ADOÇÃO DA ACESSIBILIDADE NA WEB: DESAFIOS E PRÁTICAS DOS PROFISSIONAIS DE TI FRENTE ÀS DIRETRIZES WCAG 2.2 PDF Free Download

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ADOÇÃO DA ACESSIBILIDADE NA WEB: DESAFIOS E PRÁTICAS DOS PROFISSIONAIS DE TI FRENTE ÀS DIRETRIZES WCAG 2.2 PDF Free Download

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CAMPUS DE QUIXADÁ
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SOFTWARE
MATEUS GONÇALVES LOIOLA
ADOÇÃO DA ACESSIBILIDADE NA WEB: DESAFIOS E PRÁTICAS DOS
PROFISSIONAIS DE TI FRENTE ÀS DIRETRIZES WCAG 2.2
QUIXADÁ
2025
MATEUS GONÇALVES LOIOLA
ADOÇÃO DA ACESSIBILIDADE NA WEB: DESAFIOS E PRÁTICAS DOS
PROFISSIONAIS DE TI FRENTE ÀS DIRETRIZES WCAG 2.2
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Graduação em Engenharia de Software
do Campus de Quixadá da Universidade Federal
do Ceará, como requisito parcial à obtenção do
grau de bacharel em Engenharia de Software.
Orientador: Prof. Me. Marcelo Martins
da Silva.
QUIXADÁ
2025
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
Universidade Federal do Ceará
Sistema de Bibliotecas
Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)
L826 Loiola, Mateus Gonçalves.
Adoção da acessibilidade na web : desafios e práticas dos profissionais de TI frente às diretrizes WCAG
2.2 / Mateus Gonçalves Loiola. – 2025.
68 f. : il.
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Campus de Quixadá,
Curso de Ciência da Computação, Quixadá, 2025.
Orientação: Prof. Me. Marcelo Martins da Silva.
1. Acessibilidade Digital. 2. WCAG 2.2. 3. Desenvolvimento Web. I. Título.
CDD 004
MATEUS GONÇALVES LOIOLA
ADOÇÃO DA ACESSIBILIDADE NA WEB: DESAFIOS E PRÁTICAS DOS
PROFISSIONAIS DE TI FRENTE ÀS DIRETRIZES WCAG 2.2
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Graduação em Engenharia de Software
do Campus de Quixadá da Universidade Federal
do Ceará, como requisito parcial à obtenção do
grau de bacharel em Engenharia de Software.
Aprovada em: 28 de Fevereiro de 2025.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Me. Marcelo Martins da Silva (Orientador)
Universidade Federal do Ceará (UFC- Campus
Quixadá)
Profa. Ma. Lana Beatriz Medeiros de Mesquita
Universidade Federal do Ceará (UFC- Campus
Quixadá)
Profa. Ma. Valeria Maria da Silva
Universidade Federal do Ceará (UFC- Campus
Russas)
À minha família, por sempre acreditarem em
mim e me apoiarem em cada passo. Mãe, seu
cuidado e dedicação foram fundamentais nos
momentos em que precisei de esperança para
seguir em frente. À minha irmã, por sua com-
panhia e incentivo, tornando essa jornada mais
leve.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Prof. Me. Marcelo Martins da Silva pela excelente orientação, pelo
apoio constante e pelas valiosas contribuições ao longo deste trabalho. Sua dedicação e conheci-
mento foram fundamentais para a realização desta pesquisa.
Às professoras Profa. Ma. Lana Beatriz Medeiros de Mesquita e Profa. Ma.
Valéria Maria da Silva, membros da banca examinadora, pela disponibilidade, pelas sugestões
enriquecedoras e pelas contribuições que ajudaram a aprimorar este estudo.
Aos profissionais da área de tecnologia que gentilmente concederam seu tempo para
participar das entrevistas, contribuindo significativamente para os resultados desta pesquisa.
"O poder da web está em sua universalidade. O
acesso por qualquer pessoa, independentemente
de deficiência, é um aspecto essencial."
(Berners-Lee, 1997.)
RESUMO
A acessibilidade na web é um fator essencial para garantir que pessoas com deficiência possam
acessar e interagir com conteúdos digitais de forma independente. No entanto, a adoção de
diretrizes acessíveis, como as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2, ainda é um
desafio dentro do setor de tecnologia. Este estudo investiga a percepção dos profissionais de
TI sobre a acessibilidade digital, os principais desafios enfrentados na implementação dessas
práticas e o nível de utilização dos critérios da WCAG 2.2 no desenvolvimento de software web.
Para isso, foi realizada uma pesquisa quantitativa com profissionais da área de tecnologia, anali-
sando seu nível de conhecimento, aplicação de diretrizes acessíveis e as barreiras que dificultam
a implementação dessas práticas. Os resultados indicam que, embora haja reconhecimento da
importância da acessibilidade, sua adoção ainda é limitada devido à falta de capacitação, ausência
de diretrizes organizacionais estruturadas e percepções equivocadas sobre o impacto no tempo e
custo de desenvolvimento.
Além disso, observou-se que a maioria dos profissionais aplica apenas os critérios básicos da
WCAG 2.2, com pouca adoção de padrões mais avançados. A pesquisa também aponta que
políticas internas, treinamentos e maior conscientização sobre os benefícios da acessibilidade
podem contribuir significativamente para uma adoção mais ampla dessas práticas.
Por fim, este estudo sugere que futuras pesquisas ampliem a amostra e explorem estratégias
mais eficazes para incentivar a acessibilidade no desenvolvimento de software, garantindo um
ambiente digital mais inclusivo para todos os usuários.
Palavras-chave: Acessibilidade digital; WCAG 2.2; desenvolvimento web; inclusão digital;
tecnologias assistivas.
ABSTRACT
Web accessibility is essential to ensure that people with disabilities can access and interact
with digital content independently. However, adopting accessible guidelines, such as WCAG
2.2, remains a challenge within the technology sector. This study investigates IT professionals’
perception of digital accessibility, the main challenges in implementing these practices, and the
level of adoption of WCAG 2.2 criteria in web software development.
A quantitative survey was conducted with technology professionals, analyzing their knowledge
level, application of accessible guidelines, and the barriers that hinder the implementation of
these practices. The results indicate that, although the importance of accessibility is recognized,
its adoption remains limited due to a lack of training, the absence of structured organizational
guidelines, and misconceptions about its impact on development time and costs.
Additionally, most professionals apply only the basic WCAG 2.2 criteria, with limited adoption
of more advanced standards. The research also highlights that internal policies, training programs,
and increased awareness of the benefits of accessibility can significantly contribute to a broader
adoption of these practices.
Finally, this study suggests that future research should expand the sample and explore more
effective strategies to encourage accessibility in software development, ensuring a more inclusive
digital environment for all users.
Keywords: Digital accessibility; WCAG 2.2; web development; digital inclusion; assistive
technologies.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Exemplo de Texto alternativo de uma Imagem . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Figura 2 Exemplo da funcionalidade de Libras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 3 Exemplo de Navegação pelo Teclado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Figura 4 Exemplo de site responsivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 5 Comparação entre os trabalhos relacionados . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 6 Fluxograma da metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Figura 7 Escolaridade dos participantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Figura 8 Como os participantes entendem o que é acessibilidade na web . . . . . . . 44
Figura 9 Práticas para promoção da acessibilidade segundo os participantes . . . . . 48
Figura 10 Implementação dos critérios de Sucesso WCAG 2.2 . . . . . . . . . . . . . 54
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Categorias das Tecnologias Assistivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Tabela 2 Distribuição dos cargos dos participantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Tabela 3 Categorias de como os participantes entendem acessibilidade na web . . . . 45
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
API Application Programming Interface
ARIA Accessible Rich Internet Applications
CSS Cascading Style Sheets
HTTP Hypertext Transfer Protocol
Libras Língua Brasileira de Sinais
PcDs Pessoas com Deficiência
REST Representational State Transfer
TA Tecnologias Assistivas
UCD User-Centered Design (Design Centrado no Usuário)
URL Uniform Resource Locator
WCAG Web Content Accessibility Guidelines
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO................................ 14
1.1 Objetivos Gerais ............................... 16
1.2 Objetivos Específicos ............................. 16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.1 Software para Web .............................. 17
2.2 Acessibilidade na Web ............................ 18
2.3 Tecnologias Assistivas para a Web ..................... 25
2.4 Fatores Humanos em Engenharia de Software ............... 29
3 TRABALHOS RELACIONADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.1
Técnicas de Acessibilidade na Web: Uma Revisão Bibliográfica sobre
Design Front-End Acessível para Pessoas com Limitações Visuais . . . 32
3.2
Análise da Conformidade com Acessibilidade Digital: Um Estudo no
Contexto dos Websites das Universidades Federais Brasileiras ...... 33
3.3
Barreiras de Acessibilidade Digital e WCAG 2.2: o Design de Informação
e a Infografia como instrumento de inclusão ................ 35
3.4 Comparativo ................................. 36
4 METODOLOGIA .............................. 40
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
5.1 Resultados sobre perfil dos participantes ................. 42
5.2 Conhecimento dos participantes em Acessibilidade na web ........ 43
5.3 Adoção de Práticas de Acessibilidade e desafios .............. 48
5.4 Utilização das Diretrizes WCAG 2.2 .................... 53
6 CONCLUSÃO DOS RESULTADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
6.1 Resultados para as Perguntas de Pesquisa ................. 58
6.2 Recomendações ................................ 60
7 LIMITAÇÕES E AMEAÇAS À VALIDADE . . . . . . . . . . . . . . . . 62
8 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS . . . . . . . . . . . . . . . 63
REFERÊNCIAS ............................... 66
14
1 INTRODUÇÃO
O Brasil possui aparato jurídico para garantir a igualdade entre todos os seus cidadãos,
nesse contexto, a lei a Lei 13.146, de 6 de julho de 2015, também conhecida como Estatuto da
Pessoa com Deficiência, visa assegurar a plena participação e igualdade de oportunidades para
pessoas com deficiências (BRASIL, 2015). Reforçando a importância do respeito à diversidade
e a promoção de uma sociedade mais inclusiva.
Com o objetivo de alcançar tal inclusão o governo Federal do Brasil em parceria
com o Reino Unido criou o guia de boas práticas para acessibilidade digital, onde apresenta boas
práticas de acessibilidade no meio digital, demostrando como informações devem ser apresenta-
das e como recursos de sites podem ser implementados de forma a promover acessibilidade no
meio digital (BRASIL, 2023).
O Guia elaborado pelo Governo Federal se trata de um compilado de diretrizes de
acessibilidade na web, como, por exemplo, a WCAG uma das principais referências mundiais
sobre acessibilidade na web, que atualmente contêm 78 critérios para uma implementação de
um website inclusivo, definido quatro princípios: perceptível, operável, compreensível e robusto
(W3C, 2023).
Apenas desses guias e diretrizes, segundo pesquisa realizada pelo site (Movimento
Web para Todos, 2022) demonstrou que menos de 1% dos sites brasileiros foram aprovados em
todos os testes de acessibilidade, tais testes foram baseados nos critérios do WCAG. Mostrando
que mesmo que com processos e técnicas bem definidas para obtenção de sites acessíveis em sua
grande maioria, os sites não implementam tais técnicas.
Segundo Lopes (2023), pontos críticos que dificultam o desenvolvimento de sites
acessíveis e a falta de conscientização e conhecimento dos desenvolvedores em relação à
acessibilidade de suas aplicações, atrelado à visão por parte dos desenvolvedores e gestores
de projetos que acessibilidade e um requisito opcional. Tornando assim os sites com baixa ou
nenhum nível de acessibilidade.
De acordo com a norma NBR ISO 9241-210 sistemas interativos são denominados
como "projeto centrado no ser humano", pois consideram os usuários finais como parte dos
stakeholders (ABNT, 2011). Sendo assim quaisquer limitações desses usuários devem ser
consideradas para que os usuários possam atingir seus objetivos ao utilizar o sistema apesar de
limitações. Como aponta (Silva; Rodrigues, 2018) o desenvolvedor ganha papel social, tendo em
vista que ao criar projetos acessíveis, democratizam o acesso a Web e à informação, tornando
15
assim indispensável sua preocupação com a acessibilidade dos sistemas.
Na área de Interação Humano-Computador (IHC), a acessibilidade está relacionada
à adaptação que os usuários com necessidades especiais precisam para interagir de forma eficaz
com os sistemas (Melo; Baranauskas, 2005). O desenvolvimento de sistemas com acessibilidade
é um desafio, que vem sendo explorado de maneira pertinente.
Como aponta Pirzadeh (2010), a atividade de desenvolvimento de software é uma
atividade centrada no ser humano, nesta perspectiva os fatores humanos dos desenvolvedores são
refletidos no processo de desenvolvimento do software. Com o objetivo de promover uma maior
utilização de acessibilidade, no desenvolvimento de software, se torna necessário atenção aos
fatores humanos incentivando características como empatia e sensibilidade com o usuário com
deficiência.
Alguns trabalhos existentes como (Nascimento et al., 2022) fazem um estudo
sobre o nível de acessibilidade para desenvolvedores que possuem deficiência, constatando que
boa parte das ferramentas que os desenvolvedores utilizam no seu dia a dia possuem barreiras
que dificultam sua utilização de maneira eficiente por pessoas com deficiências. O Dias et al.
(2010) realiza uma revisão sistemática sobre trabalhos que visam inserir a acessibilidade nas
fases de desenvolvimento de software, tendo como conclusão que a cada ano se tem um número
maior de publicações na área porém como o foco em apenas duas áreas de desenvolvimento e
testes de software.
O presente trabalho investiga o nível de conhecimento dos desenvolvedores sobre
as diretrizes de acessibilidade na web (WCAG 2.2) e o uso de técnicas acessíveis. O objetivo é
identificar quais estratégias são aplicadas para tornar a web mais acessível e quais dificuldades
impedem a adoção de mais padrões. Com isso, busca-se compreender os pontos fortes e fracos
na implementação dessas diretrizes.
Para atingir esse objetivo, este trabalho busca responder a três questões centrais:
QP1: Como os desenvolvedores percebem a importância da acessibilidade na web?
QP2: Quais são os principais desafios e obstáculos enfrentados na implementação
de técnicas de acessibilidade em sistemas web?
QP3: Qual o nível de utilização dos critérios de sucesso da WCAG 2.2 no desenvol-
vimento de software web?
16
1.1 Objetivos Gerais
Este trabalho busca compreender o nível de conhecimento e aplicação das diretriz
WCAG 2.2 por desenvolvedores, identificando desafios e oportunidades para promover uma web
mais inclusiva.
