Importante notar que semelhanças aparecem entre o arco do personagem
Fitzgerald na série e a história pessoal do roteirista e showrunner Andrew Sodroski. Na
entrevista para nossa pesquisa, ele relembrou de sua própria experiência com o tráfico
em Los Angeles. Nos primeiros minutos de sua fala, relatou como e o porquê de ter
participado da produção da série. O roteirista apontou que, logo de início, não pretendia
estar envolvido na série pois não gostaria de trabalhar com televisão e não achava que
uma história sobre o Unabomber, um terrorista dos anos noventa, iria atrair interesse do
público. No entanto, enquanto esperava um executivo da série, para uma reunião em que
seria revelada sua posição final, teve um momento de catarse. Relembrou momentos de
sua infância e de ter lido o manifesto de Kaczynski logo quando publicado. Esse momento
o fez hesitar e tomar mais tempo para refletir sobre sua participação no projeto.
Alguns dias depois, após conseguir uma cópia do manifesto, encontrou naquelas
páginas as raízes sobre descontentamento de morar em uma megalópole. Naquela
época, vivendo em Los Angeles, relembrou, logo após a leitura “Ah, sim! É por causa
disso”, continuou a dizer “eu realmente estava me sentindo preso pelo sistema de
Hollywood e por estar nessa cidade”. Sodroski reiterou: “Uau, é por causa disso que eu
fico com tanta raiva quando estou esperando no semáforo vermelho, a cidade é
construída para o sistema e não para mim como pessoa”. Esse foi o momento em que
teve uma lembrança pessoal, e ao reler o manifesto, Sodroski decidiu participar de
Manhunt: Unabomber.
Lembro-me da publicação do Manifesto, lembro-me de ter lido o manifesto
quando eu estava na sexta série ou algo assim e naquela hora pensar “ok, isso
é muito legal, esse cara pode ter alguma razão”. Ao mesmo tempo, lembrei-me
de quando eu era criança, minha avó costumava enviar pacotes para nossa casa
pelo correio, ela enviava cookies ou outras coisas, mas ela os embrulhava
exatamente como o pacote do Unabomber. Ela, não sei por que, [embrulhava o
pacote] com o papel pardo e toda essa fita maluca e o barbante. Meu pai era um
cientista e quando o pacote chegava eu sempre tinha essa sensação “nossa,
espera aí, eu sei que é da vovó, mas pode ser... pode ser... dele” e então. De
qualquer forma, eu estou sentado nesta sala de espera e lembrando de todas
essas coisas. E eu penso, bem, talvez haja algo, talvez tenha [aqui] uma série.
Então, alguns dias depois, recebi uma cópia do manifesto e pensei, não vou fazer
a série, só vou ler o manifesto e relembrar. Então, li o manifesto e “ooh, sim!!! É
por isso!! [...]”