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POLICY PAPER
TRANSFORMAÇÃO
DIGITAL
CRESCIMENTO INCLUSIVO PARA
UM FUTURO SUSTENTÁVEL
TRANSFORMAÇÃO
DIGITAL
POLICY PAPER
LIDERANÇA B20 BRASIL
Dan Ioschpe
Chair B20
Antonio Ricardo Alvarez Alban
Presidente do Conselho Consultivo
Presidente da Confederação Nacional da Indústria
Constanza Negri Biasutti
B20 Sherpa
POLICY PAPER
TRANSFORMAÇÃO
DIGITAL
CRESCIMENTO INCLUSIVO PARA
UM FUTURO SUSTENTÁVEL
© 2024. B20 Brasil
Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte.
Secretariado B20 Brasil
CNI
Gerência de Comércio e Integração Internacional – GCII
B20 Brasil
Setor Bancário Norte
Quadra 1 – Bloco C
Edifício Roberto Simonsen
70040-903 – Brasília – DF
b20brazil@cni.com.br
FICHA CATALOGRÁFICA
B364t
B20 Brasil.
Transformação digital : policy paper / B20. – Brasília : B20, 2024.
91 p. : il.
1.Economia Global 2. Crescimento Econômico 3. Sustentabilidade I. Título
CDU: 330.34
SUMÁRIO
PREFÁCIO DO CHAIR DA FORÇA-TAREFA 6
PREFÁCIO DOS CO-CHAIRS DA FORÇA-TAREFA 8
RECOMENDAÇÕES: SUMÁRIO EXECUTIVO 12
INTRODUÇÃO 14
RECOMENDAÇÃO 1 18
RECOMENDAÇÃO 2 46
RECOMENDAÇÃO 3 64
ANEXO A – ODS 77
ANEXO B – PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO B20 BRASIL 79
ANEXO C – PRIORIDADES DO B20 BRASIL 81
ANEXO D – COMPOSIÇÃO E REUNIÕES DA FORÇA-TAREFA 82
ANEXO E – PARCEIROS 91
PREFÁCIO DO CHAIR
DA FORÇA-TAREFA
Entre os progressos mais notáveis da humanidade destacam-se as soluções tecnológicas que impli-
cam benefícios diretos na qualidade e expectativa de vida das pessoas, como aquelas que permitiram
acesso econômico à alimentação, saúde e higiene, moradia digna e lazer.
Nosso planeta, ao mesmo tempo em que sinaliza um esgotamento dos recursos exploráveis, abriga
uma população crescente e um grupo relevante de pessoas que não possui acesso a elementos
essenciais e a uma vida minimamente digna.
Não há outra forma de solucionar este complicado paradigma a não ser com signicativo aumento de
eciência na utilização de recursos, igualdade na geração de oportunidades e eliminação de gargalos
no processo de desenvolvimento com utilização de novas tecnologias, sobretudo, com o aproveita-
mento de todo o potencial da Transformação Digital.
Muitas vezes tratada como algo paralelo ao mundo físico, a Transformação Digital é, na verdade, uma
parte indissociável e fundamental para solução dos desaos da humanidade, como acesso à infraes-
trutura básica, moradia digna e alimentos.
Este fenômeno não está relacionado apenas à tecnologia em si. Trata-se de uma transformação que
denirá nosso futuro como sociedade.
As tecnologias digitais permitiram que os negócios e a sociedade continuassem a funcionar mesmo
durante os lockdowns da pandemia, ajudando as empresas a sobreviverem, as pessoas vulneráveis a
acessar os cuidados à saúde e as crianças a continuarem aprendendo.
Por outro lado, a pandemia expôs e exacerbou a desigualdade digital e as lacunas que ainda existem
no acesso digital.
Trabalhamos o presente documento sob a premissa de que a Transformação Digital deve ser colo-
cada a serviços das pessoas e no enfrentamento dos desaos atuais. Denimos possíveis caminhos e
aprofundamos em prioridades que geraram recomendações de políticas públicas que, ao nosso ver,
estimularão um progresso ético e um acesso mais equânime aos benefícios da tecnologia.
Neste documento, resultado de um trabalho coletivo, colaborativo e diverso, apresentamos dire-
cionais para uma jornada de mudanças do nosso presente, elaborados por líderes empresariais
na vanguarda da transformação digital, propondo estratégias para garantir uma transformação
digital equitativa.
6 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
O mundo físico e o mundo digital são os mesmos, em que os benefícios das novas tecnologias digitais
são necessários para a constrão de um futuro inclusivo e sustentável.
Pelo propósito do B20, este documento visa inuenciar a relação entre o setor produtivo e os gover-
nos do G20. Contudo, nem por isso nos abstivemos da responsabilidade de sensibilizar também os
demais grupos que podem, a partir do seu poder de inuência e tomada de decisão, fazer da Trans-
formação Digital uma alavanca para elevar o bem-estar das populações.
Bola leitura!
Fernando Cestari de Rizzo
Chair da Força-Tarefa de Transformação Digital do B20 Brasil
CEO, Tupy
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 7
PREFÁCIO DOS CO-CHAIRS
DA FORÇA-TAREFA
CO-CHAIRS PREFÁCIO
Darío Werthein
Presidente do Conselho de
Administração, VRIO/
Grupo Werthein
A tecnologia transformou profunda e rapidamente a maneira como
as pessoas vivem, interagem, trabalham, acessam serviços de
saúde, informação, cultura e educação. No entanto, a transforma-
ção digital ainda não benecia grande parte da população mundial
e essa divisão digital representa um obstáculo para o desenvolvi-
mento da plena cidadania.
A Força-Tarefa de Transformação Digital apresenta aos governos
do G20 recomendações signicativas para incluir os indivíduos no
centro da elaboração de políticas, usando a transformação digital
como um vetor de crescimento inclusivo e bem-estar para grupos
marginalizados, especialmente em áreas remotas. Para promover
uma conectividade universal e signicativa e colher os benefícios
da economia digital, há uma necessidade urgente de garantir uma
regulamentação equilibrada e moderna, incentivando iniciativas
privadas e públicas e esforços focados nesse objetivo.
Além disso, estamos orgulhosos de recomendar medidas de apoio
direto às pessoas menos favorecidas e de apresentar o conceito de
“Edutainment” como uma forma de usar os meios disponíveis para
incluir mais crianças no processo educacional.
Fábio Coelho
Presidente, Google Brasil
No Brasil, temos testemunhado diariamente o poder transformador
da tecnologia e da inteligência articial (IA) na melhoria das vidas
e no fomento ao crescimento econômico. Estamos profundamente
animados com o potencial da IA de criar um futuro mais inclusivo
e próspero. A dedicação de longa data do B20 em promover a
transformação digital está alinhada com essa visão, fornecendo um
valioso quadro para colaboração e progresso entre governos, setor
privado e sociedade civil.
Esta é a primeira vez que a Força-Tarefa de Transformação Digital
nas discussões do B20 seleciona a IA como um dos principais pilares
de seu trabalho. Acreditamos que, para aproveitar todo o potencial
dessa tecnologia, os países precisam investir em infraestrutura de
IA, equipar sua força de trabalho com as habilidades do futuro e
democratizar o acesso à IA. Ao abraçar esses princípios, capturare-
mos todo o potencial da IA para impulsionar a inovação, criar opor-
tunidades econômicas e enfrentar alguns dos desaos mais urgen-
tes da nossa sociedade, tornando-se Corredores Digitais.
Ao continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento em IA e
fomentar uma cultura de colaboração e regulação que promova a
inovação, seremos capazes de assegurar que países e outros mer-
cados emergentes estejam na vanguarda da transformação digital
global. Estamos conantes de que este é o caminho a seguir para
construir um mundo no qual a tecnologia sirva como um catalisador
para o progresso e a prosperidade.
8 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
CO-CHAIRS PREFÁCIO
Fariba Wells
Vice Presidente, Kyndryl
A transformação digital promete oportunidades sem preceden-
tes para melhorar todas as partes da sociedade, de indivíduos
a empresas e governos. Entretanto, para maximizar os benefí-
cios e mitigar os desaos, a promoção da conança, resiliên-
cia e equidade deve estar no centro do progresso. Com este
Policy Paper, a Força-Tarefa de Transformação Digital do B20
apresenta sua visão coletiva e recomendações sobre importan-
tes questões incluindo cibersegurança e resiliência, adoção
responsável de IA, capacitação digital – para garantir que apro-
veitemos todo o potencial da transformação digital e possamos
trabalhar juntos em direção a um futuro inclusivo, sustentável e
acessível para todos.
Kate Purchase
Diretora Sênior de
Governança Internacional
de IA, Microsoft
Estamos em um importante ponto de inexão, no qual a promessa
de rápida transformação digital pode desbloquear oportunidades
transformadoras para nossa sociedade, mas apenas se esse pro-
gresso for inclusivo e compartilhado globalmente. O relatório da
Força-Tarefa do B20 sobre Transformação Digital aborda as ques-
tões críticas que os formuladores de políticas e líderes empresa-
riais precisam considerar para aproveitar totalmente esse enorme
potencial. Seja abordando a conectividade universal, harmoni-
zando padrões de cibersegurança e proteção de dados ou forta-
lecendo a colaboração internacional no desenvolvimento e imple-
mentação responsáveis de IA, o relatório demonstra que temos as
ferramentas e a vontade coletiva para obter sucesso. Ele fornece
um caminho claro para avançar na construção da conança em
nossas tecnologias e instituições, viabilizando que o progresso
seja compartilhado igualmente.
K Krithivasan
CEO & Diretor Executivo,
Tata Consultancy Services
A evolução digital está transformando a sociedade, as empresas
e o ambiente em um ritmo acelerado. Neste mundo ágil, é fun-
damental que a mudança seja inclusiva e benéca para a socie-
dade. A Força-Tarefa de Transformação Digital do B20 se desta-
cou como a principal voz na denição de políticas críticas para a
evolução digital. Cada um dos pilares – conectividade universal,
sistemas cibernéticos resilientes e conáveis, habilidades digitais
e preparação das micro, pequenas e médias empresas para acele-
rar a capacidade digital são relevantes e signicativos. Estamos
entusiasmados em ver o compromisso da força-tarefa em capturar
todo o potencial da economia digital, impulsionar a inovação e
promover o crescimento sustentável.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 9
CO-CHAIRS PREFÁCIO
Michael Miebach
CEO, Mastercard
Para capturar todo o potencial do futuro digital, todos precisam
estar envolvidos. Esse princípio deve estar no centro dos nossos
esforços de transformação digital. Para os líderes em um mundo
digital por padrão, é a estrela guia. Porém, não chegaremos aonde
precisamos sem abordar as principais barreiras que nos impedem.
Com este relatório, a Força-Tarefa do B20 sobre Transformação
Digital oferece um mapa claro para os formuladores de políticas
e líderes empresariais em todo o mundo. Ao aumentar o acesso
digital e investir em infraestrutura de tecnologia da informação e
comunicação, desenvolver habilidades das pessoas para navegar
em sistemas digitais e construir conança nas tecnologias vitais,
podemos endereçar a exclusão digital e criar ecossistemas digi-
tais inclusivos, resilientes e inovadores. Trabalhando juntos, pode-
mos proporcionar um futuro digital melhor que ofereça mais opor-
tunidades para todos.
Pablo R. Fava
CEO, Siemens Brasil
O desenvolvimento justo das sociedades tem sido um grande
desao para a humanidade e a desigualdade tem acelerado nas
últimas décadas. Nesse contexto, a transformação digital pode ser
tanto um motor para aumentar ainda mais essa lacuna quanto uma
ferramenta poderosa para a inclusão. Portanto, a transformação
digital é um imperativo estratégico para as nações como motor de
criação de valor sustentável, progresso econômico e desenvolvi-
mento e inclusão social. Aumentar a eciência e sustentabilidade
das indústrias, melhorar a infraestrutura crítica e a prestação de
serviços públicos, impulsionando a inovação, tudo isso fomenta
novas oportunidades de emprego e a necessidade de qualicação
de talentos. Neste documento, destacamos os temas de ciberse-
gurança e inteligência articial generativa (GenAI) como, respec-
tivamente, o principal desao e o maior potencial disruptivo da
transformação digital. Estamos orgulhosos dos resultados da for-
ça-tarefa, como nossa contribuição para repensar e construir igual-
dade e segurança para as futuras gerações.
10 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
CO-CHAIRS PREFÁCIO
Rodrigo Dienstmann
Presidente, LATAM South
Ericsson Group
Por quase 150 anos, a Ericsson tem sido uma peça-chave na evo-
lução das telecomunicações, desde os primeiros dias da telefonia
até o desenvolvimento das redes 5G. Nosso objetivo é trabalhar
em propostas práticas para impulsionar mudanças signicativas e
criar um futuro digital mais inclusivo e sustentável para o planeta.
Mais de um terço da população mundial ainda não tem acesso à
internet, apesar da rápida digitalização da sociedade. Essa parcela
do planeta está excluída do potencial digital de educação, saúde,
serviços nanceiros e serviços governamentais.
Ainda há muito a ser feito, e precisamos de um programa de trans-
formação digital que não apenas espalhe infraestrutura e redes de
alto desempenho, mas também aborde as barreiras econômicas
que impedem o acesso a serviços digitais para populações mal
atendidas. Acreditamos que a parceria entre governos e o setor
privado é essencial para isso.
Juntos, podemos pavimentar o caminho para o próximo salto em
digitalização e inovação, garantindo que ninguém seja deixado
para trás.
Rebecca Enonchong
Fundadora & CEO,
AppsTech
À medida que as tecnologias digitais remodelam nosso mundo,
é vital que essa transformação benecie a todos. O documento de
política do grupo de trabalho do B20 sobre transformação digital
oferece um caminho para a inclusão, resiliência e conança, abor-
dando questões como conectividade, habilidades digitais, segu-
rança cibernética e IA responsável. A inovação é universal e pode
surgir de qualquer lugar – não apenas adaptando soluções de
países mais avançados, mas também aproveitando o potencial do
mundo em desenvolvimento. Devemos nos concentrar em tornar
as conexões de internet disponíveis, conáveis e acessíveis para
promover a equidade, garantindo que a tecnologia sirva a todos.
Vamos moldar juntos a tecnologia que aspiramos ter.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 11
RECOMENDAÇÕES:
SUMÁRIO EXECUTIVO
Surio Executivo
Recomendação 1: Atingir conectividade universal de indivíduos e empresas por meio de
regulamentações modernas e parcerias público-privadas que permitam a expansão de
infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação (TIC ou ICT, Information and
Communication Technology, na sigla em inglês) acessível e resiliente e enderecem as dis-
paridades de uso entre regiões.
Policy Action 1.1: Acelerar a expansão e o uso da infraestrutura de tecnologia da informação e
comunicão (TIC ou ICT, Information and Communication Technology, na sigla em inglês) por
meio de modernização regulatória e parcerias público-privadas (PPPs) que incentivem investi-
mento, colaboração e competição justa, como modelos de licenciamento que favoreçam com-
promissos com a expansão da infraestrutura, Fundos de Universalizão dos Serviços de Teleco-
municões (FUST ou USFs, Universal Service Funds, na sigla em inglês) otimizados e iniciativas
de apoio à demanda (ex.: conectividade nanciada pelo governo para serviços essenciais).
Policy Action 1.2: Reduzir a disparidade de habilidades digitais entre níveis e grupos demo-
grácos para promover o desenvolvimento de uma população digitalmente alfabetizada,
assim como uma força de trabalho e empreendedores preparados para o mundo digital e
capazes de utilizar tecnologias digitais com conança, apoiar a transformação dos negócios
e se adaptar a disrupções tecnológicas.
Policy Action 1.3: Promover a transformação digital de Micro, Pequenas e Médias Empresas
(MPMEs ou MSMEs, Micro, Small and Medium Enteprises, na sigla em inglês) por meio de
acesso a nanciamento adequado, ambiente regulatório favorável e apoio especializado.
Recomendação 2: Proteger indivíduos e organizações e promover conança digital acele-
rando inovação e desenvolvimento por meio da harmonização de padrões de cibersegu-
raa e proteção de dados, coordenão da ação internacional de cibersegurança e apoio
ao Fluxo Livre de Dados com Conança (DFFT, Data Free Flow with Trust).
Policy Action 2.1: Fomentar cooperação multilateral para melhoria da ação cibernética
internacional – da prevenção, identicão e contenção de incidentes à investigação e ão
legal – alavancando padrões harmonizados de cibersegurança e resiliência cibernética.
Policy Action 2.2: Avançar no desenvolvimento do Fluxo Livre de Dados com Conança
partindo das denições existentes e adaptando a abordagem aos membros do G20 a m
de possibilitar inovação, crescimento econômico e bem-estar social e aumentar a conança
em escala global.
Recomendação 3: Explorar de maneira responsável o potencial transformador da inteligên-
cia articial (IA), apoiando seu desenvolvimento e adoção, bem como colaborando para
alcançar uma ambição compartilhada e princípios comuns de ética, sustentabilidade, segu-
rança e inclusão.
Policy Action 3.1: Fortalecer a colaboração internacional e escalar frameworks pró-inova-
ção baseados em gestão de risco para o desenvolvimento, implementão e governaa
responsáveis da IA, com a nalidade de acompanhar a evolução rápida da tecnologia e do
cenário regulatório.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 13
INTRODUÇÃO
Introdução
Transformação Digital: Impulsionando o desenvolvimento econômico,
promovendo a inclusão social e combatendo desaos globais
O mundo está vivenciando um período de intenso desenvolvimento tecnológico. Novos avanços
eso surgindo em um ritmo cada vez mais acelerado, permeando todos os aspectos da sociedade e
ampliando os limites do que é possível. A tecnologia digital mudou fundamentalmente a forma como
as pessoas vivem, trabalham e interagem umas com as outras e com o ambiente, e essa tendência es
prestes a acelerar nos próximos anos. Aproximadamente 67% da população mundial, ou 5,4 bilhões
de pessoas, eso agora online em comparão com 35% em 20131 e o valor total do mercado de
tecnologia de ponta – de IA e Internet das Coisas (IoT) a nanotecnologia e biocombustíveis – deve
crescer seis vezes, passando de US$ 1,5 trilhão em 2020 para US$ 9,5 trilhões em 20302.
Apesar do ritmo acelerado do avanço tecnológico, grande parte da população mundial ainda sofre
com questões críticas do mundo real. O acesso universal a recursos e serviços essenciais está longe
de ser alcançado e o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
das Nações Unidas tem sido insuciente ou negativo em 85% das metas. Atualmente, 735 milhões
de pessoas enfrentam a fome crônica3 e quase 60% da população global não está coberta por servi-
ços de saúde essenciais4. Se as tendências globais persistirem, 300 milhões de estudantes não terão
habilidades básicas de alfabetização e matemática e o mundo ultrapassará um aquecimento global
de 1,5°C até 20355.