1.2 Objetivos Específicos
1. Avaliar o nível de conhecimento dos profissionais sobre diretriz WCAG 2.2
2. Identificar as principais práticas aplicadas por profissionais relacionadas à acessibilidade
3.
Identificar os desafios e obstáculos enfrentados na implementação de técnicas de acessibi-
lidade em sistemas web
17
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Software para Web
Os softwares para a web referem-se a aplicações acessadas por meio de navegadores
e operantes em um ambiente distribuído, utilizando a internet como meio de comunicação. Essas
aplicações abrangem desde sistemas simples até plataformas complexas, como e-commerces,
redes sociais e sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS). Com a evolução das tecnologias
web, tornou-se possível o desenvolvimento de aplicações cada vez mais dinâmicas, interativas e
escaláveis (Fielding, 2000).
O avanço da Web 2.0 trouxe uma mudança significativa no paradigma de interação
digital, promovendo aplicações mais colaborativas e centradas no usuário. Neste modelo, os
usuários passaram de meros consumidores de conteúdo a criadores e distribuidores de informa-
ções. Exemplos emblemáticos desse fenômeno incluem plataformas como Wikipedia, YouTube
e redes sociais como Facebook e Twitter (Richardson; Ruby, 2008). Esse avanço impulsionou
a necessidade de arquiteturas eficientes e flexíveis para suportar a crescente complexidade e
volume de interações online.
A arquitetura de software para a web segue predominantemente o modelo cliente-
servidor, onde o cliente (navegador) solicita recursos e o servidor processa e retorna as in-
formações. Essa estrutura tem sido complementada por Application Programming Interface
(API) e microsserviços, que possibilitam a integração entre diferentes sistemas e favorecem a
escalabilidade das aplicações (Richardson; Ruby, 2008).
Dentre as abordagens arquiteturais para a web, a arquitetura Representational State
Transfer (REST) emergiu como um padrão amplamente adotado no desenvolvimento de APIs
web, devido à sua simplicidade, flexibilidade e capacidade de integração com diferentes tecnolo-
gias (Fielding, 2000). REST define um conjunto de restrições arquiteturais que buscam melhorar
a escalabilidade e interoperabilidade dos sistemas, enfatizando o uso de operações padronizadas
do protocolo Hypertext Transfer Protocol (HTTP), como GET,POST,PUT e textitDELETE,
para manipulação de recursos representados por Uniform Resource Locator (URL).
A arquitetura REST tem se consolidado como um modelo essencial para o desen-
volvimento de aplicações web escaláveis e bem estruturadas, possibilitando uma comunicação
eficiente entre clientes e servidores. Sua adoção promove maior flexibilidade, facilitando a
integração entre diferentes sistemas e garantindo uma experiência fluida para os usuários.
18
O desenvolvimento de software para a web se estrutura em duas camadas principais:
front-end e back-end. O front-end é responsável pela interface do usuário, sendo desenvolvido
com tecnologias como HTML, Cascading Style Sheets (CSS) e JavaScript. Frameworks mo-
dernos como React,Angular eVue.js têm ganhado popularidade por viabilizarem interfaces
dinâmicas, responsivas e eficientes (MDN, 2024a).
O back-end abrange a lógica de negócios e o processamento de dados, empregando
linguagens como Python,Java,PHP eNode.js. Para armazenamento e gerenciamento de dados,
são utilizados bancos de dados relacionais, como MySQL ePostgreSQL, e bancos NoSQL, como
MongoDB (Oracle, 2024).
Os frameworks frontend modernos, como React,Angular eVue.js, desempenham
um papel fundamental na construção de interfaces acessíveis, promovendo a inclusão digital e
garantindo que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam interagir com as aplicações
web. Esses frameworks oferecem recursos nativos e bibliotecas especializadas que facilitam a
implementação de boas práticas de acessibilidade web, alinhadas às diretrizes do WCAG (Web
Content Accessibility Guidelines).
Entre os principais recursos disponíveis, destacam-se a manipulação eficiente do
DOM virtual, que melhora a experiência de usuários que utilizam leitores de tela; suporte a
atributos Accessible Rich Internet Applications (ARIA), que enriquecem a semântica dos compo-
nentes para tornar a navegação mais compreensível; e ferramentas como Angular Material, React
Aria e Vue A11y, que fornecem componentes pré-construídos otimizados para acessibilidade
(MDN, 2024b).
Além disso, esses frameworks permitem a criação de interfaces responsivas, garan-
tindo que os elementos da página se adaptem corretamente a diferentes dispositivos e métodos
de interação, como navegação por teclado e comandos de voz. Assim, permitindo uma utilização
efetiva e prática de softwares no ambiente da web.
2.2 Acessibilidade na Web
Segundo a norma brasileira Associação Brasileira de Normas Técnicas (2020) define
acessibilidade como a “utilização de maneira autônoma, independente e segura do ambiente,
edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos à maior quantidade possível de
pessoas, independente da sua idade, estatura, ou limitação de mobilidade ou percepção. E
segundo (IBGE, 2023) o Brasil possui 18,3 milhões de pessoas com deficiência, de onde mais da
19
metade são mulheres, o que representa 10% da população feminina com deficiência do Brasil.
O governo brasileiro consciente da importância da inclusão dessa parcela da popula-
ção propôs a (BRASIL, 2015) - Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência,
que estabelece a obrigatoriedade de adaptações razoáveis nos ambientes e nos meios de comuni-
cação, visando o acesso e a participação das pessoas com deficiência, garantindo assim certo
nível de igualdade da população.
Segundo (Movimento Web para Todos, 2022) menos de 1% dos sites brasileiros
passam em todos os testes de acessibilidade, testes baseados nos críterios do WCAG, com
o objetivo de resolver os problemas de acessibilidade digital o governo federal do brasil em
parceria com o governo britânico propôs o (BRASIL, 2023), onde fundamenta sobre os problemas
relacionados a falta de acessibilidade digital como, a limitação parcial ou integral do usuário
ao uso do sistema, além disso propõe diversas recomendações para permitir certo nível de
acessibilidade para diversos tipos de limitações diferentes, as recomendações foram baseadas no
WCAG.
Segundo (W3C, 2023) uma abordagem para acessibilidade na web, e a possibilidade
e a condição de alcance, percepção, entendimento e interação para a utilização, a participação e
a contribuição, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, em sítios e serviços
disponíveis na web, por qualquer indivíduo, independentemente de sua capacidade motora,
visual, auditiva,intelectual, cultural ou social, a qualquer momento, em qualquer local e em
qualquer ambiente fısico ou computacional e a partir de qualquer dispositivo de acesso. assim
possibilitando o uso eficaz do sistema ou serviço por pessoas com deficiência.
De acordo com Decreto
1
6949 de 25 de agosto de 2009, pessoas com deficiência
são as que possuem algum tipo de barreira que impedem participação plena e efetiva de forma
igualitária diante as demais pessoas. Diante dessa definição, percebe-se que a implementação
de práticas para adaptar serviços e sistemas se torna necessário para uma utilização efetiva,
beneficiando a população que precisa dessas ações.
Com o objetivo de facilitar e padronizar as práticas para implementar acessibilidade
diretrizes como WCAG2
2
foram estabelecidas, se dividindo em quatro princípios: perceptível
operável, compreensível e robusto, além de requisitos de conformidade, se propõe com essas
recomendações propor uma série de práticas que atendem diferentes tipos de limitações do
usuário garantindo uma adaptação do sistema para atender as necessidades do usuário.
1(Civil, 2009)
2(W3C, 2018)
20
Os princípios do WCAG, conforme descrito por (W3C, 2018), abrangem quatro
aspectos fundamentais para garantir a acessibilidade digital. O primeiro princípio é o Perceptível,
que estabelece que o conteúdo e as informações da interface devem ser acessíveis a todos os
usuários, independentemente de suas habilidades sensoriais. Para isso, é necessário fornecer
alternativas textuais para elementos não textuais, tornar o conteúdo multimídia acessível e
garantir que os usuários possam perceber todas as informações essenciais.
O segundo princípio, Operável, determina que a interface e a navegação devem ser
utilizáveis por pessoas com diferentes habilidades. Isso significa garantir que todo o conteúdo
possa ser acessado via teclado, oferecer tempo suficiente para interações complexas e evitar
elementos que possam causar desconforto, como animações que induzem convulsões.
o princípio da Compreensibilidade assegura que a informação e a operação da
interface devem ser fáceis de entender. Isso envolve a criação de textos legíveis e coerentes, a
manutenção da consistência na navegação e a oferta de sugestões de correção quando os usuários
cometerem erros, facilitando assim a usabilidade geral da página.
Por fim, o princípio Robusto enfatiza que o conteúdo deve ser suficientemente flexível
para ser interpretado de maneira confiável por diferentes tecnologias assistivas e navegadores.
Isso implica no desenvolvimento de código HTML e CSS válido, garantindo compatibilidade
com uma ampla variedade de agentes de usuário e dispositivos.
Além dos princípios, o WCAG define três níveis de conformidade, conforme (W3C,
2018). O Nível A representa o grau mínimo de conformidade, onde a página atende a todos os
critérios de sucesso desse nível ou fornece uma versão alternativa compatível. O Nível AA exige
o cumprimento dos critérios dos níveis A e AA, garantindo uma acessibilidade mais avançada.
o Nível AAA representa o mais alto grau de acessibilidade, onde todas as diretrizes dos três
níveis são atendidas ou uma versão alternativa compatível é disponibilizada. Esses níveis ajudam
a estabelecer padrões claros para o desenvolvimento de interfaces acessíveis, permitindo que
organizações escolham o grau de conformidade mais adequado às suas necessidades.
Atendendo os níveis de conformidade com as diretrizes fornecidas pelo WCAG os
sites terão níveis aceitáveis de acessibilidade que atendera uma grande parte dos diversos tipos
e níveis de deficiência, garantindo assim que o usuário poderá atingir seus objetivos no meio
digital.
A acessibilidade em interfaces é definida como a capacidade de um sistema ser
utilizado por pessoas com diferentes habilidades, garantindo que todos os usuários, independen-
21
temente de suas limitações físicas, sensoriais ou cognitivas, possam interagir de forma eficaz
e autônoma com a interface (Melo; Baranauskas, 2006). Em outras palavras, trata-se de um
conjunto de princípios e práticas de design que visam remover barreiras e proporcionar uma
experiência inclusiva a todos os perfis de usuários.
Como exemplos dessas práticas, temos o texto alternativo que é um recurso funda-
mental, pois permite que pessoas com deficiência visual, que utilizam leitores de tela, entendam o
conteúdo de imagens por meio de uma descrição textual. Ao incluir descrições claras e concisas
que expressem o propósito ou o contexto da imagem, garante-se que o usuário tenha acesso à
informação, mesmo não podendo ver o elemento visual. Além disso, o texto alternativo beneficia
usuários que estejam enfrentando problemas de carregamento de imagens ou utilizando conexões
lentas, assegurando uma experiência de navegação mais inclusiva e completa para todos.
Como exemplo prático, podemos citar a Figura 1 em um site do governo federal
brasileiro, na qual se apresenta uma foto da agenda de reuniões com autoridades estrangeiras.
Nesse caso, o texto alternativo traz uma descrição como: Anúncio foi feito pelo ministro Mauro
Vieira (Relações Exteriores), neste sábado, ao lado do prefeito Eduardo Paes. Essa descrição
garante que usuários de leitores de tela compreendam o contexto da imagem, mesmo que não
possam visualizá-la, além de beneficiar quem enfrenta problemas de conexão lenta que impedem
o carregamento do elemento visual, garantindo que mesmo em diferentes situações limitantes a
informação seja repassada.
Figura 1 Exemplo de Texto alternativo de uma Imagem
Fonte: Site do gov.br
22
Outro recurso de acessibilidade bastante importante é a funcionalidade de interpreta-
ção em Língua Brasileira de Sinais (Libras), voltada principalmente para pessoas surdas ou com
deficiência auditiva. Essa solução geralmente é implementada por meio de um botão ou ícone
em destaque, que, ao ser acionado, ativa um intérprete virtual (um avatar) capaz de traduzir o
conteúdo textual e elementos na tela para Libras. Assim, quando o usuário posiciona o mouse
sobre uma seção do site, o avatar começa a sinalizar a mensagem correspondente, permitindo
uma compreensão mais efetiva das informações para quem se comunica preferencialmente em
Libras ou encontra barreiras na leitura de legendas.
Na Figura 2, por exemplo, no mesmo site do governo, um ícone de acessibilidade
posicionado ao lado da página; ao clicar nele, o usuário pode selecionar trechos de texto
específicos, que são imediatamente traduzidos para Libras pelo avatar, de forma automática.
Nesse sentido, as sessões que foram mapeadas para serem interpretadas por essa
ferramenta tornam-se compatíveis com a funcionalidade, permitindo que elementos como títulos,
menus, textos descritivos e mensagens de alerta sejam acessíveis de maneira dinâmica. Assim,
além de valorizar a diversidade de modos de comunicação, a presença do avatar em Libras
reforça o compromisso com a acessibilidade no ambiente digital, atendendo não a exigências
legais de inclusão, mas também aos princípios de usabilidade.
Figura 2 Exemplo da funcionalidade de Libras
Fonte: Site do gov.br
Outro exemplo de prática que promove acessibilidade digital e a navegação por
teclado, uma prática fundamental de acessibilidade que permite aos usuários percorrer todo o
23
conteúdo de uma página da web usando apenas o teclado, geralmente através da tecla Tab para
avançar entre elementos interativos como botões e as teclas enter ou Espaço para acioná-los.
Esse recurso é especialmente importante para pessoas com deficiência motora ou para aquelas
que, por qualquer razão, não utilizam um mouse ou outro dispositivo de apontamento. Além
disso, o uso do teclado também pode ser vantajoso para quem busca uma forma mais ágil de
navegação, pois possibilita avançar rapidamente pelos itens sem precisar mover o cursor na tela.
Entre os principais benefícios da navegação por teclado, destacam-se a autonomia
e a inclusão, visto que indivíduos com limitações motoras ou visuais podem, dessa forma,
acessar todas as funcionalidades do site. Isso não amplia o público-alvo, tornando o conteúdo
disponível a um número maior de pessoas, mas também melhora a experiência de uso em geral,
pois proporciona maior rapidez na interação. Adotar essa prática mostra o compromisso do
desenvolvedor ou da instituição em garantir um ambiente digital inclusivo, em conformidade
com as boas práticas de acessibilidade.
