Os programas sob gestão direta do BPF continuam a revelar uma procura muito
reduzida, traduzida em apenas mais 4 empresas apoiadas, totalizando neste
momento 19 empresas, num montante adicional de 13,9 M€. A taxa global de
execução destes dois programas situa-se nos 27,7%. A CNA-PRR teve oportunidade
de falar com algumas empresas que desistiram do processo, sendo as condições
comerciais oferecidas pelo BPF apontadas como a principal razão para não
continuar o negócio, quando comparadas com as oferecidas pela banca comercial.
Apesar de serem instrumentos financeiros distintos (no caso do BPF falamos de
quase capital), as empresas preocupam-se essencialmente com o esforço financeiro
que suportam no final do mês, para além de que a entrada de novos sócios (exigida
quer na Recapitalização Estratégia, quer no Deal-by-Deal), altera a estrutura de
governação dessas mesmas sociedades, na maior parte dos casos, familiares. Tal
como já referimos, este foi um programa que não foi acompanhado pelo reforço da
literacia financeira dos empresários e pela sua capacitação, o que se tem traduzido
numa clara ineficácia, não estando a responder às necessidades de capitalização do
tecido empresarial, identificada aquando do diagnóstico de elaboração do PRR.
Já no que respeita aos programas de gestão indireta, em que as empresas gestoras
de fundos de capital de risco são as responsáveis pelos investimentos nas empresas
não financeiras, verificou-se um crescimento significativo, quer nas empresas
apoiadas, quer no montante financeiro investido. Passámos de 31 empresas para 104
investidas, mais do que triplicando o número. No que respeita ao montante
investido, o valor total mais do que quadruplicou, passando de 93,6 M€ para 416,7
M€, situando-se a taxa de execução nos 46,3%.
Em termos globais, a taxa de execução global destes quatro instrumentos passou
de 14,6% para 40,6%, essencialmente pelo crescimento dos investimentos das
capitais de risco nas empresas não financeiras.
Nas reuniões realizadas com algumas empresas de capital de risco, foi-nos revelado
que o número de empresas em pipeline para investimento é elevado e que as
expetativas de concretização dos negócios são promissoras. Referiram também que
estes são processos longos, quer pela due diligence necessária, quer pelos processos
de negociação complexos. A extensão do prazo, até final de junho de 2026 (aprovada
no âmbito da reprogramação), permite responder a esta pressão e poderá
contribuir para que os fundos contratados possam ser executados na totalidade.
No lapso de tempo que decorreu entre o relatório anterior e este que agora
apresentamos, a Administração do BPF mudou uma vez mais, motivada pela
renúncia da Presidente do Conselho de Administração e pela não recondução do
Conselho de Administração no final de dezembro de 2024.
A CNA-PRR teve oportunidade de reunir, em fevereiro de 2025 com o novo
Presidente executivo, Dr. Gonçalo Regalado, onde foram partilhadas as novas
orientações estratégicas do Banco Português de Fomento. Damos nota das mais
relevantes, com implicações na execução dos investimentos PRR em curso: