anexo C e D).
63
5.6 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
5.6.1 Critérios de inclusão
Ser professor da educação básica em atividade na ECIT Papa Paulo VI.
5.6.2 Critérios de exclusão
Apresentar histórico de reação alérgica a Óleos Essenciais (OEs); e/ou
Perda de olfato por sequela de Covid-19.
5.7 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS
Foi realizada a investigação das medidas fisiológicas, psicológicas, sociais e vocais dos
participantes, a partir dos protocolos descritos a seguir.
5.7.1 Medidas fisiológicas de avaliação da ansiedade
Para mensurar os parâmetros fisiológicos (Pressão Arterial Sistêmica, Frequência
Cardíaca e Saturação de Oxigênio Sanguíneo) foram utilizados esfigmomanômetro digital e
oxímetro portátil.
5.7.2 Medidas psicológicas de avaliação da ansiedade (Anexo A)
Para a avaliação do nível de ansiedade foi utilizado o Inventário de Ansiedade Traço-
Estado (IDATE). Trata-se de um instrumento criado por Spielberger em 1970, validado e
adaptado para o português brasileiro desde 1990. O IDATE é uma escala autorrelatada, dividida
em duas subescalas: IDATE-E (Estado), composta por 20 afirmações que avaliam como o
entrevistado se sente “neste momento/agora” em que está respondendo às questões, e IDATE-
T (Traço), composta por outras 20 afirmações que avaliam como ele se sente “em geral”. Cada
uma das afirmações tem quatro graus de intensidade de resposta possíveis, que variam de 1
(“quase nunca”) a 4 (“quase sempre”), onde os escores somados por cada voluntário oscilam
entre 20 a 80 pontos, sendo de 20 a 40 classificado como baixo nível de ansiedade e de 41 a 80
como alto nível de ansiedade (Gorenstein; Wang; Hungerbühler, 2016).
64
5.7.3 Medidas sociais de avaliação da qualidade de vida (Anexo B)
A ferramenta utilizada para avaliação da qualidade de vida foi o Instrumento de
Avaliação de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (WHOQOL). Nesta
pesquisa aplicamos o WHOQOL versão abreviada (WHOQOL-Bref), composto por 26
questões, sendo duas sobre percepção da qualidade de vida e as demais distribuídas em quatro
domínios: físico, psicológico, das relações sociais e do meio ambiente. Seu resultado varia em
uma escala de 0 a 100, sendo que uma pontuação mais elevada corresponde a uma melhor
percepção da qualidade de vida. Este é um dos instrumentos genéricos de avaliação da
qualidade de vida mais utilizados em todo mundo (Fleck et al., 2000; Pedroso et al., 2013).
5.7.4 Medidas vocais
Para avaliação dos aspectos vocais, foi realizada gravação das amostras vocais: /e/
sustentado em tempo ximo de fonação (TMF), contagem de 1 a 15 e autorrelato de queixa
vocal. A gravação foi realizada por meio do software Praat, disponível para download
gratuitamente, a partir de um notebook e microfone headset de curva reta, unidirecional, em
ambiente silencioso previamente preparado para essa coleta. As gravações ocorreram nos
momentos pré e pós-intervenção em ambos os grupos de participantes.
Depois de coletadas e normatizadas, todas as vozes foram avaliadas por juízes
fonoaudiólogos especialistas em voz, com experiência em avaliação vocal perceptivo-auditiva,
treinados com estímulos-ncora, contendo emissões vocalmente saudáveis e com desvio nos
diferentes graus e diversos predomínios de alteração (rugosas, soprosas, tensas), para
padronização da avaliação.
Para a avaliação das amostras vocais, foi utilizado o protocolo Consenso da Avaliação
Perceptivo Auditiva da Voz (CAPE-V), que tem sua mensuração através de uma Escala
Analógica Visual (EAV), com uma métrica de 0 a 100 mm, possuindo valores de corte
estabelecidos, sendo: acima de 35,5 leve, acima de 50,5 moderado e acima de 90,5 severo. A
marcação mais próxima do 0 representa menor alteração, e mais próxima do 100, maiores as
alterações (Yamasaki et al., 2017).
No final da sessão de avaliação perceptivo-auditiva, ocorreu a repetição aleatória de
10% das amostras, para a análise da confiabilidade da avaliação por meio do Coeficiente Kappa
de Cohen. Para esta pesquisa, foi utilizada a avaliação perceptivo-auditiva do examinador com
maior índice de confiabilidade interna.
65
5.8 PROCEDIMENTO PARA COLETA DE DADOS
Preliminarmente, foi realizado um estudo piloto com 10% da amostra prevista, ou seja,
4 (quatro) participantes, para observar a viabilidade da coleta de dados planejada. Não foi
necessário realizar alterações metodológicas e todos os dados dos participantes do estudo piloto
foram incluídos na amostra final desta pesquisa.
Inicialmente, em sala reservada do próprio local de trabalho, foi aplicado pelo
pesquisador um questionário para caracterização sociodemográfica dos participantes (Apêndice
B) e para avaliar se atendiam aos critérios de elegibilidade. Em seguida, foram avaliadas as
medidas fisiológicas, psicológicas e vocais conforme a seguir.
O experimento foi desenvolvido em uma sessão, em local reservado do próprio ambiente
escolar, onde o participante manteve-se sentado. O professor foi abordado para explanações
sobre os objetivos do estudo e convidado para o consentimento livre e esclarecido dos
participantes.
A sessão do ensaio clínico se consolidou em três momentos: (I) Antes (II) Durante (III)
Final, conforme a seguir.
Momento I Neste primeiro momento, para coleta das medidas basais, foram aplicados
o IDATE-T, IDATE-E, mensuradas as medidas fisiológicas (Pressão Arterial Sistêmica,
Frequência Cardíaca e Saturação de Oxigênio Sanguíneo) e coletada a amostra vocal.
Momento II Neste momento, os indivíduos foram submetidos à inalação do OE
durante 5 minutos de acordo com o agrupamento randômico. Em seguida, foram liberados para
uma aula de 40-50 minutos.
Momento III Após a aula, foi reaplicado o IDATE-E e reavaliadas as medidas
fisiológicas e vocais, além da aplicação do WHOQOL-BREF.
5.9 TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS
Os dados foram alocados em planilha digital para posterior análise estatística. A análise
descritiva foi realizada por meio de medidas de frequência absoluta e relativa, e de tendência
central, como média e desvio padrão.
Para análise inferencial, realizou-se o teste de Kolmogorov Smirnov, o qual sinalizou a
normalidade dos dados. Dessa forma, utilizou-se os testes paramétricos t-Student para dados
pareados e independentes, a fim de comparar as médias dos parâmetros intragrupos G1 e G2 e
entre os momentos pré e pós experimento; teste de correlação de Pearson, a fim de correlacionar
66
parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais dos professores; e o teste Razão de
Verossimilhança para associação das características sociodemográficas, profissionais e de
saúde geral dos participantes.
A análise foi realizada por meio do Software R versão 4.1.1., considerando-se o nível de
significância de 5%. A força das correlações foi classificada de acordo com o preconizado por
Daniel (2009): 0.9 para mais ou para menos indica uma correlação muito forte; 0.7 a 0.9 positivo
ou negativo indica uma correlação forte; 0.5 a 0.7 positivo ou negativo indica uma correlação
moderada; 0.3 a 0.5 positivo ou negativo indica uma correlação fraca. 0 a 0.3 positivo ou
negativo indica uma correlação desprezível.
Os resultados foram considerados significativos quando apresentaram um nível confiança
de 95%, ou seja, nível de significância de 5% (p < 0,05).
5.10 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
O ensaio clínico foi desenvolvido somente após aprovação e emissão da certidão do
Comitê de Ética em Pesquisa, com registro de Certificado de Apresentação de Apreciação Ética
(CAAE) 69876023.2.0000.5641 e parecer de aprovação 6.142.302 (Anexo E), seguindo
as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, contida na
Resolução de nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Antes de iniciar o estudo, os sujeitos foram informados sobre o objetivo e a natureza do
mesmo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE (Apêndice A) em
duas vias (uma do pesquisador e outra do participante), oficializando sua colaboração na
pesquisa e autorizando a publicação dos resultados obtidos. Garantiu-se a autonomia e o
anonimato do participante da pesquisa.
67
6 RESULTADOS
No período determinado para coleta de dados, dos 42 professores em atividade na
escola, 38 professores aceitaram participar do presente estudo e, desses, 06 professores (16%)
foram excluídos
6
do estudo. Assim, a amostra foi composta por 32 professores, distribuídos em
dois grupos: o grupo experimental (G1) e o grupo controle (G2), ambos com 16 professores.
6.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIAL, PROFISSIONAL E DA SAÚDE GERAL DE
PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA
A caracterização da amostra e por grupos, apresentada nas tabelas de 7 a 11, demonstra
a homogeneidade inicial do G1 e do G2, que apresentam características estatisticamente
semelhantes, e por isto será descrita de modo geral. Apresentando uma média de idade de 43
anos, com variação de 28 a 67 anos, a amostra, de modo geral, foi constituída em sua maioria
por professores do sexo masculino, de cor/raça parda, casados e sem filhos (Tabela 7).
Tabela 7. Caracterização sociodemográfica de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
G1
G2
Total
p-valor
n
%
n
%
n
%
Sexo
Feminino
7
46,7%
8
53,3%
15
46,9%
0,723
Masculino
9
52,9%
8
47,1%
17
53,1%
Cor/raça
Branca
6
46,2%
7
53,8%
13
40,6%
0,931
Parda
8
53,3%
7
46,7%
15
46,9%
Preta
2
50,0%
2
50,0%
4
12,5%
Estado Civil
Casado
6
40,0%
9
60,0%
15
46,9%
0,563
Divorciado
4
57,1%
3
42,9%
7
21,9%
Solteiro
6
60,0%
4
40,0%
10
31,2%
Filhos
Não tem filhos
5
35,7%
9
64,3%
14
45,8%
0,369
01 filho
3
42,9%
4
57,1%
7
21,9%
02 filhos
3
60,0%
2
40,0%
5
15,6%
03 filhos
4
80,0%
1
20,0%
5
15,6%
04 filhos
1
100,0%
0
0,0%
1
3,1%
*Valores significativos (p<0,05) Teste Razão de Verossimilhança
Legenda: G1 grupo experimental; G2 grupo controle
6
Ao contemplar pelo menos um dos critérios de exclusão da pesquisa, que eram: apresentar histórico de reação
alérgica a óleos essenciais e/ou perda de olfato por sequela da Covid-19.
68
Em relação aos aspectos profissionais, a maioria dos professores tem curso de
especialização e atuam como docentes por cerca de 20 anos. Atualmente, trabalham em apenas
uma escola, são concursados ou contratados temporariamente, tem carga horária semanal de 30
a 40 horas, com média salarial mensal de R$ 3.300 à R$ 4.400, não exercendo outra atividade
paralelamente, como demonstra a Tabela 8.
Tabela 8. Caracterização profissional de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
G1
G2
Total
p-valor
n
%
n
%
n
%
Formação
Graduação
2
33,3%
4
66,7%
6
18,8%
0,235
Especialização
8
44,4%
10
55,6%
18
56,2%
Mestrado
6
75,0%
2
25,0%
8
25,0%
Anos de Profissão
Até 5 anos
1
6,2%
6
37,5%
7
21,9%
0,060
Até 10 anos
1
100,0%
0
0,0%
1
3,1%
Até 20 anos
7
46,7%
8
53,3%
15
46,9%
Mais de 25 anos
7
77,8%
2
22,2%
9
28,1%
Número de escolas
01 escola
5
29,4%
12
70,6%
17
53,1%
0,046*
02 escolas
6
75,0%
2
25,0%
8
25,0%
03 escolas
5
71,4%
2
28,6%
7
21,9%
Tipo de Vínculo
Concursado
10
62,5%
6
37,5%
16
50,0%
0,270
Concursado e CLT
1
100,0%
0
0,0%
1
3,1%
Contrato temporário
4
30,8%
9
69,2%
13
40,6%
Outra situação trabalhista
1
50,0%
1
50,0%
2
6,2%
Horas semanais
Até 10h
3
42,9%
4
57,1%
7
21,9%
0,474
11h a 20h
2
100,0%
0
0,0%
2
6,2%
21h a 30h
1
33,3%
2
66,7%
3
9,4%
31h a 40h
9
47,4%
10
52,6%
19
59,4%
Acima de 40h
1
100,0%
0
0,0%
1
3,1%
Remuneração (R$)
3.300 a 4.400
5
33,3%
10
66,7%
15
46,9%
0,209
4.400 a 5.500
2
100,0%
0
0,0%
2
6,2%
5.500 a 6.600
0
0,0%
1
100,0%
1
3,1%
7.700 a 8.800
3
60,0%
2
40,0%
5
15,6%
Acima de 8.800
6
66,7%
3
33,3%
9
28,1%
Outra atividade
Não
9
39,1%
14
60,9%
23
71,9%
0,116
Sim
7
77,8%
2
22,2%
9
28,1%
*Valores significativos (p<0,05) Teste Razão de Verossimilhança
Legenda: G1 grupo experimental; G2 grupo controle; CLT Consolidação das Leis do Trabalho
A Tabela 9 contém dados referentes aos hábitos e à saúde geral dos professores. Foi
observado que grande parte deles não pratica atividade física, não tem o hábito de fumar e nem
de consumir bebida alcoólica.
Observou-se que a maioria dos professores são saudáveis, não relatando histórico de
reação alérgica, problemas vocais, diagnóstico de problemas respiratórios recorrente e de
69
transtorno mental e/ou de doença que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC) e, dessa forma,
não utilizam medicamento ou não realizam terapia com ação no mesmo sistema (Tabela 9).
Quando indagados sobre a Covid-19, a maior parte dos professores, 56,2% (n=18),
relatou ter sido diagnosticado, sendo que quase metade deles (n=8) afirmaram apresentar
sequelas após infecção pelo vírus (Tabela 9).