Nesse contexto, a tecnologia digital é uma ferramenta para encarar esses desaos globais. Tecno-
logia agrícola e plataformas digitais, por exemplo, ajudam a enfrentar a fome crônica e a melhorar
as condições de pequenos agricultores por meio do aumento da prodão de alimentos, queda do
desperdício na cadeia de abastecimento e conexão de produtores e consumidores; serviços de tele-
medicina melhoram o acesso à saúde ao possibilitar consultas e diagnósticos remotos; plataformas
de aprendizado online reduzem as lacunas educacionais ao levar educação de qualidade a estudantes
em áreas carentes e possibilitar a atualização e requalicação da força de trabalho; tecnologias de
energia renovável e redes inteligentes habilitadas por IoT diminuem as emissões de carbono e ajudam
a mitigar o impacto das mudanças climáticas. A transformação digital não é o objetivo nal, mas o
conjunto de ferramentas facilitará o avanço do bem-estar humano.
Inclusão digital: o primeiro passo para uma transformação signicativa
de pessoas e empresas
Sem uma conectividade universal, populações marginalizadas o podem se beneciar plenamente
do desenvolvimento tecnológico e, apesar do progresso signicativo nos últimos anos, 2,6 bilhões de
pessoas (ou 33% da população global) ainda eso desconectadas. As barreiras à conectividade não
se limitam à cobertura de banda larga, pois fatores como acessibilidade, habilidade e conança digital
também contribuem para o que é conhecido como “lacuna de uso(usage gap).
1 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Measuring digital development: facts and gures 2023. Disponível em: https://www.itu.int/
en/ITU-D/Statistics/Pages/facts/default.aspx. Acesso em: 28 aug. 2024.
2 UN TRADE AND DEVELOPMENT - UNCTAD. Technology and innovation report 2023. Disponível em: https://unctad.org/tir2023. Acesso em: 28 aug. 2024.
3 UNITED NATIONS. The sustainable development goals report 2023: special edition. 2023. Disponível em: https://unstats.un.org/sdgs/report/2023/.
Acesso em: 28 aug. 2024.
4 WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO; THE WORLD BANK. Tracking universal health coverage: 2023 global monitoring report. 2023. Disponível
em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240080379. Acesso em: 28 aug. 2024.
5 UNITED NATIONS. The sustainable development goals report 2023: special edition. 2023. Disponível em: https://unstats.un.org/sdgs/report/2023/.
Acesso em: 28 aug. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 15
O panorama da exclusão digital é heterogêneo. As lacunas de conectividade existem não apenas
entre países com até 73% da população estando ofine nos Países Menos Desenvolvidos6 – mas tam-
bém dentro de cada país. As disparidades entre áreas urbanas e rurais (urban-rural divide), lacunas de
idade (age gaps) e lacunas de gênero (gender gaps) são exemplos que requerem ações direcionadas.
Além disso, lacunas digitais (digital gaps) não são exclusivas de indivíduos, uma vez que empresas de
certos segmentos também costumam apresentar atrasos na adão de tecnologia digital, em fuão
de fatores como tamanho, indústria e localização. Nesse contexto, as barreiras à digitalização das
Micro, Pequenas e Médias Empresas se destacam como um desao-chave a ser enfrentado.
Apesar de desempenharem um papel-chave na economia e no mercado de trabalho global, repre-
sentando mais de 90% das empresas e mais de 50% do emprego em todo o mundo, as MSMEs geral-
mente cam atrás na adoção de tecnologia digital quando comparadas às grandes empresas. Isso faz
com que elas percam oportunidades relevantes, como maior participação em mercados regionais,
nacionais ou globais e maior acesso ao capital e crédito necessário para crescer7 (7).
Conança digital: equilibrando segurança e inovação
em um mundo digital
Nos últimos anos, a cibersegurança e a conança se tornaram preocupações importantes para indi-
víduos, empresas e governos em todo o mundo e agora são consideradas pré-requisitos para uma
transformação digital bem-sucedida. Embora a adoção de tecnologia e a crescente dependência de
redes interconectadas tenham proporcionado oportunidades sem precedentes para crescimento e
inovação, também aumentaram o risco de incidentes cibernéticos causarem danos nanceiros, ope-
racionais e reputacionais a organizações e indivíduos.
Os incidentes cibernéticos não se restringem a ataques maliciosos, uma vez que incidentes aciden-
tais também são posveis. No entanto, o dano nanceiro dos ataques ciberticos é substancial.
Estimativas revelam que o cibercrime global deve custar um total de US$ 9,5 trilhões em 2024 e US$
10,5 trilhões até 2025. Se fosse medido como um país, o cibercrime seria a terceira maior economia do
mundo, depois dos Estados Unidos e da China8 (8).
Essas e outras preocupações relacionadas à privacidade estão levando a um aumento nas regulamen-
tações nacionais que restringem o uxo de dados e ampliam os requisitos de localização de dados –
no período de 2009 a 2019, o número de regulamentações de dados em todo o mundo quase dobrou9
(9). Embora essas regulamentações visem a proteger a privacidade e a seguraa, muitas vezes têm
consequências indesejadas. O atual mosaico de regras conitantes gera complexidade e fragmen-
tação, dicultando a inovão. Empresas enfrentam desaos como regulamentações sobrepostas,
denições pouco claras e altos custos de conformidade que não apenas dicultam o desenvolvimento
de novas tecnologias, mas também impedem a adão das já existentes, levando a uma economia
digital segmentada.
6 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Global connectivity report 2022. 2022. Disponível em: https://www.itu.int/hub/publication/d-
ind-global-01-2022/. Acesso em: 28 aug. 2024.
7 BROADBAND COMMISSION FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. Making digital connectivity work for MSMEs. 2023. Disponível em: https://www.
broadbandcommission.org/publication/making-connectivity-work-for-msmes/. Acesso em: 28 aug. 2024.
8 CYBERSECURITY VENTURES. 2023 Ofcial Cybercrime Report. 2023.
9 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
16 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
O imperativo da IA: colaboração global para inovação responsável
À medida que as nações recorrem à tecnologia para enfrentar desaos globais, simplesmente imple-
mentar ferramentas existentes não será suciente. A inovação será a força motriz. Nesse contexto,
a IA tem se destacado como uma solução particularmente promissora. A velocidade de adão e
implementação da IA é incomparável a qualquer outro avanço tecnológico – como demonstrado pelo
nanciamento global de soluções gerativas de IA, que disparou de menos de US$ 50 milhões em 2014
para mais de US$ 10 bilhões em 202310 (10) – e, à medida que evolui em um ritmo sem precedentes,
ela promete revolucionar sociedades e economias com sua capacidade de aumentar a produtividade
e impulsionar a inovão.
Contudo, a exploração dos benefícios da IA requer uma considerão responsável de suas implica-
ções. O surgimento da IA trouxe preocupações novas e complexas sobre responsabilidade, ética,
seguraa, sustentabilidade e proteção, representando um desao signicativo que exige ação cola-
borativa de nações e organizações.
A mobilização global em prol do desenvolvimento e da adão responsáveis da IA já começou –
os Princípios de IA da Organizão para Cooperão e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a reso-
lução das Nações Unidas sobre a IA são alguns exemplos de esforços internacionais recentes.
Um apelo aos setores público e privado
À medida que o setor público lidera esforços nacionais e internacionais para resolver desaos globais,
ele pode – e deve – aproveitar a experiência e a escala do setor privado. Empresas possuem agili-
dade, conhecimento técnico, capacidade de inovação e histórico de desenvolvimento de soluções
que podem ser escaladas e adaptadas a diferentes contextos.
Representando a comunidade empresarial global, a Força-Tarefa de Transformação Digital B20 Brasil
rearma seu compromisso com este esforço colaborativo e compartilha, por meio deste Policy Paper,
três recomendações cada uma construída sobre a anterior de como os membros do G20 podem
promover uma transformação digital inclusiva e signicativa:
Atingir conectividade universal de indivíduos e empresas por meio de regulamentações moder-
nas e parcerias público-privadas que permitam a expansão de infraestrutura de tecnologia da
informação e comunicação (TIC ou ICT, Information and Communication Technology, na sigla
em inglês) acessível e resiliente e enderecem as disparidades de uso entre regiões.
Proteger indivíduos e organizações e promover conança digital acelerando inovação e desen-
volvimento por meio da harmonizão de padrões de ciberseguraa e proteção de dados,
coordenação da ação internacional de cibersegurança e apoio ao Fluxo Livre de Dados com
Conança (DFFT, Data Free Flow with Trust).
Explorar de maneira responsável o potencial transformador da inteligência articial (IA),
apoiando seu desenvolvimento e adoção, bem como colaborando para alcançar uma ambição
compartilhada e princípios comuns de ética, sustentabilidade, segurança e inclusão.
10 CB Insights.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 17
RECOMENDAÇÃO 1
Recomendação 1
RAlinhada com as edições anteriores do B20
Atingir conectividade universal de indivíduos e empresas por meio de regula-
mentações modernas e parcerias público-privadas que permitam a expansão de
infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação (TIC ou ICT, Informa-
tion and Communication Technology, na sigla em inglês) acessível e resiliente e
enderecem as disparidades de uso entre regiões.
Policy Actions
Policy Action 1.1 – Acelerar a expansão e o uso da infraestrutura de tecnologia da informão e comuni-
cação (TIC ou ICT, Information and Communication Technology, na sigla em inglês) por meio de moder-
nização regulatória e parcerias público-privadas (PPPs) que incentivem investimento, colaboração e
competição justa, como modelos de licenciamento que favoreçam compromissos com a expansão da
infraestrutura, Fundos de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST ou USFs, Universal
Service Funds, na sigla em inglês) otimizados e iniciativas de apoio à demanda (ex.: conectividade nan-
ciada pelo governo para serviços essenciais).
Policy Action 1.2 – Reduzir a disparidade de habilidades digitais entre níveis e grupos demográcos
para promover o desenvolvimento de uma população digitalmente alfabetizada, assim como uma força
de trabalho e empreendedores preparados para o mundo digital e capazes de utilizar tecnologias digi-
tais com conança, apoiar a transformação dos negócios e se adaptar a disrupções tecnológicas.
Policy Action 1.3 – Promover a transformação digital de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs
ou MSMEs, Micro, Small and Medium Enteprises, na sigla em inglês) por meio de acesso a nancia-
mento adequado, ambiente regulatório favorável e apoio especializado.
Key Performance Indicators Linha de Base Meta Classicação
Porcentagem de indivíduos que usam a internet11
Proporção de indivíduos que utilizaram a internet
de qualquer local nos últimos três meses
Fonte: União Internacional de Telecomunicações (UIT)
67%
(2022)
85%
(2027)
I
Alinhado com
B20s anteriores
Porcentagem de indivíduos com habilidades
digitais básicas, intermediárias e avançadas
Fonte: União Internacional de Telecomunicações (UIT)
Básico: 45%
Interm.: 31%
Avançado: 6%
(2023)
Básico: 55%
Interm.: 40%
Avançado: 10%
(2027)
I
Alinhado com
B20s anteriores
Micro, Pequenas e Médias Empresas utilizando
plataformas de tecnologia empresarial
Parcela de pequenas e médias empresas12 que
adquirem serviços de computação em nuvem13
Fonte: OECD
50%
(2023)
90%
(2027)
I
Novo indicador
11 Para ações direcionadas, o KPI pode ser analisado por seus dois componentes: cobertura e uso. Em 2022, as lacunas de cobertura e uso representaram
5% e 28%, respectivamente.
12 De 10 a 249 pessoas empregadas.
13 A adoção da tecnologia em nuvem por si só não garante o uso efetivo das plataformas de tecnologia empresarial, mas indica um esforço em direção
à digitalização. Para futuras edições, recomendamos que os países do G20 discutam medidas para acompanhar com mais precisão o progresso das
MSMEs em direção a uma digitalização efetiva.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 19
ODS
A recomendação 1 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentá-
vel (ODS) das Nações Unidas:
ODS 4: educação de qualidade, ODS 5: igualdade de gênero, ODS 8: trabalho decente e crescimento
econômico, ODS 9: indústria, inovação e infraestrutura, ODS 10: redução das desigualdades e ODS 17:
parcerias e meios de implementação. Os demais ODS também podem ser impactados positivamente,
uma vez que a tecnologia digital potencializa soluções em diversos setores.
Mais detalhes no Anexo A
Princípios Orientadores do B20 Brasil
A recomendação 1 tem o maior impacto em três Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Aumentar a produtividade por meio da inovação,
Valorizar o capital humano e
Promover a resiliência das cadeias globais de valor.
Mais detalhes no Anexo B
Prioridades Relevantes do G20 Brasil
A recomendação 1 contribui para as prioridades dos grupos de trabalho de Economia Digital e de
Pesquisa e Inovação do G20 Brasil.
Mais detalhes no Anexo C
Contexto
Inclusão digital de indivíduos
A inclusão digital serve como base para a transformação digital. Sem uma conectividade universal —
abrangendo não apenas a cobertura de banda larga, mas também outros viabilizadores essenciais,
como acessibilidade e alfabetizão digital — populações marginalizadas não conseguem se bene-
ciar plenamente do desenvolvimento tecnológico. Reconhecendo a conectividade digital como um
20 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
elemento fundamental de sua Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a Organização das
Nações Unidas (ONU) estabeleceu a meta de conectividade universal e signicativa até 2030.
A conectividade global tem aumentado nas últimas décadas. A porcentagem da população global
que usa a internet aumentou de 35% para 67% entre os anos de 2013 e 2023, representando um cres-
cimento de 2,6 bilhões de pessoas em 2013 para 5,4 bilhões de pessoas em 202314 (1).
No entanto, enquanto as tecnologias digitais moldam o futuro da sociedade, permeando cada vez
mais as vidas das pessoas e integrando os mundos físico e digital, o cenário da conectividade perma-
nece heterogêneo. Em 2023, 2,6 bilhões de pessoas, 33% da população global, ainda estavam ofine,
concentradas em grande parte em áreas em desenvolvimento. Nos Países Menos Desenvolvidos, por
exemplo, até 73% da população estava ofine15 (5).
Embora prejudique desproporcionalmente todos os indivíduos excluídos, a falta de conectividade
digital apresenta um desao especialmente crítico em locais estratégicos como escolas e hospitais,
que desempenham um papel essencial na provisão de recursos básicos e impactam diretamente o
bem-estar das comunidades.
A ONU destaca três principais barreiras à conectividade (Figura 1)16 (11):
Falta de acesso a infraestrutura essencial de tecnologia da informação e comunicão (ICT,
Information and Communication Technology) e recursos digitais, como eletricidade, infraestru-
tura de internet e móvel, informação e serviços online
Falta de acessibilidade nanceira à internet, dispositivos digitais e e-serviços
Falta de habilidade para usar efetivamente e conhecer os benefícios da tecnologia digital
Essas barreiras o frequentemente interconectadas. O acesso e a acessibilidade nanceira depen-
dem fortemente do nível de desenvolvimento da infraestrutura de ICT em cada região e áreas remo-
tas muitas vezes sofrem com acesso limitado e altos custos. Além disso, essas barreiras estão intima-
mente ligadas à alfabetização digital, pois as habilidades digitais não são desenvolvidas quando os
indivíduos estão digitalmente excluídos ou não compreendem os benefícios da conectividade.
Figura 1 Interseccionalidade das barreiras de acesso, acessibilidade nanceira e habilidade na
exclusão digital
Fonte: ONU, E-Government Survey 2022
14 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Measuring digital development: facts and gures 2023. DIsponível em: https://www.itu.int/
en/ITU-D/Statistics/Pages/facts/default.aspx. Acesso em:: 28 aug. 2024.
15 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Global connectivity report 2022. 2022. Disponível em: https://www.itu.int/hub/publication/d-
ind-global-01-2022/. Acesso em: 28 aug. 2024.
16 UNITED NATIONS. E-Government Survey: 2022 The Future of Digital Government. 2022.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 21
Com foco na banda larga móvel, a GSMA destaca duas barreiras adicionais à adoção e ao uso
(Figura 2):
Falta de segurança e proteção na economia digital e nas ferramentas digitais
Falta de conteúdo, produtos e serviços relevantes que atendam às necessidades e capaci-
dades dos usuários (12)
Figura 2 – Barreiras à adoção e ao uso de internet móvel
Fonte: GSMA
O termo “conança digital” (digital trust) é frequentemente usado para representar um conceito mais
amplo de segurança e proteção. Ele vai além de apenas proteger os usuários e exige, por exemplo,
que indivíduos e organizações acreditem que estão seguros no mundo digital e se comprometam a
usar a tecnologia digital de maneira ética e responsável. Isso abrange a criação de uma sensação de
segurança contra golpes online, desinformação e manipulação. O Fórum Econômico Mundial dene
a conança digital como a expectativa dos indivíduos de que as tecnologias e os serviços digitais
e as organizações que os fornecem – protegerão os interesses de todas as partes envolvidas e respei-
tarão as expectativas e valores da sociedade17 (13) e a coloca no centro de um framework com três
objetivos e oito dimensões (Figura 3).
Figura 3 – Framework de conaa digital
Fonte: World Economic Forum
17 WORLD ECONOMIC FORUM. Earning Digital Trust: Decision-Making for Trustworthy Technologies. 2022.
22 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Em nível regional, dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostram que a África é
a região menos conectada, com 67% da populão ofine (não utiliza a internet devido a uma com-
binação das barreiras mencionadas anteriormente), seguida pela Ásia-Pacíco, com 39% da popula-
ção ofine, e pelos Estados Árabes, com 34% da população ofine. No outro extremo do espectro,
Europa, CEI e Américas apresentam mais de 80% de conectividade (Figura 4)18 (5).
Figura 4 – Lacunas de cobertura e uso (coverage and usage gap)
Percentual da população que usa a internet, não usa a internet e não está coberta por uma rede, 2021
Nota: A lacuna de cobertura é o percentual da população que não tem acesso a uma rede móvel ou xa. A lacuna de uso é o percentual da população que não utiliza
a internet menos a lacuna de cobertura. Valores iguais ou inferiores a três não são rotulados devido a considerações de espaço. CEI = Comunidade dos Estados
Independentes. SIDS = Small Islands Developing States (Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento). LLDCs = Landlocked Developing Countries (Países em
Desenvolvimento Sem Litoral). LDCs = Least Developed Countries (Países Menos Desenvolvidos).