Como exemplo dessa prática, pode-se citar a Figura 3, site do governo brasileiro que
permite a navegação por todos os menus e opções principais por meio da tecla tab. O usuário, ao
pressionar a tecla, avança de forma sequencial entre os links do cabeçalho, o menu de navegação
principal e os itens de conteúdo dispostos na página. Sempre que um item ganha foco, é possível
selecioná-lo com a tecla Enter, sem precisar recorrer ao mouse. Esse tipo de implementação
garante que pessoas com deficiência motora, usuários com limitações no uso de dispositivos
de apontamento ou mesmo quem prefira apenas utilizar o teclado, possam navegar pelo site de
modo eficiente e independente.
24
Figura 3 Exemplo de Navegação pelo Teclado
Fonte: Site do gov.br
Outro ponto que vale destacar, e o design responsivo é uma prática essencial de
desenvolvimento de sites que visa adaptar automaticamente o layout e o conteúdo das páginas a
diferentes dispositivos e tamanhos de tela. Dessa forma, independente de o usuário acessar o site
por um computador de mesa, notebook, tablet ou smartphone, os elementos visuais e textuais
reorganizam-se para garantir uma leitura confortável e uma interação intuitiva. Essa abordagem
não apenas aprimora a experiência de quem visita o site, mas também permite um consumo de
conteúdo mais flexível, reduzindo a necessidade de zoom ou rolagem lateral.
Os benefícios de um site responsivo incluem uma melhor acessibilidade para pessoas
com diferentes limitações visuais ou motoras, visto que uma navegação simplificada e organizada
facilita o uso em telas menores. Além disso, a adoção de layouts que se ajustem automaticamente
promove a inclusão digital, pois garante que todos tenham acesso às informações e possam
interagir adequadamente com os recursos oferecidos, seja por meio de toques na tela ou do uso
de teclado e mouse. Essa estratégia também ajuda a otimizar o desempenho do site, evitando
carregamentos excessivos em dispositivos com menor capacidade de processamento.
Na Figura 4 é apresentado como o site de informações do governo brasileiro se
adapta perfeitamente a diferentes tamanhos de tela, desde grandes monitores até celulares com
dimensões reduzidas. O conteúdo e a disposição dos menus são reorganizados de modo a manter a
legibilidade e a facilidade de navegação, permitindo que a informação permaneça acessível e bem
estruturada, independentemente do dispositivo utilizado. Essa abordagem reforça o compromisso
do órgão governamental em fornecer serviços e dados públicos de maneira inclusiva, atendendo
25
a uma ampla variedade de usuários.
Figura 4 Exemplo de site responsivo
Fonte: Site do gov.br
As diferentes práticas de acessibilidade na web podem variar amplamente em propó-
sito e nível de complexidade para serem implementadas, abrangendo desde simples ajustes de
contraste até a adoção de recursos mais avançados, como leitores de tela e legendas em múltiplos
idiomas. Cada uma delas cumpre uma função específica dentro da construção de interfaces
inclusivas, atendendo às necessidades de pessoas com variados tipos de deficiência e diferentes
formas de navegar na internet.
Apesar de envolver esforços adicionais no processo de desenvolvimento, as vantagens
que acompanham a adoção dessas práticas são significativas. Ao otimizar a usabilidade e a
experiência do usuário para pessoas com ou sem deficiências, cria-se um ambiente digital mais
acolhedor, expandindo o público alcançado e contribuindo para a promoção da igualdade de
acesso à informação. Dessa forma, a web torna-se verdadeiramente universal, potencializando o
impacto social e a eficiência dos sistemas na web.
2.3 Tecnologias Assistivas para a Web
Conforme o conceito proposto pelo Centro Tecnológico de Acessibilidade(CTA) do
instituto Federal do Rio Grande do Sul, define o segmento da tecnologia chamado de Tecnologias
Assistivas (TA), conjunto de recursos, ferramentas, processos práticas, serviços metodologias e
26
estratégias que tem como finalidade proporcionar mais autonomia, independência e qualidade de
vida para pessoas com deficiência. Ainda segundo a CTA as tecnologias assistivas se dividem
em dois grupos: recursos de TA, que são equipamentos, produtos,ou sistemas utilizado para
maximizar as capacidades funcionais do usuário e serviços de TA, que são serviços que auxiliam
a pessoa com deficiência a selecionar, usar e avaliar recursos de TA.
Como aponta Bersch (2017) as TAs são conjunto de recursos e serviços que proporci-
onam que pessoas com deficiências consigam de maneira independente realizar certas atividades.
No meio digital segundo Bersch (2017) os recursos de acessibilidade ao computador são o
conjunto de hardware e software especialmente idealizados para tornar o computador acessível a
pessoas com privações sensoriais, intelectuais e motoras.
A Tabela 1 apresenta as principais categorias de Tecnologias Assistivas, descrevendo
diversos recursos e adaptações que auxiliam pessoas com diferentes tipos de limitações fun-
cionais ou motoras. Essas tecnologias englobam desde utensílios para atividades cotidianas
até equipamentos mais complexos, voltados à comunicação e ao controle de dispositivos no
ambiente, visando promover maior autonomia e inclusão.
No contexto dessas categorias, destacam-se ferramentas de suporte ao dia a dia,
como talheres adaptados, sistemas de comunicação suplementar ou alternativa para quem possui
limitações na fala e acessórios para computador que permitem o uso de dispositivos digitais
mesmo com mobilidade reduzida. Além disso, recursos que possibilitam a adaptação do
ambiente residencial, tornando-o mais seguro e acessível, bem como equipamentos que auxiliam
na mobilidade e no posicionamento de pessoas que utilizam cadeira de rodas ou que necessitam
de algum tipo de apoio físico.
A Tabela 1 também evidencia a existência de sistemas de controle de ambiente, nos
quais é possível acionar remotamente luzes, portas e eletrodomésticos, além de modificações
voltadas ao transporte de pessoas com limitações, como adaptações em veículos. Esse conjunto
de soluções confirma a versatilidade das Tecnologias Assistivas ao contemplar uma ampla
gama de necessidades, sendo fundamentado, em estratégias que ampliam as possibilidades de
participação social e contribuem para a promoção da qualidade de vida.
Segundo Bersch (2017) temos como exemplo de TAs que ajudam na acessibilidade
ao computador: os teclados modificados, os teclados virtuais com varredura, software de
reconhecimento de voz, ferramentas essas que ajudam a contornar limitações físicas que o usuário
possa apresentar, o contínuo desenvolvimento dessas tecnologias contribui significativamente
27
Tabela 1 Categorias das Tecnologias Assistivas
Categoria Descrição
Auxílio para o cotidiano Materiais ou ferramentas que ajudam no dia a dia.
Comunicação Suplemen-
tar/Alternativa
Permitem a comunicação de pessoas com limitação na fala ou escrita.
Acessórios para computa-
dor
Ferramentas que facilitam o uso de computadores por pessoas com limitações
motoras.
Sistema de controle de
ambiente
Recursos que permitem o controle remoto de equipamentos e dispositivos domésti-
cos.
Modificações em casa Adaptações estruturais para reduzir barreiras no ambiente residencial.
Órteses e próteses
Dispositivos que substituem ou ajustam partes do corpo para melhorar a funcionali-
dade.
Sentar e posicionar
Adequações em cadeiras de rodas ou outros assentos para melhor postura e conforto.
Auxílio para pessoas com
necessidades visuais ou
visão subnormal
Ferramentas que melhoram a visualização, como lupas, leitores de tela, etc.
Auxílios para pessoas
com necessidades auditi-
vas
Dispositivos que facilitam a escuta, como aparelhos de amplificação e legendas.
Auxílio de mobilidade Soluções para auxiliar na locomoção, como bengalas ou andadores.
Adaptações em veículos Adequações no transporte e direção para motoristas e passageiros com limitações.
Fonte: Sonza, 2004
para a melhoria da acessibilidade e qualidade de vida para muitos usuários.
Também vale ressaltar o que não é TA, segundo (Bersch, 2017) a TA pode ser en-
tendida como o "recurso do usuário", logo esta intimamente ligada a servir como ferramenta de
auxilio, que permite a pessoa com deficiência realizar atividades do seu dia de forma indepen-
dente, o que difere de outros tipos de tecnologias como as aplicadas na área da saúde, onde as
quais servem apenas como ferramentas de análise e de acompanhamento da evolução do paciente
sem contribuir diretamente na autonomia da pessoa com deficiência.
O termo TA, surgiu no Brasil legalmente na lei (BRASIL, 2015), lei brasileira
de inclusão da pessoa com deficiência, com o objetivo de apoiar a parcela da população que
necessita desse tipo de aparato foi criado o plano nacional de tecnologia assistiva (PNTA)
(Ciência, 2021) , que tem como objetivo orientar as ações do Estado Brasileiro para apoiar
a pesquisa e desenvolvimento de TAs, visando promover a autonomia e da independência da
pessoa com deficiência.
O Ciência (2021) possui 24 iniciativas, que possuem metas, indicadores e respon-
sáveis pela execução, tais iniciativas vão de elaboração de orientações técnicas, realização de
estudos e de outras atividades para possibilitar a evolução da criação e adoção de TAs. Vale
28
ressaltar a iniciativa 11 que fala sobre "Apoio à formação profissional e tecnológico que abrange
a tecnologia assistiva", nesse ponto aponta a importância da capacitação profissional em relação
a TAs para que profissionais de diferentes áreas possam ter o conhecimento necessário sobre Tas
para poderem contribuir com a criação de novas TAs.
As Tecnologias Assistivas na web são fundamentais para garantir acessibilidade digi-
tal a pessoas com deficiência. Esses recursos permitem que usuários com diferentes limitações
possam navegar, interagir e consumir conteúdos online de forma autônoma. Entre as principais
tecnologias assistivas utilizadas na web estão os leitores de tela, teclados virtuais, ampliadores
de tela, softwares de reconhecimento de voz e ferramentas de navegação alternativa (Sartoretto;
Bersch, 2019).
Os leitores de tela são essenciais para pessoas com deficiência visual, pois interpretam
e transformam textos em áudio. Dessa forma, os usuários recebem informações por meio de
sintetizadores de voz, permitindo uma navegação mais acessível. Softwares como JAWS e NVDA
são amplamente utilizados para essa finalidade, garantindo que conteúdos digitais possam ser
compreendidos sem a necessidade de leitura visual (Sartoretto; Bersch, 2019).
Para usuários com baixa visão, ampliadores de tela desempenham um papel im-
portante ao aumentar o tamanho de fontes, ícones e demais elementos gráficos. Além disso,
esses softwares permitem ajustes de contraste e cores, facilitando a distinção dos conteúdos e
reduzindo o esforço visual durante a navegação. Essa adaptação melhora significativamente a
experiência de leitura e interação com interfaces digitais (Sartoretto; Bersch, 2019).
Pessoas com dificuldades motoras podem se beneficiar do uso de teclados virtuais e
softwares de reconhecimento de voz. O teclado virtual possibilita a digitação sem um teclado
físico, permitindo o controle por mouse, toque ou outros dispositivos de entrada. os softwares
de reconhecimento de voz permitem que usuários realizem comandos e naveguem pela web
apenas falando, tornando o uso do computador mais acessível para quem tem limitações nos
membros superiores (Sartoretto; Bersch, 2019).
Outra tecnologia assistiva importante são os sistemas de navegação alternativa, que
possibilitam a interação sem a necessidade de mouse ou teclado convencional. Recursos como
rastreamento ocular, sensores de movimento e acionadores adaptados permitem que pessoas com
mobilidade reduzida utilizem a web de forma independente. Esses sistemas garantem que todos
possam acessar conteúdos digitais sem barreiras.
A implementação dessas tecnologias deve seguir diretrizes de acessibilidade para
29
garantir compatibilidade com diferentes recursos assistivos. Quando bem aplicadas, essas
ferramentas tornam os sites mais acessíveis e promovem maior inclusão digital. Dessa forma,
todas as pessoas, independentemente de suas limitações, podem usufruir plenamente dos serviços
e informações disponíveis na internet.
2.4 Fatores Humanos em Engenharia de Software
Segundo OCIMF (2023), fatores humanos são definidos como características físicas,
fisiológicas e sociais que influenciam a interação das pessoas com equipamentos, sistemas,
processos e outros indivíduos ou equipes de trabalho. Como destacado por MARQUES (2015),
esses fatores têm um impacto direto na dinâmica de equipes e no desempenho coletivo. Diante
disso, é possível observar a relevância dos fatores humanos no contexto do desenvolvimento de
software, uma área que depende intensamente da colaboração e da interação entre pessoas.
No desenvolvimento de software, os fatores humanos tornam-se um campo crucial,
combinando princípios de design centrado no usuário com práticas de desenvolvimento para criar
sistemas mais inclusivos e acessíveis. Essa abordagem reconhece a importância de considerar
as necessidades, capacidades e limitações dos usuários em todas as fases do processo de desen-
volvimento. Embora a engenharia de software tradicional se concentre em aspectos técnicos, a
incorporação de fatores humanos, especialmente no contexto da acessibilidade, é essencial para
criar sistemas verdadeiramente utilizáveis por uma ampla gama de usuários, incluindo aqueles
com limitações.
OUser-Centered Design (Design Centrado no Usuário) (UCD) é uma abordagem
fundamental nesse contexto, enfatizando a importância de envolver os usuários em todo o
processo de desenvolvimento (Luna et al., 2017). Isso inclui a realização de pesquisas de usuário,
prototipagem e testes de usabilidade para garantir que o software atenda às necessidades reais dos
usuários. A usabilidade, um conceito central em fatores humanos, é particularmente importante
quando se trata de acessibilidade. Sistemas com boa usabilidade são mais eficientes, eficazes e
satisfatórios para os usuários (Luna et al., 2017). No contexto da acessibilidade, isso significa
criar interfaces que sejam fáceis de entender e navegar para usuários com diferentes habilidades
e necessidades.
De acordo com Pirzadeh (2010), o desenvolvimento de software é uma atividade
intrinsecamente centrada no ser humano, o que evidencia a influência dos fatores humanos em
todas as etapas do processo. Desde a concepção até a entrega final, as características humanas
30
como empatia, criatividade e, por vezes, preconceitos podem se refletir no produto final.
Quando os desenvolvedores estão sensibilizados às necessidades dos usuários finais, os resultados
tendem a ser positivos, promovendo soluções mais inclusivas e eficazes. Por outro lado, vieses
individuais ou falta de conscientização podem levar a sistemas que reforçam desigualdades ou
excluem determinados grupos.