Tabela 9. Caracterização dos hábitos e saúde geral de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
G1
G2
Total
p-valor
N
%
n
%
n
%
Atividade física
NÃO
7
41,2%
10
58,8%
17
53,1%
0,288
SIM
9
60,0%
6
40,0%
15
46,9%
Cigarro
NÃO
16
50,0%
16
50,0%
32
100,0%
1,0
SIM
0
0,0%
0
0,0%
0
0,0%
Álcool
NÃO
9
45,0%
11
55,0%
20
62,5%
0,358
SIM
7
58,3%
5
41,7%
12
37,5%
Alergias
NÃO
7
41,2%
10
58,8%
17
53,1%
0,479
SIM
9
60,0%
6
40,0%
15
46,9%
Queixa de voz
NÃO
12
54,5%
10
45,5%
22
68,8%
0,446
SIM
4
40,0%
6
60,0%
10
31,2
Alteração JPA
NÃO
4
57,1%
3
42,9%
7
21,9%
0,674
SIM
12
48,0%
13
52,0%
25
78,1%
Distúrbio
mental
NÃO
14
53,8%
12
46,2%
26
81,2%
0,327
SIM
2
33,3%
4
66,7%
6
18,8%
Problema
respiratório
NÃO
15
57,7%
11
42,3%
26
81,2%
0,086
SIM
1
16,7%
5
83,3%
6
18,8%
Medicamentos ou
Terapias
NÃO
14
51,9%
13
48,1%
27
84.4%
0,626
SIM
2
40,0%
3
60,0%
5
15,6%
Covid-19
(Diagnóstico)
NÃO
9
64,3%
5
35,7%
14
43,8%
0,285
SIM
7
38,9%
11
61,1%
18
56,2%
Covid-19 (Sequela)
NÃO
15
62,5%
9
37,5%
24
75,0%
0,019*
SIM
1
12,5%
7
87,5%
8
25,0%
*Valores significativos (p<0,05) Teste Razão de Verossimilhança
Legenda: G1 grupo experimental; G2 grupo controle; JPA Julgamento perceptivoauditivo
Antes da intervenção, foram observados parâmetros fisiológicos, por meio de medidas
basais de pressão arterial, frequência cardíaca, saturação, e dados socioemocionais, por meio
da mensuração da qualidade de vida e dos níveis de ansiedade traço e estado, utilizando-se,
respectivamente, o instrumento WHOQOL-BREF e o protocolo IDATE, conforme Tabela 10.
70
Observou-se que, de modo geral, a média das medidas basais fisiológicas (PA, FC e
SO2) estavam dentro da normalidade, mas os escores do IDATE-T e do IDATE-E indicam uma
média do nível de ansiedade acima do ponto de corte, caracterizando os professores como
indivíduos com altos níveis de ansiedade (Tabela 10).
Também foi possível constatar impacto na qualidade de vida que, em sua totalidade,
apresentou uma média de 57,64. O domínio das relações sociais foi o que apresentou, dentre
todos, a maior média (60,24), enquanto a menor média foi atribuída ao domínio do meio
ambiente (54,88). Por fim, a autoavaliação foi expressa por um valor médio de 58,24%,
conforme Tabela 10 a seguir.
Tabela 10. Caracterização dos parâmetros fisiológicos e socioemocionais de professores da Rede Estadual de
Ensino da Paraíba
Variável
G1
G2
GERAL
p-valor
Média
DP
Média
DP
Média
DP
PA Sistólica
128,81
17,796
132,94
19,017
130,88
18,238
0,531
PA Diastólica
81,88
15,628
80,75
10,649
81,31
13,168
0,814
FC
77,00
7,729
78,69
13,710
77,84
10,981
0,671
SO2
97,69
0,873
97,50
1,713
97,59
1,341
0,699
QV físico
58,52
2,446
53,76
2,966
56,12
2,741
0,226
QV psicológico
60,76
2,536
56,76
2,738
58,76
2,645
0,292
QV relações sociais
60,24
4,074
60,24
3,376
60,24
3,680
1,000
QV meio ambiente
55,00
2,543
54,76
2,089
54,88
2,289
0,940
QV Autoavaliação
62,00
2,366
54,52
3,030
58,24
2,839
0,060
QV Total
59,00
2,145
56,24
2,175
57,64
2,153
0,375
IDATE Traço
39,94
10,440
46,31
12,690
43,13
11,880
0,131
IDATE Estado
40,00
13,033
43,06
13,868
41,53
13,330
0,525
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras independentes
Legenda: G1 grupo experimental; G2 grupo controle; PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; SO2
Saturação Oxigênio; QV Qualidade de Vida.
Também foram caracterizados parâmetros referentes à voz dos professores no
momento inicial da coleta de dados, por meio do JPA grau geral, e da análise acústica das
medidas lineares e cepstrais mais utilizadas na avaliação vocal, como exposto na Tabela 11.
A partir dos achados no presente estudo, observa-se um grau geral da qualidade vocal
acima do ponto de corte de 35,5, indicando possível presença de alterações vocais nos
professores.
Além disso, observa-se valores de intensidade vocal acima do esperado para fala, bem
como parâmetros relacionados à presença de ruído no sinal vocal acima do preconizado (Tabela
11).
71
Tabela 11. Caracterização dos parâmetros vocais de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
G1
G2
GERAL
p-
valor
Média
DP
Média
DP
Média
DP
GG
44,000
9,480
45,130
9,966
44,560
9,585
0,746
PITCH média
133,580
29,216
153,325
43,185
143,450
37,630
0,140
PITCH mínimo
104,025
27,185
111,949
42,139
107,980
35,114
0,532
PITCH máximo
152,905
40,182
167,890
47,528
160,397
43,957
0,343
F0 média
134,272
36,409
154,686
45,590
144,479
41,889
0,172
F0 desvio-padrão
1,563
0,914
1,568
0,523
2,659
6,566
0,985
Intensidade
73,923
2,566
74,277
1,184
74,100
1,974
0,620
Jitter
0,502
0,266
0,607
0,393
0,555
0,334
0,384
Shimmer
8,391
3,703
9,336
4,145
8,864
3,896
0,501
HNR
15,120
3,854
13,447
4,185
14,283
4,048
0,249
GNE 1000HZ
0,877
0,068
0,816
0,127
0,847
0,105
0,105
GNE 2000Hz
0,839
0,082
0,757
0,181
0,798
0,144
0,111
GNE3000HZ
0,765
0,118
0,665
0,210
0,715
0,175
0,108
CPPS média
12,997
1,424
11,527
2,377
12,200
2,067
0,052
CPPS desvio-padrão
1,440
0,422
1,269
0,346
1,355
0,390
0,220
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras independentes
Legenda: G1 grupo experimental; G2 grupo placebo; GG Grau Geral do desvio vocal; F0 Frequência
Fundamental; HNE Proporção harmônico-ruído; GNE - Glottal to Noise Excitation ratio; CPPS - Cepstral Peak
Prominence-Smoothed.
Considerando que aspectos como sexo, cor/raça e formação podem influenciar nas
características fisiológicas, socioemocionais e vocais de professores (Araújo et al., 2008; Souza
et al., 2011; Almeida et al., 2014; Moreira; Galvão, 2023), investigou-se esta relação,
apresentada nas tabelas de 12 a 16, a seguir.
6.2 RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS SOCIODEMOGRÁFICOS COM PARÂMETROS
FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E VOCAIS DE PROFESSORES DA REDE
ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA
Quando observadas diferenças em relação ao sexo dos participantes, identifica-se que
o impacto na qualidade de vida total, principalmente nos domínios “relações sociais” e “meio
ambiente”, é percebido de forma diferente por homens e mulheres, sendo que estas apresentam
escores maiores.
Além disso, as características vocais relacionadas à frequência vocal também se
destacaram, sendo que mulheres apresentaram Pitch e F0 maior que os homens (Tabela 12).
72
Tabela 12. Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais em professores
da Rede Estadual de Ensino da Paraíba do sexo masculino e feminino
Variável
Masculino
Feminino
p-valor
Média
DP
Média
DP
PA Sistólica
134,41
19,994
126,87
15,725
0,249
PA Diastólica
85,47
13,960
76,60
10,789
0,056
FC
77,06
13,017
78,73
8,472
0,674
SO2
97,18
1,551
98,07
0,884
0,060
QV físico
54,12
2,809
58,40
2,640
0,277
QV psicológicos
55,52
2,315
62,40
2,772
0,066
QV relações sociais
53,64
3,743
67,72
2,631
0,005*
QV meio ambiente
51,52
1,900
58,68
2,380
0,025*
QV Autoavaliação
56,96
2,818
59,72
2,915
0,497
QV Total
54,36
2,063
61,32
1,915
0,019*
IDATE Traço
44,88
13,219
41,13
10,239
0,382
IDATE Estado
42,29
12,388
40,67
14,715
0,736
GG
44,59
8,464
44,53
11,025
0,987
PITCH média
116,81
16,42
173,64
31,44
0,0001*
PITCH mínimo
106,38
18,37
109,80
48,35
0,789
PITCH máximo
123,86
16,34
201,79
22,73
0,0001*
F0 média
115,26
17,87
177,58
36,18
0,0001*
F0 desvio-padrão
1,25
0,57
4,25
9,48
0,203
Intensidade
73,84
1,45
74,38
2,45
0,450
Jitter
0,61
0,418
0,484
0,193
0,267
Shimmer
8,323
3,890
9,476
3,944
0,412
HNR
14,194
4,166
14,384
4,054
0,897
GNE 1000HZ
0,838
0,132
0,857
0,067
0,618
GNE 2000Hz
0,779
0,182
0,820
0,0869
0,437
GNE3000HZ
0,682
0,220
0,752
0,099
0,269
CPPS média
12,508
2,421
11,984
1,615
0,483
CPPS desvio-padrão
1,324
0,371
1,390
0,4197
0,641
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras independentes
Legenda: PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; SO2 Saturação Oxigênio; QV Qualidade de
Vida; IDATE Inventário de Ansiedade Traço-Estado; GG Grau Geral do desvio vocal; F0 Frequência
Fundamental; HNE Proporção harmônico-ruído; GNE - Glottal to Noise Excitation ratio; CPPS - Cepstral
Peak Prominence-Smoothed.
As diferenças também foram observadas considerando-se a cor/raça como variável
independente. Entre todos os parâmetros investigados, observou-se diferença estatisticamente
significante para pressão arterial diastólica, autoavaliação da qualidade de vida e frequência
fundamental da voz dos professores (Tabela 13).
Tabela 13. Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, social e vocais, em relação à cor/raça de
professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
BRANCO
PARDO
PRETO
p-valor
Média
DP
Média
DP
Média
DP
PA Diastólica
82,31
12,243
77,27
11,542
93,25
17,154
0,020*
QV
Autoavaliação
55,40
2,882
62,92
2,604
50,00
1,915
0,037*
F0 média
145,410
42,822
140,628
42,321
155,897
46,744
0,039*
*Valores significativos (p<0,05) teste ANOVA
Legenda: DP Desvio Padrão; PA Pressão Arterial; QV Qualidade de Vida; F0 Frequência Fundamental
A Tabela 14, a seguir, é referente ao teste post-hoc que observou como os grupos
raciais diferem entre si, em relação às variáveis que apresentaram diferença. É possível
73
visualizar que os professores negros, constituídos pelos grupos de pardos e pretos, foram os que
mais se diferenciaram.
Tabela 14. Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais em diferentes grupos raciais
Variável dependente
(I) COR
(J) COR
Diferença de
média (I-J)
Desvio
Padrão
p-valor.
PA Diastólica
BRANCO
PARDO
5,041
4,745
0,544
PRETO
-10,942
7,159
0,293
PARDO
BRANCO
-5,041
4,745
0,544
PRETO
-15,983
7,046
0,027*
PRETO
PARDO
15,983
7,046
0,027*
BRANCO
10,942
7,159
0,293
QV AUTOAVALIAÇÃO
BRANCO
PARDO
-1,887
1,009
0,165
PRETO
1,346
1,523
0,654
PARDO
BRANCO
1,887
1,009
0,165
PRETO
3,233
1,498
0,016*
PRETO
PARDO
-3,233
1,498
0,016*
BRANCO
-1,346
1,523
0,654
F0 média
BRANCO
PARDO
4,782
16,297
0,554
PRETO
-10,487
24,590
0,205
PARDO
BRANCO
-4,782
16,297
0,554
PRETO
-15,269
24,201
0,004*
PRETO
PARDO
15,269
24,201
0,004*
BRANCO
10,487
24,590
0,205
*Valores significativos (p<0,05) Teste Post-hoc de Tukey
Legenda: DP Desvio Padrão; PA Pressão Arterial; QV Qualidade de Vida; F0 Frequência
Fundamental
Em relação à formação do professor, entre todos os parâmetros avaliados, foi
observada diferença significativa no IDATE traço, no grau geral do desvio vocal, medidas
relacionadas à frequência e intensidade da voz produzida (Tabela 15).
Tabela 15. Diferença de médias dos parâmetros psicológicos e vocais, em relação à formação de professores da
Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variável
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
MESTRADO
p-valor
Média
DP
Média
DP
Média
DP
IDATE Traço
36,50
4,680
43,72
13,594
46,75
10,348
0,043*
GG
51,17
9,806
40,72
8,512
48,25
8,447
0,026*
PITCh média
160,516
50,190
139,057
31,392
140,542
42,064
0,049*
PITCH máximo
198,000
48,812
152,282
34,956
150,200
48,193
0,049*
Intensidade vocal
75,333
2,106
73,867
1,424
73,150
1,574
0,016*
*Valores significativos (p<0,05) teste ANOVA
Legenda: DP desvio padrão; IDATE Inventário de ansiedade Traço Estado; GG Grau Geral do desvio vocal
No teste post-hoc (Tabela 16), ficou claro que professores com mestrado são mais
ansiosos do que os que tem apenas graduação. Em relação à produção da voz, professores com
graduação tem maior desvio na qualidade vocal e frequência e intensidade vocal mais elevados
do que os demais.
74
Tabela 16. Diferença de médias dos parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais em diferentes grupos raciais
Variável
dependente
(I) COR
(J) COR
Diferença de
média (I-J)
Desvio
Padrão
p-valor.