Fonte: União Internacional de Telecomunicações (UIT)
Para garantir uma compreensão mais abrangente das disparidades existentes, a conectividade pode
ser analisada por meio de seus dois componentes: a disponibilidade de infraestrutura digital (cober-
tura) e a extensão de sua utilização (uso).
A cobertura banda larga teve um progresso signicativo nos últimos anos, alcançando 95 % da popu-
lação mundial em 2023 – como comparão, a implementão global de redes elétricas está em 91%
(3). No entanto, diferenças signicativas em termos de tecnologia. Regiões mais desenvolvidas,
como Europa, CEI, Ásia-Paco e Américas, apresentam mais de 86% dos lares atendidos por redes
xas, enquanto países em desenvolvimento dependem quase exclusivamente da banda larga móvel.
Em países africanos, por exemplo, apenas 7% dos lares são atendidos por redes xas19 (5).
Com relação ao uso, 32% das pessoas em todo o mundo – 56% das pessoas nos Países Menos Desen-
volvidos – não utilizam a internet, apesar de estarem cobertas por uma rede móvel ou xa. Isso pode
ser atribuído a fatores como:
Preços elevados: uma melhoria signicativa foi alcaada em termos de acessibilidade de ser-
viços e dispositivos nos últimos anos. Globalmente, os preços médios de dados móveis atin-
giram um recorde mínimo de 1,5% do rendimento nacional bruto (RNB) per capita em 2022,
18 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
19 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 23
e o número de países que atingiram a meta de acessibilidade de nível básico da Comissão
de Banda Larga para o Desenvolvimento Sustentável subiu de 96 para 103 entre 2021 e 2022.
No entanto, ainda há uma barreira a ser superada. 85 países ainda não chegaram a essa meta e,
em muitos países que a alcançaram, os preços continuam inacesveis para os 40% mais pobres
da população20 (14).
Má qualidade de conexão: a má qualidade impacta o acesso a serviços online e pode levar a um
menor uso entre as populações cobertas por infraestrutura xa ou móvel. Dados coletados pela
Ookla revelam que a velocidade da banda larga, um indicador de qualidade, varia substancial-
mente por região e tipo de conexão. As velocidades médias de upload e download são até sete
vezes mais baixas em regiões em desenvolvimento quando comparadas à Europa (Figura 5)21 (5).
Alfabetização digital limitada: um estudo conduzido pelo Banco Mundial sobre a adoção da
internet móvel no sul global mostrou que a falta de alfabetização digital era a maior barreia ao
uso da internet (Figura 6)22 (15).
Figura 5 – Velocidades de upload e download
Mediana das velocidades de upload e download, Mbit/s
Nota: Dados coletados pelos aplicativos Speedtest by Ookla para Android e iOS. “Móvel” refere-se a testes realizados a partir de dispositivos móveis e um tipo de
conexão celular, como 3G, 4G LTE e 5G NR. “Fixo” refere-se a testes realizados a partir de dispositivos móveis e um tipo de conexão não celular. Por exemplo: Wi-Fi
e Ethernet. Os dados na gura reetem o valor mediano das velocidades médias dos países dentro de cada região. CEI = Comunidade dos Estados Independentes.
Fonte: União Internacional de Telecomunicações (UIT)
20 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). The affordability of ICT services 2022. 2022.
21 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
22 CHEN, Rong-DECIG; WORLD BANK GROUP. World Development Report 2021: A Demand-Side View of Mobile Internet Adoption in the Global
South. 2021.
24 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Figura 6 – Principais barreiras ao uso da internet
Pontos percentuais (% daqueles que não utilizam a internet)
Nota: A categoria de alfabetização digital inclui “não sabe o que é internet” e “não sabe como usar a Internet”; acessibilidade nanceira inclui “sem dispositivo de
acesso” e “muito caro”; a categoria de relevância inclui “sem interesse/não útil” e “sem conteúdo relevante no idioma local.” Pesos individuais são aplicados no cálculo.
Fonte: Rong, Chen; World Bank Group.
O panorama da exclusão digital é vasto e não depende exclusivamente do nível de desenvolvimento
dos países e grupos demográcos. Variáveis como localização, gênero e idade também inuenciam
na conectividade23 (1):
Lacuna urbano-rural (urban-rural divide): em 2023, a conectividade em áreas rurais era de
50% no mundo, 31 pontos percentuais mais baixa do que a conectividade em áreas urbanas
(81% no mundo)24 (1)
Lacuna etária (age divide): em 2023, a proporção de jovens entre 15 e 24 anos que acessavam
a Internet era 14 pontos percentuais maior que o restante da população (79% contra 65%)25 (1)
Lacuna de gênero (gender divide): em 2023, enquanto a maioria dos países de alta renda havia
alcançado paridade de gênero (índice de 0,99), isso não ocorria em países de baixa renda (índice
de paridade de gênero de 0,59)26 (1). Além disso, mulheres apresentam uma probabilidade 15%
menor do que os homens de usar internet móvel em países de baixa e média renda27 (16).
Lacuna de deciência (disability divide): em 2023, 16% da populão global vivia com deci-
ências28 (17). No entanto, embora haja pouca informação sobre o acesso à Internet entre esse
grupo, dados sugerem que há uma lacuna signicativa na posse de smartphones29,30 (5) (18).
À medida que serviços privados e públicos migram para o online, pessoas excluídas digitalmente são
colocadas em uma situação de ainda maior desvantagem. Sua participação na sociedade torna-se ainda
mais comprometida e elas são privadas do potencial de crescimento oferecido pela economia digital.
23 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Measuring digital development: Facts and Figures 2023. 2023.
24 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Measuring digital development: Facts and Figures 2023. 2023.
25 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Measuring digital development: Facts and Figures 2023. 2023.
26 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Measuring digital development: Facts and Figures 2023. 2023.
27 GSMA. The Mobile Gender Gap Report 2024. 2024.
28 WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Disability. 2023.
29 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
30 GSMA. Consumer Survey. 2020.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 25
Transformação digital de negócios
As disparidades de adoção de tecnologias digitais (digital gaps) não são exclusivas aos indivíduos,
uma vez que a acelerão das tecnologias digitais também está tendo um impacto profundo no cená-
rio empresarial. Ts categorias de negócios eso atualmente em maior desvantagem:
Micro, Pequenas e Médias Empresas (MSMEs, Micro, Small and Medium Enteprises), com escala
e recursos mais limitados, frequentemente encontram diculdades em adotar tecnologia digital.
Negócios tradicionais que operam em segmentos cada vez mais transformados pela economia
digital podem ter sua capacidade competitiva prejudicada devido a assimetrias regulatórias
que sujeitam empresas tradicionais a requisitos e obrigações mais rigorosos em relação a novos
entrantes.
Empresas localizadas fora dos grandes centros ou de áreas com infraestrutura acessível enfren-
tam desaos na adoção de tecnologia digital.
Com relação ao primeiro grupo: as MSMEs são a base da maioria das economias. Pequenas e Médias
Empresas (PMEs) representam cerca de 90% dos negócios e mais de 50% do emprego mundial,
e PMEs formais contribuem com até 40% do PIB em economias emergentes. Esses números são signi-
cativamente maiores quando PMEs informais e microempresas são consideradas31 (6).
No entanto, apesar de sua importância para a economia global e o mercado de trabalho, MSMEs em
geral estão atrasadas na adão de tecnologia digital quando comparadas com seus concorrentes
maiores (Figura 7)32 (19). Esse atraso faz com que elas percam oportunidades relevantes, como uma
maior participação em mercados regionais, nacionais ou globais – por meio da venda de bens ou ser-
vos para clientes existentes de maneira mais eciente, ou para novos clientes que de outra forma o
poderiam alcançar – pagamentos mais fáceis e maior acesso ao capital necesrio para crescer33 (7).
Figura 7 – SME gap in digital adoption exists across technologies
Taxa de difuo (Mediana da OCDE, baseada nas porcentagens médias de empresas que utilizaram
a tecnologia entre 2015-2018)
Fonte: OCDE, The Digital Transformation of SMEs
31 THE WORLD BANK. Small and Medium Enterprises (SMEs) Finance, Improving SMEs’ access to nance and nding innovative solutions to unlock sources
of capital. 2019.
32 OECD. The Digital Transformation of SMEs. 2021.
33 BROADBAND COMMISSION FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. Making Digital Connectivity Work for MSMEs. 2023.
26 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Os desaos que as MSMEs enfrentam em sua jornada para a digitalizão incluem34,35,36,37 (7) (19)
(20) (21):
Acesso limitado a infraestrutura digital de alta qualidade e custo acessível
Falta de cultura e habilidades digitais e diculdade em atrair talentos digitais
Capital e soluções de nanciamento insucientes para nanciar a transformação
Falta de informação e conscientização sobre os recursos disponíveis e seus benefícios
Recursos limitados de segurança e falta de conança na economia digital
Em conclusão, a conectividade digital transcendeu a mera comunicão para se tornar a base do
progresso. Ela empodera indivíduos com conhecimento e oportunidade, enquanto as empresas a
utilizam para inovar e alcançar novos mercados. À medida que a sociedade avança, garantir o acesso
equitativo e o uso responsável dessa ferramenta será fundamental para permitir um futuro inclusivo
e assegurar que todos possam se beneciar das oportunidades oferecidas pela tecnologia digital.
34 BROADBAND COMMISSION FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. Making Digital Connectivity Work for MSMEs. 2023.
35 OECD. The Digital Transformation of SMEs. 2021.
36 OECD. SME digitalisation to “Build Back Better”. 2021.
37 INTERNATIONAL TRADE CENTRE (ITC). SME Competitiveness Outlook 2022: connected services, competitive businesses. 2022.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 27
Policy Action 1.1
Acelerar a expansão e o uso da infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação (TIC ou
ICT, Information and Communication Technology, na sigla em inglês) por meio de modernização regu-
latória e parcerias público-privadas (PPPs) que incentivem investimento, colaborão e competição
justa, como modelos de licenciamento que favoreçam compromissos com a expansão da infraestru-
tura, Fundos de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST ou USFs, Universal Service
Funds, na sigla em inglês) otimizados e iniciativas de apoio à demanda (ex.: conectividade nanciada
pelo governo para serviços essenciais).
Sumário Executivo
Para alcançar esse objetivo, o G20 deve:
Facilitar a instalação de infraestrutura simplicando os processos de licenciamento, acelerando
a disponibilização de espectro, estabelecendo padrões globais e assegurando regulamenta-
ções modernas e leves para o setor de ICT, alinhada com as tecnologias em evolão, especi-
cidades setoriais e livre concorrência.
Maximizar o valor para a sociedade, empresas e governo promovendo modelos de concessão
de licenças que priorizem a expansão da infraestrutura a lances unicamente nanceiros, pos-
sibilitando que os operadores se comprometam a reforçar a cobertura em áreas subatendidas
em troca de liceas.
Eliminar disparidades de acessibilidade nanceira de serviços e dispositivos por meio de ini-
ciativas de suporte à demanda, como a conectividade nanciada pelo governo para serviços
essenciais, de acordo com o contexto de cada país.
Recalibrar os Fundos de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (USFs, Universal
Service Funds) para endereçar barreiras de conectividade dos lados da demanda e da oferta e
atender efetivamente as necessidades dos subatendidos.
Promover parcerias público-privadas para fornecer conectividade em locais estratégicos suba-
tendidos, como escolas, bibliotecas, instalações de serviços públicos e instituições de segu-
rança e saúde.
Pano de Fundo e Contexto
A conectividade é a base sobre a qual o mundo digital é construído. Entretanto, para muitos, essa base
ainda está incompleta. No que diz respeito à infraestrutura ICT, eliminar as disparidades digitais requer
não só expandir a cobertura para gerar recursos e oportunidades essenciais online para populações
atualmente excluídas, mas também torná-la moderna e acessível nanceiramente para propiciar a ado-
ção generalizada de tecnologias estabelecidas e emergentes.
Prover conectividade a um custo acesvel é o primeiro passo para empoderar comunidades margina-
lizadas, concedendo-lhes acesso a recursos como plataformas educacionais online, consultas de tele-
medicina e serviços nanceiros e governamentais básicos. Essa abordagem fornece conhecimento
e ferramentas para o autodesenvolvimento e promove inovação e oportunidades econômicas, pavi-
mentando o caminho para um futuro mais equitativo e próspero.
28 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
O G20 deve facilitar a instalação de infraestrutura simplicando os processos de licenciamento,
acelerando a disponibilização de espectro, estabelecendo padrões globais e assegurando regula-
mentações modernas e leves para o setor de ICT, alinhada com as tecnologias em evolão, especi-
cidades setoriais e livre concorrência
Alinhada com o apelo dos anos anteriores ao fomento de investimento privado por meio da remo-
ção de barreiras de implementação, garantindo a concorrência justa e promovendo padrões glo-
bais para o setor ICT.
Para endereçar a defasagem de infraestrutura de telecomunicações, o G20 deve focar na implemen-
tação efetiva dos Planos Nacionais de Banda Larga (NBPs, National Broadband Plans), na expansão
contínua da banda larga xa e móvel, e no incentivo à concorrência e ao investimento em tecnologias
emergentes. Isso deve ser acompanhado por uma melhoria geral no cenário de investimentos, remo-
ção de barreiras de implementação (ex.: longos processos de licenciamento, tributação excessiva),
ambiente regulatório positivo e padrões globais de telecomunicações.
Primeiro, barreiras de implementação, como processos de licenciamento demorados, atrasos na dis-
ponibilidade de espectro e altos preços de espectro devem ser endereçados para que a sociedade
possa se beneciar mais rapidamente das vantagens da conectividade. A interveão governamental
deve ser focada em corrigir falhas de mercado e prover as necessidades das comunidades desatendi-
das, sempre respeitando a neutralidade tecnológica, incentivando o investimento do setor privado e
evitando desequilíbrios de concorrência.
Em segundo, as assimetrias regulatórias devem ser corrigidas para permitir que empresas concorram
em condições de igualdade — enquanto os subsetores tradicionais de TV por assinatura e over-the-
-top (OTT), por exemplo, convergiram para o mesmo mercado, os encargos regulatórios permane-
ceram desiguais em muitos países. Eliminar gradualmente os impostos especícos de subsetores e
avançar para impostos mais amplos pode ajudar a eliminar essas assimetrias regulatórias e, ao mesmo
tempo, beneciar governos a longo prazo, expandindo a base de usuários e a base tributária.
Por último, a colaboração internacional para desenvolvimento de padrões globais de telecomunica-
ções deve ser incentivada. Nas telecomunicões móveis, por exemplo, o padrão 3GPP garante que
um único telefone possa ser usado em qualquer lugar do mundo. Os padrões de tecnologias de infor-
mação e comunicão ajudam a expandir a cobertura para regiões desconectadas, reduzir conitos
de mercado, possibilitar a redução de custos em todos os elos da cadeia de valor e criar um ambiente
equilibrado em que soluções digitais podem ser implantadas globalmente com facilidade.
O G20 deve maximizar o valor para a sociedade, empresas e governo promovendo modelos de
concessão de liceas que priorizem a expansão da infraestrutura a lances unicamente nanceiros,
possibilitando que os operadores se comprometam a reforçar a cobertura em áreas subatendidas
em troca de licenças
Modelos tradicionais de leilão de licenças, que em geral recompensam o maior lance nanceiro, mui-
tas vezes falham em incentivar o desenvolvimento de infraestrutura em áreas remotas. Isso ocorre
porque a combinação de menor densidade populacional, poder aquisitivo tipicamente mais baixo
e altos custos de implementação e manuteão torna essas áreas menos lucrativas e os modelos de
negócios, insustentáveis.
À medida que buscam justicar os investimentos necessários para expandir a cobertura para áreas
remotas, os operadores de telecomunicações tendem a concentrar seus esforços em áreas urbanas
mais densamente povoadas, deixando áreas remotas e rurais com acesso limitado ou sem acesso a
serviços essenciais de comunicão, ampliando a lacuna digital e dicultando o desenvolvimento
dessas comunidades.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 29
Desenvolvidos para enfrentar esse desao, modelos de leilão alternativos reduzem o foco de lances
nanceiros e aumentam o foco em compromissos com a melhoria de infraestrutura, maximizando o
valor para a sociedade, as empresas e o governo. Um bom exemplo para economias em desenvolvi-
mento é o recente leilão multibanda 5G do Brasil, que exigiu dos provedores compromissos com a
expansão das redes 5G e 4G, instalação de backhaul de bra ótica e investimento na conectividade
de escolas públicas (Box 1.1).
Box 1.1 – Modelo de leio 5G do Brasil
Um estudo da GSMA destaca alguns mecanismos que permitiram ao processo de licenciamento do espectro 5G do
Brasil em 2021 equilibrar objetivos do governo, exigências das operadoras e bem-estar do consumidor, tais como:
Dedução dos custos de obrigações dos preços de reserva, que tornaram as licenças mais atrativas ao
reduzir o preço inicial do lance (preço de reserva) pelo valor que o ganhador precisará gastar para cumprir
certas obrigações, como metas de cobertura em áreas remotas
Novos prazos de pagamento com parcelas anuais pela duração da licença, distribuindo o custo da licença
por todo o período de vigência
Prazos de licença mais longos, um mercado secundário de espectro e prazos de renovação ilimitados,
introduzidos em 2019 por meio de uma lei de telecomunicações atualizada
Alinhamento geral com objetivos nacionais, como cobertura de rodovias, proteção de serviços adjacentes,
disponibilidade de 4G em áreas remotas e um cronograma denido para implementação do 5G, tornando o
modelo atrativo não só para a sociedade e setor privado, mas também para o governo
Seis compromissos rmados pelos ganhadores traçam os resultados esperados ao longo de um período de 10 anos:
• Atender todas as 5.570 sedes municipais brasileiras com 5G
• Atender 1.700 localidades não sede com 5G até 31/12/2030
• Atender 7.430 localidades com 4G ou tecnologia superior
• Atender 2.349 trechos de rodovia com 4G, totalizando 35.784 Km (total de rodovias federais pavimentadas)
• Implementar backhaul de bra ótica em 530 sedes municipais, conforme cronograma abaixo
• Investir R$ 3,1 bilhões para conectividade das escolas públicas
Fonte: GSMA (2021) Brazil multi-band auction: one of the largest in mobile history, gov.br
O G20 deve eliminar disparidades de acessibilidade nanceira de serviços e dispositivos por meio
de iniciativas de suporte à demanda, como a conectividade nanciada pelo governo para serviços
essenciais, de acordo com o contexto de cada país
A acessibilidade nanceira é um fator crítico que contribui para as disparidades de uso e vai além
do custo da banda larga e dos serviços digitais, uma vez que o custo dos próprios dispositivos tam-
bém desempenha um papel signicativo. Para enfrentar esse desao, o G20 deve explorar iniciativas
modernas de apoio à demanda que estimulem a adoção digital tornando os serviços e dispositivos
mais acesveis, especialmente para grupos demográcos desfavorecidos (Box 1.2).