Pirzadeh (2010) classifica o impacto dos fatores humanos no desenvolvimento de
software em três subcategorias principais:
Individual: relacionada às características pessoais, como personalidade, psicologia, cultura,
hábitos e processos de tomada de decisão.
Interpessoal: refere-se à dinâmica entre indivíduos, como a colaboração em equipe, a
comunicação e a eficiência coletiva.
Organizacional: envolve aspectos relacionados ao ambiente de trabalho, como a estrutura
organizacional, os processos adotados e as decisões gerenciais.
Essa categorização demonstra que os fatores humanos permeiam todos os níveis do
desenvolvimento de software, influenciando desde as decisões técnicas até a gestão de projetos.
Por exemplo, na esfera individual, a capacidade de um desenvolvedor de tomar decisões assertivas
pode ser afetada por sua experiência e visão de mundo. No âmbito interpessoal, a eficácia de
uma equipe depende da qualidade da comunicação e da cooperação entre seus membros. no
nível organizacional, a cultura da empresa e as práticas de gestão podem facilitar ou dificultar a
adoção de abordagens mais humanizadas no desenvolvimento.
Simonette (2015) reforça que, embora o desenvolvimento de software seja uma
atividade técnica, os fatores humanos têm um impacto significativo no resultado final. Para
ilustrar, se o objetivo é criar um sistema alinhado com as diretrizes de acessibilidade da WCAG
2.2, é essencial que os profissionais envolvidos cultivem valores como empatia, respeito e
sensibilidade às necessidades dos usuários. Essas características humanas se traduzem em
funcionalidades que promovem a inclusão e a usabilidade, beneficiando um público mais amplo.
Além disso, Simonette (2015) ressalta que apenas quando uma conscientização
genuína sobre a importância dos fatores humanos na engenharia de software é possível garantir
que o respeito à dignidade humana seja priorizado. Isso significa que sistemas devem ser
projetados não apenas com foco em eficiência técnica, mas também com a intenção de atender
às necessidades de todos os usuários, especialmente daqueles que dependem de adaptações
para utilizar as tecnologias de forma eficaz. Dessa forma, a consideração dos fatores humanos
31
no desenvolvimento de software não apenas melhora a qualidade dos produtos, mas também
contribui para uma sociedade mais inclusiva e equitativa.
32
3 TRABALHOS RELACIONADOS
3.1
Técnicas de Acessibilidade na Web: Uma Revisão Bibliográfica sobre Design Front-
End Acessível para Pessoas com Limitações Visuais
Em Santos et al. (2022), os autores apresentam uma revisão bibliográfica das diretri-
zes de acessibilidade que podem ser incorporadas no desenvolvimento web, além de apresentar
ferramentas de acessibilidade e testes de verificação de sites. O estudo focou em diretrizes com
o foco em pessoas com limitações visuais em seus diferentes níveis de limitação.
As diretrizes revisadas foram as Diretrizes de Acessibilidade de Conteúdo da Web
(WCAG 2.0), as Diretrizes de Accessible Rich Internet Applications (WAI-ARIA) e as Diretrizes
do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (e-MAG).
WCAG possui diretrizes que definem como tornar o conteúdo da web mais acessível,
dividindo as diretrizes em quatro princípios: perceptível, operável, compreensível e robusto, ao
todo são 12 diretrizes que fornecem o básico de requisitos para que os desenvolvedores possam
criar aplicações web mais acessíveis para pessoas com deficiência.
WAI-ARIA são uma especificação técnica que define atributos importantes de ele-
mentos que afetam e descrevem a interação com o usuário. A e-MAG, possuem recomendações
para implementação de acessibilidade no meio digital, recomendadas pelo Governo Federal, são
14 recomendações divididas em seis grupos: marcação, comportamento, conteúdo, apresenta-
ção,multimídia e formulário.
Com base nas revisões das diretrizes o trabalho definiu os testes que validariam a
utilização das diretrizes, realizando os testes de forma manual e de forma automatizada utilizando
três ferramentas: Wave, AChecker e Taw. Os testes foram realizados no ecommerce da Amazon.
Conseguiu observar problemas de acessibilidade relacionados as diretrizes WCAG.
Em resumo, este trabalho apresenta técnicas e diretrizes de acessibilidade na web
que podem ser possíveis soluções para criar sistemas cada vez mais inclusivos e além disso,
apresenta uma abordagem de como aplicar testes direcionados a verificar se o sistema busca de
alguma forma incluir funcionalidades que atendam em algum nível as diretrizes.
33
3.2
Análise da Conformidade com Acessibilidade Digital: Um Estudo no Contexto dos
Websites das Universidades Federais Brasileiras
O trabalho Albuquerque et al. (2024) apresenta a acessibilidade na web como sendo
um dos aspectos fundamentais para garantir a inclusão digital e possibilitar que pessoas com
deficiência, especialmente aquelas com limitações visuais, possam acessar informações de forma
eficiente e autônoma. Este estudo apresenta uma análise da acessibilidade em websites por meio
de ferramentas automáticas de verificação, destacando as diretrizes estabelecidas pelo World
Wide Web Consortium (W3C), como as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), o Web
Accessibility Initiative - Accessible Rich Internet Applications (WAI-ARIA) e o Modelo de
Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG). O objetivo principal da pesquisa é avaliar a
conformidade de páginas da web com essas diretrizes, identificando os principais problemas de
acessibilidade e propondo reflexões sobre a importância da implementação de práticas inclusivas
no desenvolvimento web.
Para conduzir essa avaliação, foram utilizadas três ferramentas distintas: AChecker,
ASES e WAVE, cada uma com um foco específico na detecção de barreiras de acessibilidade. Os
resultados obtidos com o AChecker permitiram uma análise detalhada dos problemas conhecidos,
prováveis e potenciais de acessibilidade. No nível de conformidade mais básico (AChecker A),
foram identificados 43,52 problemas conhecidos, 1,11 problemas prováveis e 581,74 problemas
potenciais. no nível intermediário (AChecker AA), a quantidade de problemas aumentou
significativamente, sendo 169,74 problemas conhecidos, 16 problemas prováveis e 617 problemas
potenciais. No nível mais avançado de conformidade (AChecker AAA), que impõe os requisitos
mais rigorosos de acessibilidade, os problemas conhecidos totalizaram 171,26, enquanto os
prováveis chegaram a 309,04, e os potenciais atingiram 633,00, evidenciando um crescimento
expressivo conforme as exigências aumentam.
A ferramenta ASES foi utilizada para analisar a acessibilidade em sites governamen-
tais e categorizou os erros e avisos de acessibilidade em diferentes aspectos do desenvolvimento
web. A categoria mais problemática foi a de marcação, apresentando 27,07 erros e 312,22
avisos, o que demonstra uma grande quantidade de falhas na estrutura semântica do código das
páginas analisadas. A categoria de conteúdo e informação também se destacou, contabilizando
60,48 erros e 44,63 avisos, evidenciando dificuldades na adaptação do conteúdo para garantir
compreensão adequada a todos os usuários. Outras áreas como formulários, comportamento e
apresentação/design apresentaram menor quantidade de problemas, mas ainda assim registraram
34
falhas que podem impactar a experiência do usuário.
Além do AChecker e do ASES, foi utilizado o WAVE, uma das ferramentas mais
populares para auditoria de acessibilidade web. Os resultados dessa análise indicaram que, em
média, os sites avaliados apresentaram 18,11 erros, um número relativamente menor quando
comparado com as outras ferramentas, mas que ainda representa barreiras significativas para
usuários com deficiência. Além disso, a média de 284,96 avisos evidencia que muitas páginas
possuem elementos que podem ser melhorados para otimizar a experiência de navegação. Um
fator crítico identificado pelo WAVE foi o erro de contraste, que registrou uma média de
19,93 ocorrências por site, demonstrando que a escolha inadequada de cores e contrastes pode
comprometer a legibilidade do conteúdo para pessoas com baixa visão.
A partir dessas análises, fica evidente que a maioria dos websites avaliados ainda
não atende plenamente às diretrizes de acessibilidade e que muitas barreiras poderiam ser
minimizadas com práticas mais rigorosas de conformidade com padrões internacionais. As
ferramentas automáticas utilizadas são fundamentais para identificar problemas iniciais, mas
apresentam limitações, que algumas falhas podem ser verificadas por testes manuais
ou com a ajuda de usuários reais. A ausência de textos alternativos em imagens, a falta de
estruturação correta de cabeçalhos e a ineficiência na adaptação de conteúdos multimídia são
alguns dos principais problemas observados, impactando diretamente a usabilidade para pessoas
com deficiência visual.
Os resultados reforçam a necessidade de que desenvolvedores web adotem uma
abordagem mais inclusiva no planejamento de interfaces digitais. A implementação das diretrizes
WCAG, a utilização correta de marcações semânticas e o aprimoramento dos contrastes visuais
são algumas das práticas que podem contribuir significativamente para tornar a web mais
acessível. Além disso, o uso de testes manuais e a consulta a usuários com deficiência podem
ajudar a identificar obstáculos que as ferramentas automáticas não conseguem captar.
Conclui-se que, embora haja esforços para melhorar a acessibilidade na web, ainda
existem desafios consideráveis que precisam ser superados. A pesquisa destaca que apenas uma
pequena porcentagem dos sites brasileiros atende totalmente aos requisitos de acessibilidade,
demonstrando que essa é uma questão que requer maior atenção da comunidade de desenvolvedo-
res, designers e gestores de conteúdo. Melhorias nesse campo não apenas garantem o direito de
acesso à informação para todos, como também ampliam o público-alvo e fortalecem a reputação
de empresas e instituições que adotam boas práticas de acessibilidade digital.
35
3.3
Barreiras de Acessibilidade Digital e WCAG 2.2: o Design de Informação e a Infogra-
fia como instrumento de inclusão
O estudo Sousa et al. (2024) aborda o tema de acessibilidade no contexto digital, onde
a acessibilidade digital se tornou uma necessidade urgente para garantir a inclusão de Pessoas
com Deficiência (PcDs) e outros grupos que enfrentam barreiras no acesso a conteúdos digitais.
A pesquisa se propõe a investigar as principais barreiras de acessibilidade digital, relacionando-as
às diretrizes das Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2, e a utilizar o Design de
Informação e a Infografia como ferramentas para a disseminação de práticas acessíveis.
O trabalho aponta que a acessibilidade digital é um tema que vem ganhando destaque
nos últimos anos, especialmente com o aumento da dependência de plataformas digitais para a
realização de atividades cotidianas, como educação, trabalho, saúde e entretenimento. No entanto,
apesar dos avanços tecnológicos, muitas barreiras persistem, como problemas de contraste, falta
de texto alternativo em imagens, links e botões sem contexto, entre outros. Essas barreiras não
limitam o acesso de PcDs, mas também afetam a experiência de usuários com limitações
temporárias ou situacionais, como idosos ou pessoas em ambientes com pouca iluminação.
O estudo adotou uma abordagem metodológica baseada em revisão de literatura e
análise de dados quantitativos, utilizando como principal fonte o relatório WebAIM Million
2023, que avalia a acessibilidade de um milhão de páginas da web. A partir desse relatório, foram
identificados os erros mais comuns de acessibilidade, como texto de baixo contraste, ausência
de texto alternativo para imagens, links vazios e rótulos de formulários ausentes. Esses erros
foram então correlacionados com os critérios de sucesso das WCAG 2.2, que são organizados
em quatro princípios: Perceptível, Operável, Compreensível e Robusto.
A inovação proposta pelo estudo reside na utilização de infográficos como ferramenta
para a disseminação desses critérios de acessibilidade. A infografia, como uma forma de comu-
nicação visual, tem o potencial de simplificar informações técnicas complexas, tornando-as mais
acessíveis e compreensíveis para um público diversificado, incluindo designers, desenvolvedores
e analistas de qualidade. O infográfico desenvolvido no estudo foi construído com base em
boas práticas de Design de Informação, buscando equilibrar a clareza da comunicação com a
atratividade visual.
Os resultados do estudo destacam que as barreiras de acessibilidade digital são persis-
tentes e recorrentes, mesmo com a existência de diretrizes como as WCAG. O relatório WebAIM
Million 2023 revelou que 96,3% das páginas analisadas apresentaram falhas de conformidade
36
com os critérios das WCAG 2.0, com erros como texto de baixo contraste (83,6%) e ausência
de texto alternativo para imagens (58,2%) sendo os mais frequentes. Esses dados reforçam a
necessidade de abordagens mais eficazes para a disseminação e implementação das práticas de
acessibilidade.
O infográfico desenvolvido no estudo, intitulado "Pratique a Inclusão: Crie sites aces-
síveis", foi projetado para abordar os principais erros identificados, apresentando recomendações
práticas e exemplos visuais que facilitam a compreensão e aplicação dos critérios das WCAG.
A escolha de um formato visual e interativo, como o infográfico, visa superar as limitações
das abordagens tradicionais, que muitas vezes são excessivamente técnicas e difíceis de serem
assimiladas por profissionais que não são especialistas em acessibilidade.
O estudo demonstra que a acessibilidade digital ainda enfrenta desafios significativos,
mas também aponta caminhos promissores para a superação dessas barreiras. A utilização
de infográficos como ferramenta de disseminação das diretrizes das WCAG representa uma
abordagem inovadora e potencialmente eficaz para engajar profissionais de design e desenvol-
vimento na criação de produtos e serviços digitais mais inclusivos. No entanto, é necessário
continuar investindo em pesquisas e práticas que promovam a conscientização e a capacitação
dos profissionais, além de garantir que as soluções propostas sejam testadas e validadas em
contextos reais.
A acessibilidade digital não deve ser vista como um requisito técnico, mas como um
compromisso ético e social com a inclusão. O estudo contribui para essa visão ao propor uma
abordagem que combina rigor técnico com criatividade e empatia, visando a construção de um
ambiente digital mais justo e acessível para todos.
3.4 Comparativo
Os trabalhos analisados apresentam diferentes perspectivas sobre a acessibilidade na
web, focando em diretrizes, barreiras e técnicas de avaliação. Esta seção compara os estudos
revisados com o presente trabalho, que busca identificar as dificuldades enfrentadas na imple-
mentação de práticas acessíveis e compreender como as diretrizes da WCAG 2.2 estão sendo
aplicadas por meio de uma pesquisa realizada com profissionais da área de tecnologia.