IDATETRAÇO
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
-7,222
5,537
0,404
MESTRADO
-10,250
6,343
0,250
ESPECIALIZAÇÃO
GRADUAÇÃO
7,222
5,537
0,404
MESTRADO
-3,028
4,991
0,818
MESTRADO
GRADUAÇÃO
10,250
6,343
0,025*
ESPECIALIZAÇÃO
3,028
4,991
0,818
GGPRÉ
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
10,444*
4,117
0,043*
MESTRADO
2,917
4,717
0,811
ESPECIALIZAÇÃO
GRADUAÇÃO
-10,444*
4,117
0,043*
MESTRADO
-7,528
3,711
0,123
MESTRADO
GRADUAÇÃO
-2,917
4,717
0,811
ESPECIALIZAÇÃO
7,528
3,711
0,123
PITCH_MD
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
21,4588889
17,8831
0,043*
MESTRADO
19,9741667
20,4877
0,598
ESPECIALIZAÇÃO
GRADUAÇÃO
-21,4588889
17,8831
0,043*
MESTRADO
-1,4847222
16,1196
0,995
MESTRADO
GRADUAÇÃO
-19,9741667
20,4877
0,598
ESPECIALIZAÇÃO
1,4847222
16,1196
0,995
PITCH_MAX
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
46,0327778
19,4279
0,042*
MESTRADO
48,1150000
22,2574
0,035*
ESPECIALIZAÇÃO
GRADUAÇÃO
-46,0327778
19,4279
0,042*
MESTRADO
2,0822222
17,5120
0,992
MESTRADO
GRADUAÇÃO
-48,1150000
22,2574
0,035*
ESPECIALIZAÇÃO
-2,0822222
17,5120
0,992
INTENSIDADE
GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO
2,0766667
0,8417521
0,049*
MESTRADO
2,7795833*
0,9643481
0,020*
ESPECIALIZAÇÃO
GRADUAÇÃO
-2,0766667
0,8417521
0,049*
MESTRADO
0,7029167
0,7587450
0,628
MESTRADO
GRADUAÇÃO
-2,7795833*
0,9643481
0,020*
ESPECIALIZAÇÃO
-0,7029167
0,7587450
0,628
*Valores significativos (p<0,05) Teste Post-hoc de Tukey
Legenda: DP desvio padrão; IDATE Inventário de ansiedade Traço Estado; GG Grau Geral.
Os professores que fazem parte do G1, grupo experimental, foram expostos ao óleo
essencial de Lavandula angustifolia, enquanto os do G2 representaram o grupo controle, que
foram expostos ao óleo essencial de Melaleuca alternifolia, ambos por inalação. Os resultados
encontrados para cada um dos grupos estão expostos das tabelas de 17 a 22, a seguir.
6.3 RELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E
VOCAIS EM GRUPOS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA
PARAÍBA, COM E SEM INALAÇÃO AO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA
ANGUSTIFOLIA
Foi realizada correlação entre todos os parâmetros fisiológicos, socioemocionais e
vocais investigados nos professores dos grupos experimental e controle.
75
No G1, constatou-se correlações significativas, de moderadas a fortes, e inversamente
proporcionais entre aspectos de QV e ansiedade, em que maior é a QV, menor é a ansiedade.
Além disso, a QV apresentou correlação moderada com a pressão arterial, e a
frequência cardíaca com a intensidade da voz. Os níveis de ansiedade se correlacionaram
diretamente com o desvio padrão do CPPS, indicando que quanto maior a ansiedade maior a
variabilidade da qualidade vocal (Tabela 17).
Tabela 17. Correlação entre parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais no grupo experimental (G1) de
professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
Variáveis
Estatística
do teste
p-valor
QV físico x IDATE Traço
-0,567
0,022*
QV físico x IDATE Estado pré
-0,694
0,003*
QV físico x IDATE Estado pós
-0,589
0,016*
QV relações sociais x IDATE Traço
-0,530
0,035*
QV relações sociais x IDATE Estado pré
-0,632
0,009*
QV relações sociais x IDATE Estado pós
-0,822
0,001*
QV ambiente x IDATE Estado pós
-0,533
0,038*
QV Total x IDATE Traço
-0,510
0,044*
QV Total x IDATE Estado pré
-0,675
0,004*
QV Total x IDATE Estado pós
-0,770
0,000*
PA Sistólica x QV Total
-0,528
0,036*
FC pré x Intensidade pré
0,557
0,025*
FC pré x HNR pré
0,456
0,045*
IDATE Estado pré x CPPS DP pós
0,582
0,018*
IDATE Estado pós x CPPS DP pós
0,511
0,043*
*Valores significativos (p<0,05) Teste de correlação de Pearson
Legenda: PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; QV Qualidade de Vida.
No G2, por sua vez, não foi identificado correlação significativa entre os parâmetros
fisiológicos (PA e FC) e entre a QV e a Ansiedade-Traço. Entretanto, também foram observadas
correlações significativas, moderadas, e inversamente proporcionais entre aspectos de QV e
ansiedade, onde quanto maior é a QV, menor é a ansiedade. Os níveis de ansiedade traço
também se correlacionaram diretamente com o desvio padrão do CPPS, indicando que quanto
maior a ansiedade maior a variabilidade da qualidade vocal (Tabela 18).
76
Tabela 18. Correlação entre parâmetros socioemocionais e vocal no grupo controle (G2) de professores da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba
Variáveis
Estatística
do teste
p-valor
QV psicolog x IDATE Estado pré
-0,740
0,001*
QV psicolog x IDATE Estado pós
-0,610
0,012*
QV autoavaliação x IDATE Estado pré
-0,577
0,019*
QV autoavaliação x IDATE Estado pós
-0,582
0,018*
QV Total x IDATE Estado pré
-0,772
0,001*
QV Total x IDATE Estado pós
-0,468
0,049*
IDATE Traço x CPPS DP pós
0,607
0,021*
*Valores significativos (p<0,05) Teste de correlação de Pearson
Legenda: PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; QV Qualidade de Vida.
Foi realizada, a seguir, a comparação dos parâmetros fisiológicos e psicológicos dos
professores expostos ao óleo essencial de Lavandula angustifolia (G1) e de Melaleuca
alternifolia (G2) por inalação, nos momentos pré e pós aula, a fim de observar os efeitos do
óleo nos aspectos investigados.
6.4 COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PSICOLÓGICOS DOS
PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA, COM E SEM INALAÇÃO AO
ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA
A Tabela 19 contém dados referentes ao G1, que demonstram redução significativa da
pressão arterial sistólica, da frequência cardíaca e do IDATE estado pós experimento, ou seja,
professores que ministraram aula sob efeito do OE de Lavandula angustifolia tiveram
parâmetros fisiológicos e psicológicos menores aos do momento pré aula.
Tabela 19. Comparação das médias dos parâmetros fisiológicos e psicológicos no grupo G1, pré e pós
experimento
Variável
G1
p-valor
PRÉ
PÓS
Média
DP
Média
DP
PA Sistólica
128,81
17,796
125,75
20,583
0,012*
PA Diastólica
81,88
15,628
76,44
8,516
0,079
FC
77,00
7,729
73,94
8,880
0,0001*
SO2
97,69
0,873
97,31
1,078
0,222
IDATE E
40,00
13,033
36,50
11,384
0,001*
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras pareadas
Legenda: PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; SO2 Saturação Oxigênio; IDATE Inventário de
Ansiedade Traço-Estado.
A Tabela 20, por sua vez, é referente ao G2 e demonstra redução significativa apenas
da pressão arterial sistólica, quando comparados os momentos pré e pós experimento.
77
Tabela 20: Comparação das médias dos parâmetros fisiológicos e psicológicos no grupo G2, pe pós experimento
Variável
G2
p-valor
PRÉ
PÓS
Média
DP
Média
DP
PA Sistólica
132,94
19,017
125,31
17,820
0,016*
PA Diastólica
80,75
10,649
79,88
11,644
0,544
FC
78,69
13,710
76,06
12,190
0,294
SO2
97,50
1,713
96,88
2,500
0,441
IDATE E
43,06
13,868
41,25
12,652
0,586
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras pareadas
Legenda: PA Pressão Arterial; FC Frequência Cardíaca; SO2 Saturação Oxigênio; IDATE Inventário de
Ansiedade Traço-Estado.
6.5 ASPECTOS VOCAIS DOS PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA,
COM E SEM INALAÇÃO AO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA
Foi observada ainda a diferença nos aspectos vocais dos professores, pré e s
experimento, conforme a seguir.
Os professores do G1, submetidos ao óleo de Lavandula angustifolia por inalação,
apresentaram redução do grau geral do desvio vocal, redução da intensidade e dos valores de
GNE no momento pós aula (Tabela 21).
Tabela 21. Comparação das médias dos parâmetros vocais no grupo G1, pré e pós experimento
Variável
G1
p-valor
PRÉ
PÓS
Média
DP
Média
DP
PITCH média
133,580
29,216
142,402
33,331
0,180
PITCH mínimo
104,025
27,185
9883,152
39084,504
0,333
PITCH máximo
152,905
40,182
158,247
41,498
0,348
F0 média
134,272
36,409
140,453
36,249
0,561
F0 desvio-padrão
3,750
9,289
4,316
9,390
0,867
Intensidade
74,470
2,715
70,923
2,566
0,005*
Jitter
0,502%
0,266%
0,601%
0,472%
0,405
Shimmer
8,391%
3,703%
8,261%
3,346%
0,863
HNR
15,120
3,854
15,578
4,002
0,571
GNE 1000HZ
0,877
0,068
0,810
0,140
0,051
GNE 2000Hz
0,839
0,082
0,751
0,174
0,037*
GNE3000HZ
0,765
0,118
0,661
0,192
0,020*
CPPS média
12,997
1,424
12,243
2,758
0,208
CPPS desvio-padrão
1,440
0,422
1,471
0,383
0,828
GG
44,000
9,480
40,520
10,888
0,035*
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras pareadas
Legenda: G1 Grupo Experimental; GG Grau Geral do desvio vocal; F0 Frequência Fundamental; HNE
Proporção harmônico-ruído; GNE - Glottal to Noise Excitation ratio; CPPS - Cepstral Peak Prominence-
Smoothed.
os professores do G2, submetidos ao óleo de Melaleuca alternifolia por inalação,
não obtiveram modificações significativas em seu padrão vocal, após o experimento (Tabela
22).
78
Tabela 22. Comparação das médias dos parâmetros vocais no grupo G2, pré e pós experimento
Variável
G2
p-valor
PRÉ
PÓS
Média
DP
Média
DP
PITCH média
152,847857
44,3489064
151,755000
39,8770030
0,853
PITCH mínimo
106,6007
40,44809
96,167143
35,1103797
0,524
PITCH máximo
168,619286
48,9840279
171,383571
47,2284353
0,575
F0 média
154,332857
47,1616607
152,982143
44,3080066
0,858
F0 desvio-padrão
1,548571
0,5411790
5,3986
14,00459
0,322
Intensidade
74,220000
1,1805996
74,736429
2,0351814
0,383
Jitter
0,6486%
0,40264%
0,5979%
0,40977%
0,533
Shimmer
9,8857%
4,01083%
9,4929%
3,94179%
0,740
HNR
12,785714
3,7258901
13,443571
4,2930438
0,568
GNE 1000HZ
0,799286
0,1271259
0,7850
0,21183
0,778
GNE 2000Hz
0,733571
0,1817694
0,730714
0,2248235
0,958
GNE3000HZ
0,633571
0,2057858
0,6514
0,23188
0,762
CPPS média
11,040714
1,9445128
10,9543
2,63584
0,880
CPPS desvio-padrão
1,256429
0,3634156
1,383571
0,6139482
0,473
GG
45,13
9,966
44,54
10,752
0,663
*Valores significativos (p<0,05) Teste t-Student para amostras pareadas
Legenda: G2 Grupo Controle; GG Grau Geral; F0 Frequência Fundamental; HNE Proporção harmônico-
ruído; GNE - Glottal to Noise Excitation ratio; CPPS - Cepstral Peak Prominence-Smoothed.
79
7 DISCUSSÃO
Inicialmente, serão discutidos os principais resultados quanto a caracterização social,
profissional e da saúde geral dos professores. Também será analisado a relação observada entre
os aspectos sociodemográficos (sexo, cor/raça e formação) e os parâmetros fisiológicos e
socioemocionais dos participantes da pesquisa. Posteriormente, discutiu-se a relação entre os
parâmetros fisiológicos, socioemocionais e vocais, bem como a comparação dos parâmetros
fisiológicos e psicológicos e os aspectos vocais dos docentes nos momentos pré e pós aula, com
e sem inalação do óleo essencial de Lavandula angustifolia.
7.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIAL, PROFISSIONAL E DA SAÚDE GERAL DE
PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA PARAÍBA
7.1.1 Caracterização social
A média de idade dos professores investigados nesta pesquisa, 43 anos, vai ao encontro
do perfil dos professores do Ensino Médio brasileiro, que apresenta maior concentração na faixa
etária de 40 a 49 anos (Brasil, 2024). Em pesquisa realizada sobre o perfil dos professores da
Educação Básica no país, foi constatado que os docentes da Educação Infantil são mais jovens
quando comparados aos docentes do Ensino Médio (Hirata; Oliveira; Mereeb, 2019). Nesse
sentido, infere-se que, na última etapa da Educação sica, os professores possuem mais
experiência profissional e, possivelmente, o tempo de exercício da atividade docente pode ser
um fator que contribui para a mobilidade profissional entre as diferentes etapas de ensino.
Na Educação Básica brasileira, uma predominância histórica de mulheres no
exercício da docência, sobretudo na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino
Fundamental. Entretanto, existe uma tendência de diminuição da sua representação à medida
que se avançam as etapas nesse nível de ensino, ou seja, nos anos finais do Ensino Fundamental
e no Ensino Médio (Carvalho, 2018; FCC, 2020; Brasil, 2021). No Censo Escolar da Educação
Básica de 2023, foi identificado que as docentes na Educação Infantil representavam 96,2%, no
Ensino Fundamental 77,6% e no Ensino Médio 58,6% (Brasil, 2024). Nesta última etapa da
Educação Básica, a Rede Estadual de Ensino da Paraíba, por exemplo, apresentava 63,71% de
professores do sexo feminino (Moreira; Galvão, 2023).
Percebe-se que uma marcante e persistente feminização docente na Educação Básica
brasileira, decorrente de um processo histórico, social, político e cultural que delimita a
80
presença da mulher na sociedade e no mercado de trabalho. Em certa medida, tal fenômeno
representa a conquista das mulheres na inserção no mundo do trabalho (Santos; Costa;
Custódio, 2022), mas também é devido a equivocada visão de uma educação tradicional, que
compreende o ensino como uma “vocação” e “ato de amor” vinculado aos cuidados
femininos (Nogueira; Schelbauer, 2007). Esse imaginário social acaba por desvalorizar a
necessária profissionalização docente.
Por outro lado, no Ensino Médio, especificamente, observa-se uma maior aproximação
entre a quantidade de professores do sexo feminino e do sexo masculino. Nesse sentido,
percebe-se que, os dados desta pesquisa, constituída por docentes do Ensino Médio da Rede
Estadual de Ensino da Paraíba, vão ao encontro dessa tendência de equivalência, uma vez que
a amostra investigada foi representada por 53,1% de professores do sexo masculino.
Dessa forma, identifica-se uma possível “desfeminização” docente no Ensino Médio,
também decorrente de um processo histórico, social, político e cultural, mas que, nesse caso,
privilegia a presença do homem na sociedade e no mercado de trabalho. Araújo et al. (2006)
apontavam que a escola apresenta evidentes diferenciações quanto ao gênero, estabelecendo
relações que designam as mulheres para atividades de menor qualificação.