Embora os mecanismos de apoio à demanda existam em várias formas (ex.: subsídios diretos, vales,
programas de cashback) e atendam a diversas necessidades (ex.: conectividade, aquisição de dispo-
sitivos, acesso a serviços), uma estratégia importante a considerar é a conectividade nanciada pelo
governo para serviços essenciais. Ainda que a denição de serviço essencial” possa variar entre
países, dependendo de seu contexto e das necessidades de sua população, ela geralmente abrange
serviços de educão, saúde, emprego e cidadania fornecidos pelo governo.
30 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Os membros do G20 devem explorar políticas de apoio à demanda e designar um órgão gestor
para supervisionar os programas, selecionar serviços elegíveis, estabelecer sistemas e tecnologias de
apoio e criar mecanismos de monitoramento para medir os impactos econômicos e sociais realizados.
Box 1.2 – Internet para Todos
O programa Internet para Todos (IPT) do Peru iniciou suas operações em 2019 como uma iniciativa privada apoiada
pelo setor público e por bancos de desenvolvimento da região. Com o objetivo de conectar à internet seis milhões
de pessoas desconectadas no país, participantes colaboraram para enfrentar os desaos operacionais, nanceiros e
regulatórios envolvidos na implementação de infraestrutura de telecomunicações em áreas rurais.
Em 2023, pouco mais de três anos após seu lançamento, o IPT havia conectado 3,6 milhões de pessoas em mais
de 18.000 áreas sem cobertura de internet no Peru, o que exigiu a instalação de mais de 2.300 antenas 4G.
Fonte: GSMA, Telefónica Perú, Mobile Time
O G20 deve recalibrar os Fundos de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (USFs, Uni-
versal Service Funds) para endereçar barreiras de conectividade dos lados da demanda e da oferta
e atender efetivamente as necessidades dos subatendidos
Alinhado com o pedido de anos anteriores de otimização e modernizão dos Fundos de Uni-
versalizão dos Serviços de Telecomunicações por meio de tecnologias e modelos de negócios
existentes e comprovados.
Os Fundos de Universalizão dos Serviços de Telecomunicões (USFs, Universal Service Funds) são
fundos administrados pelo governo, coletados para promover a disponibilidade e a acessibilidade
nanceira dos serviços de telecomunicão essenciais de para todos os cidadãos. Os USFs são tipi-
camente arrecadados por meio de contribuições das operadoras e dos provedores e usados para
subsidiar o custo de desenvolvimento de infraestrutura e provisão de serviços em áreas onde pode
não ser economicamente viável para empresas operarem (Box 1.3).
Embora os USFs desempenhem um papel importante na promão da conectividade universal, estu-
dos sugerem que alguns são subutilizados ou usados de maneira ineciente. Os desaos incluem
design subótimo, governança e coordenação inecientes, objetivos pouco claros ou impossíveis de
medir e processos de alocação de recursos injustos38,39 (5) (22). Um estudo do Fórum Econômico Mun-
dial sugere que “os fundos de universalização dos serviços poderiam ser mais bem utilizados se foca-
dos em populações de alto risco e na redução das defasagens entre grupos vulneráveis, incluindo
mulheres e meninas, pessoas com deciência e idosos, independentemente de onde vivem40 (5).
O G20 deve avaliar a ecácia dos USFs de seus países membros e modernizar os que estão com
desempenho insatisfatório, escalando tecnologias e modelos de negócios comprovados, estabele-
cendo objetivos claros, fornecendo uma estrutura de governaa sólida e garantindo o suporte regu-
latório necessário.
38 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
39 GSMA. Universal Service Fund Study. 2013.
40 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 31
Box 1.3 – USFs em países em desenvolvimento
O Fundo de Serviço Universal (Universal Service Fund) do Quênia foi estabelecido em 2009 para apoiar o
acesso generalizado aos serviços ICT e promover o desenvolvimento de capacidades e a inovação nos serviços
ICT no país. Com seu Projeto de Infraestrutura de Voz, Projeto de Conectividade de Banda Larga para Educação,
Centros de Recursos Eletrônicos e Recursos Educacionais Abertos, o fundo nancia projetos nacionais que têm
um impacto signicativo na disponibilidade e acessibilidade ICT em áreas rurais, remotas e urbanas pobres.1
O Fundo de Investimento para Comunicações Eletrônicas (Investment Fund for Electronic Communications)
de Gana foca, atualmente, em expandir a cobertura dos serviços de telefonia móvel, equipar os cidadãos com
habilidades digitais e fornecer conectividade completa a locais selecionados por meio de seus três principais
programas: Conectividade Rural, Capacitação em TIC e Cyberlabs.2
O Fundo Nacional de Telecomunicações (Fonatel) da Costa Rica está colaborando com o setor privado para
fornecer conectividade no Parque Nacional Tortuguero. Utilizando novas tecnologias de conectividade, como
soluções de rádio alimentadas por energia solar, a iniciativa conseguiu fornecer acesso gratuito à internet de alta
velocidade para mais de 15 escolas e 4.000 famílias de baixa renda.3
Fonte: (1) Communications Authority of Kenya (2) Ghana’s Investment Fund for Electronic Communications, ITU Academy (3) dpl news
O G20 deve promover parcerias público-privadas para fornecer conectividade em locais estra-
gicos subatendidos, como escolas, bibliotecas, instalações de serviços públicos e instituições de
seguraa e saúde
Alinhado com o pedido do B20 Índia por soluções inovadoras para fortalecer a implementão de
redes e a conectividade em áreas com pouca conectividade.
Embora existam esforços contínuos para aumentar a cobertura e reduzir o custo de infraestrutura
de telecomunicações, como a expansão de banda larga xa e móvel, iniciativas direcionadas podem
acelerar a conectividade em locais estratégicos, como escolas, bibliotecas, instalações de serviços
públicos e estabelecimentos de segurança e saúde (Box 1.4).
Inovações na infraestrutura de conectividade por meio de parcerias público-privadas podem ajudar
a superar os desaos econômicos de prover conectividade em larga escala para os desconectados,
conforme evidenciado por exemplos bem-sucedidos já em prática. Um deles é o uso da tecnologia
de satélite para fornecer conectividade à internet e acesso a plataformas de e-learning em escolas
rurais, permitindo a alunos e professores se envolverem com uma gama mais ampla de recursos edu-
cacionais e melhorando os resultados de aprendizagem. Nessas parcerias, os governos geralmente
fornecem o framework regulatório e recursos como infraestrutura ou subsídios, enquanto as empresas
privadas aportam sua expertise em tecnologia, inovação e fornecimento eciente de serviços.
Box 1.4 – Cyberlabs de Gana
O programa Cyberlabs é o mais abrangente do Fundo de Investimento para Telecomunicações (Investment Fund
for Telecommunications) de Gana para o desenvolvimento de ICT no país.
A iniciativa visa a facilitar esforços e apoiar a conectividade, serviços e instalações de internet de serviço completo
para comunidades, instituições e escolas carentes designadas em Gana, fornecendo acesso de banda larga
disponível a todos os usuários potenciais dentro de cada área de serviço.
O programa abrange, atualmente, três projetos principais:
O Projeto de Conectividade Escolar é voltado para o fornecimento de computadores, impressoras, scanners,
projetores e servidores de alta velocidade para instituições educacionais, a m de facilitar o uso de tecnologia
no ensino e aprendizagem. Por meio desta iniciativa, mais de 900 escolas já foram equipadas.
O projeto Centros Comunitários de ICT é voltado para a criação de centros em locais designados para
fornecer acesso comunitário completo a tecnologias da informação e comunicação, em locais publicamente
disponíveis. Esses espaços também funcionam como centros de treinamento para o Programa de Capacitação
do GIFEC. Mais de 250 centros já foram estabelecidos, com 120 totalmente funcionais.
O projeto de Apoio Institucional é voltado para o fornecimento de equipamentos de informação e comunicação
para instituições do setor público. Por meio desta ação, mais de 50 instituições já foram equipadas.
Fonte: GIFEC
32 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Policy Action1.2
Reduzir a disparidade de habilidades digitais entre níveis e grupos demográcos para promover o
desenvolvimento de uma população digitalmente alfabetizada, assim como uma força de trabalho
e empreendedores preparados para o mundo digital e capazes de utilizar tecnologias digitais com
conança, apoiar a transformação dos negócios e se adaptar a disrupções tecnológicas.
Sumário Executivo
Para alcançar esse objetivo, o G20 deve:
Colaborar no mapeamento de competências digitais, adoção de um framework de competên-
cias compartilhado, estabelecimento de padrões e métricas de alfabetização digital unicados,
desenvolvimento de programas de certicão internacionalmente aceitos e medição do nível
de prociência dos indivíduos.
Atualizar programas educacionais e currículos para apoiar o desenvolvimento de habilidades
digitais em escolas e universidades.
Oferecer treinamento de alfabetização digital para indivíduos além do ambiente escolar para
garantir a disseminação de habilidades digitais essenciais e a eliminação de disparidades de
nero, idade e prociência.
Denir padrões e regras de acessibilidade para assegurar o uso ecaz de produtos e serviços
digitais por pessoas com deciência.
Promover treinamento e educão contínua para possibilitar o aprimoramento e a requalica-
ção da força de trabalho e de empreendedores.
Encorajar o desenvolvimento de recursos de aprendizagem digital para ampliar o alcance de
programas de treinamento STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) acessíveis e
de alta qualidade para partes do mundo mal atendidas, com o objetivo de integ-las à força
de trabalho global.
Pano de Fundo e Contexto
A habilidade digital é um componente crucial da inclusão digital, uma vez que acesso e acessibili-
dade nanceira são insucientes sem as habilidades básicas necessárias para utilizar a tecnologia
digital de forma ecaz. Além disso, o surgimento de novas tecnologias, como a IA, e a intensicão
de tendências digitais, como o aumento contínuo de ciberataques, tornam o desenvolvimento de
habilidades especícas essenciais para preparar e proteger os usuários e a força de trabalho contra
disrupções tecnológicas.
Habilidades digitais abrangem vários níveis de prociência, desde o elementar até o especializado,
em diversas áreas, como mídias sociais, análise de dados e programação, todas cruciais para o desen-
volvimento tecnológico. As ações a seguir focam nas habilidades digitais com maior impacto na via-
bilização de uma transformação digital segura e inclusiva: alfabetizão digital básica entre grupos
demográcos, aprimoramento de habilidades de empreendedores e da força de trabalho e requali-
cação da força de trabalho.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 33
O G20 deve colaborar no mapeamento de competências digitais, adoção de um framework de
competências compartilhado, estabelecimento de padrões e métricas de alfabetização digital uni-
cados, desenvolvimento de programas de certicão internacionalmente aceitos e medição do
nível de prociência dos indivíduos
Alinhado com o pedido do B20 Itália e do B20 Indonésia de mapeamento de competências digi-
tais e estabelecimento de uma taxonomia e frameworks compartilhados. Também mencionado no
B20 Índia, mas como parte de um mandato mais amplo de um novo órgão internacional proposto.
O ritmo acelerado da mudança tecnológica tem transformado o cenário de habilidades digitais.
Cidadãos e trabalhadores agora devem se adaptar continuamente, aprendendo novas ferramen-
tas e habilidades digitais para se manterem relevantes. Nesta era de exigências de habilidades
em rápida mudaa, é essencial estabelecer um melhor alinhamento em torno de uma linguagem
comum para habilidades.
O Fórum Econômico Mundial destaca os benefícios de adotar taxonomias, padrões e frameworks
compartilhados para avaliação e acompanhamento de habilidades41,42 (23) (24):
Melhor avaliação dos níveis de habilidade para apoiar decisões de requalicão e aprimora-
mento
Maior ecácia de treinamentos, com melhor alinhamento entre conteúdo e necessidades
Melhor compreensão dos possíveis caminhos de transição de empregos
Práticas de recrutamento aprimoradas, com identicação mais ecaz do talento certo e redu-
ção de vieses
Comunicão mais eciente e maior colaborão entre talentos, instituões de ensino, empre-
gadores e governos
Os membros do G20 devem promover a adoção de frameworks e padrões globais para medir e acom-
panhar os níveis de competência digital em diferentes indústrias e setores, bem como uma taxono-
mia comum de habilidades digitais. Esses devem ser dinâmicos, personalizáveis e granulares para se
adaptar ao cenário tecnológico em rápida mudaa, às necessidades de talentos e às especicidades
da instria.
Para alcaar isso, o G20 deve construir sobre iniciativas e frameworks existentes, como a Taxonomia
Global do Fórum Econômico Mundial, a Taxonomia do Occupational Information Network (O*NET)
e o framework ESCO (European Skills, Competences, and Occupations).
Uma vez estabelecida essa base, os membros do G20 devem colaborar para desenvolver programas
de certicação mutuamente reconhecidos, permitindo que indivíduos demonstrem suas habilidades
digitais entre países. Essa padronizão possibilitará a avaliação eciente dos veis de prociência
das populações, fornecendo dados valiosos para intervenções direcionadas. Ao simplicar a medi-
ção e o reconhecimento da alfabetização digital, os membros do G20 podem otimizar a alocação de
recursos em programas de desenvolvimento de habilidades digitais.
41 WORLD ECONOMIC FORUM. Building a Common Language for Skills at Work: A Global Taxonomy. 2021.
42 WORLD ECONOMIC FORUM. Putting Skills First: A Framework for Action. 2023.
34 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
O G20 deve atualizar programas educacionais e currículos para apoiar o desenvolvimento de habili-
dades digitais em escolas e universidades
Alinhado com o pedido do B20 Itália e do B20 Indonésia de reforma dos currículos educacionais
para incluir habilidades digitais essenciais. Também mencionado no B20 Índia, mas como parte de
um mandato mais amplo de um novo órgão internacional proposto.
À medida que a tecnologia digital evolui rapidamente e se integra de forma mais profunda às esferas
pessoais e prossionais, capacitar os estudantes com as habilidades necessárias para navegar nesse
cenário digital torna-se fundamental. Para alcançar esse objetivo, os currículos educacionais devem
ser continuamente atualizados para promover o uso ecaz e seguro das ferramentas digitais, garan-
tindo que todos os estudantes se tornem cidadãos alfabetizados na era digital.
Os programas educacionais não devem apenas se concentrar no desenvolvimento de habilidades
digitais essenciais, mas também equipar os alunos com uma compreensão crítica das oportunidades
e dos riscos potenciais associados às tecnologias emergentes, como a inteligência articial. Além
disso, os currículos devem incluir competências em cibersegurança, como conscientização sobre
ameaças online, práticas de privacidade de dados e comportamento seguro online, para capacitar os
alunos a usar a tecnologia digital com segurança.
Os membros do G20 devem preparar os estudantes para a era digital garantindo que os currículos
educacionais sejam revisados e atualizados. Eles devem estar atentos para que esses currículos sejam
adaptados às necessidades especícas de cada país e estudante e acompanhados pelo ensino de
habilidades socioemocionais e cognitivas. Para um melhor resultado, deve-se incentivar a colabora-
ção entre instituições de ensino e o setor privado para propiciar que os currículos educacionais este-
jam alinhados com as necessidades empresariais e as perspectivas de emprego.
O G20 deve oferecer treinamento de alfabetizão digital para indivíduos além do ambiente escolar
para garantir a disseminação de habilidades digitais essenciais e a eliminação de disparidades de
nero, idade e prociência
Alinhado com o pedido de anos anteriores de desenvolvimento de habilidades digitais essenciais
em grupos vulneráveis
Atualizar programas educacionais e currículos é um passo crucial para desenvolver habilidades digi-
tais dentro do sistema de educação formal. No entanto, capacitar aqueles que estão fora do ambiente
escolar é igualmente importante. Treinamentos direcionados podem endereçar as disparidades de
prociência digital entre grupos demográcos, incluindo as defasagens de gênero e idade mencio-
nadas anteriormente.
Os membros do G20 devem promover o treinamento de alfabetização digital além da educação for-
mal, aproveitando de forma ecaz recursos físicos e digitais para fornecer treinamento direcionado a
indivíduos de todas as idades e contextos. Para apoiar esse esfoo, o G20 pode se inspirar em inicia-
tivas existentes (Box 1.5).
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 35
Box 1.5 – Iniciativas direcionadas de alfabetização digital
O Programa Embaixador Digital (DAP) do governo de Ruanda foi lançado em 2017 com o objetivo de
treinar 5.000 jovens como “Embaixadores Digitais” e enviá-los por todo o país para fornecer treinamento
em habilidades digitais a 5 milhões de cidadãos. Ao nal da fase de teste (2017–2019), o programa havia
alcançado quase 50.000 pessoas.
EQUALS, uma parceria entre a UIT e a ONU Mulheres, tem como objetivo garantir acesso e uso igualitários
das tecnologias digitais pelas mulheres até 2030. A iniciativa inclui o Fundo #eSkills4Girls, que fornece
recursos nanceiros para ações do gênero, e o Her Digital Skills, focado na criação e realização de
treinamentos gratuitos em habilidades digitais fundamentais.
Fonte: UIT, UN
O G20 deve denir pades e regras de acessibilidade para assegurar o uso ecaz de produtos e ser-
viços digitais por pessoas com deciência
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2023, 1,3 bilhão de pessoas — ou 16% da
população global viviam com deciências signicativas, número que deve continuar crescendo
devido ao aumento de doenças não transmissíveis e à maior expectativa de vida43 (17).
Embora atualmente não existam estatísticas globais sobre o acesso à internet entre pessoas com
deciência, dados coletados pela GSMA sobre a posse de smartphones e o uso de internet em alguns
países de renda média revelam disparidades signicativas entre pessoas com deciência e o resto
da população (Figura 8). Na Argélia, por exemplo, a diferença no uso da internet excede 40 pontos
percentuais44,45 (5) (18).
Figura 8 Lacuna de decncia (disability gap) na posse de smartphones e uso de internet
móvel
Nota: Baseado em resultados de pesquisas com adultos de 18 anos ou mais. n=49-260 para pessoas com deciência e n=900-1.866 para pessoas sem deciência.
Fonte: GSMA Consumer Survey 2020.
43 WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Disability. 2023.
44 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION (ITU). Global Connectivity Report 2022. 2022.