O primeiro estudo revisado, Santos et al. (2022), apresenta uma análise das diretrizes
WCAG 2.0, WAI-ARIA e eMAG, propondo uma revisão teórica e avaliando sites através
de ferramentas automáticas, como WAVE, AChecker e Taw. A pesquisa não conta com a
37
participação de usuários reais e se concentra na verificação automática de conformidade, o que
pode limitar a identificação de problemas que afetam a experiência prática dos usuários com
deficiência.
O segundo trabalho, Albuquerque et al. (2024), também adota uma abordagem
baseada em ferramentas automáticas, incluindo AChecker, ASES e WAVE, mas amplia a análise
ao avaliar a acessibilidade de sites institucionais de universidades federais. O estudo evidencia
que, mesmo com diretrizes bem estabelecidas, a grande maioria dos sites não atende aos
requisitos de acessibilidade, especialmente nos aspectos de marcação, estruturação do conteúdo
e contraste de cores. A pesquisa não inclui a perspectiva de usuários reais, mas fornece uma
visão quantitativa ampla da conformidade com as diretrizes.
O terceiro estudo, Sousa et al. (2024), foca na identificação de barreiras de acessi-
bilidade a partir de um grande banco de dados de websites analisados pelo relatório WebAIM
Million 2023. Diferente dos outros trabalhos, esta pesquisa explora a comunicação visual como
ferramenta para disseminação das diretrizes WCAG 2.2, utilizando infográficos para sensibilizar
e educar desenvolvedores e designers sobre boas práticas. Apesar do foco na disseminação das
diretrizes, o estudo também não envolve usuários na avaliação das barreiras enfrentadas.
O presente trabalho se diferencia dos estudos anteriores ao buscar compreender quais
são as principais dificuldades enfrentadas atualmente para implementar práticas de acessibilidade
e quais diretrizes da WCAG 2.2 estão sendo aplicadas na prática. Em vez de se basear apenas
em ferramentas automáticas, a pesquisa será conduzida por meio de um formulário estruturado,
permitindo captar a percepção de desenvolvedores, designers e gestores sobre a implementação
de acessibilidade digital. Esse método qualitativo visa identificar não apenas problemas técnicos,
mas também desafios organizacionais e estruturais que impactam a adoção de práticas acessíveis.
38
Figura 5 Comparação entre os trabalhos relacionados
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
A Figura 5 apresenta um comparativo entre estudos que abordam acessibilidade
digital sob diferentes perspectivas, observa-se que os estudos anteriores, como Santos et al.
(2022), concentraram-se na exploração de técnicas de design front-end voltadas para melhorar a
acessibilidade para usuários com deficiências visuais, baseando-se em uma revisão bibliográfica.
Albuquerque et al. (2024) e Sousa et al. (2024) voltaram-se para a análise de conformidade e
identificação de barreiras de acessibilidade, sendo que o primeiro avaliou a acessibilidade de
websites institucionais e o segundo utilizou análise documental para correlacionar obstáculos
enfrentados pelos usuários às diretrizes do WCAG 2.2.
Diferente desses trabalhos, este estudo foca na percepção e conhecimento dos profis-
sionais sobre diretrizes de acessibilidade, adotando uma abordagem quantitativa e quanlitativa
para avaliar o nível de adoção e os principais impedimentos enfrentados no uso das diretrizes
WCAG 2.2. Enquanto os trabalhos anteriores analisaram a acessibilidade a partir de padrões
técnicos ou documentais, a presente pesquisa busca compreender a acessibilidade no contexto do
desenvolvimento de software, ouvindo diretamente os profissionais da área.
Além disso, nota-se que os trabalhos anteriores foram conduzidos principalmente por
seus autores, enquanto este estudo amplia a avaliação para um grupo de profissionais, permitindo
um maior embasamento prático sobre a aplicabilidade das diretrizes. Por fim, enquanto Sousa et
al. (2024) utilizou infográficos para disseminar boas práticas, o presente trabalho busca mapear
quais critérios da WCAG 2.2 são mais utilizados e quais desafios impedem sua implementação,
39
fornecendo dados que podem subsidiar ações futuras para incentivar a adoção da acessibilidade
digital no setor de tecnologia.
40
4 METODOLOGIA
Nesta seção, são apresentados os procedimentos metodológicos adotados para alcan-
çar o objetivo do trabalho. A pesquisa foi conduzida por meio da aplicação de um formulário,
direcionado a profissionais da área de desenvolvimento de software para a web, a fim de compre-
ender o nível de conhecimento e aplicação das diretrizes de acessibilidade digital.
A estrutura metodológica foi concebida para responder a três questões de pesquisa
principais:
QP1: Como os desenvolvedores percebem a importância da acessibilidade na web?
QP2: Quais são os principais desafios e obstáculos enfrentados na implementação
de técnicas de acessibilidade em sistemas web?
QP3: Qual o nível de utilização dos critérios de sucesso da WCAG 2.2 no desenvol-
vimento de software web?
Essas questões orientam a análise da pesquisa, permitindo compreender o nível de
conscientização dos desenvolvedores sobre acessibilidade digital, as dificuldades encontradas
na implementação de práticas acessíveis e a adesão às diretrizes do WCAG 2.2. A partir das
respostas coletadas, busca-se identificar padrões, desafios e oportunidades para ampliar a adoção
de práticas inclusivas no desenvolvimento web. Os dados obtidos serão utilizados para estruturar
recomendações e direcionamentos que possam contribuir para a melhoria da acessibilidade
digital, tanto no contexto individual dos profissionais quanto no ambiente organizacional.
Para responder a essas questões, foi elaborado um questionário estruturado em três
seções:
1.
Bloco 1 - Perfil do Participante: coletou informações sobre experiência profissional,
tempo de atuação no desenvolvimento web e porte da empresa onde o participante trabalha.
2.
Bloco 2 - Entendimento sobre Acessibilidade Digital: investigou o conhecimento geral
sobre acessibilidade, incluindo a percepção dos participantes sobre sua importância e
desafios enfrentados.
3.
Bloco 3 - Conhecimento e Utilização das Diretrizes do WCAG 2.2: buscou identificar
quais diretrizes de acessibilidade são aplicadas no dia a dia dos desenvolvedores e quais
dificuldades impedem a adoção dessas práticas.
A divulgação do formulário ocorreu entre os dias 14 de janeiro de 2025 e 15 de
fevereiro de 2025, por meio de redes sociais com grande número de desenvolvedores de software,
como LinkedIn e Telegram. Foram consideradas apenas as respostas de profissionais brasileiros,
41
com o objetivo de analisar o cenário nacional em relação ao uso de técnicas de acessibilidade na
web. O questionário utilizado pode ser acessado no seguinte link:
Perguntas: https://drive.google.com/file/d/1pwJL3EKB-sxmQGv8lEyzZxvLwPsxn956/
view?usp=sharing
Respostas: https://encurtador.com.br/VWXzy
Os dados coletados foram analisados qualitativamente e quantitativamente, com
a criação de tabelas e visualizações gráficas para facilitar a interpretação dos resultados. As
respostas foram categorizadas de acordo com os níveis de conformidade A, AA e AAA do WCAG
2.2, além da experiência dos profissionais e do ambiente em que atuam. Essa abordagem permitiu
identificar padrões e desafios enfrentados na adoção de práticas acessíveis no desenvolvimento
web.
Os resultados foram organizados em tabelas e gráficos, seguindo a abordagem direta
para apresentar de forma clara e objetiva os principais achados da pesquisa. Os passos realizados
são demonstrados na Figura 6.
Figura 6 Fluxograma da metodologia
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
42
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1 Resultados sobre perfil dos participantes
A pesquisa contou com a participação de 102 profissionais da área de tecnologia,
abrangendo diferentes cargos dentro do setor. O cargo mais frequente foi Desenvolvedor, com
29,41% das respostas, seguido por Programador Júnior (15,68%) e Desenvolvedor Fullstack
(9,80% respostas). Além disso, observando a Tabela 2 cargos de gerência como Engenheiro de
Software e Diretor Executivo (CEO) aparecem como participantes.
Tabela 2 Distribuição dos cargos dos participantes
Cargo Frequência
Desenvolvedor 30
Desenvolvedor Fullstack 10
Desenvolvedor Back End 8
Engenheiro de Software 7
Analista de Sistemas 6
Desenvolvedor Front End 5
Analista de Testes 4
QA 2
CEO 1
Programador Junior 16
Estagiário em Desenvolvimento Web 6
Técnico em TI 1
UX Designer 5
Especialista DevOps 1
Fonte: Elaborada pelo autor.
Além da distribuição dos cargos, a pesquisa também analisou o tempo de experiência
dos participantes na área de tecnologia. Os dados revelam que a maioria dos profissionais possui
menos de 5 anos de experiência, totalizando 52,94% das respostas. Esse número sugere uma
predominância de profissionais iniciantes ou em fase de consolidação na carreira.
os profissionais com entre 6 e 10 anos de experiência representam 36,27% das
respostas, indicando um número significativo de desenvolvedores que possuem experiência
consolidada no setor. Aqueles com entre 11 e 15 anos de experiência somam 7.84% das respostas,
enquanto os mais experientes, com entre 16 e 25 anos, totalizam apenas 1.96% das respostas.
Em relação ao porte das empresas em que atuam os participantes ou em que tenham
atuado na sua última experiência. Os dados indicam que a maioria dos participantes trabalhou
em médias empresas (50 a 249 funcionários), totalizando 52.94% das respostas. Além disso, as
pequenas empresas (10 a 49 funcionários) aparecem em segundo lugar, com 27.45% respostas,
43
seguidas por grandes empresas (250 ou mais funcionários), que somam 13.72% das respostas.
as microempresas (1 a 9 funcionários) foram mencionadas por apenas 4.90% dos participantes.
Em relação a escolaridade dos participantes. Como indica a Figura 7 a maioria possui
ensino superior completo, com 57.84% das respostas. 22.54% dos participantes informaram
ter ensino médio, enquanto 17.64% possuem pós-graduação. Apenas um participante relatou
ter mestrado, e nenhum indicou possuir doutorado. Além disso, um participante optou por não
informar seu nível de escolaridade.
Figura 7 Escolaridade dos participantes
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
5.2 Conhecimento dos participantes em Acessibilidade na web
Com o objetivo de compreender a percepção dos participantes sobre o conceito
de acessibilidade na web, foi solicitado que definissem esse termo em uma única palavra,
expressando como o interpretam. As respostas coletadas foram utilizadas para gerar a Figura 8,
uma nuvem de palavras que evidencia os termos mais recorrentes. Essa visualização permite
44
identificar os principais aspectos associados à acessibilidade digital na visão dos respondentes,
destacando como o tema é compreendido no contexto do desenvolvimento web.
Figura 8 Como os participantes entendem o que é acessibilidade na web
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
As palavras "acessibilidade", "usabilidade", "inclusão"e "direito"aparecem com
maior destaque, sugerindo que esses conceitos estão fortemente associados ao entendimento
dos participantes sobre acessibilidade na web. Outros termos como "viabilizar", "adequação",
"facilitar"e "permitir"também foram frequentemente mencionados, indicando a percepção sobre
acessibilidade esta coerente com definições de diretrizes de acessibilidade digital.
Além disso, foi realizada uma pergunta aberta sobre a percepção dos participantes em
relação ao conceito de acessibilidade na web. As respostas foram agrupadas em sete categorias,
conforme ilustrado na Tabela 3, com base na proximidade de palavras-chave presentes nas
respostas. Foi observado que a categoria Funcionalidades para superar limitações em 24.50%
das respostas e Inclusão e igualdade no acesso 19.60% das respostas foram as que obtiveram
maior frequência.
Também é importante destacar que as categorias "Adaptação e viabilização do
acesso"e "Democratização do acesso", embora tenham apresentado menor frequência, com
11.76% e 9.80% das respostas, respectivamente, evidenciam a percepção, ainda que por uma
parcela menor dos participantes, de que a acessibilidade na web vai além de funcionalidades,
envolvendo também atitudes empáticas e inclusivas em relação ao próximo.
45
Tabela 3 Categorias de como os participantes entendem acessibili-
dade na web
Categoria Percentual
Funcionalidades para superar limitações 24,50%
Inclusão e Igualdade no acesso 19,60%
Usabilidade para pessoas com deficiência 17,64%
Conjunto de práticas ou ferramentas 14,70%
Adaptação e viabilidade do acesso 11,76%
Democratização do acesso 9,80%
Não conhece 1,96%
Fonte: Elaborada pelo autor.
Quando questionados sobre o nível de compreensão em acessibilidade na web, a
maioria dos participantes avaliou seu conhecimento como superficial, totalizando 43.13% das
respostas. Outros 17.64% dos participantes indicaram possuir um conhecimento moderado,
enquanto apenas 4.90% afirmaram que conhecem bem o tema. Além disso, 32.35% dos partici-
pantes declararam não possuir conhecimento sobre práticas de acessibilidade na web.
Ao comparar esses dados com a frequência com que os participantes buscam se
atualizar ou estudar sobre conceitos e técnicas de acessibilidade, observa-se um baixo engaja-
mento com o tema. A maioria afirmou que busca atualização raramente, 49.01% das respostas
ou ocasionalmente com 17.64% das respostas, enquanto 31.37% participantes declararam nunca
estudar sobre acessibilidade, e apenas um participante afirmou buscar aprendizado frequente-
mente. Observando assim indícios que a afinidade com esse tema ainda é superficial por boa
parte dos participantes.
Quando questionados sobre a dificuldade de encontrar materiais sobre acessibilidade
na web, 22,54% dos participantes concordaram total ou parcialmente com essa afirmação, en-
quanto 32,35% discordaram que o acesso a esse conteúdo seja difícil. O restante dos participantes
optou por uma posição neutra, sem concordar nem discordar. Esses dados sugerem que a baixa
adesão à acessibilidade na web não está diretamente relacionada à falta de acesso a materiais
sobre o tema, mas possivelmente a outros fatores, como interesse ou prioridade na formação
profissional.
Ao analisar as respostas sobre o conhecimento da legislação relacionada à acessibili-
dade digital no Brasil, 43.14% dos participantes afirmaram que possuem conhecimento, enquanto
17.65% indicaram ter conhecimento moderado. Além disso, 32.35% dos participantes declararam
não conhecer a legislação, e apenas 4.90% dos afirmaram conhecê-la bem. Esses dados reforçam
a baixa familiaridade dos profissionais participantes com as leis que regulamentam o direito à
46
acessibilidade, inclusive no ambiente digital.