Essa constatação, que posiciona os professores no topo da hierarquia profissional, em
parte, é motivada por condições desiguais de profissionalização e de ascensão na carreira
(Monteiro; Altmann, 2021). Isso evidencia uma marcante diferença de gênero, que o seletivas
e excludentes em nossa sociedade, repercutindo, também, na ocupação desigual dos postos de
trabalho dentro da área da educação.
Em relação à categoria cor/raça dos professores investigados, na qual a maioria
autodeclarou-se pardo, seguido de preto e de branco, respectivamente; identifica-se que esse
perfil reflete, em parte, a diversidade étnico-racial brasileira, uma vez que a maior parte da
população é autodeclarada parda, seguido de branca, preta, indígena e amarela (Brasil, 2022).
Logo, observa-se que as pessoas autodeclaradas negras, categoria constituída pelos pardos e
pretos, que são a maioria entre os professores da amostra, é um reflexo do perfil populacional
do país e, conforme identificado por Moreira; Galvão (2023), também do perfil dos professores
da própria rede de ensino do estado da Paraíba, em exercício no Ensino Médio.
Além disso, tal resultado segue o mesmo perfil dos docentes em exercício na região
Nordeste, que tem maioria autodeclarada parda, seguido de branca, preta, amarela e indígena.
Entretanto, não reflete o perfil dos professores da Educação Básica brasileira, que é constituído
por professores autodeclarados brancos em sua maior parte, seguido de pardos, pretos, amarelos
e indígenas (Brasil, 2024).
81
Nesse sentido, a representatividade dos professores negros observada pode ser atribuída
tanto ao reflexo da modificação da configuração social da população nordestina quanto às ações
afirmativas
7
vigentes no país, que estimulam maior reconhecimento e identificação da pessoa
negra (Barros e Bezerra, 2020), contribuindo com uma maior inclusão educacional e social.
No que se refere à constituição familiar dos professores, foi identificado que a metade,
aproximadamente, tem estado civil casado, mas ainda não possuem filhos. Esses resultados
corroboram com o perfil de professores brasileiros encontrados nas pesquisas de Puentes;
Longarezi; Aquino (2011), Bahia et al. (2018) e Souza (2018), que também investigaram o
perfil dos professores da Educação Básica, contudo, tais pesquisadores também apontam para
a constituição de novas e diversificadas composições familiares.
Certamente, as discussões para a caracterização social desta pesquisa requerem
aprofundamento, mas reforçam a importância da análise das categorias sexo, cor/raça, estado
civil e família como fundamentais para uma melhor compreensão do perfil docente.
7.1.2 Caracterização profissional
Quanto à caracterização profissional da amostra, no que se refere à formação, grande
parte dos professores são pós-graduados (81,2%). Recentemente, o Censo Escolar de 2023
revelou que o percentual de docentes com pós‐graduação foi de 47,7% (Brasil, 2024). O
resultado identificado nesta pesquisa demonstra que a formação dos professores da escola
contribui com a atual meta 16 do Plano Nacional de Educação (PNE), que objetiva formar, em
nível de pós-graduação, 50% dos professores da Educação Básica, até o último ano de vigência
deste PNE”, ou seja, até o ano de 2024 (Brasil, 2014).
Também se observa que grande parte dos professores são experientes, possuindo 20
anos de exercício da profissão, aproximadamente. Esse dado corrobora com a dia de idade
identificada neste estudo, 43 anos, indicando que os professores iniciaram sua carreira por volta
dos 23 anos de idade, que é a média de idade nacional dos concluintes dos cursos de graduação
na modalidade de ensino presencial (Brasil, 2023).
Em relação à quantidade de vínculos junto a instituições de ensino, apesar de um pouco
mais da metade dos professores trabalhar em apenas uma escola, da grande maioria dos
professores cumprir uma carga horária semanal de aproximadamente 40 horas e não realizar
7
Ações afirmativas são o conjunto de políticas públicas e privadas, tanto compulsórias, quanto facultativas ou
voluntárias, com vistas ao combate à discriminação racial, de gênero e outras intolerâncias correlatas (STF, 2012).
82
outra atividade paralela ao exercício da docência, revelou-se que uma quantidade considerável
dos docentes trabalha em pelo menos duas escolas.
Esses resultados evidenciam uma sobrecarga de atividades laborais e, por consequência,
pode ser um fator determinante para o surgimento de agravos na saúde do professor, como os
transtornos de ansiedade e as alterações vocais, bem como o declínio da sua Qualidade de Vida.
Sobre isso, Rodríguez-Loureiro et al. (2019) ressaltam: professores brasileiros que trabalham
mais de 50 horas por semana, em mais de uma escola, possuem maior chance de apresentar
problemas de saúde e de se ausentar ao trabalho.
Ao investigar a sobrecarga e a intensificação do trabalho de professores da Educação
Básica, Viegas (2022) também revelou que os docentes estão constantemente submetidos a
jornadas intensas de trabalho e à sobrecarga profissional, além da extensão da carga horária ao
espaço doméstico, produzindo condições que levam ao adoecimento.
Nesse sentido, Moriconi; Gimenes; Leme (2021, p. 8) destacam a urgência de:
garantir que o docente trabalhe em uma única escola, pois é pouco provável que um
profissional seja capaz de exercer o papel amplo de atuar em sala de aula e de
colaborar com a comunidade escolar em mais de uma instituição de ensino,
simultaneamente.
No Brasil, quando compatibilidade de horários, o acúmulo de dois cargos públicos
de professor tem respaldo constitucional (Brasil, 1988). No entanto, deve-se priorizar a
permanência do docente em apenas uma escola, tal como é possibilitado nos sistemas de ensino
que ofertam escolas integrais, onde a dedicação exclusiva desses profissionais é predominante.
Já no que se refere ao tipo de vínculo empregatício, o resultado desta pesquisa (50%) se
aproxima ao perfil dos professores brasileiros da Educação Básica em 2023, no qual 47,82%
são concursados, representando sua estabilidade profissional. Por outro lado, ainda é persistente
o elevado número de professores não efetivos, indicando que grande parte desses profissionais
são contratados de forma temporária. Isso revela a face marcante da precarização do trabalho e
da carreira docente no país.
Sobre isso, Seki et al. (2017, p. 942) já revelavam que:
[...] os professores trabalham sem ter a certeza da continuidade de suas atividades,
privados da possibilidade de planejar em longo prazo suas relações didático-
pedagógicas, alheados da escolha de recursos e materiais ou, mesmo, de
planejamento. São professores que precisam descobrir, a cada fim de contrato, como
irão continuar ganhando a vida [...] A tragédia não é nova ou passageira, mas
característica da estrutura educacional brasileira.
83
Nesse contexto, Theodoroski (2020) ressalta que os professores temporários são
profissionais que convivem com a experiência de desigualdade, sendo detentores de menos
direitos e garantias quando comparados aos concursados, o que impacta nas condições de
trabalho desses profissionais. Essa situação trabalhista, além de impactar negativamente no
processo ensino-aprendizagem (Nascimento, 2014), também indica a atuação insuficiente do
Ministério Público (MP) diante de um cenário de inobservância do arcabouço legal que limita
a contratação temporária de professores no país (Feldman; Costa, 2021). Além disso, tal cenário
de instabilidade profissional, também contribui para o sofrimento mental e o prejuízo à
qualidade de vida de professores do ensino público (Tostes et al., 2018).
quanto à renda dos professores, a remuneração média mensal observada é equivalente
ao piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da Educação
Básica
8
, que em 2023 era de R$ 4.420,55, para uma jornada de 40 horas semanais. Entretanto,
uma parcela considerável da amostra relatou o recebimento de um valor aproximado ao dobro
do piso salarial. Esse dado vai ao encontro da tendência de acúmulo de vínculos empregatícios,
discutida anteriormente.
A valorização dos(as) profissionais do magistério das redes públicas de Educação
Básica é uma das metas do atual Plano Nacional da Educação, que tem como uma das
estratégias a atualização progressiva do valor do piso salarial nacional e a assistência financeira
específica da União aos entes federados para sua implementação. Também é perseguida a meta
de assegurar a existência de planos de carreira para os(as) profissionais da Educação Básica
pública de todos os sistemas de ensino (Brasil, 2014).
A partir dos resultados anteriormente discutidos, os quais se referiram à caracterização
social e profissional de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba, sugere-se que a
formulação das políticas públicas educacionais, possibilite, exponencialmente, a contínua
valorização desses profissionais da educação. Para isso, deve-se priorizar o ingresso na carreira
por concurso público, a permanência dos docentes em apenas uma instituição de ensino e a
formação continuada em vel de pós-graduação, considerando os marcadores sociais na
construção e no aperfeiçoamento de ações afirmativas, tais como sexo e cor/raça.
8
Aprovado por meio da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008.
84
7.1.3 Caracterização da saúde
A seguir, discutiremos a caracterização da saúde geral de professores da Rede Estadual
de Ensino da Paraíba. A prática de atividade física não tem sido regular entre um pouco mais
da metade dos professores investigados, resultado que revela um potencial fator de risco para o
comprometimento da saúde e da qualidade de vida desses profissionais que é o sedentarismo,
conforme indicam Souza et al. (2022).
Tal resultado corrobora com os achados de Alencar et al. (2021) que, apesar de
identificar que professores fisicamente ativos (52,8%) apresentaram maior satisfação com a
própria saúde, muitos docentes ainda têm nível insuficiente de atividade física habitual.
Testa et al. (2021), que investigaram a saúde e o estilo de vida de docentes considerando
o nível de atividade física no lazer durante a pandemia de Covid-19, também obtiveram
resultados semelhantes, constatando que professores fisicamente ativos apresentam menores
índices de esgotamento, bem como um perfil de estilo de vida mais positivo.
Nesse contexto pandêmico, Malta et al. (2020) observaram um agravamento dos estilos
de vida e um aumento dos comportamentos de risco para a saúde durante a restrição social, tais
como diminuição na prática de atividade física e um aumento no número de cigarros fumados
e no consumo de bebidas alcoólicas.
Apesar disso, nenhum professor relatou ser fumante e um pouco mais da metade deles
não consomem bebida alcoólica. Esse dado vai ao encontro das pesquisas realizadas com
professores da Educação Básica por Barbosa; Fonseca (2019), que identificaram uma
prevalência de fumantes de apenas 4,4%, e por Leão et al. (2022), que observaram que 53,1%
não ingerem bebidas alcoólicas. A ingesta alcoólica observada é um fator essencial para análise
entre os servidores públicos, como os professores, uma vez que esse consumo repercute
negativamente na saúde desses profissionais, alterando sua ansiedade, qualidade de vida e voz
(Santos, 2018; Lima, 2022; Santos et at., 2023).
Quanto aos problemas de saúde, apesar de a maioria dos professores serem saudáveis,
ressalta-se que um número considerável de docentes reportou alergia (46,9%), como reação a
alimentos, poeira, ácaros, pelos e mofo; bem como queixas vocais (31,2%), como rouquidão e
amidalite frequente. Além disso, uma parcela significativa relatou algum diagnóstico médico,
sendo 18,8% por problemas respiratórios crônicos (rinite e sinusite) e 18,8% por transtorno
mental e/ou de doença que afeta o SNC (ansiedade e depressão), com uso contínuo de
medicamentos antialérgicos, ansiolíticos e/ou antidepressivos.
85
Tais achados se apoiam aos resultados da pesquisa de Medeiros; Vieira (2019), ao
identificarem que o principal motivo que afastou o professor da sala de aula foi o distúrbio de
voz (17,7%), seguido dos relatos de problemas respiratórios (14,6%) e emocionais (14,5%) -
depressão, estresse e ansiedade. No entanto, a duração da maioria dos afastamentos (78%)
ocorreu por um período curto (até sete dias). Também se percebeu que a maior prevalência de
ausência por distúrbio vocal ocorreu entre os professores das regiões Norte e Nordeste.
Mais recentemente, Porto et al. (2021), ratificaram as principais causas de absenteísmo
por professores: problemas vocais (26%), sobrecarga de trabalho (26%), problemas emocionais
(22%), problemas respiratórios (17%) e desvalorização (9%). Além disso, os autores
evidenciaram que as condições de trabalho às quais os docentes estão submetidos em algumas
ocasiões acabam por provocar o adoecimento e, posteriormente, o afastamento da função.
Em relação à Covid-19, uma parte dos professores positivados, após infecção pelo
coronavírus SARSCoV-2, relataram pelo menos uma das seguintes sequelas: esquecimento, dor
de cabeça e fadiga.
Tais manifestações, classificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como
Covid longa, foram identificadas por Miranda et al. (2022), os quais concluíram que metade
das pessoas diagnosticadas com a doença apresentam sequelas que podem perdurar por mais de
um ano. Ao todo, os pesquisadores contabilizaram 23 sintomas, após o término da infecção
aguda, sendo a fadiga a principal queixa (35,6%), seguida por tosse persistente (34,0%),
dificuldade para respirar (26,5%), perda do olfato ou paladar (20,1%) e dores de cabeça
frequentes (17,3%). Além disso, também chamam a atenção os transtornos mentais, como
insônia (8%), ansiedade (7,1%) e tontura (5,6%). Entre os relatos estão ainda sequelas mais
graves, como a trombose (6,2%), também diagnosticada na população de pacientes
monitorados.
Sobre a infecção do vírus junto aos professores, especificamente, escassez de
pesquisas acerca do impacto da doença sobre a saúde desses trabalhadores, com foco em seu
aspecto epidemiológico e clínico. Entretanto, grande parte dos estudos focaram sua atenção
sobre as alterações provocadas na mediação didático-pedagógica, devido à adoção emergencial
do ensino remoto durante o período de isolamento social (Cardoso; Soares; Gonçalves, 2022;
Filho; Gonçalves; Santos, 2022), bem como sobre a sobrecarga de trabalho e o adoecimento
mental gerado nos docentes (Rossetto; Rocha, 2022; Souza; Fernandes, 2023).
Portanto, considerando a caracterização dos hábitos e da saúde geral de professores da
Rede Estadual de Ensino da Paraíba anteriormente discutida, sugere-se o monitoramento e a
execução de uma das estratégias, estabelecidas, no atual PNE: estabelecer ações efetivas
86
especificamente voltadas para a promoção, prevenção, atenção e atendimento à saúde e à
integridade física, mental e emocional dos(das) profissionais da educação, como condição para
a melhoria da qualidade educacional (Brasil, 2024). Para isso, deve-se promover uma maior
articulação entre o SUS e o respectivo sistema de ensino.