45 GSMA. Consumer Survey. 2020.
36 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Reconhecendo as diculdades que as pessoas com deciência encontram ao usar tecnologia digital,
organizações públicas e privadas estão ativamente buscando iniciativas para garantir a acessibilidade
de produtos digitais (Box 1.6).
Os membros do G20 devem promover a coleta de estatísticas sobre conectividade entre pessoas
com deciência para melhor entender os desaos enfrentados por essa população e agir para reduzir
as diferenças de conectividade. Iniciativas podem incluir a denição de padrões e normas de acessi-
bilidade para aplicativos, sites e dispositivos, fornecimento de treinamento direcionado e incentivo
ao desenvolvimento de soluções digitais que atendam especicamente às suas necessidades (ex.:
aplicativos de escaneamento que auxiliam pessoas com deciência visual).
Box 1.6 – Iniciativas de acessibilidade
Como parte de sua iniciativa Índia Digital, o governo indiano está implementando a Campanha Índia Acessível
com o objetivo de possibilitar que pessoas com deciência tenham acesso a oportunidades iguais, vivam de
forma independente e participem plenamente de todos os aspectos da vida em uma sociedade inclusiva. Por
meio deste programa, 588 sites do governo estadual e 95 sites do governo central tornaram-se mais acessíveis.
A legislação em vários países, como os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá, exige que organizações
públicas e/ou privadas cumpram padrões de acessibilidade em suas plataformas de informação e comunicação,
ajudando a garantir que produtos e serviços sejam mais fáceis de usar para pessoas com deciência.
Fabricantes de dispositivos também adaptaram seus produtos para serem mais acessíveis a pessoas com
deciência via recursos como habilitação de fontes maiores e leitores de tela. Recursos como o padrão global
W3C para acessibilidade na web e os Princípios GSME para Promover a Inclusão Digital de Pessoas com
Deciência oferecem diretrizes para apoiar esse esforço.
Fonte: (1) UN E-gov Survey (2) UIT Global Connectivity Report (3) UIT Global Connectivity Report; W3C; GSMA
O G20 deve promover treinamento e educação contínua para possibilitar aprimoramento e requali-
cão da força de trabalho e de empreendedores
Alinhado com o pedido do B20 Itália e B20 Indonésia para promover o aprimoramento e a requa-
licão por meio de educação contínua. Também mencionado no B20 Índia, mas como parte de
um mandato mais amplo de um novo órgão internacional proposto.
À medida que a tecnologia avança, cria novas oportunidades e transforma funções tradicionais de
trabalho, torna-se imperativo que a força de trabalho se adapte, engajando-se em aprendizado e
desenvolvimento contínuo de habilidades. O rápido avanço de tecnologias como IA e a automação
está transformando indústrias, levando à criação de novas oportunidades de emprego e tornando
algumas funções existentes obsoletas. Ao se requalicar e aprimorar, a força de trabalho pode per-
manecer relevante e competitiva, assim como contribuir para o crescimento econômico e a inovação
em seus respectivos setores.
O aprendizado contínuo também é primordial para empreendedores. Ferramentas e plataformas
digitais tornaram-se fundamentais para o sucesso dos negócios, e a economia digital criou oportu-
nidades para empreendedores — pequenos vendedores, por exemplo, dependem fortemente do
comércio eletrônico para alcançar seus clientes. Ao adquirir habilidades digitais, os empreendedores
podem adaptar seus negócios a esse novo cenário e acelerar a inovão.
Os membros do G20 devem estabelecer estratégias nacionais para o desenvolvimento de compe-
tências digitais, a m de endereçar lacunas de habilidades nacionais e internacionais e preparar sua
força de trabalho e seus empreendedores para as disrupções tecnológicas. Os planos de desenvolvi-
mento devem incluir habilidades em áreas emergentes, a exemplo da IA e construir a base necesria
em áreas como cibersegurança. Além disso, esses planos devem acomodar estilos de aprendizagem
diversos e trajetórias de carreira variadas.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 37
O G20 deve encorajar o desenvolvimento de recursos de aprendizagem digital para ampliar o
alcance de programas de treinamento STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) aces-
síveis e de alta qualidade para partes do mundo mal atendidas, a m de integ-las à força de tra-
balho global
Uma base robusta nas áreas de ciência e tecnologia é crucial para o avanço tecnológico e o cresci-
mento econômico das nações. No entanto, muitas pessoas em regiões desfavorecidas ao redor do
mundo ainda não têm acesso a uma educão de qualidade, dicultando seu potencial para contri-
buir com a força de trabalho global.
Recursos de aprendizagem digital oferecem uma solução poderosa para esse desao. Ao desenvol-
ver plataformas online e ferramentas interativas, os membros do G20 podem fornecer programas
de treinamento acessíveis e de alta qualidade para estudantes, independentemente das limitações
geográcas. Essa democratização do conhecimento capacita os indivíduos com as habilidades e qua-
licações necesrias para participar ativamente da economia globalizada.
Mais informações sobre como as nações podem utilizar a tecnologia digital para expandir o alcance
da formação em ciência e tecnologia podem ser encontradas no Policy Paper da Força-Tarefa de
Emprego & Educação.
38 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Policy Action1.3
Promover a transformação digital de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs ou MSMEs, Micro,
Small and Medium Enteprises, na sigla em inglês) por meio de acesso a nanciamento adequado,
ambiente regulatório favorável e apoio especializado.
Sumário Executivo
Para alcançar esse objetivo, o G20 deve:
Expandir os esforços para oferecer nanciamento adequado de forma a acelerar a adão de
tecnologias digitais pelas MSMEs (ex.: opções de garantias exíveis, ferramentas de contabili-
dade corporativa).
Alavancar as tecnologias digitais para melhorar a inclusão nanceira das MSMEs.
Apoiar o desenvolvimento de organizações locais que apoiam as MSMEs com recursos durante
sua jornada de transformação digital e aprimorar a coleta, análise e disponibilidade de dados
das MSMEs para aperfeiçoar a efetividade de ações públicas e privadas.
Promover um ambiente regulatório favorável e serviços governamentais digitais para aliviar a
carga administrativa das MSMEs.
Pano de Fundo e Contexto
O cenário digital é cada vez mais importante para o sucesso dos negócios, mas muitas MSMEs estão
cando para trás na adoção de tecnologias digitais. Essa desigualdade cria assimetrias que dicultam
seu crescimento. Para garantir um ambiente de negócios próspero e competitivo, com maior inovação
e crescimento econômico, é fundamental fechar essa lacuna e capacitar as MSMEs com ferramentas
e recursos digitais.
Embora a falta de habilidades digitais (Policy Action1.2) seja um obstáculo signicativo, as MSMEs
enfrentam outros desaos à adoção de tecnologias digitais quando comparadas com empresas maio-
res. As ações a seguir focam em como fornecer nanciamento, conhecimento e ferramentas neces-
rios para apoiar uma transformação digital ecaz e segura.
O G20 deve expandir os esforços para oferecer nanciamento adequado de forma a acelerar a
adoção de tecnologias digitais pelas MSMEs (ex.: opções de garantias exíveis, ferramentas de
contabilidade corporativa)
Alinhado com o pedido do B20 Indonésia e do B20 Índia de fornecimento de nanciamento sus-
tentável a m de reduzir a lacuna nanceira das MSMEs e viabilizar sua transformação digital.
Além das barreiras à digitalização das MSMEs apresentadas anteriormente, a lacuna nanceiraa falta
de recursos para nanciar sua transformação digital é um desao signicativo. Evidências indicam
que as MSMEs estão gravemente subnanciadas (Figura 9).
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 39
Figura 9 – Número de MSMEs nanceiramente restritas
Fonte: International Finance Corporation (IFC)
Estima-se que, nos países em desenvolvimento, 21% (29,6 milhões) das microempresas estão total-
mente restritas, e 19% (26,6 milhões) estão parcialmente restritas. Apenas 60% (85,2 milhões) per-
manecem nanceiramente irrestritas. Um quadro semelhante pode ser observado no segmento de
PMEs, no qual 30% (6,2 milhões) estão totalmente restritas, 14% (2,8 milhões) parcialmente restritas,
e apenas 56% (11,7 milhões) irrestritas46 (25).
Um estudo realizado pela Corporão Financeira Internacional em 2017 concluiu que a demanda não
atendida por nanciamento no segmento de MSMEs em países em desenvolvimento está avaliada em
USD 5,2 trilhões, o que representa 19% do PIB cumulativo desses países47 (25). De um total de USD 8,9
trilhões em demanda potencial por nanciamento para MSMEs, apenas USD 3,7 trilhões estão sendo
atualmente fornecidos. Isso signica que 59% da demanda potencial por nanciamento para MSMEs
não estão sendo atendidas (Figura 10)48 (25).
Figura 10 – Lacuna de nanciamento (nance gap) de MSMEs
Lacuna de nanciamento de MSMEs, USD trilhões
Fonte: International Finance Corporation (IFC)
Estima-se que há uma demanda potencial adicional de USD 2,9 trilhões para nanciamento de MSMEs
no setor informal em países em desenvolvimento, o que representa 11% do PIB desses países. Portanto,
a demanda potencial total, formal e informal, por nanciamento de MSMEs em países em desenvolvi-
mento é estimada em USD 11,9 trilhões49 (25).
46 INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION - IFC. MSME FINANCE GAP: assessment of the shortfalls and opportunities in nancing. 2017.
47 INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION - IFC. MSME FINANCE GAP: assessment of the shortfalls and opportunities in nancing. 2017.
48 INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION - IFC. MSME FINANCE GAP: assessment of the shortfalls and opportunities in nancing. 2017.
49 INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION - IFC. MSME FINANCE GAP: assessment of the shortfalls and opportunities in nancing. 2017.
40 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Para endereçar essa lacuna, os países do G20 devem facilitar o acesso das MSMEs a soluções de nan-
ciamento tradicionais e alternativas.
Do lado do nanciamento tradicional por dívida bancária, medidas podem incluir o uso de garantias
exíveis não restritas a ativos xos (ex.: propriedade intelectual e contas a receber), a melhoria das
garantias de crédito, a oferta de instrumentos de diversicão de riscos e metodologias de subs-
crição, além do apoio à melhoria da contabilidade corporativa e da disponibilidade de informações
de crédito de MSMEs, partes essenciais dos pedidos empréstimos em que as empresas menores
frequentemente falham.
Do lado do nanciamento alternativo, medidas podem incluir o esmulo a um ambiente regulatório
que encoraje a expansão segura das Instituições de Micronanças e Microcrédito e das Companhias
de Financiamento Não Bancário, assim como a simplicão dos processos de pedido de crédito para
MSMEs. Essa abordagem deve ser apoiada por um framework de análise de risco rigoroso e abran-
gente para identicar e mitigar os riscos associados aos instrumentos de nanciamento.
O G20 deve alavancar as tecnologias digitais para melhorar a inclusão nanceira das MSMEs
Desigualdades no acesso a nanciamento e instrumentos nanceiros, em conjunto com a dependên-
cia de transações em dinheiro, impedem a plena participação de algumas MSMEs no sistema nan-
ceiro formal. Essa exclusão restringe sua capacidade de alavancar uma série de benefícios, incluindo
soluções de nanciamento, produtos de investimento e seguros, processamento seguro de paga-
mentos e transações nanceiras transparentes. Além disso, sua exclusão do sistema nanceiro formal
limita seu uso de plataformas de e-commerce e outras soluções digitais cruciais para o crescimento
dos negócios no atual cenário.
Os membros do G20 devem fomentar parcerias público-privadas que alavanquem novas tecnologias
para solucionar esse desao. Possíveis iniciativas incluem o desenvolvimento de plataformas de paga-
mento digital, marketplace, workows para melhor inclusão nas cadeias de valor e acompanhamento
de dados nanceiros e operacionais (Box 1.7).
Box 1.7 – Pix, a solão de pagamento instantâneo no Brasil
Lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix é um sistema de pagamento instantâneo
que permite a rápida transferência de fundos entre indivíduos e empresas a baixo custo ou custo zero, com
disponibilidade em tempo integral. O objetivo foi reduzir a dependência de dinheiro em espécie para transações,
aumentar a inclusão nanceira, fortalecer a concorrência no sistema bancário e modernizar o sistema de
pagamentos para transações mais rápidas e seguras.
O Pix se baseou no sucesso dos bancos digitais brasileiros – que impulsionaram um aumento na propriedade de
contas bancárias e inclusão nanceira usando modelos de negócios digitais comercialmente sustentáveis – para
acelerar a inclusão nanceira. O Banco Central brasileiro implementou e ofereceu suporte à política do Pix, exigindo
sua integração nos aplicativos bancários para estimular a rápida adoção e aumentar os volumes de pagamento.
Em 2023, dois anos e meio após seu lançamento, o sistema já havia sido utilizado por mais de 140 milhões de
indivíduos (cerca de 80% da população adulta) e 13 milhões de empresas, superando as expectativas de adoção.
O Pix agora é responsável por mais de três bilhões de transações a cada mês.
O Pix acelerou a inclusão nanceira de indivíduos e pequenos negócios e possibilitou novas oportunidades para
grupos previamente excluídos digitalmente e/ou nanceiramente. De acordo com o Findex do Banco Mundial,
84% dos brasileiros estavam bancarizados em 2021, ante 70% em 2017. Em dezembro de 2022, 71,5 milhões
de indivíduos que não haviam feito nenhuma transferência de crédito eletrônica antes do lançamento do Pix
tornaram-se usuários desse meio de pagamento. Uma pesquisa de 2023 descobriu que o Pix era o método de
pagamento mais popular entre os clientes de pequenos negócios, superando dinheiro em espécie, cartões de
crédito e débito e transferências bancárias.
Fonte: Central Bank of Brasil, IMF eLIBRARY, Sebra, World Bank
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 41
O G20 deve apoiar o desenvolvimento de organizações locais que apoiam as MSMEs com recursos
durante sua jornada de transformação digital e aprimorar a coleta, análise e disponibilidade de
dados das MSMEs para aperfeiçoar a efetividade de ações públicas e privadas
Construindo em cima o pedido dos B20s Itália, Indonésia e Índia por recursos e ferramentas que
apoiem a conscientização das MSMEs sobre o potencial benefício das ferramentas digitais. A biblio-
teca de casos de uso criada pela equipe do B20 Itália e posteriormente aprimorada pela equipe do
B20 Indonésia serve como exemplo.
Além do nanciamento insuciente e dos ambientes regulatórios complexos, as MSMEs frequente-
mente enfrentam o desao de um conhecimento limitado sobre os potenciais casos de uso e os bene-
fícios da implementação de tecnologia, o que prejudica sua capacidade de identicar as ferramentas
e estratégias certas para alcaar seus objetivos especícos. Além disso, uma expertise limitada na
implementação e no uso de ferramentas digitais pode dicultar ainda mais sua jornada de transfor-
mação digital.
Para ajudar a eliminar essa defasagem, o G20 deve capacitar entidades dedicadas às MSMEs, ou, em
países onde elas não existem, promover a criação de tais entidades para atuarem como parceiras das
pequenas empresas durante sua transformação digital, fornecendo conhecimento especializado e
ferramentas de apoio (Box 1.8). Essas entidades geralmente entendem as necessidades especícas
das MSMEs e podem liderar efetivamente iniciativas como:
Hubs de Conhecimento: Servem como um ponto único para informações e recursos selecio-
nados sobre várias tecnologias digitais relevantes para diferentes setores de MSMEs. Isso inclui
catálogos de casos de uso, estudos de caso especícos do setor, melhores práticas e histórias
de sucesso que mostram os benefícios tangíveis da adoção de tecnologia.
Ferramentas e Guias: desenvolver kits de ferramentas práticos e guias adaptados às neces-
sidades das MSMEs, fornecendo instrumentos de avaliação de maturidade e oferecendo ins-
truções para a implementão de recursos e estratégias digitais especícas. Essas ferramentas
devem estar prontamente disponíveis em idiomas locais e ser facilmente acessíveis por meio
de plataformas online.
Treinamento e Capacitação: oferecer programas de treinamento direcionados e workshops
para equipar os proprietários e funcionários das MSMEs com as habilidades e conhecimentos
necessários para utilizar efetivamente as ferramentas digitais. Isso pode incluir seses de trei-
namento prático, cursos online e oportunidades de mentoria com especialistas digitais.
Networking e Colaboração: facilitar oportunidades de networking e plataformas colabora-
tivas para que as MSMEs possam se conectar com seus pares, compartilhar experiências e
aprender com os sucessos e desaos uns dos outros em suas jornadas de transformação digital.
Esse trabalho, no entanto, exige que os países do G20 melhorem a coleta, análise e disponibilidade
de dados das MSMEs para uso tanto pelos governos quanto pelas próprias MSMEs (ex.: porcentagem
com acesso à internet de alta velocidade). Atualmente, a limitação de dados segregados sobre as
MSMEs representa um obstáculo signicativo na elaboração de iniciativas ecazes e direcionadas à
transformação digital.
Para enfrentar essa questão, os países do G20 devem explorar todos inovadores de coleta de
dados em parceria com o setor privado e organizações multilaterais. Também precisam estabelecer
diretrizes de segmentação por tamanho e/ou setor para todas as MSMEs, permitindo que os governos
direcionem melhor a ajuda e os recursos com base em necessidades especícas. Além disso, esforços
para medir o impacto dos programas direcionados às MSMEs devem ser estabelecidos ou ampliados
para aperfeiçoar os programas de apoio atuais e desenhar ou adaptar futuros programas.
42 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Box 1.8 – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é uma organização sem ns lucrativos que
atua como defensora das pequenas empresas no Brasil. Sua missão é impulsionar o desenvolvimento sustentável
e competitivo das micro e pequenas empresas e fomentar um ambiente que encoraje o empreendedorismo em
todo o país. O Sebrae apoia as pequenas empresas no Brasil por meio de orientação e consultoria, programas de
treinamento e educação, melhoria do ambiente de negócios e acesso a mercados, crédito e tecnologia.
Jornada de Transformação Digital
Em colaboração com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (FIESP) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), o Sebrae lançou o programa
Jornada de Transformação Digital para impulsionar a adoção digital entre as MSMEs.
O programa gratuito combina consultoria, treinamento e soluções de nanciamento para apoiar as empresas em
sua trajetória de transformação digital. Consultores especializados identicam áreas para melhoria e recomendam
soluções digitais, enquanto cursos de treinamento de apoio equipam os funcionários com as habilidades necessárias
para aproveitar essas novas tecnologias. O programa oferece uma linha de crédito especial com taxas de juros
favoráveis para ajudar as empresas a nanciar a implementação das ferramentas recomendadas.