Esse baixo nível de familiaridade com a legislação indica que muitos profissionais
ainda não compreendem plenamente que práticas voltadas à acessibilidade digital não são apenas
boas práticas de design e desenvolvimento, mas sim exigências legais. No Brasil, a acessibilidade
digital é garantida por normas como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei
13.146/2015) e o Decreto 9.296/2018, que determinam a obrigatoriedade da acessibilidade
em portais e serviços digitais. No entanto, os dados coletados sugerem que esse conhecimento
não está amplamente disseminado entre os desenvolvedores, o que pode impactar diretamente a
adoção dessas práticas no mercado.
Para avaliar o conhecimento técnico dos participantes em ferramentas que auxiliam
na acessibilidade, no contexto da web, foram feitas perguntas sobre o nível de familiaridade
com tecnologias assistivas no ambiente digital e com ferramentas automatizadas que avaliam a
acessibilidade em softwares web.
Em relação às tecnologias assistivas, como leitores de tela, ampliadores de tela
e softwares de reconhecimento de voz, 32.35% participantes declararam não ter nenhum co-
nhecimento, enquanto 35.29% afirmaram possuir um conhecimento muito limitado. Outros
15.69% dos participantes relataram ter um conhecimento moderado, 13.72% indicaram um
bom conhecimento e apenas 2.94% declararam possuir conhecimento avançado sobre essas
tecnologias.
A maioria dos participantes (67,64%) declarou ter pouco ou nenhum conhecimento
sobre tecnologias assistivas, o que indica que esses recursos ainda não são amplamente com-
preendidos no meio profissional. Esse dado pode ser preocupante, pois demonstra que muitos
desenvolvedores não têm familiaridade com ferramentas essenciais para a navegação de pessoas
com deficiência.
A falta de conhecimento sobre tecnologias assistivas pode resultar em interfaces
mal projetadas para esses usuários. Se os profissionais não compreendem como leitores de tela,
ampliadores de tela e softwares de reconhecimento de voz funcionam, um risco maior de
que as aplicações não sejam compatíveis com esses recursos, tornando a experiência do usuário
deficiente ou inviável.
Quando questionados sobre o conhecimento em ferramentas automatizadas para
avaliação de acessibilidade, os resultados apontam um nível de familiaridade ainda mais baixo.
41.18% dos participantes informaram não ter nenhum conhecimento sobre essas ferramentas,
47
enquanto 29.41% indicaram um conhecimento muito limitado. Apenas 17.65% dos participantes
relataram possuir um conhecimento moderado, 10.78% declararam ter bom conhecimento, e
apenas 1% dos participante afirmou possuir conhecimento avançado na área.
A falta de conhecimento sobre ferramentas automatizadas para avaliação de aces-
sibilidade torna o processo de identificação e correção de barreiras digitais significativamente
mais complexo. Sem o uso dessas ferramentas, os profissionais precisam confiar exclusivamente
em avaliações manuais, que além de demoradas, podem ser imprecisas e sujeitas a vieses. No
entanto, os dados demonstram que a maioria dos participantes não possui familiaridade suficiente
para utilizar esses recursos, o que pode resultar na implementação de softwares que não atendem
adequadamente às diretrizes de acessibilidade.
Além disso, a baixa adoção dessas ferramentas pode dificultar a criação de um fluxo
de trabalho eficiente para validação da acessibilidade dentro das equipes de desenvolvimento.
Sem a incorporação de testes automatizados, muitas falhas são identificadas em estágios
avançados do projeto, tornando a correção mais trabalhosa e onerosa. Esse cenário reforça a
importância da capacitação dos profissionais para o uso dessas tecnologias, garantindo que a
acessibilidade seja considerada desde as primeiras fases do desenvolvimento e não apenas como
um ajuste final antes da entrega do produto.
Esses dados indicam que a maioria dos participantes tem pouco ou nenhum con-
tato com tecnologias e ferramentas que poderiam auxiliar na implementação e avaliação da
acessibilidade digital. Sendo esse mais um indicativo da baixa adesão em boas práticas em
desenvolvimento de software acessível.
Observando a frequência de aplicação dessas práticas em projetos, sejam eles pes-
soais ou empresariais. Os resultados indicam que a maioria dos participantes raramente com
36.27% das respostas ou ocasionalmente com 23.53% das respostas aplica conceitos de acessibi-
lidade. Apenas 9.80% dos participantes afirmaram que frequentemente adotam essas práticas,
enquanto 28.43% dos participantes declararam nunca utilizá-las.
Quando questionados sobre o nível de conforto ao implementar acessibilidade em
projetos complexos, 33.33% dos participantes afirmaram se sentir moderadamente confortáveis,
enquanto 11.76% declararam estar muito confortáveis e apenas 3% relataram estar extremamente
confortáveis. Por outro lado, 19.60% dos participantes indicaram não se sentir nada confortáveis,
e 30.39% se classificaram como pouco confortáveis ao lidar com esse tipo de implementação.
Esses dados reforçam que, embora a acessibilidade na web seja um tema relevante,
48
ainda um baixo nível de adoção e confiança em seu uso por parte dos profissionais, indicando
a necessidade de maior capacitação e incentivo à implementação de práticas de acessibilidade.
5.3 Adoção de Práticas de Acessibilidade e desafios
Para compreender a percepção dos participantes sobre quais meios são viáveis para
promover acessibilidade na web, foi realizada uma pergunta aberta aos participantes sobre quais
estratégias e técnicas consideram essenciais para tornar um ambiente digital acessível.
As respostas foram agrupadas em categorias principais, conforme ilustrado na Fi-
gura 9, destacando cinco áreas fundamentais: boas práticas de desenvolvimento, testes e vali-
dação, planejamento e cultura organizacional, experiência do usuário (UX/UI) e ferramentas
e tecnologias. Cada uma dessas áreas aborda aspectos técnicos e metodológicos considerados
relevantes pelos participantes para a implementação da acessibilidade.
Figura 9 Práticas para promoção da acessibilidade segundo os participantes
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
As categorias identificadas refletem diferentes abordagens essenciais para garantir
a acessibilidade na web. Testes e validação destacam-se como uma das práticas mais mencio-
nadas, abrangendo testes automatizados, avaliações com usuários reais e o uso de ferramentas
especializadas para identificar barreiras de acessibilidade.
A adoção de boas práticas de desenvolvimento inclui a utilização de HTML semân-
tico com sua utilização de seus recursos para tornar o conteúdo mais legível por ferramentas
de leitura de tela e definição de cores e contrastes adequados para melhorar a experiência de
pessoas com deficiências visuais.
49
O planejamento e a cultura organizacional foram apontados como fatores importantes,
ressaltando a necessidade de treinamento das equipes, inclusão de profissionais com deficiência
no desenvolvimento e a consideração da acessibilidade desde a elicitação de requisitos para que
as atividades voltadas a acessibilidade fossem encaixadas no projeto desde sua concepção.
A experiência do usuário (UX/UI) foi amplamente citada, com foco em design
acessível, navegação intuitiva e recursos adaptáveis, como modo de alto contraste e personaliza-
ção de fontes. Por fim, o uso de ferramentas e tecnologias, como frameworks especializados,
tecnologias assistivas e a adoção de padrões como as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo
Web (WCAG), foi amplamente mencionado como essencial para a criação de ambientes digitais
mais acessíveis.
Os resultados indicam que a maioria dos participantes reconhece a importância de
testes e validação, seguidos pela adoção de ferramentas especializadas e pela necessidade de
um planejamento organizacional voltado à acessibilidade. Essas práticas são constantemente
recomendadas em diretrizes de acessibilidade, o que evidencia que, se adotadas com maior
frequência, poderiam representar etapas fundamentais para a promoção da acessibilidade digital.
Os participantes foram questionados sobre a frequência de uso de frameworks
e bibliotecas específicas para acessibilidade na web. Os resultados indicam que a adoção
dessas tecnologias ainda é baixa: 42,15% dos respondentes afirmaram nunca ter utilizado tais
ferramentas, enquanto 24,50% relataram tê-las utilizado de forma esporádica. Dessa forma,
66.65% dos participantes possuem pouco ou nenhum contato com esses recursos, evidenciando
uma baixa adesão. Em contrapartida, apenas uma minoria faz uso regular dessas soluções, sendo
que 3,92% declararam utilizá-las sempre e 11,76% afirmaram usá-las com frequência.
Esse cenário sugere que, embora existam ferramentas que promovem a acessibilidade
digital, sua implementação ainda enfrenta desafios. Apesar de muitos participantes indicarem
testes e ferramentas como soluções eficazes para a acessibilidade, a adesão a essas práticas ainda
é baixa, dificultando sua aplicação de forma ampla e consistente.
Ao analisar as respostas relacionadas à acessibilidade no ambiente de trabalho,
observa-se uma percepção predominantemente negativa sobre a importância dada ao tema dentro
das organizações. A maioria dos participantes 74,5% considera que a acessibilidade é pouco ou
nada relevante na cultura organizacional das empresas em que atuam ou atuaram. Apenas 3,98%
dos respondentes classificaram a acessibilidade como extremamente importante, enquanto 8,82%
a consideram muito importante. Esses dados indicam que, para a maioria das organizações a
50
qual os respondentes participam, a acessibilidade digital ainda não é uma prioridade, o que pode
refletir em produtos e serviços menos inclusivos.
A falta de valorização da acessibilidade na cultura organizacional pode estar direta-
mente associada à ausência de treinamentos voltados para essa prática. Quando questionados
sobre capacitações promovidas pelas empresas, 79,4% dos desenvolvedores afirmaram que
nunca receberam um treinamento adequado sobre acessibilidade digital. Dentre eles, 44,11%
discordam totalmente da afirmação de que foram capacitados, e 35,29% discordam parcialmente.
Esse cenário demonstra que, sem conhecimento técnico adequado, os desenvolvedores podem
enfrentar dificuldades na implementação de diretrizes acessíveis, perpetuando a baixa adesão às
boas práticas no desenvolvimento web.
Outro fator analisado foi a percepção dos profissionais sobre o impacto da acessi-
bilidade no tempo e no custo dos projetos. A maioria (57,84%) acredita que a implementação
de práticas acessíveis afeta moderadamente esses aspectos, enquanto 24,50% consideram que
o impacto é significativo. Apenas 2,94% enxergam a acessibilidade como um fator altamente
influente no custo e na duração do desenvolvimento. Esses dados sugerem que, embora a imple-
mentação de acessibilidade possa demandar esforço adicional, a maior parte dos desenvolvedores
não esse fator como um impeditivo crítico, o que pode indicar uma abertura para adoção
dessas práticas caso haja incentivos adequados.
Contudo, mesmo com a percepção de impacto moderado nos custos, a acessibilidade
ainda é frequentemente tratada como um elemento opcional no desenvolvimento de software
web. Aproximadamente 75,48% dos participantes concordam parcial ou totalmente com essa
afirmação, sugerindo que muitas empresas encaram as diretrizes de acessibilidade como um
diferencial, e não como uma exigência essencial. Esse dado evidencia um desafio significativo
para a inclusão digital, pois reforça a ideia de que práticas acessíveis são dispensáveis, o que
pode limitar a adoção dessas diretrizes no mercado.
Por outro lado, quando questionados sobre o impacto da acessibilidade nos resultados
de negócios, 50,97% dos participantes concordaram parcial ou totalmente que ela pode trazer
benefícios, como aumento da base de usuários e melhoria na usabilidade dos sistemas. No entanto,
42,15% dos respondentes adotaram uma postura neutra, indicando que ainda incerteza quanto
aos benefícios concretos da acessibilidade para o sucesso comercial dos produtos. Esse dado
sugere a necessidade de maior conscientização sobre as vantagens estratégicas da acessibilidade,
reforçando que a inclusão digital pode ser um diferencial competitivo e não apenas um requisito
51
técnico.
Diante desses resultados, percebe-se que a acessibilidade digital ainda enfrenta
desafios significativos dentro das organizações, seja pela falta de valorização da cultura inclusiva,
pela ausência de treinamentos específicos ou pela visão de que a acessibilidade não é um
requisito obrigatório. Entretanto, indícios de que, se houver incentivos adequados e maior
conscientização sobre os benefícios da inclusão, essas barreiras poderão ser progressivamente
superadas, promovendo um desenvolvimento web mais acessível e sustentável.
Além disso, 60,78% dos participantes acreditam que práticas de acessibilidade digital
impactam significativamente o tempo de desenvolvimento de um projeto. Esse dado sugere que a
acessibilidade ainda é vista como um obstáculo ou um custo adicional, levando muitas empresas
a evitá-la ou minimizá-la sempre que possível.
Por outro lado, quando questionados sobre os benefícios da acessibilidade para
os resultados do negócio, 50,97% dos participantes concordam que essas práticas impactam
positivamente os projetos. No entanto, 42,15% afirmam não ter uma opinião formada sobre o
tema, o que pode indicar um desconhecimento generalizado sobre os benefícios da acessibilidade
digital.
Além das percepções gerais sobre acessibilidade no ambiente corporativo, os parti-
cipantes também foram questionados sobre os maiores desafios que as empresas enfrentam ao
implementar práticas acessíveis em projetos web. Os dados revelam que o tempo foi apontado
como o principal obstáculo, citado por 29.41% dos respondentes. Esse resultado reforça a ideia
de que a acessibilidade ainda é vista como um fator que aumenta a duração do desenvolvimento,
tornando-se, muitas vezes, uma preocupação secundária dentro das organizações.
Outro desafio significativo é a falta de conhecimento técnico, como apontado pelas
respostas. Esse fator sugere que muitas equipes de desenvolvimento ainda não possuem capacita-
ção suficiente para aplicar corretamente as diretrizes de acessibilidade, o que pode levar a falhas
na implementação ou até mesmo à ausência dessas práticas nos projetos. A priorização e gestão
da acessibilidade também se mostra um problema relevante, indicando que as empresas podem
não estar incorporando essas práticas de forma estratégica em seus fluxos de trabalho.
Além disso, questões financeiras e organizacionais surgem como barreiras importan-
tes. Orçamento e recursos financeiros foram apontados como desafios pelos respondentes, assim
como prazos e cronogramas apertados, evidenciando que restrições orçamentárias e a pressão por
entregas rápidas dificultam a adoção de acessibilidade nos projetos. A complexidade de sistemas
52
legados destaca que muitas empresas lidam com infraestrutura e tecnologias antigas que não
foram projetadas com acessibilidade em mente, tornando sua adaptação um processo desafiador.
Outros fatores incluem a falta de ferramentas ou frameworks adequados, a falta de
interesse ou conscientização sobre o tema e a percepção de que o escopo dos projetos é muito
complexo para que práticas de acessibilidade sejam implementadas. Além disso, a falta de
planejamento e a dificuldade em lidar com clientes também foram apontadas como barreiras.