Por fim, discutiremos alguns parâmetros investigados nesta pesquisa. Inicialmente,
quanto à caracterização fisiológica e socioemocional e, posteriormente, quanto à caracterização
vocal de professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba.
Em relação à pressão arterial verificada, os níveis pressóricos normais, no estado basal,
vão ao encontro de outros estudos com professores (Vieira et al., 2020; Neto et al., 2021; Aguiar
et al., 2022), no entanto alerta-se para os fatores de risco associados ao desenvolvimento
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), tais como o sedentarismo e a ingestão alcoólica,
identificados e discutidos anteriormente.
Constatou-se que tais profissionais apresentam altos níveis de ansiedade, fato que se
ampara a uma ampla gama de evidências científicas, que elucidam a problemática. Ao
investigarem a saúde de professores, Li et al. (2020) identificaram que a prevalência global da
ansiedade foi de 13,6% na China e Marenco-Escuderos; Ávila-Toscano (2016) evidenciaram
que a ansiedade foi relatada por 18,7% na Colômbia. De modo semelhante, nacionalmente,
Ferreira-Costa; Pedro-Silva (2018) identificaram que 27,0% apresentaram sintomas de
transtorno de ansiedade e/ou depressão em São Paulo e, no estado da Paraíba, Batista et al.
(2016) evidenciaram que a ansiedade é responsável por 7,0% do afastamento dos professores.
Percebe-se que a profissão docente acarreta prejuízos à saúde mental dos professores,
por diversos fatores (Cezar-Vaz et al., 2015) e, dentre seus múltiplos impactos, alteração nos
níveis de ansiedade, ganhando ainda mais evidência a partir da recente pandemia da Covid-19
(Troitinho et al., 2021; Pinho et al., 2021). Para além dos prejuízos causados ao equilíbrio
emocional do professor e ao processo de ensino e de aprendizagem, a ansiedade também pode
apresentar relação com a qualidade de vida, conforme discutiremos a seguir.
No que se refere à Qualidade de Vida (QV), também foi observado aproximação com
outros estudos realizados com professores da Educação Básica. Entretanto, a QV total
observada na amostra foi um pouco inferior aos resultados encontrados por outras pesquisas
(Cortela; Cortela; Souza, 2020; Monteiro et al., 2020; Cuquetto; Portela; Vieira, 2022), que
variou de 62,00 a 70,97 pontos. Paralelamente, a maior e a menor dia entre os domínios
investigados coincidiram com o estudo de Monteiro et al. (2020), que também foram nas
relações sociais e no meio ambiente, respectivamente.
87
Dessa forma, a avaliação geral e dos domínios físico, psicológico e meio ambiente da
QV m evidenciado que os professores da Educação Básica se percebem com uma QV regular,
enquanto o domínio relações sociais apresenta uma percepção mais positiva. Além disso, os
pesquisadores têm atribuído tais resultados às características do trabalho docente, à carga
horária, à demanda de planejamento das aulas, ao ambiente escolar, à remuneração e aos
benefícios (Guimarães; Folle; Nascimento, 2020).
Ao pesquisar os fatores que influenciavam a QV de professores da Educação sica,
Pereira et al. (2014) indicavam que àqueles com maior carga horária semanal e àqueles da
Rede Estadual de Ensino apresentavam menores índices de QV em todos os domínios
investigados, quando comparados com àqueles da Rede Municipal de Ensino. Além disso, os
docentes com mais tempo de serviço no magistério apresentavam menores índices de QV
considerando o domínio físico e relações sociais.
Nesse sentido, pode-se inferir que a categoria docente, em exercício na Educação
Básica, ao relatar altos veis de ansiedade e baixa percepção da QV, pode apresentar uma
relação inversa entre tais variáveis. Essa tendência, também observada em outros grupos
sociais, é ratificada por um conjunto robusto de evidências científicas (Capela et al., 2009; Lima
et al., 2020; Pacheco, 2021; Pilger et al., 2021; Fernandes et al., 2022; Leppich; Nunes; Souza,
2022).
Em relação aos aspectos vocais, sabe-se que professores utilizam a voz como principal
instrumento de trabalho. Devido à alta demanda e uso intenso da voz, constituem a categoria
profissional mais acometida pelas disfonias, que corresponde à toda e qualquer alteração na
produção vocal que impeça a transmissão da mensagem verbal e emocional (Cardoso et al.,
2022; Rocha; Behlau; Souza, 2014).
A prevalência de queixas vocais em professores varia entre 47,6% e 52,0% (Cardoso et
al., 2022), podendo ter alteração de acordo com a rede de ensino, nível escolar, região de
atuação, ambiente laboral e fatores individuais do docente. Além disso, as alterações orgânicas
vocais entre professores ocorrem, em média, após 10-20 anos de carreira. Entretanto, as
diferenças de ambiente e de disciplina ministrada podem predispor para disfonia em tempo
menor (Vieira et al., 2007).
No presente estudo, a ocorrência de queixas vocais somou 31,2% dos casos. Apesar
disso, cerca de 78,1% das vozes foram avaliadas inicialmente com desvio na qualidade vocal
no JPA, realizado por especialistas, e as medidas acústicas apresentaram-se com valores acima
do preconizado, como jitter, shimmer, GNE e intensidade vocal.
88
Este dado demostra que a maioria dos professores não percebe a alteração vocal, ou
considera ser normal apresentar alterações devido ao uso recorrente da voz no exercício de sua
profissão. Discussões realizadas na literatura pontuam esta questão e destacam a importância
de ações de orientação, conscientização e prevenção de problemas vocais, tendo em vista que a
falta de conhecimento sobre a produção e cuidados com a voz pode refletir em seu uso abusivo,
que associado a condições ambientais e ocupacionais desfavoráveis, fazem dos professores uma
categoria profissional vulnerável para a ocorrência de disfonias (Pellicani et al., 2021; Gama et
al., 2016).
Rosa e colaboradores (2023) compararam as características e exposição a fatores de
risco vocais em professores e demais profissionais da voz. Eles observaram que os docentes se
destacam por apresentarem maior risco para o desenvolvimento de alterações vocais, grande
número de indivíduos com queixas ou alterações já instaladas, sendo os principais sintomas:
fadiga vocal, esforço vocal, cansaço ao falar, ardor, rouquidão, garganta seca, afonia, pigarro e
tosse seca. Os autores relacionaram esta condição à fatores de risco e concluíram que, além das
questões ambientais e ocupacionais, a predisposição individual, ou seja, os fatores pessoais,
também são determinantes na instalação e/ou manutenção de um Distúrbio de Voz Relacionado
ao Trabalho (DVRT), como também descrito na literatura (Almeida et al., 2014; Costa, 2016)
Os fatores de risco vocais são definidos como hábitos ou situações que, se realizados
com frequência, aumentam a probabilidade de desenvolvimento de uma disfonia, ou pioram a
condição. Os fatores de risco vocais são classificados como exógenos, de natureza externa,
também conhecidos como ambientais e organizacionais, e endógenos, inerentes ao indivíduo,
chamados de fatores pessoais. Os ambientais, que estão relacionados ao ambiente onde o
indivíduo está inserido cotidianamente e onde ele passa o maior período, podem ser
representados por exposição a irritantes, condições inadequadas de temperatura e umidade,
ruído competitivo, poeira, competição sonora, entre outros. Os organizacionais são
relacionados com a organização das atividades de trabalho do indivíduo, como por exemplo,
demanda vocal excessiva, desgaste de relacionamento profissional, cobranças e tensão no
ambiente de trabalho, aspectos ergonômicos, acúmulo de atividades, entre outros (Bandeira,
2016).
Hábitos inadequados, como gritar, falar muito, consumo de álcool e drogas, condição
de saúde, como alergias e doenças respiratórias, falta de conhecimento, aspectos emocionais e
da personalidade do indivíduo, entre outros, são considerados fatores de risco vocais
endógenos, também denominados pessoais, por estarem relacionados às características do
próprio sujeito (Martins et al., 2024).
89
Em estudo recente, Martins e colaboradores (2024) evidenciaram a prática do hábito
vocal inadequado por profissionais da voz, sobretudo em relação à produção vocal em alta
intensidade, falta de repouso, dores de garganta recorrentes, entre outras, destacando que as
características individuais podem não apenas interferir, mas estar associadas a outros fatores de
risco na atividade laboral. Em relação aos docentes, eles discutiram que a alta demanda,
ausência de amplificação sonora e o pouco conhecimento e treinamentos vocais podem
desencadear distúrbios vocais, inclusive com a possibilidade do surgimento de lesões em pregas
vocais. Outro fator destacado pelos autores, associado ao distúrbio de voz, foram as questões
relativas à saúde mental, como o estresse e ansiedade, que podem estar relacionadas às
condições desfavoráveis de trabalho.
Nesse sentido, a seguir, discutiremos as relações identificadas como significativas entre
os aspectos sociodemográficos (sexo, cor/raça e formação) com os parâmetros fisiológicos (PA,
FC e SO2) e socioemocionais (qualidade de vida e ansiedade) dos participantes desta pesquisa.
7.2 RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS SOCIODEMOGRÁFICOS COM PARÂMETROS
FISIOLÓGICOS E SOCIOEMOCIONAIS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE
ENSINO DA PARAÍBA
7.2.1 Relação quanto ao sexo
A significativa diferença entre homens e mulheres quanto à percepção da Qualidade de
Vida (QV) também tem sido evidenciada em diversos estudos. No geral, são os indivíduos do
sexo masculino que autorrelatam uma melhor QV (Carvalho, 2010; Gomes et al., 2018; Lima
et al., 2021; Lopes et al., 2007; Oliveira et al., 2023; Santos; Bittencourt, 2017).
Entretanto, nesse grupo de profissionais analisado, foram as professoras que relataram
uma melhor autopercepção da sua QV total, sobretudo no contexto das suas relações sociais e
do meio ambiente, quando comparadas aos professores.
Ao avaliar a QV da mulher trabalhadora, especificamente, e verificar as suas relações
com aspectos sociodemográficos e ocupacionais, Marcacine et al. (2019) identificaram que a
média da QV foi de 68,40. Constatou-se também que o domínio com maior média foi o das
relações sociais (72,87 pontos). No entanto, o domínio com menor média foi o meio ambiente
(60,66 pontos). O domínio do meio ambiente foi significativamente comprometido nas
mulheres que não tinham pausas para descanso durante o trabalho, o tinham bom
90
relacionamento com os colegas, apresentavam maior número de doenças ou lesões, possuíam
menor escolaridade e renda mensal.
Já em relação a mulher professora em exercício na Educação Básica pública, Tavares et
al. (2015) perceberam que o escore dio da QV geral foi de 68,43 pontos, com maior valor
no domínio das relações sociais (73,18 pontos) e menor valor no domínio do meio ambiente
(61,36). Nessa pesquisa, verificou-se ainda uma redução na média do domínio meio ambiente
em relação à menor classe econômica e uma correlação fraca e inversa entre o domínio relações
sociais e a carga horária semanal de trabalho.
Tais resultados podem ser reflexo de uma melhor capacidade de comunicação e
interação social das mulheres, bem como da sua flexibilidade quanto à adaptação a diferentes
ambientes. No contexto escolar, Nascimento et al. (2019), revelaram que as docentes estavam
mais satisfeitas com as condições de trabalho do que os docentes. Essa satisfação é importante,
uma vez que quanto melhor o ambiente e as condições de trabalho melhor será a QV, segundo
Valinote et al. (2014).
No entanto, conforme ressaltam Oliveira et al. (2012), é importante destacar que as
docentes não são isentas das demandas globais a que estão submetidas, tais como os trabalhos
extraclasse e a extensa jornada de trabalho. O somatório destas demandas, representado pelo
acúmulo de afazeres profissionais e pessoais, propicia o surgimento de efeitos sobre a saúde
mental e a QV deste grupo ocupacional.
Nesse sentido, observa-se que a característica sociodemográfica do sexo está
relacionada a percepção da QV diferente entre homens e mulheres, professores e professoras.
Desse modo, pode haver repercussão distinta na atuação profissional dos docentes quanto ao
sexo, bem como no seu quadro geral de saúde, tais como alterações na ansiedade e na voz dos
docentes.
7.2.2 Relação quanto à cor/raça
No contexto da saúde cardiovascular dos professores, a variável cor/raça apresentou PA
diastólica distinta entre os grupos raciais, sendo significativa apenas a diferença de média entre
os autodeclarados negros, uma vez que os pretos (93,25) apresentaram uma média muito
superior à dos pardos (77,27). Tal resultado vai ao encontro de um robusto conjunto de
evidências, no qual as pessoas negras, especialmente as pretas, apresentam níveis pressóricos
mais elevados quando comparadas a outros grupos étnico-raciais, especialmente em relação às
pessoas brancas (Correa et al., 2019; Lopes, 1999; Malta et al., 2017; Souza et al., 2021).
91
Nesse sentido, os estudos de Lopes (1999) indicavam uma maior suscetibilidade para
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em negros que em brancos, baseado em fatores o
apenas biológicos, mas também psicossociais. Souza et al. (2021) identificou que, dentre os
fatores demográficos e socioeconômicos analisados, apenas a cor/raça preta apresentou maior
prevalência no diagnóstico de hipertensão.
Siqueira (2019) justifica que os negros estão submetidos a condições mais precárias de
vida, evidenciadas por baixos níveis de renda e de escolaridade, por exemplo. Batista (2005)
também ressalta que, no Brasil, as pessoas negras possuem menor remuneração, formação,
moram em bairros periféricos, sendo excluídos de diversos direitos sociais.
Ao investigar a relação entre a HAS e o trabalho entre docentes da educação básica da
rede pública de ensino, no Brasil, Vieira et al. (2020) concluiu que houve maior chance de HAS
entre os homens, com mais idade, sem curso de pós-graduação, que também atuavam em
instituição privada, com maior consumo de sal, com sobrepeso/obesidade, com relação cintura-
quadril elevada e com hipercolesterolemia/hipertrigliceridemia.
Dessa forma, além do perfil racial identificado, faz-se necessário, também, relacioná-lo
aos fatores que predispõem ao desenvolvimento da Hipertensão, tais como os fatores que
influenciam a Qualidade de Vida desses profissionais, conforme a seguir.
Assim, em relação ao contexto socioemocional dos professores, a variável Qualidade
de Vida (QV) também apresentou distinção entre os grupos raciais, sendo significativa apenas
a diferença da média entre os autodeclarados negros, uma vez que os pardos (62,92)
apresentaram uma média muito superior a dos pretos (50,00). Além disso, observa-se uma
possível relação inversa entre a PA diastólica e a autoavaliação da QV, uma vez que, os
professores pretos apresentaram maior PA e relataram pior QV e, por outro lado, os professores
pardos apresentaram menor PA e relataram melhor QV.