Essa abordagem abrangente visa garantir que as empresas tenham os recursos e a expertise necessários para
alcançar com sucesso seus objetivos de transformação digital. Desde seu início, em 2022, o programa apoiou mais
de 10.000 empresas e proporcionou um ganho médio de produtividade de 35%.
Programa de Treinamento em TI
Em resposta à alta demanda do setor produtivo por prossionais qualicados, o SENAI lançou o Programa de
Treinamento em TI. Por meio de qualicações de ensino médio técnico, qualicações de ensino superior e programas
de educação inicial e continuada, a instituição está colaborando com grandes players do setor de tecnologia para
oferecer treinamento em tecnologias como computação em nuvem, IA, cibersegurança, desenvolvimento de
sistemas, desenvolvimento back-end, desenvolvimento front-end, desenvolvimento mobile e redes. O Programa de
Treinamento em TI do SENAI visa capacitar 315.000 indivíduos com habilidades tecnológicas em demanda até 2035.
Fonte: SEBRAE, SENAI
O G20 deve promover um ambiente regulatório favorável e serviços governamentais digitais para
aliviar a carga administrativa das MSMEs
Alinhado com o pedido do B20 Índia por um ambiente regulatório favorável e serviços governamentais
digitais para aliviar a carga administrativa das MSMEs.
A carga administrativa e a complexidade dos procedimentos regulatórios continuam sendo um
grande obstáculo para a atividade empreendedora e frequentemente impactam desproporcional-
mente as empresas menores. Dado o custo xo de conformidade com os requisitos regulatórios e o
nível tipicamente mais baixo de expertise interna das MSMEs em comparação com seus concorrentes
maiores, que possuem mais recursos humanos e nanceiros, a carga administrativa tende a ser mais
pesada para as primeiras.
Para enfrentar essa questão, os membros do G20 devem fornecer uma infraestrutura legal, regula-
ria e de negócios de apoio que permita às MSMEs operarem com uma carga administrativa mínima.
Iniciativas potenciais incluem:
Leis que apoiem a adão de tecnologia: ferramentas digitais podem ser empregadas para
simplicar tarefas administrativas que normalmente exigem um investimento signicativo de
tempo e dinheiro das MSMEs. Assinatura digital e autenticão eletrônica, por exemplo, viabili-
zam contratos, transações e aprovações rápidas e sem complicações pela internet, mas reque-
rem leis de apoio para serem ecazes.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 43
Balcões únicos (one-stop shops) e portais digitais: a complexidade envolvida em lidar com
múltiplos sistemas administrativos, muitas vezes conitantes, pode ser mitigada por meio da
criação de balcões únicos e portais digitais que fornam às empresas informações sobre quais
são os requisitos administrativos e legais aplicáveis e como cumpri-los mais facilmente.
Ferramentas de gestão de compliance: ferramentas de vericação automatizada podem sim-
plicar os processos de conformidade (legal, administrativa, de segurança), reduzindo o esforço
manual, melhorando a precisão, permitindo monitoramento em tempo real e simplicando
a elaborão de relatórios. Governos podem promover sua adão simplicando a integra-
ção com sistemas governamentais, desenvolvendo opções gratuitas/acessíveis e oferecendo
suporte nanceiro.
Plataformas que permitam maior acesso ao mercado: governos podem ajudar as MSMEs a
se conectarem com consumidores e outras empresas por meio de plataformas de e-commerce,
viabilizando um maior acesso ao mercado (Box 1.9).
Box 1.9 – Open Network for Digital Commerce (ONDC) da Índia
Na Índia, mais de 12 milhões de vendedores ganham a vida vendendo ou revendendo produtos e serviços. No
entanto, apenas 15.000 desses vendedores (0,125% do total) utilizam e-commerce. O varejo online tem estado
fora do alcance da maioria dos vendedores, especialmente de pequenas cidades e áreas rurais.
Para solucionar esse problema, a Índia lançou a plataforma Open Network for Digital Commerce (ONDC), uma
rede de e-commerce aberta que conecta compradores, plataformas e varejistas. O ONDC atua como uma ponte
entre diferentes plataformas de e-commerce, permitindo que elas se conectem e trabalhem juntas de forma
harmoniosa. Essa mudança transforma o comércio eletrônico de um modelo centrado em plataformas para
um modelo aberto, no qual as limitações impostas pelas plataformas especícas utilizadas por compradores e
vendedores deixam de se aplicar.
Em janeiro de 2024, um ano após sua criação, o ONDC ultrapassou 6,75 milhões de pedidos cumulativos. A rede
agora conta com mais de 370.000 vendedores e prestadores de serviços e atende a mais de 588 cidades.
Fonte: ONDC, The Economic Times
44 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
RECOMENDAÇÃO 2
Recomendação 2
RAlinhada com as edições anteriores do B20
Proteger indivíduos e organizações e promover conança digital acelerando ino-
vação e desenvolvimento por meio da harmonização de padrões de cibersegu-
rança e proteção de dados, coordenação da ação internacional de cibersegurança
e apoio ao Fluxo Livre de Dados com Conança (DFFT, Data Free Flow with Trust).
Policy Actions
Policy Action 2.1 – Fomentar cooperação multilateral para melhoria da ação cibernética internacional
da prevenção, identicação e contenção de incidentes à investigão e ação legal alavancando
padrões harmonizados de cibersegurança e resiliência cibernética.
Policy Action 2.2 – Avançar no desenvolvimento do Fluxo Livre de Dados com Conança partindo
das denições existentes e adaptando a abordagem aos membros do G20 a m de possibilitar inova-
ção, crescimento econômico e bem-estar social e aumentar a conança em escala global.
Key Performance Indicators Linha de Base Meta Classicação
Tempo necessário para identicar e conter um
vazamento de dados
Soma de dois KPIs: Tempo Médio para Identicar
(MTTI) + Tempo Médio para Conter (MTTC)
Fonte: IBM
277 dias
(2023)
200 dias
(2027)
I
Novo indicador
Pontuação mínima alcançada por um país do
G20 no Global Cybersecurity Index (composto
de 20 indicadores)
Fonte: União Internacional de Telecomunicações (UIT)
África: 5
Américas: 50
Ásia-Pacíco: 93
Europa: 67
(2020)
90 em todas
as regiões
(2027)
I
Alinhado com os
B20s anteriores
Percentual de países com legislação de
proteção e privacidade de dados50
Fonte: Conferência das Nações Unidas sobre
Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)
71%
(2023)
100%
(2027)
I
Alinhado com os
B20s anteriores
50 Uma vez que os esforços para denir conceitos internacionais de Fluxo de Dados Livre com Conança (Data Free Flow with Trust, ou DFFT) estejam
mais avançados, a Força-Tarefa de Transformação Digital do B20 Brasil recomenda expandir o KPI para medir não apenas o percentual de países com
regulamentação de proteção de dados e privacidade, mas também o quão alinhados estão com os princípios do DFFT. Atualmente, indicadores de
uxo internacional de dados (ex.: volume e crescimento do uso de largura de banda internacional) e restritividade das políticas nacionais (ex.: Cross
Border Data Policy Index da Global Data Alliance) podem fornecer alguns insights.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 47
ODS
A recomendação 2 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentá-
vel (ODS) das Nações Unidas: ODS 8: trabalho decente e crescimento econômico, ODS 9: indústria,
inovação e infraestrutura, ODS 16: paz, justiça e instituições ecazes e ODS 17: parcerias e meios de
implementação.
Mais detalhes no Anexo A
Princípios Orientadores do B20 Brasil
A recomendão 2 tem o maior impacto em dois Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Promover a resiliência das cadeias globais de valor
Aumentar a produtividade por meio da inovação
Mais detalhes no Anexo B
Prioridades do G20 Brasil
A recomendão 2 contribui para as prioridades dos grupos de trabalho de Economia Digital e de
Pesquisa e Inovação.
Mais detalhes no Anexo C
Contexto
Cibersegurança e conscientização cibernética
Seguraa e conança tornaram-se uma preocupação importante entre indivíduos, empresas e
governos em todo o mundo e agora são considerados pré-requisitos de uma transformação digital
bem-sucedida. Enquanto a adoção da tecnologia e a crescente dependência de redes conectadas
trouxeram oportunidades inigualáveis de crescimento e inovação, elas também aumentaram o risco
de incidentes cibernéticos causarem danos nanceiros, operacionais e reputacionais a organizações
e indivíduos.
Do ponto de vista empresarial, a cibersegurança refere-se à proteção de recursos digitais, incluindo
dados sensíveis, propriedade intelectual e infraestrutura ctica, contra incidentes cibernéticos. Nesse
contexto, as medidas de ciberseguraa focam na continuidade das operações das organizações,
48 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
proteção dos dados de seus clientes e preservação de sua reputação, diferentemente de preocupa-
ções mais amplas de segurança nacional, como o ciberterrorismo.
Infraestruturas cticas, como redes de comunicão e redes de energia, estão se tornando mais com-
plexas e dependentes de dispositivos conectados. O que antes era isolado agora faz parte de uma
rede e se torna suscetível a incidentes cibernéticos. A falha de infraestruturas críticas causada por um
acidente ou ataque cibernético malicioso tornou-se um risco constante. Na União Europeia, eventos
que têm como alvo a infraestrutura digital já representam 7% do total, ao passo quee eventos que têm
como alvo provedores de serviços digitais, 6%51 (26).
É importante ressaltar que incidentes cibernéticos abrangem um espectro mais amplo do que apenas
ataques maliciosos. Embora atores mal-intencionados, como hackers, representem a ameaça mais
signicativa, incidentes acidentais também são possíveis. Esses podem variar desde erros humanos
até falhas de sistema ou vulnerabilidades de software. Reconhecer esse escopo mais amplo é crucial
para uma cibersegurança ecaz.
Com relação a ataques maliciosos, sua frequência e gravidade têm aumentado constantemente, com
muitas empresas e organizações de grande destaque sendo vítimas de vazamentos de dados e outras
formas de cibercrime. As razões por trás desses ataques variam, mas hackers o tipicamente movidos
por dinheiro, reconhecimento e causas políticas e sociais52 (27).
A pandemia de COVID-19 também teve um impacto signicativo na cibersegurança. Muitas organiza-
ções e indivíduos foram forçados a trabalhar remotamente e aumentar sua presea online, criando
vulnerabilidades que hackers podem explorar. Além disso, a pida mudança para o ambiente online,
necessária para minimizar a inatividade operacional, muitas vezes ocorreu em detrimento de medidas
de segurança mais robustas.
Os danos nanceiros resultantes são substanciais. Estimativas da Cybersecurity Ventures revelam que
o cibercrime global deve custar um total de USD 9,5 trilhões em 2024 e USD 10,5 trilhões até 2025.
Se fosse medido como um país, o cibercrime seria a terceira maior economia do mundo, depois dos
Estados Unidos e da China53 (8).
Esse cenário se traduz em perdas signicativas para empresas e organizações. De acordo com o
relatório The Cost of a Data Breach da IBM, o custo total médio de um vazamento de dados estava
estimado em USD 4,45 milhões em 2023, dividido em quatro categorias54 (28):
Detecção e escalada (36% do custo total em 2023): atividades que permitem a uma empresa
detectar o vazamento, incluindo tarefas investigativas, serviços de avaliação e auditoria, e ges-
tão de crises.
Noticação (8%): atividades que permitem à empresa noticar os sujeitos dos dados, regula-
dores de e outras partes, incluindo e-mails, cartas, chamadas telefônicas ou avisos gerais aos
sujeitos dos dados, comunicão com reguladores e contratação de especialistas externos.
Resposta pós-vazamento (27%): atividades que ajudam as vítimas de um vazamento a se
comunicarem com a empresa e conduzem a reparação para vítimas e reguladores, incluindo
despesas legais, descontos em produtos e pagamento de multas regulatórias.
Perda de negócios (29%): atividades que tentam minimizar a perda de clientes, interruão
dos negócios e perdas de receita, incluindo interruão dos negócios e quedas de receita
devido ao tempo de inatividade do sistema, custo de perder clientes e adquirir novos e danos
reputacionais.
51 ENISA. Threat Landscape 2023. 2023.
52 CHECK POINT RESEARCH. 2024 Cyber Security Report. 2024.
53 CYBERSECURITY VENTURES. 2023 Ofcial Cybercrime Report. 2023.
54 IBM. The Cost of a Data Breach. 2023.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 49
Embora a cibersegurança seja uma queso intersetorial, nem todos os setores são afetados de forma
igual. Educação, governo e saúde são atualmente os principais alvos, experimentando mais de 1.500
tentativas de ciberataques semanais (Figura 11). Isso se deve predominantemente aos recursos valio-
sos e sensíveis que essas indústrias possuem. No setor de saúde, por exemplo, a ciberseguraa vai
além da proteção dos dados dos pacientes e da integridade operacional e nanceira das empresas,
abrangendo a manutenção de sistemas e equipamentos vitais. No entanto, fatores como o investi-
mento limitado em cibersegurança, especialmente em escolas, também contribuem para sua vulne-
rabilidade55 (27).
Figura 11 – Média global de ataques semanais por organizão por setor em 2023 [% de
mudança em relação a 2022]
Nota: SI = System Integrator (Integrador de Sistemas). VAR = Value-Added Reseller (Revendedor de Valor Agregado). ISP = Internet Service Provider (Provedor de
Serviços de Interne). MSP = Managed Service Provider (Provedor de Serviços Gerenciados); Fonte: Check Point Research
Em termos de impacto, também existem difereas signicativas entre setores. Enquanto o custo
total médio de um vazamento de dados é de USD 4,45 milhões, esse valor ultrapassa USD 10 milhões
na indústria de saúde (Figura 12) quase o dobro do custo de um vazamento no setor nanceiro,
que ocupa o segundo lugar. Desde 2020, os custos de vazamentos de dados na saúde aumentaram
53,3%56 (28).
55 CHECK POINT RESEARCH. 2024 Cyber Security Report. 2024.
56 IBM. The Cost of a Data Breach. 2023.
50 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Figura 12 – Custo de um vazamento de dados por setor
Fonte: IBM, The Cost of a Data Breach (2023)
Seis principais tendências estão marcando o cenário global de cibersegurança, de acordo com o
Charter of Trust:
Risco cibernético crescente para as empresas: não apenas o número de ciberataques aumen-
tou, mas também as implicações para as organizações que são vítimas. À medida que a digita-
lização continua, os incidentes tendem a ter impactos nanceiros, operacionais, reputacionais
e legais ainda maiores.
Importantes avanços tecnológicas: em primeiro lugar, tecnologias emergentes intensicam
desaos antigos, pois adotá-las requer entender suas implicações para a resiliência cibernética
de cada empresa. Em segundo lugar, elas criam desaos adicionais ao introduzir novos vetores
que atores mal-intencionados podem explorar.
Crescente falta de foa de trabalho: a demanda por prossionais qualicados em cibersegu-
rança supera signicativamente a oferta de talentos disponível. De acordo com a Cybersecurity
Ventures, o número de vagas não preenchidas na área de cibersegurança em todo o mundo
cresceu 350% entre 2013 e 2021, passando de um milhão para três milhões e meio57 (8). Em uma
pesquisa conduzida pelo Fórum Econômico Mundial, 36% dos entrevistados disseram que a
falta de conhecimento é a principal barreira para seus objetivos de resiliência cibernética58 (29).
Aumento do hacking prossional: o cibercrime está se tornando mais organizado e prossio-
nal, com hackers frequentemente operando como parte de redes criminosas maiores ou grupos
patrocinados por estados. Esses atacantes têm acesso a ferramentas e técnicas sosticadas e
frequentemente oferecem seus serviços na dark web (ex.: Ransomware-as-a-Service).
Aumento no número de leis e regulamentações em todo o mundo: governos estão reconhe-
cendo a imporncia da cibersegurança e introduzindo leis de privacidade de dados e regula-
mentações de cibersegurança mais rigorosas para proteger cidadãos e empresas contra ameaças
cibernéticas. As organizações devem manter-se informadas e em conformidade com essas regula-
mentações, que podem variar entre diferentes jurisdições, para evitar multas e danos reputacionais.
57 CYBERSECURITY VENTURES. 2023 Ofcial Cybercrime Report. 2023.
58 WORLD ECONOMIC FORUM. Global Cybersecurity Outlook 2024. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 51
Desaos de regulamentação local vs. global: a natureza global da Internet e a interconec-
tividade das empresas signicam que as ameaças cibernéticas frequentemente transcendem
fronteiras nacionais. No entanto, equilibrar os requisitos regulamentares locais e globais é um
desao para as empresas que operam internacionalmente e precisam navegar em um mosaico
de regulamentações.
Essas tendências indicam que a cibersegurança e a conança digital devem se tornar ainda mais rele-
vantes nos próximos anos. Contudo, enquanto os princípios fundamentais permanecem, as ameaças
e preocupações continuarão a se transformar à medida que a tecnologia evolui. Informação false
e desinformação geradas por IA, por exemplo, foram votadas como o segundo maior risco na Pes-
quisa de Perceão de Riscos Globais 2023-2024 do Fórum Econômico Mundial. Como mencionado
no relatório Cybersecurity Futures 2030 do Fórum Econômico Mundial, a cibersegurança se torna
menos sobre proteger a condencialidade e a disponibilidade da informação e mais sobre proteger
sua integridade e procedência.
O cenário de ameaças em constante evolão requer um esforço global. Empresas e países em todo
o mundo devem colaborar e aproveitar o poder das tecnologias de ponta para uma resposta ciber-
tica aprimorada. A IA, por exemplo, é capaz de analisar vastas quantidades de dados para identicar
atividades suspeitas, prever ataques e até automatizar partes das medidas de segurança, liberando
tempo dos prossionais do setor. Um estudo conduzido pela IBM revelou que organizações que uti-
lizam a IA e a automação em segurança apresentam, em média, um tempo 108 dias mais curto para
identicar e conter um vazamento de dados e um custo USD 1,76 milhão menor59 (28). Combinando
métodos tradicionais com o poder das novas tecnologias, organizações podem construir uma defesa
mais robusta contra as ameaças presentes no mundo digital.
Privacidade e uxo internacional de dados
Na era da transformação digital, os dados se tornaram um recurso valioso. À medida que a tecnologia
evolui e a conectividade aumenta, o uxo contínuo de dados entre fronteiras torna-se crucial para a
inovação em diversos setores e para o crescimento econômico global. Dados da UIT mostram que
o uso de banda-larga internacional, que serve como uma medida do uxo internacional de dados,
aumentou seis vezes de 2016 a 2022, chegando a 1.200 Tbit/s globalmente60 (30). A OCDE enfatiza
ainda que os uxos de dados internacionais são críticos para a economia global e para alcançar os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas61 (31).