Esses dados reforçam que, embora a acessibilidade digital seja um fator essencial
para a inclusão e a melhoria da experiência do usuário, sua implementação ainda enfrenta
desafios estruturais, técnicos e culturais dentro das empresas. O desconhecimento, a falta de
prioridade e as restrições de tempo e orçamento parecem ser os principais motivos pelos quais
a acessibilidade não é amplamente adotada, mesmo quando reconhecida como benéfica para o
negócio.
Diante dos desafios identificados, fica evidente que a acessibilidade digital ainda
enfrenta uma série de barreiras dentro do ambiente corporativo, sejam elas técnicas, culturais
ou organizacionais. A falta de treinamento e conscientização entre os profissionais, aliada à
percepção de que a acessibilidade representa um custo adicional ou um aumento no tempo de
desenvolvimento, contribui para a baixa adoção dessas práticas.
No entanto, apesar dessas dificuldades, os dados sugerem que um reconhecimento
crescente sobre os benefícios da acessibilidade digital, tanto do ponto de vista da experiência
do usuário quanto dos impactos positivos nos negócios. Isso indica uma oportunidade para que
empresas e profissionais invistam em capacitação e incorporem a acessibilidade desde as fases
iniciais do desenvolvimento.
Portanto, para que a acessibilidade digital seja tratada como uma prioridade e não
apenas como um diferencial opcional, é essencial que haja esforços coordenados entre empresas,
educadores e formuladores de políticas públicas. A adoção de diretrizes acessíveis deve ser
incentivada não apenas por meio de regulamentações, mas também por meio da disseminação de
boas práticas e da disponibilização de ferramentas que facilitem a sua aplicação. Somente dessa
forma será possível garantir que a web seja verdadeiramente inclusiva e acessível para todos os
usuários, independentemente de suas limitações.
53
5.4 Utilização das Diretrizes WCAG 2.2
As respostas indicam que o conhecimento sobre as Diretrizes de Acessibilidade para
Conteúdo Web (WCAG) 2.2 ainda é limitado entre os profissionais. A maioria dos participantes
mencionou ter apenas uma compreensão superficial ou moderada do tema, enquanto um grupo
significativo afirmou não conhecer essas diretrizes. Apenas uma pequena parcela dos responden-
tes relatou ter um bom nível de conhecimento, demonstrando que a acessibilidade digital ainda
não é amplamente difundida entre os desenvolvedores.
Essa lacuna de conhecimento também se reflete na percepção sobre a capacitação
das equipes. Muitos participantes não acreditam que seus times possuam o preparo necessário
para implementar as diretrizes de acessibilidade, enquanto outros demonstram incerteza sobre
essa questão. Poucos indicaram que suas equipes estão plenamente capacitadas, o que reforça a
necessidade de treinamentos e maior disseminação de boas práticas dentro das organizações.
Quando se trata da experiência prática na implementação das WCAG 2.2, grande
parte dos profissionais relatou não ter experiência ou ter apenas um nível básico de envolvimento
com a aplicação das diretrizes. também um número considerável de respostas que não têm
uma posição clara sobre a aplicabilidade dos critérios de acessibilidade em seus projetos, o que
pode indicar falta de contato direto com essas diretrizes no dia a dia de trabalho.
Para compreender a distribuição dos critérios adotados pelos participantes, os dados
foram mapeados conforme as diretrizes estabelecidas pelo WCAG 2.2. Cada critério identi-
ficado foi categorizado dentro dos níveis A, AA ou AAA, permitindo uma avaliação precisa
de quais requisitos são mais frequentemente implementados e quais ainda apresentam baixa
adoção. Essa categorização revelou um padrão claro: a maioria dos esforços concentra-se no
atendimento aos critérios de nível A, enquanto diretrizes mais rigorosas, que poderiam aprimorar
significativamente a acessibilidade, ainda são pouco exploradas.
Dentre aqueles que afirmaram ter implementado algum critério de sucesso da
WCAG 2.2, observa-se que a maioria dos critérios aplicados pertencem ao nível A, como
apresentado na Figura 10, que representa os requisitos mais básicos de conformidade. Critérios
como "Nome, Função e Valor", "Características Sensoriais"e "Legendas (pré-gravadas)"foram
os mais mencionados, indicando que os esforços em acessibilidade estão concentrados nas
exigências fundamentais da norma.
54
Figura 10 Implementação dos critérios de Sucesso WCAG 2.2
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
Entretanto, quando se trata dos critérios de nível AA, que exigem um grau maior
de adequação, sua implementação é consideravelmente menor. Apenas um pequeno número
de participantes mencionou a adoção de diretrizes como "Tamanho do Alvo"e "Orientação",
que pertencem a esse nível mais avançado de conformidade. Essa discrepância evidencia que,
mesmo quando preocupação com acessibilidade, a abordagem ainda se mantém restrita aos
requisitos mínimos, sem um avanço significativo para práticas mais abrangentes e robustas.
A baixa incidência de critérios AA reforça a percepção de que a acessibilidade
digital ainda não é tratada como um elemento essencial no desenvolvimento de software. Mesmo
entre os profissionais que implementaram algum nível de conformidade, observa-se que a
prioridade é atender apenas às exigências básicas, deixando de lado aspectos que poderiam tornar
os produtos mais inclusivos e acessíveis a um público mais amplo. Para que a acessibilidade
seja plenamente incorporada às práticas de desenvolvimento, é necessário um esforço maior das
empresas e dos profissionais, garantindo que critérios mais avançados sejam considerados parte
integrante dos projetos desde as fases iniciais.
A falta de diretrizes internas voltadas à acessibilidade nas empresas também se
mostra uma realidade preocupante. A maioria dos participantes indicou que suas organizações
não possuem políticas estruturadas para incentivar a implementação das WCAG 2.2, e mesmo
entre aquelas que possuem diretrizes, a aplicação geralmente ocorre de forma moderada ou sem
rigor. Casos em que essas políticas são aplicadas com consistência são raros, o que contribui
55
para a falta de adoção generalizada dessas práticas.
A presença de normas internas bem definidas é essencial para garantir que a aces-
sibilidade digital seja incorporada de maneira estruturada e não dependa apenas da iniciativa
individual dos profissionais. Sem diretrizes claras, as decisões sobre acessibilidade tendem a
ser tomadas de maneira reativa e pontual, muitas vezes apenas quando exigências legais ou
reclamações de usuários surgem. Isso resulta em produtos que não seguem um padrão consis-
tente, tornando o acesso desigual para diferentes perfis de usuários, especialmente aqueles que
dependem de tecnologias assistivas.
Além disso, diretrizes internas bem estabelecidas podem facilitar a integração da
acessibilidade nos fluxos de trabalho das equipes de desenvolvimento. Quando a acessibilidade
é vista como um requisito desde as fases iniciais do projeto, a implementação se torna mais
eficiente e menos onerosa. A adoção de frameworks, checklists e ferramentas automatizadas
para avaliação da acessibilidade pode garantir que os produtos estejam em conformidade com os
padrões exigidos, reduzindo retrabalho e minimizando custos a longo prazo.
Outro ponto importante é que diretrizes claras incentivam uma cultura organiza-
cional mais inclusiva. Empresas que formalizam políticas de acessibilidade demonstram um
compromisso com a inclusão digital, o que pode impactar positivamente sua reputação e ampliar
seu alcance no mercado. Além disso, ao garantir que práticas acessíveis sejam aplicadas de
forma sistemática, as organizações não apenas atendem às regulamentações legais, mas tam-
bém proporcionam uma melhor experiência para todos os usuários, independentemente de suas
limitações.
A ausência dessas diretrizes pode gerar um efeito cascata dentro das equipes de
tecnologia. Sem orientação institucional, muitos profissionais não recebem o suporte necessário
para aprender e aplicar boas práticas de acessibilidade, o que perpetua a falta de conhecimento
e a baixa adoção dessas diretrizes nos projetos. A implementação de treinamentos internos,
certificações e incentivos pode ser uma solução eficaz para reduzir essa diferença e aumentar a
conscientização sobre a importância da acessibilidade digital.
Portanto, a criação e a disseminação de diretrizes internas são fundamentais para
transformar a acessibilidade digital de um conceito abstrato em uma prática concreta dentro das
organizações. Empresas que adotam políticas claras e estruturadas sobre o tema não apenas
garantem conformidade com as normas, mas também promovem um ambiente digital mais
inclusivo, beneficiando tanto os usuários quanto os próprios negócios.
56
Outro ponto relevante é a dificuldade enfrentada para integrar acessibilidade em
projetos que possuem restrições de prazo ou orçamento. Muitos participantes relataram que
essas práticas foram ignoradas ou deixadas em segundo plano, sendo tratadas como itens
secundários no desenvolvimento. Em alguns casos, certas funcionalidades foram implementadas,
mas outras foram adiadas para momentos futuros. Houve também relatos de projetos onde a
implementação aconteceu de forma completa, mas com dificuldades devido a limitações de
tempo ou necessidade de aprendizado adicional. Apenas um pequeno grupo mencionou que a
acessibilidade foi incorporada sem dificuldades, de maneira planejada e sem impacto negativo
na execução do projeto.
A resistência por parte de clientes e equipes também foi mencionada em algumas
respostas. Enquanto uma parcela dos respondentes não conseguiu identificar claramente se re-
sistência a essas práticas, outros apontaram que, em algumas ocasiões, a adoção da acessibilidade
encontrou obstáculos. Por outro lado, houve também quem afirmasse que não percebe resistência
significativa, o que sugere que essa questão pode variar conforme o ambiente organizacional e a
cultura de cada empresa.
A percepção sobre o impacto da acessibilidade na experiência do usuário também
divide opiniões. Enquanto alguns participantes acreditam que a implementação das diretrizes
trouxe melhorias para os projetos, muitos demonstram incerteza ou não têm opinião formada
sobre esse impacto. ainda um grupo menor que não percebeu benefícios diretos na usabilidade
dos produtos após a adoção dessas práticas.
Além disso, poucos profissionais relataram ter recebido feedback positivo de pessoas
com deficiência após a implementação das diretrizes. Para a maioria, essa interação nunca
ocorreu ou aconteceu raramente. Apenas uma pequena parcela dos entrevistados mencionou
receber retornos positivos de forma mais frequente. Esse dado pode indicar que uma distância
entre os desenvolvedores e os usuários finais que mais se beneficiariam da acessibilidade. Isso
reforça a importância de aproximar essas duas pontas para garantir que as práticas implementadas
atendam, de fato, às necessidades dos usuários.
A percepção de que a acessibilidade é um custo ou uma dificuldade adicional
contribui para sua baixa adoção nos projetos. Esse cenário ressalta a necessidade de ações mais
efetivas para promover a acessibilidade digital, tornando-a parte integrante do desenvolvimento
de produtos e serviços. Para que isso aconteça, é fundamental investir na capacitação das equipes.
Designers, desenvolvedores e gestores precisam compreender a importância da acessibilidade e
57
saber como aplicá-la desde as primeiras etapas dos projetos.
Além disso, a criação de diretrizes internas claras e bem estruturadas pode ajudar
a incorporar boas práticas de acessibilidade de forma contínua. Isso reduz a resistência dentro
das empresas e facilita sua implementação nos processos de desenvolvimento. Quando a
acessibilidade se torna um requisito desde o início, as equipes conseguem planejar soluções
inclusivas sem comprometer prazos e orçamentos. Assim, evita-se a necessidade de retrabalho,
garantindo que os produtos atendam aos padrões exigidos.
Outro ponto essencial é a sensibilização das empresas quanto aos benefícios da
acessibilidade. Esses benefícios vão além do aspecto ético e inclusivo, impactando diretamente
a usabilidade, o alcance do público e a retenção de usuários. A acessibilidade não deve ser
vista como um obstáculo, mas como um diferencial competitivo. Melhorar a experiência do
usuário e ampliar as oportunidades de mercado são fatores que tornam essa prática vantajosa
para empresas e consumidores.
Por fim, é necessário fortalecer a cultura de acessibilidade dentro das organizações.
Incentivar o feedback contínuo de usuários com deficiência e promover testes reais são ações
essenciais para avaliar a eficácia das soluções implementadas. Somente por meio de um compro-
misso consistente e estratégico será possível transformar a acessibilidade em um pilar essencial
do desenvolvimento digital. Dessa forma, produtos e serviços poderão atender a todos os usuários
de maneira igualitária e eficiente.
58
6 CONCLUSÃO DOS RESULTADOS
Com base na análise dos dados coletados, esta seção apresenta as respostas às ques-
tões de pesquisa propostas, sintetizando as percepções dos desenvolvedores sobre a acessibilidade
na web, os principais desafios enfrentados e o nível de adoção das diretrizes WCAG 2.2 no
desenvolvimento de software. Além de recomendações básicas para uma melhoria desse cenário.
6.1 Resultados para as Perguntas de Pesquisa
QP1: Como os desenvolvedores percebem a importância da acessibilidade na web?
Os resultados indicam que, embora os desenvolvedores reconheçam a importância
da acessibilidade digital, sua aplicação ainda é limitada no ambiente de trabalho. A maioria
dos participantes considera que a acessibilidade tem pouca ou nenhuma relevância na cultura
organizacional das empresas em que atuam. Além disso, a ausência de treinamentos sobre o
tema reflete na baixa capacitação técnica da maioria dos profissionais, tornando a acessibilidade
um aspecto frequentemente ignorado ou tratado como secundário no ciclo de desenvolvimento
de software.
A percepção da acessibilidade como um custo adicional também influencia sua baixa
adoção. Muitos desenvolvedores acreditam que a implementação de práticas acessíveis pode
aumentar o tempo e os custos de desenvolvimento, o que pode contribuir para a resistência
dentro das empresas. Apesar disso, uma parte significativa dos participantes reconhece que a
acessibilidade pode impactar positivamente os resultados do negócio, aumentando a usabilidade
e o alcance de usuários. Entretanto, a falta de conscientização sobre esses benefícios ainda
impede uma maior priorização do tema no setor de tecnologia.
QP2: Quais são os principais desafios e obstáculos enfrentados na implementação
de técnicas de acessibilidade em sistemas web?
Os principais desafios enfrentados na implementação de acessibilidade digital estão
relacionados à falta de capacitação técnica, resistência organizacional e dificuldades na prioriza-
ção do tema dentro dos projetos. A ausência de diretrizes internas estruturadas faz com que a
acessibilidade seja tratada de forma opcional ou como um diferencial competitivo, ao invés de
um requisito essencial.