Ribeiro et al. (2015), ao analisarem a QV de hipertensos atendidos na Atenção Primária
à Saúde de um município da Bahia, perceberam que alguns fatores influenciam a QV, tais como:
a escolaridade e a cor/raça. Identificou-se que 52% dos que foram classificados com boa QV
eram alfabetizados, e 45,6% dos avaliados como baixa QV eram da categoria não brancos.
Infere-se que esse panorama, que indica uma pior QV das pessoas pretas, é reflexo da
desigualdade social vigente. A construção da sociedade brasileira, historicamente marcada por
exploração e exclusão da população afrodescendente, negou e asfixiou tal população quanto ao
acesso aos direitos sociais. Por exemplo, Silva et al. (2020), ao investigar o acesso da população
negra a serviços de saúde, identificaram que a dificuldade de acesso é um fator fundamental
92
para a QV das pessoas, comprometendo diretamente serviços preventivos, sendo impactante
para o processo de adoecimento da população negra.
Paralelamente, o racismo estrutural e o preconceito/violência racial também são fatores
que contribuem para marginalizar ainda mais os pretos e pretas do nosso país. Dessa forma, tal
grupo racial apresenta os piores indicadores socioeconômicos, no geral, impactando em
prejuízos na saúde, como na QV, e em parâmetros fisiológicos, como na Pressão Arterial.
7.2.3 Relação quanto à formação
Em relação à formação dos professores, a variável da ansiedade-traço apresentou
distinção entre as escolaridades, sendo significativa apenas a diferença de dia entre os
docentes com graduação (36,50) e os docentes com mestrado (46,75). Observa-se que o nível
de ansiedade apresentado sugere uma direta relação com o grau de formação, uma vez que
quanto maior sua qualificação, maior é a sua ansiedade.
Diversas pesquisas têm relatado prevalência significativa do sofrimento psíquico,
quanto a ansiedade, entre os estudantes da Educação Superior brasileira (Zancan et al. 2021),
seja na graduação (Faria; Silveira; Viegas, 2023; Souza et al., 2022) ou na pós-graduação
(Peixoto; Soares; Bezerra, 2022; Wüst et al., 2023).
Souza et al. (2022) evidenciaram que a prevalência de sintomas de ansiedade entre
estudantes de Graduação no Brasil foi de 30,9%. As variáveis associadas a sintomas de
ansiedade foram: sexo feminino, orientação não heterossexual, sentir muito/muitíssimo medo
de violência no bairro e perceber a dificuldade do acesso a serviço psicológico.
De modo semelhante, Evans et al. (2018), ao realizarem pesquisa com 2.279 estudantes
de pós-graduação de 26 países, perceberam que 41% deles têm sintomas de ansiedade. O estudo
mostra ainda que os grupos mais propensos a lidar com a ansiedade são transgêneros e
mulheres.
Ao analisar o perfil dos estudantes que procuraram o serviço de psicologia de uma
Universidade Federal brasileira, Câmara; Matta; Bonadiman (2021) indicaram um aumento no
número de atendimentos entre 2015 a 2018, com predomínio para estudantes do sexo feminino,
com idade entre 22 a 30 anos e que cursavam Mestrado. As queixas principais se referem à
sintomas de ansiedade, problemas acadêmicos, conflitos de relacionamento, desânimo e
problemas emocionais.
Além disso, com a pandemia da Covid-19, tal problemática foi agravada. Maia; Dias
(2020), ao analisarem se os níveis de ansiedade em estudantes universitários se alteraram no
93
período pré-pandêmico e pandêmico, evidenciaram que os estudantes que integraram o estudo
no período da pandemia apresentaram níveis significativamente mais elevados de ansiedade.
Do mesmo modo, outros estudos também ratificaram tal resultado (Corrêa et al., 2022; Lopes
et al., 2022).
Portanto, dada a importância da formação dos professores, deve-se atentar também para
os possíveis prejuízos causados pela pós-graduação na saúde docente, sobretudo quando
acúmulo de atividades, profissionais e acadêmicas. Nesse sentido, reforça-se a necessidade do
afastamento das atividades laborais para que o professor curse, com qualidade, seu curso de
pós-graduação e preserve sua saúde, uma vez que tal formação continuada apresenta maior
prejuízo à saúde mental do educador.
7.3 RELAÇÃO ENTRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS, SOCIOEMOCIONAIS E
VOCAIS EM GRUPOS DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA
PARAÍBA, COM E SEM INALAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA
ANGUSTIFOLIA
Na análise entre a QV e a ansiedade, tanto no grupo G1 quanto no grupo G2, observou-
se uma relação inversa entre tais variáveis. Apesar de ambos os grupos apresentarem resultados
significativos entre a QV total e a ansiedade, essa correlação tornou-se ainda mais forte no
momento pós-experimento apenas em G1, uma vez que em G2 tornou-se mais fraca. Além
disso, o G1 apresentou resultado significativo também em três domínios (físico, social e
ambiente) e com Ansiedade-Traço; o G2 apenas em dois domínios (psicológico e
autoavaliação) e não apresentando resultado significativo com a Ansiedade-Traço.
Isso indica que a inalação do OE de Lavandula angutifolia (G1) evidencia mais
fortemente a relação inversamente proporcional entre a QV e a ansiedade, quando comparada
ao OE de Melaleuca alternifolia (G2), principalmente entre o domínio relações sociais e a
Ansiedade-Estado pós-experimento em G1.
Diversos estudos têm indicado que a ansiedade impacta na QV dos indivíduos, e vice-
versa (Lyra; Nakai; Marques, 2010; Gonçalvez; Oliveira; Neri, 2023). Pilger et al. (2021), por
exemplo, ao analisar a relação da QV com o nível de ansiedade de 71 estudantes de uma
Universidade Federal brasileira, também demonstraram uma inversa relação entre tais
variáveis. Tal estudo revelou que, quanto maiores os valores do domínio psicológico, menores
os valores da Ansiedade-Traço, e que quanto maiores os valores do domínio meio ambiente,
menores os valores da Ansiedade-Estado.
94
quanto a relação entre Qualidade de Vida (QV) e Pressão Arterial (PA), apenas o
grupo que inalou Lavandula angutifolia (G1) apresentou resultado significativo, na qual
indicou uma relação inversa entre QV total e PA. Carvalho et al. (2013), ao avaliarem a QV de
pacientes hipertensos comparando com a população geral, observaram que os indivíduos
normotensos apresentaram melhor QV relacionada à saúde quando foram comparados aos
hipertensos.
Novais; Rezende (2021), por sua vez, ao avaliar a variação dos valores de PA e sua
associação com QV de 302 estudantes universitários brasileiros, no início e no final de um
semestre letivo, apontaram para um aumento dos níveis pressóricos ao final do semestre letivo
e piora da QV. Entretanto, Ribeiro et al. (2015), ao analisar a QV de hipertensos atendidos na
Atenção Primária à Saúde de um município da Bahia, perceberam que a QV dos usuários
acometidos por HAS foi satisfatória.
Logo, infere-se que tanto a QV quanto a PA dos indivíduos e, também, dos professores,
tem influência multifatorial. Ressalta-se que tais achados contribuem não apenas para ratificar
a relação inversa entre a QV/ansiedade e entre a QV/PA, mas, principalmente, para elucidar
que essa relação pode ser majorada a partir da inalação do OE de Lavandula angutifolia, objeto
de estudo desta pesquisa.
Em relação a voz dos professores, sabe-se que indivíduos com queixas vocais
apresentam maior comprometimento emocional do que os sem queixa. Além disso, a ansiedade
traço é maior em indivíduos com alterações vocais, sendo que quanto maior o número de
sintomas vocais maior é o nível de ansiedade, evidenciando a relação das emoções com as
desordens na voz (Almeida et al., 2014; Costa, 2016). Vale salientar que as alterações vocais
também podem ser desencadeadoras de estresse, ansiedade, depressão e frustrações, reativos à
disfonia, sobretudo em professores, que dependem da voz para trabalhar (Almeida et al., 2014;
Costa, 2016).
No presente estudo, observou-se relação entre ansiedade e o desvio padrão do CPPS,
que corresponde à medida acústica da voz mais precisa e indicada recentemente, capaz de
mensurar a regularidade e intensidade dos harmônicos (sons) da voz, isto é, representa a relação
entre o espectro harmônico som de qualidade e o ruído irregularidades presente na
emissão, por meio do pico de uma parábola em plano cartesiano (Patel et al., 2018). Assim,
quanto maior a ansiedade, maior a variabilidade da qualidade vocal, ou seja, há mais variações
na predominância de harmônicos e ruído ao longo da emissão.
Sabe-se que estresse e ansiedade têm sido associados à problemas vocais, podendo ser
causa ou efeito deles, pois os indivíduos expressam em sua voz sentimentos, estados de saúde,
95
humor, sua personalidade, por exemplo. Níveis elevados de ansiedade e estresse causam
alterações fisiológicas no corpo, e as estruturas responsáveis pela produção vocal também são
acometidas, alterando a produção da voz (Almeida et al., 2014; Roy et al., 2004).
Entre as manifestações fisiológicas da ansiedade está o aumento da frequência cardíaca.
Os resultados apresentados apontam sua relação direta com a intensidade da emissão e com o
HNR, que corresponde à proporção harmônico-ruído, ou seja, quando maior a frequência
cardíaca, mais alta e com a voz mais alterada é a emissão do professor. Isso pode desencadear
um quadro de abuso vocal e consequente instalação e manutenção de um problema de voz, a
depender da frequência de ocorrência.
É importante destacar ainda que esta relação se desde o momento pré experimento,
ou seja, há tendência de elevação da intensidade vocal por indivíduos com maior FC, visto que
segundo a literatura, intensidade da voz tende a aumentar ao longo do tempo, com o uso
continuado da voz, sobretudo após um período de 40 minutos de aula (Gama et al., 2016). O
aumento da FC somado aos fatores ambientais e ocupacionais, como o ruído competitivo e uso
prolongado, pode acarretar a elevação da intensidade vocal e, consequentemente, na maior
atividade da musculatura adutora da laringe e impactar na maior ocorrência de sintomas vocais,
sobretudo a fadiga (Pellicani et al., 2021). Dessa forma, observar para além dos fatores de risco,
os veis de ansiedade, bem como os parâmetros fisiológicos, como a FC, do professor, pode
ser um fator preditivo para a prática do abuso vocal e, ao mesmo tempo, preventivo para
instalação da disfonia.
A f0 é um dos principais parâmetros acústicos utilizado na prática clínica, determinada
por uma complexa interação entre comprimento, massa e tensão das pregas vocais, sendo o
menor componente periódico resultante da velocidade de vibração das pregas vocais, definindo
o som produzido: grave ou agudo. Após o uso prolongado da voz, é comum esta medida
aumentar, entretanto, assim como no estudo de Pellicani; Ricz; Ricz (2015) este fato não foi
observado, mas sim o aumento do componente ruído nas vozes dos professores, por meio de
HNR em relação à frequência cardíaca. Essa medida representa o nível de ruído existente no
sinal vocal, demonstrando presença de rugosidade e soprosidade, que pode estar relacionado às
características vocais gerais dos professores, bem como ao aumento da ansiedade e
consequentemente da FC, promovendo modificações no trato vocal, como o aumento da tensão
muscular e da adução das pregas vocais, favorecendo uma produção inadequada da voz e a
instalação de alterações, como sugere o estudo.
Sabe-se que indivíduos com altos níveis de ansiedade, sobretudo ao falar em público,
podem apresentar alterações vocais como: voz com frequência mais aguda, ressonância
96
laringofaríngea (apertada), aumento da intensidade, aumento da tensão muscular,
incoordenação pneumofonoarticulatória, disfluência, entre outras manifestações. Essas
alterações podem estar relacionadas ao mecanismo da ansiedade, à ativação do sistema cerebral
de defesa, ocasionando tensão muscular e alterações nos parâmetros fisiológicos, visto que
como resposta a um fator estressor o corpo recruta inúmeros processos, com o objetivo de
preservar a vida e restaurar a homeostase (Lira et al., 2021).
Vários fatores, físicos e emocionais são responsáveis por ativar esses processos: falar
em público, trabalhar em condições ambientais desfavoráveis, ambiente organizacional
estressante, acúmulo de atividades, podem ser fatores estressantes para professores. O estresse
e ansiedade em excesso podem trazer alterões com efeitos cognitivos e emocionais, como
diminuição da atenção, concentração e memória de curto prazo, interferir diretamente na
organização de ideias, além de diminuir a capacidade de tomar decisões, impactando a clareza
de informações e o conteúdo da comunicação (Lira et al., 2021; Almeida et al., 2014; Pellicani
et al., 2021). Além disso, acarretam tensão muscular de forma generalizada e aumenta inclusive
o risco de tensão laríngea, restringindo entonação e uma boa qualidade vocal, alterações no
padrão respiratório e nos parâmetros fisiológicos, como PA e FC.
A ocorrência de alterações nos fatores emocionais e comportamentais de professores
pode ser considerado um fator de risco para voz e, quando unidos à dinâmica organizacional do
trabalho, desencadeiam ou agravam distúrbios vocais (Rodrigues et al., 2022).
Evangelista e colaboradores (2022), observaram o impacto das características vocais do
falante em relação à percepção dos ouvintes. Eles afirmaram que o falante deve realizar os
ajustes vocais adequados com a intenção da mensagem a ser transmitida e que o ouvinte gera
uma reação ao que escuta. A presença de uma alteração vocal pode modificar o padrão de
comunicação esperado para um professor, se configurando como um ruído comunicativo,
tornando o conteúdo pouco atrativo, impedindo a transmissão de uma mensagem efetiva. Dessa
forma, é imprescindível que o professor seja um bom comunicador, entonar de acordo com o
discurso e ter boa qualidade vocal, causando uma boa impressão no aluno, o que impacta
diretamente a qualidade e a clareza da transmissão do conteúdo da aula e a atratividade do
aluno.
7.4 COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PSICOLÓGICOS DOS
PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA, COM E SEM INALAÇÃO DO
ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA
97
Ao compararmos as médias dos parâmetros fisiológicos e psicológicos, pré e pós-
experimento, observa-se que ambos os grupos apresentaram redução em todas as variáveis. No
entanto, essa diminuição no G1 foi significativa para a PA sistólica, a FC e o IDATE-E,
enquanto no G2 foi significativa apenas para a PA sistólica.