Duas tendências principais aceleraram a geração, coleta e uso de dados: a transformação digital
de setores-chave como os de educação, energia, varejo, transportes, saúde, serviços nanceiros e
governamentais – e o aumento de novas tecnologias intensivas em dados – como a internet das Coi-
sas (IoT) e a inteligência articial (IA).
Embora o compartilhamento de dados seja essencial para viabilizar o desenvolvimento e a adoção
generalizada da tecnologia digital, criando um valor social e econômico signicativo, as discuses
sobre uxos internacionais de dados são frequentemente complexas, pois tocam em importantes
questões políticas, como proteção e privacidade dados pessoais ou sensíveis, segurança digital e
segurança nacional62 63 (31) (32). Essas preocupações estão levando a um aumento nas regulamen-
tações nacionais que restringem o uxo de dados e ampliam os requisitos de localizão de dados.
59 IBM. The Cost of a Data Breach. 2023.
60 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Measuring digital development: facts and gures 2023. Disponível em: https://www.itu.int/
en/ITU-D/Statistics/Pages/facts/default.aspx. Acesso em: 28 aug. 2024.
61 OECD. Moving forward on data free ow with trust: new evidence and analysis of business experiences. 2023.
62 OECD. Moving forward on data free ow with trust: new evidence and analysis of business experiences. 2023.
63 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
52 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
No período de 2009 a 2019, o número de regulamentações de dados em todo o mundo quase dobrou
(Figura 13)64 (9).
Figura 13 – Medidas que afetam os uxos internacionais de dados
Nota: gráco captura medidas que condicionam o movimento de dados através de fronteiras internacionais ou que exigem que os dados sejam armazenados
domesticamente.
Fonte: Casalini and López González (2019); OECD, Trade and Cross-Border Data Flows (2019)
Embora tenha o objetivo de garantir privacidade e proteção de dados, esse aumento nas regula-
mentações criou inadvertidamente externalidades negativas. O surgimento de múltiplas regulamen-
tações, frequentemente conitantes, com impacto nos uxos de dados tornou o cenário regulatório
complexo e fragmentado e as medidas tradicionais para conciliar essas diferenças (ex.: negociação
bilateral de acordos de adequação entre regimes de privacidade) mostram-se difíceis de escalar glo-
balmente. Esse mosaico de abordagens não só atrapalhar o desenvolvimento tecnológico, mas tam-
bém diculta a adão generalizada de soluções potencialmente benécas, cria desaos adicionais
para as empresas e eleva o risco de formação de uma economia digital em silos65 (33).
Do ponto de vista de negócios, o relatório do METI identicou as seguintes barreiras relacionadas à
fragmentação regulatória global e ao aumento da localização de dados66,67,68 (33) (34) (35):
Regulamentações sobrepostas dentro de países, que podem ser causadas por silos digitais
entre reguladores locais.
Falta de transparência jurídica resultante de requisitos regulatórios em camadas.
Falta de estabilidade jurídica devido a mudaas nos requisitos e custos de pesquisa para as
empresas.
Compreensão insuciente por parte dos reguladores da realidade empresariais dos uxos
internacionais de dados.
Custos signicativos associados à obteão de certicão para manuseio de dados.
Falta de denições claras de “uxos internacionais”, “dados pessoais” e outros conceitos.
64 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
65 WORLD TRADE ORGANIZATION - WTO. Digital trade for development. 2023.
66 WORLD TRADE ORGANIZATION - WTO. Digital trade for development. 2023.
67 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
68 UN TRADE AND DEVELOPMENT - UNCTAD. Digital Economy Report 2022: cross-border data ows and development: for whom the data ow. 2021.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 53
Essas barreiras têm um impacto signicativo em setores essenciais. A Healthcare Information and
Management Systems Society (HIMSS) destaca que a “necessidade urgente de convergência global
em torno das leis, regulamentações e políticas que governem o acesso seguro e a troca internacio-
nal de dados de saúdeé um dos principais desaos que os sistemas de saúde ao redor do mundo
enfrentam hoje. As restrições ao uxo de dados afetam diretamente a inovação na medicina e na
pesquisa biomédica, que dependem do processamento de grandes quantidades de dados coletados
globalmente para apoiar todas as etapas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e a comercializão
de novos medicamentos e terapias. Além disso, os uxos internacionais de dados de saúde são essen-
ciais para facilitar o atendimento em um mundo globalizado, onde os pacientes são cada vez mais
móveis e a tecnologia digital possibilita novas formas de atendimento por meio da telemedicina69 (36).
Nesse contexto, o conceito de Fluxo Livre de Dados com Segurança (DFFT, Data Free Flow with Trust)
surgiu para conciliar o movimento de dados sem barreiras através das fronteiras para acelerar a ino-
vação e o crescimento econômico com a garantia de conança por meio de medidas robustas de
privacidade e segurança. Ao estabelecer princípios comuns e fomentar a cooperação entre os países,
o DFFT visa criar um ambiente transparente e previsível para a era digital.
Desde a sua introdução em 2019, o Fluxo de Livre de Dados com Segurança tem sido discutido em
vários runs internacionais e angariado apoio crescente. Na cúpula do G7 de Hiroshima em 2023, o
DFFT ganhou mais força quando os líderes do G7 rearmaram seu compromisso com a operaciona-
lização do conceito — em linha com o Leader’s Declaration do G20 de 2019, o Roadmap for Coope-
ration on Data Free Flow with Trust do G7 de 2021 e o Action Plan for Promoting Data Free Flow with
Trust G7 de 2022 e endossaram a criação do Institutional Arrangement for Partnership (IAP) para
facilitar sua coordenação. Na OCDE, o DFFT foi um motivador para a criação dos princípios de Trus-
ted Government Access, que descrevem salvaguardas de privacidade nas leis de segurança nacional.
À medida que a complexidade do cenário global de políticas de dados continua a aumentar — parti-
cularmente com o crescimento das regulamentações restritivas de dados em todo o mundo e com o
número crescente de países adotando práticas de localizão de dados — nações devem unir esfor-
ços para reduzir os custos e riscos associados à fragmentação geopolítica e capturar o potencial da
inovação digital.
69 HEALTHCARE INFORMATION AND MANAGEMENT SYSTEMS SOCIETY - HIMSS. Empowered by the cloud: How cross-border health data ows can
create value for patients and boost health system efciency. 2023.
54 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Policy Action 2.1
Fomentar cooperação multilateral para melhoria da ação cibernética internacional – da prevenção,
identicação e contenção de incidentes à investigação e ação legal – alavancando padrões harmoni-
zados de cibersegurança e resiliência cibernética.
Sumário Executivo
Para alcançar este objetivo, o G20 deve:
Identicar uma organização não governamental de cada país ou região para complementar os
esforços públicos e privados de cibersegurança localmente e internacionalmente, conectando-as
por meio de uma rede global de colaboração.
Garantir a convergência entre os padrões globais de cibersegurança e desenvolver um fra-
mework de código aberto comum para criar uma abordagem consistente de cibersegurança e
melhorar a interoperabilidade internacional e intersetorial.
Aprimorar a colaboração internacional para a detecção e mitigão de incidentes cibernéti-
cos, padronizando processos de resposta, estabelecendo plataformas seguras de comparti-
lhamento de informações, expandindo a capacidade de análise forense cibernética da comuni-
dade jurídica e desenvolvendo frameworks legais internacionais para responsabilizar as pessoas
envolvidas em incidentes cibernéticos.
Combater a deciência global de habilidades de cibersegurança por meio da ampla conscien-
tizão cibernética e da formação de talentos.
Pano de Fundo e Contexto
São necessários, em média, 277 dias para se identicar e conter um vazamento de dados, sendo 207
dias dedicados à identicação e 70 dias, à contenção70 (28). Essa duração prolongada refoa a neces-
sidade de medidas ecazes de cibersegurança.
Parte desse desao decorre do complexo cenário regulatório global. Mais de 130 países possuem
legislações próprias de protão e privacidade de dados71 (37), o que torna especialmente difícil para
empresas multinacionais navegarem pela complexa rede de leis interconectadas e sobrepostas.
Outro fator complicador é a diversidade de natureza e localização dos stakeholders envolvidos na
identicão e contenção de um incidente, na investigação de sua origem e na tomada de ações
legais. Autoridades regulatórias, agências nacionais de cibersegurança (ex.: CISA nos Estados Uni-
dos), Equipes de Resposta a Emergências Cibernéticas (CERTS, Computer Security Incident Response
Teams) e órgãos de reporte de ameaças (ex.: FIRST, Cyber Threat Alliance) em diferentes jurisdições
são alguns exemplos de organizações que geralmente são mobilizadas.
70 IBM. The Cost of a Data Breach. 2023.
71 UN TRADE AND DEVELOPMENT - UNCTAD. Data Protection and Privacy Legislation Worldwide. Disponível em: https://unctad.org/page/data-protection-
and-privacy-legislation-worldwide. Acesso em: 05 jan. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 55
Para endereçar essa questão e reduzir a ameaça e o impacto do cibercrime, nações devem fortale-
cer a colaboração multilateral, minimizando o tempo necessário para detectar e conter incidentes e
aumentando a resiliência geral do ecossistema digital global.
O G20 deve identicar uma organizão não governamental de cada país ou região para comple-
mentar os esforços públicos e privados de ciberseguraa localmente e internacionalmente, conec-
tando-as por meio de uma rede global de colaboração
As ameaças à ciberseguraa são globais, mas as soluções frequentemente permanecem fragmenta-
das dentro e entre fronteiras nacionais, gerando lacunas nas defesas e dicultando respostas ecazes.
Capacitar uma organização não governamental de cada país ou região para aprimorar a ação ciber-
nética local e internacional pode ajudar a estabelecer um ecossistema internacional robusto de ciber-
segurança. Isso melhoraria a coordenação entre jurisdições, incrementando os esforços dos órgãos
governamentais e dos CERTs e criando uma frente mais unicada contra incidentes cibernéticos.
Os objetivos dessas organizações não-governamentais incluiriam colaborar com órgãos internacio-
nais como a União Internacional de Telecomunicações (UIT), o Fórum de Equipes de Resposta a Inci-
dentes e Segurança (FIRST, Forum of Incident Response and Security Teams) e o Fórum Global de
Especialistas em Cibersegurança (GFCE, Global Forum on Cyber Expertise) para facilitar a troca de
informações sobre incidentes cibernéticos e a noticão de vulnerabilidades. Ao aproveitar essas
plataformas estabelecidas, os países podem garantir o compartilhamento ecaz de informões críti-
cas, fortalecendo assim a resiliência cibernética e a capacidade de resposta global.
As organizações selecionadas poderiam ser uma entidade especialista no domínio da cibersegu-
rança, parte de uma associação comercial ou até mesmo uma subsidiária do governo. Os critérios de
seleção devem incluir expertise técnica, capacidade de gestão de projetos para o desenvolvimento
de frameworks e capacidade de pesquisa e advocacy de forma a compartilhar descobertas com o
restante da rede, além de alcance e credibilidade para engajar governos e empresas.
Em termos de responsabilidades, essas organizações devem:
Trabalhar para a harmonização de frameworks e padrões globais de cibersegurança, bem como
para a convergência de regulamentações a m de melhorar a interoperabilidade internacional
e intersetorial.
Coordenar a resposta e a recuperação de incidentes para uma reação mais rápida e ecaz a
ciberataques.
Denir e monitorar novos KPIs em vel internacional para avaliar o progresso na resiliência
cibernética.
Facilitar o compartilhamento de expertise e materiais de treinamento para fortalecer as habili-
dades locais em cibersegurança, fomentando uma comunidade global mais informada e resi-
liente.
Promover a conscientização sobre cibersegurança por meio do desenvolvimento colaborativo
e da disseminação de materiais educacionais.
Atuar como um ponto de contato centralizado e promover o engajamento multissetorial, conec-
tando empresas, governos e sociedade civil.
Para apoiar o desenvolvimento dessa rede internacional, os membros do G20 também devem esta-
belecer fóruns, processos e ferramentas para comunicação, compartilhamento de informações, capa-
citação e projetos colaborativos.
56 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Box 2.1 – Data Security Council of India
O Data Security Council of India (DSCI) é uma entidade sem ns lucrativos voltada à proteção de dados no país
estabelecida pela NASSCOM - Associação Nacional de Empresas de Software e Serviços da Índia.
O DSCI visa tornar o ciberespaço seguro, protegido e conável, estabelecendo melhores práticas, padrões e
iniciativas em cibersegurança e privacidade. O conselho desenvolve melhores práticas e frameworks, publica
estudos, pesquisas e artigos, e constrói capacidade em segurança, privacidade e análise forense cibernética
por meio de programas de treinamento e certicação. Além disso, o DSCI envolve stakeholders por meio de
iniciativas de alcance, como eventos, prêmios, capítulos, consultas e programas de adesão.
Fonte: Data Security Council of India
O G20 deve garantir a convergência entre os padrões globais de cibersegurança e desenvolver um
framework de código aberto comum para criar uma abordagem consistente de ciberseguraa e
melhorar a interoperabilidade internacional e intersetorial
Alinhado com o pedido do B20 Indonésia e do B20 Índia por padrões de cibersegurança e resiliên-
cia cibernética interoperáveis e baseados em risco
Atualmente, o cenário global de cibersegurança é fragmentado, com mais de 20 diferentes padrões
de cibersegurança oferecendo orientações sobre gestão de riscos cibernéticos. Embora frameworks
proeminentes como NIST, ISO 27001 e FFIEC CAT forneçam diretrizes individualmente abrangentes,
a falta de harmonizão cria complicações signicativas para organizações em todo o mundo. Cada
padrão estabelece seus próprios requisitos com níveis variados de profundidade, levando a complexi-
dades e ineciências extras para as empresas. Estimativas sugerem que mais de 40% dos orçamentos
de cibersegurança são gastos com relatórios de conformidade72 (38).
Para enfrentar esse desao, os membros do G20 devem trabalhar juntos para estabelecer conança
e promover a interoperabilidade internacional de padrões de seguraa e privacidade baseados em
risco por meio das jurisdições. Isso pode ser alcançado identicando elementos comuns entre as dire-
trizes existentes e criando um framework único e consistente que equilibre as necessidades de vários
stakeholders. Frameworks e padrões compartilhados devem ser exíveis, neutros em tecnologia e
baseados em uma abordagem de risco que priorize resultados ecazes em vez de controles rígidos,
permitindo que organizações adaptem a abordagem a suas prioridades, sistemas e riscos próprios.
O G20 deve colaborar com stakeholders para assegurar a adoção de padrões harmonizados e man-
tê-los por meio de monitoramento contínuo a m de assegurar relevância e efetividade no ciberes-
paço global.
O G20 deve melhorar a colaboração internacional para a detecção e mitigação de incidentes ciber-
ticos, padronizando processos de resposta, estabelecendo plataformas seguras de compartilha-
mento de informações, aumentando a capacidade de análise forense cibernética da comunidade
jurídica e desenvolvendo frameworks legais internacionais para responsabilizar as pessoas envolvi-
das em incidentes cibernéticos
Um dos principais desaos do combate a incidentes de cibersegurança é a diversidade de natureza e
localizão dos stakeholders envolvidos. Uma resposta ecaz requer a identicão e a conteão do
incidente, a investigação de sua origem e a condão de eventuais ações legais.
72 FORBES. Cutting the Cost and Complexity of Cybersecurity Compliance. 2022.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 57
Para lidar com esse desao, os membros do G20 devem promover colaboração para resposta ciber-
nética por meio de:
Padronização da resposta a incidentes cibernéticos: estabelecer um framework padronizado
para resposta a incidentes permite criar linguagem e processos comuns, permitindo que stake-
holders de diferentes países se comuniquem de forma eciente, compreendam seus papéis e
colaborem ecientemente durante um incidente.
Estabelecimento de plataformas seguras de compartilhamento de informações: criar pla-
taformas internacionais seguras para compartilhamento de informações, inteligência e indica-
dores de ameaças pode possibilitar que diferentes países identiquem e se defendam mais
rapidamente contra incidentes cibernéticos.
Melhoria das capacidades de análise forense cibernética: compartilhar conhecimentos em
cibersegurança, treinar pessoal em investigão digital avançada e equipá-los com ferramentas
modernas apoiaria a formação de uma força de trabalho policial qualicada, capaz de identi-
car, endereçar e rastrear efetivamente as origens de incidentes cibernéticos.
Desenvolvimento de frameworks legais internacionais: convergir para a adão de fra-
meworks legais internacionais de combate ao cibercrime. Isso inclui estabelecer limites jurisdi-
cionais claros e elaborar regulamentações internacionais para responsabilizar cibercriminosos
e outras partes envolvidas (ex.: nanciadores e facilitadores) que operam internacionalmente.
O G20 deve combater a deciência global de habilidades de cibersegurança por meio da ampla
conscientização cibernética e da formação de talentos
Alinhado com o pedido do B20 Indonésia e do B20 Índia de conscientização cibernética em dife-
rentes níveis, fechando a lacuna de habilidades de cibersegurança
A conscientizão cibernética é o entendimento dos riscos associados à atividade online e a capa-
cidade de navegar com segurança no mundo digital, o que inclui saber como proteger informações
sensíveis, reconhecer golpes de phishing, evitar malware e proteger contas online.
A UIT destaca, em seu último Relatório de Conectividade Global, que muitas pessoas estão adqui-
rindo habilidades digitais informalmente, muitas vezes levando a uma falta de conscientização sobre
os riscos envolvidos, como proteger sua privacidade e distinguir entre fatos e desinformação73 (5).
A crescente popularidade do online banking, por exemplo, embora conveniente, cria vulnerabilidades
que podem ser exploradas por criminosos. Golpes de phishing permitem que eles enganem os usuá-
rios para revelar informações sensíveis e ganhar acesso às suas contas bancárias online.
Essa falta de conscientização cibertica básica se reete no número de vulnerabilidades que afetam
as empresas. Estimativas mostram que 95% dos problemas de cibersegurança são causados por erros
humanos e ameaças internas (intencionais ou acidentais) representam 43% de todos os vazamentos
de dados74 (39).
Para endereçar esse desao, as nações do G20 devem educar as pessoas sobre segurança digital
e conscientizá-las a respeito de ações preventivas e curativas necessárias em resposta às ameaças
existentes no ciberespaço. precisam promover campanhas de conscientizão pública que eduquem
o público acerca de ameaças cibernéticas e fornecer as ferramentas necessárias para garantir maior
segurança e proteção online.
