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burguesa,porummomentodefalsidade,quesedesenvolveuporúltimona
liquidaçãosocialdaarte.Beethoven,mortalmenteenfermo,quelançalongede
siumromancedeWalterScottexclamando:"Esteescrevepordinheiro!",eque,
aomesmotempo,usufruidavendadosúltimosquartetos—supremarecusado
mercado—revela‐seumhomemdenegócios,aindaqueteimosoenada
esperto,oferecendooexemplomaisgrandiosodaunidadedosopostos
(mercadoeautonomia)naarteburguesa.Vítimasdaideologiasãoaquelesque
ocultamacontradição,emvezdeacolhê‐la,comoBeethoven,naconsciênciada
própriaprodução.Emmúsica,elerefezacólerapelosoldoperdidoededuziu
aquelemetafísico"Assimdeveser",queprocurasuperaresteticamente—
assumindo‐aemsimesmo—anecessidadedomundo,anecessidadedepagar
mensalmenteoaluguel.Oprincípiodaestéticaidealista,afinalidadesemfim,é
ainversãodoesquemaaqueobedece—socialmente—aarteburguesa:
inutilidadeparaosfinsestabelecidospelomercado.Porfim,nademandade
divertimentoedissensão,afinalidadedevorouoreinodainutilidade.Mascomo
ainstânciadautilizabilidadedaartesetornatotal,começaasedelinearuma
variaçãonaíntimaestruturaeconômicadasmercadoriasculturais.Oútilqueos
homensseprometemnasociedadedeconflito,pormeiodaobradearte,é
exatamente,emlargamedida,aexistênciadoinútil:que,entretanto,éliquidado
noatodesersubjugadoporinteiroaoprincípiodautilidade.Adequando‐sepor
completoanecessidade,aobradearteprivaporantecipaçãooshomensdaquilo
queeladeveriaprocurar:liberá‐losdoprincípiodautilidade.Aquiloquese
poderiachamarovalordeusonarecepçãodosbensculturaisésubstituídopelo
valordetroca,emlugardoprazerestéticopenetraaidéiadetomarparteeestar
emdia;emlugardacompreensão,ganha‐seprestígio.Oconsumidortorna‐seo
álibidaindústriadedivertimento,acuiasinstituiçõeselenãosepodesubtrair.
PrecisatervistoMrs.Minniver,comoprecisateremcasaasrevistasLifeeTime.
Tudoépercebidoapenassoboaspectoquepodeserviraqualqueroutracoisa,
pormaisvagaquepossaseraidéiadessaoutra.Tudotemvalorsomente
enquantopodesertrocado,nãoenquantoéalgumacoisadeperse.Ovalorde
usodaarte,oseuser,éparaosconsumidoresumfetiche,asuavaloraçãosocial,
queelestomampelaescalaobjetivadasobras,torna‐seoseuúnicovalorde
uso,aúnicaqualidadedequeusufruem.Assimocaráterdemercadoriadaarte
sedissolvenopróprioatodeserealizarintegralmente.Elaéumtipode
mercadoria,preparado,inserido,assimiladoàproduçãoindustrial,adquirívele
fungível,masogênerodemercadoriaarte,queviviadofatodeservendida,e
de,entretanto,serinvendável,torna‐se—hipocritamente—oabsolutamente
invendávelquandoolucronãoémaissóasuaintenção,masoseuprincípio
exclusivo.AexecuçãodeToscanininorádioé,decertomodo,invendável.
Escuta‐se‐lhedegraça,eacadapassagemdasinfoniasejunta,porassimdizer,a