Sabe-se que a redução da ansiedade é significativa, principalmente, entre as pesquisas
que utilizam a inalação do OE de lavanda (Moreira et al., 2022). Essa redução pode ser
acompanhada, além de outros fatores, pela diminuição de parâmetros fisiológicos, tais como a
PA e a FC.
Na Indonésia, Gultom; Ginting; Silalahi (2016) conduziram uma pesquisa para
investigar a influência da aromaterapia com lavanda sobre a PA. Com uma amostra constituída
por 32 idosos com hipertensão, os participantes inalaram 5 gotas do OE em uma superfície de
algodão por 10 minutos. Ao comparar os momentos pré e pós-intervenção, os estudiosos
concluíram que houve redução significativa da PA sistólica e da PA diastólica.
Dada a quantidade exponencial de pesquisas produzidas na área, um grupo de
pesquisadores Asiáticos realizaram uma revisão sistemática e meta-análise, a partir da seleção
de 22 ensaios clínicos randomizados, para elucidar a força da evidente eficácia ansiolítica da
lavanda. Concluiu-se que a aromaterapia com OE de lavanda pode ter efeitos favoráveis sobre
a ansiedade e suas manifestações fisiológicas, uma vez que os resultados mostraram que houve
diminuição da ansiedade, da PA sistólica e da FC. No entanto, a meta-análise também não
revelou efeitos significativos na PA diastólica (Kang; Nam; Kim, 2019).
A aromaterapia no alívio da ansiedade pode ser explicada devido a modulação no
sistema nervoso autônomo, com predomínio da ativação parassimpática, contribuindo para a
redução do cortisol e o aumento dos níveis de melatonina. Essa foi a conclusão da revisão
sistemática, realizada com 14 artigos, desenvolvida por Passos et al. (2022) no Brasil, ao
buscarem responder quais são os efeitos psicológicos e neurofisiológicos da aromaterapia
inalatória na saúde humana.
A administração de OE por via respiratória leva suas moléculas até o sistema olfatório,
tratando os aspectos sicos e emocionais do indivíduo. Sua ação terapêutica ocorre com a
absorção dos constituintes químicos pelas fossas nasais, percorrendo a cavidade nasal, reagindo
com os cílios olfativos e estimulando as células do bulbo olfatório. Na presença de OE, estas
células são estimuladas por proteínas fixadoras de odoríferos e, por transdução de sinal,
transformam o estímulo químico em elétrico. Isso gera impulsos nervosos que são transmitidos
ao SNC, por nervos olfatórios, até alcançar o sistema límbico, onde os sinais são codificados e
transformados em memórias, sentimentos e emoções (Gnatta et al., 2014).
98
A absorção das moléculas do OE, conforme apontam Gnatta et al. (2016), também
ocorre por vias aéreas inferiores, onde as partículas são absorvidas pelos vasos pulmonares e
levadas aos demais órgãos por meio da corrente sanguínea, atingindo tecidos e órgãos.
Esse mecanismo de ação, no caso da Lavandula angustifolia, é decorrente das
concentrações e dos componentes químicos do seu OE, que é constituído, principalmente, por
32-42% de linalol e por 32-42% de acetato de linalila (Anexo C). Após inalação do óleo, a
absorção dos seus constituintes ocorre rapidamente, sendo detectáveis no organismo após 5
minutos, com pico plasmático após 18 minutos e com tempo de meia-vida de 1h e 45min,
aproximadamente (Lima, 2019; Woronuk et al., 2011).
Pesquisas sugerem que o linalol e o acetato de linalila, principais constituinte da
Lanvandula angustifolia, possuem ação inibitória sobre SNC e sensorial. Também se relata a
promoção de efeito sedativo e anticonvulsivo, por meio da modulação da neurotransmissão
glutamatérgica e gabaérgica, e da inibição do metabolismo de catecolaminas, acarretando,
indiretamente, uma redução nos níveis de adrenocorticotrópico (ACTH), que diminui a
liberação de cortisol (hormônio do estresse) na corrente sanguínea (Höferl; Krist; Buchbauer,
2006; Lima, 2019).
Recentemente, visando analisar o efeito da aromaterapia com OE de lavanda nas
alterações da PA, Rahmadhani et al. (2022) desenvolveram uma investigação com 627 idosos
hipertensos, em um serviço de saúde da Indonésia. Ao comparar o parâmetro antes e depois da
inalação de 5-6 gotas do óleo por meio de um difusor durante 15 minutos, ratificaram que houve
diminuição significativa da PA sistólica e da PA diastólica.
Entretanto, um estudo conduzido por Lopes et al. (2022) no Brasil, o qual objetivou
verificar se a inalação de vapor de água contendo OE de Lavanda altera as respostas da PA e
da FC em mulheres adultas submetidas a teste de estresse psicológico, obteve resultado
divergente. A pesquisa revelou que não houve alteração significativa nas respostas da PA e nem
na FC. Dessa forma, conforme advertem Holanda; Oliveira; Sousa (2023), a aromaterapia pode
ser indicada como uma prática potencial no manejo de quadros leves de ansiedade, mas
apresenta-se coadjuvante nos quadros ansiosos graves.
Ressalta-se, por outro lado, que a redução de PA sistólica em ambos os grupos, G1 e
G2, pode ser decorrente de um possível efeito meramente psicológico/placebo, devido a
inalação de qualquer OE, por meio da percepção consciente e crença de uma expectativa de
efeito (Silva; Souza, 2022). No entanto, ainda assim, essa diminuição foi mais significativa com
a inalação do OE de Lavandula angustifolia, reforçando seu maior potencial ansiogênico.
99
7.5 ASPECTOS VOCAIS DOS PROFESSORES NOS MOMENTOS PRÉ E PÓS AULA,
COM E SEM INALAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDULA ANGUSTIFOLIA
Tendo em vista a importância da voz do professor no processo de ensino e de
aprendizagem, e que é comum encontrar professores com altos níveis de ansiedade, é
importante conhecer essa relação e criar estratégias para atenuar os impactos na vida do
professor e na aprendizagem dos alunos.
Dessa forma o uso do óleo de Lavandula angustifolia por inalação, pode ser uma
estratégia para esse fim, visto que foi observado no presente estudo que indivíduos expostos ao
óleo apresentaram melhora da qualidade vocal, redução da intensidade da voz e dos valores de
GNE no momento pós experimento.
Também foi observado no experimento redução dos níveis de ansiedade e da frequência
cardíaca no grupo experimental, o que pode ter impactado direta ou indiretamente os parâmetros
vocais avaliados, tendo em vista a relação existente entre voz e ansiedade.
A melhora da qualidade vocal indica que durante a aula ocorreu uma melhor produção
vocal de modo geral, aspecto que está diretamente relacionado aos veis de CPPS e HNR,
anteriormente descritos (Patel et al., 2018), bem como no GNE, medida acústica que também
diz respeito ao nível de ruído presente no som da voz.
Mendes e colaboradores (2016) afirmaram que um dos principais fatores de risco para
o desenvolvimento do distúrbio de voz é a elevação da intensidade vocal em sala de aula. Houve
redução significativa da intensidade vocal do professor pós experimento, demonstrando que
eles realizaram menos esforço para falar, e consequentemente, menor tensão na musculatura
adutora da prega vocal, reduzindo os impactos e a probabilidade de abuso vocal por hiperfunção
(Faria, 2020; Mendes et al., 2016). Considerando os resultados expostos nesta tese, pode-se
inferir que o controle da ansiedade por meio da exposição do óleo foi capaz de reduzir a
frequência cardíaca, o que refletiu diretamente no nível de intensidade vocal do professor e na
melhora da sua qualidade vocal.
Assim, destaca-se a importância dos achados no presente estudo, que engloba os
impactos da ansiedade na vida dos professores da rede pública de ensino, relacionando-os com
aspectos fisiológicos, mas também com os aspectos vocais dos professores. O experimento se
configura como uma estratégia prática e viável para melhoria da qualidade de vida e
desempenho comunicativo dos professores, embasando, cientificamente, os benefícios da
exposição ao óleo de Lavandula angustifolia.
100
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A investigação sobre o uso de óleos essenciais apresentou um aumento significativo nas
últimas décadas, em várias partes do mundo e do Brasil. Entretanto, quando relacionada com a
ansiedade, a qualidade de vida e a voz de professores, observou-se uma escassez na literatura e
uma ausência na abordagem da temática em estudos experimentais. Dessa forma, a relevância
desta tese foi abordar a problemática supracitada, contribuir para o embasamento teórico da
literatura e construir novas evidências científicas, sobretudo no contexto de um país em
desenvolvimento, onde a ciência pode e deve colaborar com a saúde do docente e com os
aspectos econômicos e sociais da população.
Ao longo desta investigação, foi possível contextualizar a temática de pesquisa
Aromaterapia sobre a ansiedade em Professores a partir do diálogo interdisciplinar entre as
áreas da Saúde e da Educação. No âmbito da área da Saúde, foi necessário buscar evidências
científicas no campo da saúde mental Psiquiatria e Psicologia e da Fonoaudiologia. no
contexto da área da Educação, foi imperativo resgatar as discussões sobre as condições de
trabalho e de saúde dos docentes.
A partir dessa visão sistêmica do tema, elucidamos o problema e a hipótese da pesquisa,
buscando delimitar melhor nossa atenção. Com isso, foram expostas as motivações que
possibilitaram a construção da justificativa desta investigação. Ela foi baseada o apenas na
ausência de políticas públicas e na relevância do tema, mas também em nosso percurso
formativo, profissional e acadêmico, bem como no caráter interdisciplinar deste Programa de
Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas.
Quanto a este Programa, vale ressaltar que a saúde dos Professores, o uso do Óleo
Essencial e a prática da Aromaterapia representam, respectivamente, a Sociedade, a Tecnologia
e a Política Pública, uma vez que tal PIC está inserida no âmbito da PNPIC do SUS. Assim, foi
proposto nesta pesquisa, especificamente, avaliar o efeito da inalação de OE de Lavandula
angustifolia sobre os níveis de ansiedade em professores da Rede Estadual de Ensino da Paraíba
e sua relação com a qualidade de vida e a voz desses profissionais.
Para isso, foi realizada, inicialmente, uma revisão sistemática sobre o Efeito da
aromaterapia por inalação sobre a ansiedade em adultos”. Tal estudo possibilitou elucidar que
esta prática controla os veis de ansiedade em adultos, sobretudo nas pesquisas longitudinais
e nas que utilizam o OE de lavanda. No entanto, a partir da divergência metodológica de alguns
estudos, identificou-se que ainda é imprescindível a realização de mais ensaios clínicos. Com
101
isso, foi possível definir, com maior grau de evidência científica, as indicações e as posologias
dos diferentes OEs para avaliar o controle dos níveis de ansiedade.
Além disso, também se procedeu com uma revisão da literatura, mais especificamente
sobre a ansiedade em professores” e sua “relação com a qualidade de vida e a voz docente”.
Tal esforço metodológico permitiu verificar que a ansiedade em professores, principalmente a
partir da pandemia da Covid-19, tem sido um tema recorrente em todo o mundo, assim como
sua relação com a QV e o comprometimento vocal desses profissionais.
Por meio de um estudo exploratório realizando dados da Rede Estadual de Ensino da
Paraíba, pudemos evidenciar as desigualdades entre os professores do Ensino Médio quanto ao
sexo, à cor/raça e à formação. A partir da análise de marcadores sociais, tivemos como resultado
principal: as professoras negras são a maior parte apenas entre os graduados e os especialistas,
sendo os professores negros a maioria entre os mestres, e as professoras brancas entre os
doutores.
Após essa fundamentação teórica, os caminhos metodológicos tornaram-se mais lúcidos
e pudemos desenvolver mais conscientemente a parte experimental da pesquisa. Como
resultado principal da investigação, observamos que a inalação do OE de Lavandula
angustifolia reduziu significativamente a Ansiedade-Estado, a Pressão Arterial Sistólica e a
Frequência Cardíaca dos professores. Além disso, também reduziu significativamente o Grau
Geral do desvio vocal, a Intensidade vocal e o nível de ruídos na voz dos docentes. Isso indica
que a inalação do óleo foi eficaz para a melhora da ansiedade e dos parâmetros fisiológicos e
vocais desses profissionais.
Nesse sentido, pode-se indicar o uso agudo da inalação do OE de Lavandula angustifolia
para o manejo da ansiedade-traço e da melhora vocal em contextos laborais específicos e com
uma população saudável. Por outro lado, sugere-se que seu uso prolongado, para tratar quadros
patológicos severos e persistentes, é indicado como uma prática integrativa e complementar às
abordagens psicoterapêuticas e aos tratamentos farmacológicos. Assim, deve-se promover o
uso racional dos óleos essenciais, adequando-os às necessidades clínicas e utilizados em doses
que atendam às necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo.
Evidenciamos também que a totalidade da Qualidade de Vida relatada pelas professoras
é superior à dos professores, sobretudo nos domínios das relações sociais e do meio ambiente.
Os docentes autodeclarados pretos têm maior Pressão Arterial Diastólica e frequência
fundamental da voz e menor autoavaliação da sua Qualidade de vida, quando comparados aos
pardos e brancos. Além disso, os professores com Mestrado possuem maior Ansiedade-Traço,
quando comparados aos professores com Especialização e com Graduação.
102
Nesse contexto, também foi observado que a realidade dos professores do estado da
Paraíba é semelhante às demais regiões do país e do mundo. No entanto, suas peculiaridades
ainda não foram suficientemente investigadas e, nesse sentido, os resultados dessa pesquisa
ganharam ainda mais relevância e ineditismo. Sugere-se, por fim, uma maior atenção à saúde
mental dos docentes, sobretudo no que se refere a formulação das políticas públicas que
possibilitem a proteção e a promoção da saúde.
103
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119
APÊNDICE A TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
Avaliação do efeito da aromaterapia sobre a ansiedade
em professores de escolas públicas
Eu, .........................................................................., tendo sido convidad(o,a) a participar como
voluntári(o,a) do estudo Avaliação do efeito da aromaterapia sobre a ansiedade em
professores de escolas públicas”, recebi d(o,a) Sr Alan Leite Moreira, Doutorando da Pós-
Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas da Unima, responsável por sua
execução, as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas
os seguintes aspectos:
Que o estudo se destina a avaliar o efeito da aromaterapia sobre a ansiedade em
professores de escolas públicas.
Que a importância deste estudo é a avaliação do uso de óleos essenciais no controle
dos níveis de ansiedade em professores de escolas públicas.
Que os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: explicar os efeitos do uso
de óleos essenciais no controle dos níveis de ansiedade para colaborar com a saúde
de professores.
Que esse estudo começará em Setembro de 2023 e terminará em Dezembro de 2023.