Além disso, muitos profissionais relataram não ter experiência com ferramentas
automatizadas de avaliação de acessibilidade e tecnologias assistivas, como leitores de tela
59
e softwares de reconhecimento de voz. Essa lacuna de conhecimento resulta na criação de
interfaces que não atendem completamente às necessidades de usuários com deficiência.
Outros obstáculos incluem restrições de tempo e orçamento, que dificultam a imple-
mentação de acessibilidade em projetos, especialmente quando não planejamento desde as
etapas iniciais. Além disso, a falta de feedback de usuários com deficiência pode dificultar a
validação das práticas implementadas, tornando a acessibilidade uma preocupação secundária na
maioria dos projetos analisados.
Os comentários que reforçam os resultados desta questão de pesquisa são:
"Planejamentos voltados a outras metas". Esse comentário sugere que, muitas
vezes, a acessibilidade não está entre as prioridades estratégicas das empresas. O foco pode
estar na entrega rápida do produto, no aumento da performance ou em outros aspectos do
desenvolvimento, deixando a acessibilidade em segundo plano. Isso reflete a percepção de que as
diretrizes acessíveis são vistas como um aspecto secundário, e não como um requisito essencial
para a usabilidade digital.
"Conhecimento técnico por parte das equipes de desenvolvimento". Esse aponta-
mento reforça um dos desafios centrais identificados na pesquisa: a falta de capacitação específica
sobre acessibilidade digital. Sem um conhecimento adequado, as equipes podem encontrar difi-
culdades para aplicar corretamente as diretrizes da WCAG, o que resulta em interfaces que não
contemplam as necessidades de usuários com deficiência. Essa lacuna evidencia a importância
de treinamentos e capacitação contínua dentro das organizações para garantir a adoção eficiente
de boas práticas de acessibilidade.
"Dificuldade alta em utilizar conceitos de acessibilidade em projetos legados". Esse
comentário destaca um desafio técnico relevante: a implementação de acessibilidade em sistemas
existentes. Muitas aplicações foram desenvolvidas sem considerar as diretrizes acessíveis,
tornando sua adaptação um processo complexo. Isso ocorre porque modificar a estrutura de um
sistema legado pode exigir grandes mudanças no código, impactando diretamente o tempo e os
custos do projeto. Esse cenário reforça a importância de incluir a acessibilidade desde o início
do desenvolvimento, evitando retrabalho futuro.
"Tempo curto para execução do projeto e experiência técnica por parte da equipe".
Esse apontamento evidencia dois fatores críticos para a implementação da acessibilidade: prazos
reduzidos e falta de experiência das equipes. Em ambientes com alta demanda por entregas
rápidas, a acessibilidade pode ser deixada de lado por ser considerada um esforço adicional.
60
Além disso, a falta de experiência dos profissionais na aplicação de práticas acessíveis dificulta a
adoção dessas diretrizes dentro dos prazos estipulados. Esse problema reforça a necessidade de
integrar a acessibilidade ao fluxo de desenvolvimento desde as etapas iniciais, garantindo que
seja incorporada de forma natural e planejada.
QP3: Qual o nível de utilização dos critérios de sucesso da WCAG 2.2 no desenvol-
vimento de software web?
Os dados demonstram que a adoção das diretrizes WCAG 2.2 no desenvolvimento
de software ainda é limitada. A maioria dos participantes possui apenas um conhecimento
superficial sobre essas diretrizes, e poucos se sentem confortáveis em aplicá-las na prática.
Entre os profissionais que implementaram algum critério de sucesso da WCAG
2.2, a grande maioria restringiu-se aos requisitos do nível A, que representam o patamar mais
básico de acessibilidade. Critérios como "Nome, Função e Valor", "Características Sensoriais"e
"Legendas (pré-gravadas)"foram os mais mencionados. No entanto, critérios mais avançados,
como aqueles pertencentes ao nível AA, tiveram uma adoção significativamente menor, eviden-
ciando que as empresas ainda não priorizam a conformidade com padrões mais rigorosos de
acessibilidade digital.
A falta de diretrizes internas e de um compromisso organizacional estruturado
contribui para esse cenário. Sem incentivos para a implementação das WCAG 2.2, as empresas
tendem a adotar apenas requisitos mínimos ou tratar a acessibilidade de forma esporádica. Esse
fator reforça a necessidade de capacitação e conscientização dentro das organizações para que a
acessibilidade seja incorporada de maneira mais ampla e consistente.
6.2 Recomendações
A implementação de acessibilidade digital deve começar pela criação de políticas
e diretrizes internas nas empresas. Estabelecer normas claras que orientem o desenvolvimento
de software conforme os padrões de acessibilidade, como as WCAG 2.2, pode garantir que as
práticas acessíveis sejam aplicadas de forma consistente. Essas diretrizes devem ser incorporadas
aos processos de design, desenvolvimento e testes, tornando a acessibilidade um requisito
essencial e não apenas um diferencial opcional.
Além disso, é fundamental investir na capacitação dos profissionais por meio de
programas de treinamento interno. Esses treinamentos devem abordar desde conceitos básicos
de acessibilidade até a utilização de ferramentas automatizadas de avaliação e tecnologias
61
assistivas. Ao capacitar desenvolvedores, designers e gestores, as empresas promovem uma
cultura organizacional mais inclusiva, aumentando a qualidade dos produtos desenvolvidos e
melhorando a experiência dos usuários com deficiência.
Os profissionais também devem buscar ativamente atualizar seus conhecimentos
sobre acessibilidade digital. A adoção de boas práticas desde o início do projeto facilita a
implementação e reduz custos de adaptação em fases posteriores. Participar de cursos, ler
materiais técnicos e acompanhar as atualizações das diretrizes internacionais são estratégias
essenciais para que a acessibilidade seja integrada de forma natural ao fluxo de trabalho.
Outro aspecto importante é a realização de testes com usuários reais que utilizam
tecnologias assistivas. Muitas barreiras de acessibilidade podem ser identificadas por meio da
interação prática com o sistema. A incorporação de feedback de usuários com deficiência pode
ajudar a validar soluções implementadas, garantindo que elas realmente atendam às necessidades
do público-alvo.
As empresas também devem incentivar o uso de ferramentas automatizadas para
auditoria de acessibilidade. Softwares como WAVE, Axe e Lighthouse permitem identificar
problemas técnicos em interfaces digitais, agilizando correções antes da entrega do produto.
Essas ferramentas, quando utilizadas em conjunto com testes manuais, contribuem para um
processo mais eficiente de validação da acessibilidade.
Assim, com uma maior adoção dessas práticas, o processo de desenvolvimento de
software estará mais voltado a software acessível, garantindo que aplicações digitais atendam a
um público mais amplo. Isso não apenas melhora a experiência dos usuários com deficiência,
mas também contribui para a criação de produtos mais usáveis e inclusivos para todos. Além
disso, a conformidade com diretrizes de acessibilidade pode reduzir riscos legais, ampliar a base
de clientes e fortalecer a reputação das empresas no mercado digital.
62
7 LIMITAÇÕES E AMEAÇAS À VALIDADE
A pesquisa apresenta algumas limitações que podem impactar a generalização dos
resultados. A base de dados coletada, composta por 102 participantes, é pequena em comparação
ao número total de desenvolvedores de software no Brasil. Uma amostra mais ampla poderia
fornecer uma visão mais representativa sobre o nível de adoção e compreensão das práticas de
acessibilidade digital no país.
Outro fator limitante foi a distribuição da experiência profissional entre os respon-
dentes. A pesquisa contou com um número reduzido de desenvolvedores com longo tempo
de atuação no mercado de tecnologia. Esse desequilíbrio pode comprometer a análise sobre a
relação entre tempo de experiência e a implementação de práticas acessíveis, sub-representando
perspectivas mais aprofundadas sobre o tema.
Além disso, algumas respostas abertas apresentaram pouca profundidade ou foram
deixadas em branco pelos participantes. Isso limitou a extração de insights qualitativos mais
detalhados, dificultando uma análise mais aprofundada dos desafios enfrentados pelos profissio-
nais no que diz respeito à acessibilidade digital. A qualidade variável dessas respostas pode ter
influenciado a riqueza dos dados coletados.
A pesquisa também está sujeita a viés de resposta, uma vez que a participação foi
voluntária e realizada por meio de redes sociais. Dessa forma, existe a possibilidade de que os
participantes sejam predominantemente profissionais engajados com o tema, o que pode afetar
a diversidade das perspectivas obtidas. Esse viés pode gerar uma visão mais otimista ou limitada
da realidade do mercado.
Outro ponto de atenção é a falta de controle sobre o contexto em que os participantes
responderam ao questionário. Como o preenchimento ocorreu em diferentes momentos e
ambientes, fatores externos podem ter influenciado a atenção e a qualidade das respostas. Além
disso, por se tratar de uma pesquisa baseada em autodeclaração, existe o risco de discrepâncias
entre a percepção do participante e sua real prática no dia a dia.
Apesar dessas limitações, os resultados fornecem contribuições relevantes para a
compreensão da acessibilidade digital no desenvolvimento de software web. As informações
coletadas podem servir como base para estudos futuros, incentivando investigações mais amplas
que abordem esse tema de forma aprofundada e com amostras mais representativas.
63
8 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS
Um dos principais achados foi a baixa familiaridade dos profissionais com as diretri-
zes de acessibilidade, especialmente as WCAG 2.2. A maioria dos participantes relatou ter um
conhecimento superficial ou não conhecer essas diretrizes, o que reflete diretamente na baixa
adoção de práticas acessíveis nos projetos. Mesmo entre aqueles que implementaram algum
critério de acessibilidade, predominam os requisitos de nível A, enquanto os critérios de nível
AA que demandam um grau mais avançado de adequação são aplicados em menor escala.
Outro ponto relevante é que a acessibilidade ainda é vista como um custo ou um
desafio adicional, com muitos participantes afirmando que práticas acessíveis impactam o tempo
e o custo do desenvolvimento. Além disso, a falta de capacitação e diretrizes internas estruturadas
dificulta a integração dessas práticas nos fluxos de trabalho das empresas. O desconhecimento
sobre as legislações vigentes também reforça a ideia de que a acessibilidade digital ainda não é
tratada como uma prioridade no setor de tecnologia.
Apesar dessas barreiras, os resultados também indicam o reconhecimento dos bene-
fícios da acessibilidade para os usuários e para os negócios. Muitos participantes concordam
que a implementação de acessibilidade pode impactar positivamente a experiência do usuário,
a retenção de clientes e o alcance de novos públicos. No entanto, esse reconhecimento nem
sempre se traduz em ações concretas, evidenciando a necessidade de maior conscientização e
capacitação sobre o tema.
Diante desse cenário, algumas recomendações e sugestões podem ser feitas para
ampliar a adoção da acessibilidade digital. Em primeiro lugar, é fundamental que as empresas
invistam na capacitação contínua de suas equipes, oferecendo treinamentos específicos para
desenvolvedores, designers e gestores. Isso ajudará a reduzir a falta de conhecimento técnico e
garantirá que a acessibilidade seja integrada desde as primeiras fases dos projetos.
Além disso, a criação e reforço de diretrizes internas pode contribuir para uma
implementação mais estruturada, facilitando a adoção de boas práticas e garantindo que a
acessibilidade seja parte do fluxo de trabalho. Outro aspecto relevante é a adoção de ferramentas
e automação para avaliação de acessibilidade, o que pode auxiliar na identificação e correção de
problemas de forma eficiente, tornando o processo mais acessível e menos custoso.
A realização de testes de usabilidade com usuários reais, especialmente pessoas com
deficiência, também se mostra uma estratégia essencial para validar as soluções desenvolvidas.
Isso garante que os produtos atendam às necessidades de todos os usuários e não apenas sigam
64
diretrizes de maneira teórica. Além disso, incorporar o feedback contínuo desses usuários pode
aprimorar a experiência final.
Por fim, é importante que as organizações integrem a acessibilidade em sua cultura,
promovendo discussões internas e iniciativas que sensibilizem as equipes sobre o impacto
positivo dessas práticas. Reduzir resistências e incentivar uma abordagem mais inclusiva não
apenas melhora a acessibilidade, mas também fortalece a reputação da empresa e amplia seu
público.
A pesquisa reforça que, apesar dos desafios, a acessibilidade digital é um fator
essencial para tornar a web mais inclusiva e funcional para todos os usuários. No entanto, para
que sua adoção seja efetiva, é necessário um esforço conjunto entre profissionais, empresas e a
comunidade de tecnologia. A acessibilidade não deve ser tratada como um requisito opcional,
mas como um princípio fundamental do desenvolvimento de produtos e serviços digitais.
A pesquisa realizada forneceu um panorama inicial sobre a adoção da acessibilidade
na web por profissionais de TI. No entanto, futuras investigações podem ampliar essa análise
ao considerar uma amostra maior e mais diversificada. A inclusão de um número maior de res-
pondentes, abrangendo diferentes segmentos da tecnologia, como desenvolvedores de software,
designers de UX/UI e especialistas em qualidade, permitiria uma visão mais abrangente sobre a
implementação das diretrizes de acessibilidade no setor.
A coleta de dados em diferentes países ou regiões pode revelar variações culturais e
institucionais que influenciam a adoção da acessibilidade digital. A comparação entre práticas
em distintos contextos ajudaria a identificar fatores que facilitam ou dificultam a implementação
dessas diretrizes. Assim, seria possível compreender melhor as influências regionais e desenvol-
ver estratégias mais eficazes para sua adoção. Para ampliar o alcance da pesquisa, o formulário
será futuramente disponibilizado em inglês.
Outro aspecto relevante para pesquisas futuras é a efetividade de treinamentos e
capacitações sobre acessibilidade para profissionais de TI. A avaliação do impacto de cursos,
workshops e certificações pode fornecer evidências sobre quais estratégias são mais eficientes
para aumentar a conscientização e o conhecimento técnico sobre o tema. Com isso, seria possível
entender quais formatos de capacitação geram maior impacto na adoção das diretrizes WCAG
2.2.
A análise de como a implementação de políticas organizacionais e diretrizes internas
impactam a adoção dessas práticas também é uma vertente promissora para pesquisa. Estudos
65
podem investigar como empresas que adotam diretrizes claras de acessibilidade se diferenciam
em termos de usabilidade, conformidade legal e inclusão digital. Essas análises ajudariam a
destacar os benefícios de políticas bem estruturadas, incentivando outras organizações a seguir
esse caminho.
66
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