Que o estudo será feito da seguinte maneira: experimentação para investigar a
eficácia do óleo essencial de Lavandula angustifolia, através da mensuração dos
parâmetros fisiológicos (Pressão Arterial Sistêmica, Frequência Cardíaca e
Saturação de Oxigênio Sanguíneo), dos parâmetros psicológicos (Inventário de
ansiedade Traço e Estado), da qualidade de vida e das medidas vocais nos
momentos pré e pós-intervenção da aromaterapia.
Que eu participarei das seguintes etapas: preenchimento de 1 (um) questionário
semiestruturado para caracterização socioeconômica e de 1 (um) questionário
WHOQOL ABREVIADO para avaliar a qualidade de vida, mensuração dos
parâmetros fisiológicos, psicológicos e vocais antes e depois da inalação por 5
(cinco) minutos de 1 (um) óleo essencial.
Que os incômodos que poderei sentir com a minha participação são os seguintes:
reações alérgicas e/ou reações adversas.
Que os possíveis riscos à minha saúde física e mental são: desconforto alérgico e/ou
reações inesperadas, que podem ser minimizadas com o auxílio de um profissional
da Enfermagem.
Que deverei contar com a seguinte assistência: Enfermeira, sendo responsáve(l,is) por
ela: Flávia Maiele Pedroza Trajano (COREN PB nº 529.590).
Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação são: aferição dos
parâmetros fisiológicos (Pressão Arterial Sistêmica, Frequência Cardíaca, e
Saturação de oxigênio sanguíneo), psicológico (nível de ansiedade), vocal e de
120
qualidade de vida, bem como contribuir para as evidências científicas quanto ao
uso da aromaterapia em professores.
Que a minha participação será acompanhada do seguinte modo: observação dos
parâmetros fisiológicos, psicológico, vocal e de qualidade de vida.
Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas
do estudo.
Que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo.
Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação
das mencionadas informações será feita entre os profissionais estudiosos do assunto.
Que eu deverei ser ressarcido por todas as despesas que venha a ter com a minha
participação nesse estudo, sendo-me garantida a existência de recursos ou que o estudo
não acarretará nenhuma despesa para o participante da pesquisa.
Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa, podendo ser encaminhado para Alan Leite Moreira.
Que eu receberei uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implica, concordo em
dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU
TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência do voluntário: Sr(a).
Domicílio: (rua, praça, conjunto)
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa:
Instituição: Centro Universitário de Maceió - Unima
Endereço: Av. Comendador Gustavo Paiva, nº 5017.
Bloco: /Nº: /Complemento: Bloco A, Sala 02, Coordenação do SOTEPP
Bairro: /CEP/Cidade: Cruz das Almas, CEP 57038-000, Maceió - AL
121
Telefones p/contato: (82) 3311-3113 / sotepp@al.unit.br
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Tiradentes
Bloco A Sala 7 Campus Maria Uchôa, Maceió/Al.
Telefone: (82) 3311-3113
Assinatura ou impressão
datiloscópica d(o,a) voluntári(o,a) ou
responsável legal e rubricar as
demais folhas
Alan Leite Moreira
Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo
estudo (Rubricar as demais páginas)
Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo
estudo (Rubricar as demais páginas)
Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo
estudo (Rubricar as demais páginas)
122
APÊNDICE B CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA DOS
PARTICIPANTES DA PESQUISA
9
I - DADOS PESSOAIS
Nome:
Data de nascimento:
____ / ____ / ____
Sexo:
( ) masculino ( ) feminino
Cor ou raça:
( ) branca ( ) preta ( ) parda ( ) amarela ( ) indígena
( ) não quero declarar.
Estado civil:
( ) Solteiro(a).
( ) Casado(a) / mora com um(a) companheiro(a).
( ) Separado(a) / divorciado(a) / desquitado(a).
( ) Viúvo(a)
Possui filho(s) e/ou
dependente(s):
( ) sim ( ) não
Se sim, quantos?
Peso:
Altura:
II - DADOS PROFISSIONAIS
Quais as suas formações acadêmicas?
( ) Curso Técnico ( ) Curso Tecnológico
( ) Licenciatura ( ) Bacharelado
( ) Especialização ( ) Mestrado
( ) Doutorado
quantos anos você trabalha como
professor(a)?
( ) Menos de 1 ano.
( ) De 1 a 2 anos.
( ) De 3 a 5 anos.
( ) De 6 a 10 anos.
( ) De 11 a 15 anos.
( ) De 16 a 20 anos.
( ) De 21 a 25 anos.
( ) Mais de 25 anos.
Em quantas escolas você trabalha?
( ) Apenas nesta.
( ) Em 2.
( ) Em 3 ou mais.
Qual é o seu tipo de vínculo trabalhista
nesta(s) escola(s)?
( ) Concursado/efetivo/estável.
( ) Contrato temporário.
( ) Contrato CLT.
( ) Outra situação trabalhista.
Em uma semana normal de trabalho, quantas
horas você trabalha nesta(s) escola(s)?
( ) Até 10 horas.
( ) De 11 a 20 horas.
( ) De 21 a 30 horas.
( ) De 31 a 40 horas.
9
Instrumento elaborado, com ajustes, a partir do questionário do(a) professor(a) SAEB 2022
123
(Desconsidere paralisações, feriados ou qualquer
tipo de licença. Considere também tarefas
realizadas nos fins de semana ou noites.)
( ) Mais de 40 horas.
Qual é o seu salário bruto como professor(a)?
(Considere como salário bruto os valores
recebidos somente como professor(a) nas
diversas escolas em que atua, sem descontos e
acrescido de eventuais gratificações. Indique a
faixa salarial em que seu salário se encontra.)
( ) Até R$1.100,00.
( ) De R$1.100,01 até R$2.200,00.
( ) De R$2.200,01 até R$3.300,00.
( ) De R$3.300,01 até R$4.400,00.
( ) De R$4.400,01 até R$5.500,00.
( ) De R$5.500,01 até R$6.600,00.
( ) De R$6.600,01 até R$7.700,00.
( ) De R$7.700,01 a R$8.800,00.
( ) Acima de R$8.800,01.
Além de ser professor(a) da educação básica,
você exerce outra atividade remunerada?
( ) sim ( ) não
III - CARACTERIZAÇÃO DOS HÁBITOS E ESTADO DE SAÚDE
Você realiza regularmente a prática de
atividade física?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Possui necessidade especial, deficiência,
transtorno do espectro autista ou
superdotação?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Faz uso de cigarro?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual a quantidade semanal?
Faz ingestão de bebida alcoólica?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual a frequência semanal em dias?
Tem histórico de reação alérgica?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Faz uso de medicamento ou de terapia com
ação no SNC?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Apresenta algum diagnóstico de transtorno
mental e/ou de doença que afeta o SNC?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Em seu âmbito familiar, existe algum parente
com diagnóstico de alguma doença mental?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Você apresenta algum diagnóstico de
problemas respiratórios recorrente?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
Você já positivou para COVID-19?
( ) sim ( ) não
Se sim, quantas vezes?
Se positivado para COVID-19, você apresenta
alguma sequela?
( ) sim ( ) não
Se sim, qual?
124
ANEXO A INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE)
Avaliação do Estado de Ansiedade, conforme Inventário de Ansiedade Traço-Estado
(IDATE) elaborado por Spielberger et al. (1970).
IDATE T
Instruções: A seguir serão feitas algumas afirmações que têm sido usadas para descrever
sentimentos pessoais. Faça um X no número que melhor indicar o estado como você geralmente
se sente. Não há respostas erradas ou corretas. Não gaste muito tempo numa única afirmação,
mas tente assinalar a alternativa que mais se aproximar de como você geralmente se sente.
Avaliação
1 = quase nunca; 2 = às vezes; 3 = frequentemente; 4 = quase sempre
Afirmações
1
2
3
4
1
Sinto-me bem
2
Canso-me facilmente
3
Tenho vontade de chorar
4
Gostaria de ser tão feliz quanto os outros parecem ser
5
Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões rapidamente
6
Sinto-me descansada
7
Sou calmo(a), ponderado(a) e senhor(a) de mim mesmo
8
Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal forma que não
consigo resolver
9
Preocupo-me demais com coisas sem importância
10
Sou feliz
11
Deixo-me afetar muito pelas coisas
12
Não tenho muita confiança em mim mesmo
13
Sinto-me seguro(a)
14
Evito ter que enfrentar crises ou problemas
15
Sinto-me deprimido(a)
16
Estou satisfeito(a)
17
Ideias sem importância me entram na cabeça e ficam me preocupando
18
Levo os desapontamentos tão sérios que não consigo tirá-los da cabeça
19
Sou uma pessoa estável
20
Fico tenso(a), perturbado(a) quando penso nos meus problemas no
momento
125
Avaliação do Estado de Ansiedade, conforme Inventário de Ansiedade Traço-Estado
(IDATE) elaborado por Spielberger et al. (1970).
IDATE E
Instruções: A seguir serão feitas algumas afirmações que têm sido usadas para descrever
sentimentos pessoais. Faça um X no número que melhor indicar o estado que você se sente
agora, neste exato momento. Não respostas erradas ou corretas. Não gaste muito tempo numa
única afirmação, mas tente assinalar a alternativa que mais se aproximar de como você se sente
agora.
Avaliação:
1 = Absolutamente não; 2 = Um pouco; 3 = Bastante; 4 = Muitíssimo
Afirmações
1
2
3
4
1
Sinto-me bem
2
Sinto-me seguro(a)
3
Estou tenso(a)
4
Estou arrependido(a)
5
Sinto-me à vontade
6
Sinto-me perturbado(a)
7
Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios
8
Sinto-me descansado(a)
9
Sinto-me ansioso(a)
10
Sinto-me “em casa”
11
Sinto-me confiante
12
Sinto-me nervoso(a)
13
Estou agitado(a)
14
Sinto-me uma pilha de nervos
15
Estou descontraído(a)
16
Sinto-me satisfeito(a)
17
Estou preocupado(a)
18
Sinto-me superexcitado(a) e confuso(a)
19
Sinto-me alegre
20
Sinto-me calmo
126
ANEXO B WHOQOL ABREVIADO (Versão em Português)
PROGRAMA DE SAÚDE MENTAL OMS/GENEBRA
Instruções
Este questionário é sobre como você se sente a respeito de sua qualidade de vida, saúde e outras
áreas de sua vida. Por favor, responda a todas as questões. Se você o tem certeza sobre que
resposta dar em uma questão, por favor, escolha entre as alternativas a que lhe parece mais
apropriada. Esta, muitas vezes, poderá ser sua primeira escolha.
Por favor, tenha em mente seus valores, aspirações, prazeres e preocupações. Nós estamos
perguntando o que você acha de sua vida, tomando como referência as duas últimas semanas.
Por favor, leia cada questão, veja o que você acha e circule no número e lhe parece a
melhor resposta.
muito
ruim
ruim
nem ruim
nem boa
boa
muito
boa
1
Como você avaliaria sua qualidade de
vida?
1
2
3
4
5
muito
insatisfeito
insatisfeito
nem satisfeito
nem insatisfeito
satisfeito
muito
satisfeit
o
2
Quão satisfeito(a) você
está com a sua saúde?
1
2
3
4
5
As questões seguintes são sobre o quanto você tem sentido algumas coisas nas últimas duas semanas.
nad
a
muito
pouco
mais ou
menos
bastant
e
extremament
e
3
Em que medida você acha que sua dor
(física) impede você de fazer o que você
precisa?
1
2
3
4
5
4
O quanto você precisa de algum
tratamento médico para levar sua vida
diária?
1
2
3
4
5
5
O quanto você aproveita a vida?
1
2
3
4
5
6
Em que medida você acha que a sua vida
tem sentido?
1
2
3
4
5
7
O quanto você consegue se concentrar?
1
2
3
4
5
8
Quão seguro(a) você se sente em sua vida
diária?
1
2
3
4
5
9
Quão saudável é o seu ambiente físico
(clima, barulho, poluição, atrativos)?
1
2
3
4
5
127
As questões seguintes perguntam sobre quão completamente você tem sentido ou é capaz de
fazer certas coisas nestas últimas duas semanas.
nada
muito
pouco
médio
muito
completament
e
10
Você tem energia suficiente para seu dia-
a-dia?
1
2
3
4
5
11
Você é capaz de aceitar sua aparência
física?
1
2
3
4
5
12
Você tem dinheiro suficiente para
satisfazer suas necessidades?
1
2
3
4
5
13
Quão disponíveis para você estão as
informações que precisa no seu dia-a-
dia?
1
2
3
4
5
14
Em que medida você tem oportunidades
de atividade de lazer?
1
2
3
4
5
As questões seguintes perguntam sobre quão bem ou satisfeito você se sentiu a respeito de
vários aspectos de sua vida nas últimas duas semanas.
muito
ruim
ruim
nem ruim
nem bom
bom
muito
bom
15
Quão bem você é capaz de se locomover?
1
2
3
4
5
muito
insatisfe
ito
insatisfe
ito
nem
satisfeito
nem
insatisfeito
satisfeit
o
muito
satisfei
to
16
Quão satisfeito(a) você está com o seu
sono?
1
2
3
4
5
17
Quão satisfeito(a) você está com sua
capacidade de desempenhar as
atividades do seu dia-a-dia?
1
2
3
4
5
18
Quão satisfeito(a) você está com sua
capacidade para o trabalho?
1
2
3
4
5
19
Quão satisfeito(a) você está consigo
mesmo?
1
2
3
4
5
20
Quão satisfeito(a) você está com suas
relações pessoais (amigos, parentes,
conhecidos, colegas)?
1
2
3
4
5
128
21
Quão satisfeito(a) você está com sua
vida sexual?
1
2
3
4
5
22
Quão satisfeito(a) você está com o
apoio que você recebe de seus amigos?
1
2
3
4
5
23
Quão satisfeito(a) você está com as
condições do local onde mora?
1
2
3
4
5
24
Quão satisfeito(a) você está com o seu
acesso aos serviços de saúde?
1
2
3
4
5
25
Quão satisfeito(a) você está com o seu
meio de transporte?
1
2
3
4
5
As questões seguintes referem-se a com que frequência você sentiu ou experimentou certas
coisas nas últimas duas semanas.
nunc
a
algumas
vezes
frequentem
ente
muito
frequentem
ente
sempr
e
26
Com que frequência você tem
sentimentos negativos tais como mau
humor, desespero, ansiedade,
depressão?
1
2
3
4
5
MUITO OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!
129
ANEXO C CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE
LAVANDULA ANGUSTIFOLIA
130
131
132
133
ANEXO D CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE
MELALEUCA ALTERNIFOLIA
134
135
136
137
138
ANEXO E PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
139
140