73 INTERNATIONAL TELECOMMUNICATIONS UNION - ITU. Global Connectivity Report 2022. 2022.
74 WORLD ECONOMIC FORUM. The Global Risks Report. 2022.
58 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Conscientizão cibernética sica, no entanto, não é suciente. Uma pesquisa conduzida pelo Fórum
Econômico Mundial aponta que a escassez de habilidades e talentos cibernéticos continua a progre-
dir em um ritmo alarmante75 (29): 52% das organizações públicas armam que a falta de recursos e
habilidades é sua maior barreira à resiliência cibernética; metade das pequenas organizações diz que
não tem ou não sabe se reúne as habilidades necessárias para atender seus objetivos cibernéticos;
e apenas 15% de todas as organizações estão otimistas de que as habilidades e a educação ciberné-
ticas melhorarão signicativamente nos próximos dois anos.
Para enfrentar essa escassez de habilidades e talentos cibernéticos, o G20 deve incentivar a criação
e expansão de programas especializados que atendam a diferentes idades e níveis de experiência,
tais como:
Academias Nacionais de Cibersegurança: Instituições educacionais especializadas estabele-
cidas por governos ou outras organizações para fornecer educão e treinamento abrangentes
e focados em cibersegurança. Por meio de uma combinação de instrução teórica e exercícios
práticos, os alunos nessas academias ganham a expertise necessária nos diversos componen-
tes de ciberseguraa.
Caminhos de Educação Cibernética para Jovens: iniciativas voltadas para engajar e educar
jovens na área de cibersegurança desde cedo. Esses programas visam estudantes do ensino
fundamental e médio, bem como aqueles no ensino superior, com o objetivo de desenvolver
seu interesse, habilidades e entendimento dos conceitos de cibersegurança. ao fornecer recur-
sos de aprendizado apropriados para a idade, atividades práticas, oportunidades de mentoria
e exposição a carreiras em cibersegurança, esses caminhos ajudam a criar um pipeline de futu-
ros prossionais de cibersegurança.
Educação Cibernética para Executivos: programas e iniciativas de treinamento especica-
mente projetados para membros da equipe de liderança de uma organizão que visam equi-
par os líderes com uma compreensão sólida dos riscos cibernéticos, o potencial impacto e suas
responsabilidades na supervisão e orientação da estratégia de cibersegurança.
75 WORLD ECONOMIC FORUM. Global Cybersecurity Outlook 2024. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 59
Policy Action 2.2
Avançar no desenvolvimento do Fluxo Livre de Dados com Conança partindo das denições exis-
tentes e adaptando a abordagem aos membros do G20 a m de possibilitar inovação, crescimento
econômico e bem-estar social e aumentar a conança em escala global.
Sumário Executivo
Para atingir esse objetivo, o G20 deve:
Estabelecer um mecanismo institucional internacional para denir frameworks, padrões e pro-
tocolos de compartilhamento de dados interoperáveis e defender a convergência regulatória.
Apoiar os países em desenvolvimento na implementão de regulamentações robustas de gover-
nança de dados, alinhadas aos princípios de DFFT, por meio do compartilhamento de melhores
práticas e frameworks.
Fornecer às organizações globais ferramentas práticas para mitigar o risco e o custo de mover
dados internacionalmente, como cláusulas contratuais recomendadas para transferências interna-
cionais de dados, tecnologias de aprimoramento de privacidade (PETs) e marketplaces de dados.
Conscientizar e capacitar os indivíduos para que entendam como seus dados são coletados e
utilizados, bem como seus direitos de controlar o que é compartilhado e armazenado.
Pano de Fundo e Contexto
O conceito de Fluxo Livre de Dados com Conança (DFFT, Data Free Flow with Trust) visa conciliar o
movimento de dados sem barreiras através das fronteiras para acelerar a inovação e o crescimento
econômico com a garantia de conança por meio de medidas robustas de privacidade e segurança.
Tendo recebido um apoio signicativo nos últimos anos (ver a são de contexto para mais detalhes
sobre avanços recentes), DFFT pode se desenvolver mais com o apoio do G20.
O G20 deve estabelecer um mecanismo institucional internacional para denir frameworks, padrões
e protocolos de compartilhamento de dados interoperáveis e defender a convergência regulatória
A base para o desenvolvimento do Fluxo Livre de Dados com Conaa entre os países do G20 reside
no estabelecimento de um mecanismo institucional robusto com governança clara, processos deni-
dos e comitês para liderar este trabalho internacionalmente. Grupos de trabalho compostos por fun-
cionários do governo, especialistas, representantes da comunidade empresarial e outros stakeholders
devem ser criados para discutir desaos, compartilhar conhecimentos e fornecer contribuições para a
tomada de decisões pelo comitê.
Os objetivos devem incluir a manutenção de frameworks e padrões de compartilhamento de dados
interoperáveis que incorporem uma combinação de medidas domésticas e internacionais, alinhando-se
em critérios para a classicão e segregão de dados, estabelecendo requisitos de aprovação e con-
sentimento, e apoiando sua aplicão em diferentes jurisdições.
60 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
A indústria deve ser um componente central dessas discussões, uma vez que as empresas são os prin-
cipais geradoras e usuárias de dados. A participação da indústria garante que as políticas sejam fun-
damentadas em aplicações práticas e reais, aumentando sua ecácia e facilitando uma adoção mais
ampla. Desenvolvimentos recentes, como o Arranjo Institucional para Parceria (Institutional Arrange-
ment for Partnership, ou IAP) do G7, fornecem um framework para progredir no Fluxo Livre de Dados
com Conança (Box 2.2). Ao engajar ativamente a indústria na operacionalização do DFFT por meio de
frameworks como o IAP, os países do G20 podem criar um ambiente seguro, transparente e eciente
para o uxo internacional de dados, impulsionando a inovação global e a prosperidade econômica.
Box 2.2 – Arranjo Institucional para Parceria (Institutional Arrangement for Partnership, ou
IAP) do G7
No G7 Hiroshima 2023, os líderes do G7 endossaram o estabelecimento de um Arranjo Institucional para
Parceria (Institutional Arrangement for Partnership, IAP) de forma a liderar os esforços internacionais em direção
à operacionalização do DFFT. De acordo com a Declaração dos Ministros de Digital e Tecnologia, o IAP “reunirá
governos e stakeholders para operacionalizar o DFFT por meio de cooperação baseada em princípios, orientada
para soluções, baseada em evidências, multistakeholder e intersetorial.”
Os líderes do G7 consideraram que os atributos da OCDE e seu trabalho existente a tornam apropriada para
avançar esse esforço e propuseram a seguinte abordagem para a estrutura do IAP:
“Utilizar comitês/órgãos existentes de organizações internacionais (nas quais a tomada de decisões dos
países membros para políticas de dados/digitais ocorre) para facilitar a formulação e coordenação de políticas
multilaterais. O secretariado é estabelecido na OCDE, em que o IAP é hospedado.
Estabelecer GTs (grupos de trabalho) baseados em projetos compostos por funcionários do governo,
especialistas e stakeholders sob tal comitê. Esses GTs têm o objetivo de discutir, desenvolver e fornecer
contribuições de especialistas para a formulação e coordenação de políticas do comitê, abordando questões
e problemas relacionados ao uxo internacional de dados.
Cada GT pode colaborar e atrair várias organizações e instituições internacionais como participantes de
projetos conjuntos. Espera-se que os GTs forneçam soluções comuns para cada membro da OCDE e aquelas
organizações internacionais parceiras em cada projeto.”
Fonte: Digital Agency, Government of Japão
O G20 deve apoiar os países em desenvolvimento na implementação de regulamentações robus-
tas de governança de dados, alinhadas aos princípios de DFFT, por meio do compartilhamento de
melhores práticas e frameworks
Embora um mero signicativo de países tenha implementado legislação de governança de dados
— mais de 130, segundo a UNCTAD76 (37) , ainda existe uma lacuna dentro do próprio G20, com
algumas nações em desenvolvimento ainda carecendo de legislação robusta de proteção e privaci-
dade de dados. Ao apoiar esses países em desenvolvimento na criação de frameworks robustos de
governança de dados alinhados aos princípios do DFFT, o G20 pode criar um ambiente mais igualitá-
rio e desbloquear todo o potencial da inovação orientada por dados para todos os membros.
Para alcançar esse objetivo, os membros do G20 devem promover o compartilhamento de conheci-
mento e equipar os países em desenvolvimento com recursos para ajudá-los a implementar regula-
mentações robustas de governança de dados. Isso incluir frameworks, estudos de caso, materiais de
treinamento e assistência técnica adaptada às suas necessidades especícas.
76 UN TRADE AND DEVELOPMENT - UNCTAD. Data Protection and Privacy Legislation Worldwide. Disponível em: https://unctad.org/page/data-protection-
and-privacy-legislation-worldwide. Acesso em: 05 jan. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 61
O G20 deve fornecer às organizações globais ferramentas práticas para mitigar o risco e o custo de
mover dados internacionalmente, como cláusulas contratuais recomendadas para transferências inter-
nacionais de dados, tecnologias de aprimoramento de privacidade (PETs) e marketplaces de dados
Juntamente com mecanismos regulatórios, países podem aproveitar ferramentas tecnológicas e legais
para ajudar as organizações a realizar de forma segura uxos internacionais de dados77 (9), tais como:
Modelos de cláusula contratual para uxo internacional de dados: cláusulas recomendadas
ou obrigatórias que garantem a transferência legal de dados entre entidades através das frontei-
ras. Exemplos incluem as “Cláusulas Contratuais Padrão(“Standard Contractual Clauses”) para
transferências de dados entre países da UE e não-UE78 (40) e as “Cláusulas Contratuais Modelo
da ASEAN para Transferências Internacionais de Dados(“ASEAN Model Contractual Clauses
for Cross-Border Data Transfers”) para transferências de dados entre as nações da ASEAN79 (41).
Marketplaces de dados: plataformas online que facilitam a compra e venda de dados. Opera-
dos por provedores de serviços neutros, essas plataformas oferecem rastreabilidade, segurança
e conformidade com as regulamentações. Além disso, propiciam que provedores de serviços
compartilhem sua expertise e ajudem organizações com conhecimento especializado.
Tecnologias de aprimoramento de privacidade (Privacy Enhancement Tools, ou PETs):
onjunto emergente de tecnologias e abordagens que permitem a obtenção de resultados
úteis a partir dos dados sem fornecer acesso completo aos dados80 (42). Compreendendo dife-
rentes técnicas (ex.: privacidade diferencial, análise federada, provas de conhecimento zero)81
(9), as PETs têm o potencial de reduzir os riscos de compartilhamento de dados durante a cola-
borão entre organizações, fomentando a conança e incentivando a colaborão.
Repositório de regulamentações de transferência internacional de dados: repositório cen-
tralizado de regulamentações nacionais e internacionais de dados criado para melhorar a trans-
parência e facilitar a conformidade pelo setor privado, possibilitando aos usuários explorar,
rastrear e analisar as diferentes abordagens regulatórias82 (9).
Os membros do G20 devem incentivar ativamente o desenvolvimento e a adoção dessas ferramentas
tecnológicas para complementar os esforços regulatórios em direção ao Fluxo Livre de Dados com
Conança fornecendo suporte voltado para iniciativas de pesquisa e desenvolvimento, estabelecendo
hubs de inovação colaborativa e promovendo parcerias público-privadas focadas nessas tecnologias.
Adicionalmente, os membros do G20 podem implementar sandboxes regulatórios para facilitar o
teste e a instalação dessas ferramentas em ambientes controlados, além de promover programas de
capacitação para equipar os stakeholders com o conhecimento necesrio para sua utilizão.
O G20 deve conscientizar e capacitar os indivíduos para que entendam como seus dados são cole-
tados e utilizados, bem como seus direitos de controlar o que é compartilhado e armazenado
Conforme descrito anteriormente, a era digital levou a um aumento exponencial na quantidade de
dados pessoais coletados e armazenados por organizações. Esses dados, que abrangem de ativi-
dades online a transações nanceiras, são frequentemente coletados sem que os indivíduos com-
preendam totalmente o perímetro ou as implicões de seu uso. O cenário das regulamentações
de privacidade de dados está se tornando cada vez mais complexo, com leis nacionais e regionais
emergindo e dicultando ainda mais a compreensão dos indivíduos sobre seus direitos em relação à
coleta, armazenamento e uso de seus dados pessoais.
77 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
78 EUROPEAN COMMISSION. Standard Contractual Clauses (SCC). 2021.
79 ASSOCIATION OF SOUTHEAST ASIAN NATIONS. ASEAN model contractual clauses for cross border data ows. 2021.
80 THE ROYAL SOCIETY. From privacy to partnership. 2023.
81 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
82 OECD. Fostering cross-border data ows with trust. 2022.
62 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Para abordar essa crescente preocupação, os membros do G20 devem construir uma ampla cons-
cientização e capacitar os indivíduos a entenderem seus direitos de privacidade e proteção de
dados. Isso pode ser alcaado por meio de campanhas de educão pública em diferentes canais
(ex.: redes sociais, mídia tradicional, instituições educacionais) para informar os indivíduos sobre os
tipos de dados coletados por empresas, os usos potenciais e seus direitos de controlar a coleta, o
armazenamento e o compartilhamento de informações. Além disso, governos podem colaborar com
organizações para garantir maior transparência. Isso pode envolver a exigência de que as plataformas
indiquem os tipos de dados coletados, seu uso pretendido e os direitos dos indivíduos sobre seu
controle, armazenamento e exclusão.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 63
RECOMENDAÇÃO 3
Recomendação 3
RNova recomendação
Explorar de maneira responsável o potencial transformador da inteligência arti-
cial (IA), apoiando seu desenvolvimento e adoção, bem como colaborando para
alcançar uma ambição compartilhada e princípios comuns de ética, sustentabili-
dade, segurança e inclusão.
Policy Actions
Policy Action 3.1 – Fortalecer a colaborão internacional e escalar frameworks pró-inovação basea-
dos em gestão de risco para o desenvolvimento, implementão e governaa responsáveis da IA,
com a nalidade de acompanhar a evolução rápida da tecnologia e do cenário regulatório.
Key Performance Indicators Linha de Base Meta Classicação
Pontuação mínima alcançada por um país
do G20 no Government AI Readiness Index
Fonte: Oxford Insights
África: 18
Américas: 50
Ásia-Pacíco: 61
Europa: 49
(2023)
70 em todas
as regiões
(2027)
I
Novo indicador
ODS
A recomendação 3 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentá-
vel (ODS) das Nações Unidas: ODS 8: trabalho decente e crescimento econômico, ODS 9: indústria,
inovação e infraestrutura, ODS 16: paz, justiça e instituições ecazes e ODS 17: parcerias e meios de
implementação.
Mais detalhes no Anexo A
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 65
Princípios Orientadores do B20 Brasil
A recomendação 3 tem o impacto mais forte em quatro Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Aumentar a produtividade por meio da inovação
Valorizar o capital humano
Promover uma transição justa para zerar as emissões líquidas de gases de efeito
estufa
Incentivar a resiliência das cadeias globais de valor
Mais detalhes no Anexo B
Prioridades do G20 Brasil
A recomendação 3 contribui para as prioridades dos grupos de trabalho de Economia Digital do
G20 Brasil, principalmente a de “inteligência articial para o desenvolvimento sustentável inclusivo e
a redução das desigualdades.
A recomendação 3 também apoia as prioridades de outros grupos de trabalho, especialmente Pes-
quisa e Inovação, Saúde, Redução do Risco de Desastres, Educação, Emprego e Agricultura.
Mais detalhes no Anexo C
Contexto
A IA foi concebida na segunda metade do século XX e evoluiu continuamente de sistemas iniciais de
IA a tecnologias de Machine Learning (ML) e Deep Learning (DL), cada vez mais complexas e pode-
rosas. No entanto, foi a adoção generalizada de aplicações de IA generativa (GenAI) que levou à sua
recente disrupção.
A velocidade de adoção e implementão da IA é incomparável a qualquer outro avanço tecnológico.
Para ilustrar, o nanciamento global de soluções de GenAI disparou de menos de USD 50 milhões em
2014 para mais de USD 10 bilhões em 202383 (10) e, à medida que evolui em um ritmo sem preceden-
tes, a IA promete revolucionar sociedades e economias com sua capacidade de aumentar a produti-
vidade e acelerar a inovação.
O poder transformador da IA é inegável. Com casos de uso existentes e em desenvolvimento em
vários setores, essa tecnologia promete não apenas modernizar práticas atuais, mas também desblo-
quear soluções inovadoras para alguns dos maiores desaos do mundo.
No entanto, capturar esses benefícios requer uma considerão responsável de suas implicões.
O surgimento da IA criou preocupações complexas sobre responsabilidade, ética, segurança, susten-
83 CB Insights.
66 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
tabilidade e segurança, representando um desao signicativo que requer uma ação colaborativa de
governos e organizações.
Em seu relatório AI Policies for Business, a Confederão da Indústria da Índia (CII) destaca cinco
áreas-chave a serem consideradas ao analisar o poder transformador da IA (Figura 14).
Figura 14 – Áreas para consideração
Fonte: CII (2023) AI Policies for Business
Dentro de cada uma dessas cinco áreas, é posvel identicar vantagens e desvantagens. Ao mitigar
proativamente os potenciais riscos desde o início, enquanto a IA ainda está em seus estágios iniciais,
os países podem maximizar o impacto transformador dessa tecnologia. Essa abordagem proativa
garantirá que a IA sirva à humanidade para o melhor, promovendo ética, sustentabilidade e inclusão.
Inovação, produtividade e competitividade
As funcionalidades da IA estão despertando fascínio global e impulsionando a inovação, produtivi-
dade e competitividade em diversos setores. Estimativas mostram que essa tecnologia tem o poten-
cial de aumentar o PIB global em 7% em um período de dez anos84 (43). Casos de uso existentes e em
desenvolvimento que ajudam a enfrentar desaos do mundo real em setores-chave incluem:
Sde: a IA está revolucionando a descoberta e síntese de medicamentos. Ao analisar padrões
em grandes quantidades de dados, ela pode ajudar a identicar candidatos a medicamen-
tos promissores e prever sua ecácia e segurança, acelerando signicativamente o desenvolvi-
mento de novos tratamentos.
Educação: a IA está possibilitando uma aprendizagem personalizada e aprimorada. Ela permite
analisar o progresso e o estilo de aprendizagem de cada estudante e recomendar materiais e
atividades especícas para ajuda-los a aprender de forma mais eciente. A natureza digital da
IA a torna altamente escalável, fazendo dela uma solução adequada para fornecer educão de
qualidade às populações atualmente marginalizadas.
Comunicação e conectividade: a IA está viabilizando soluções instantâneas de tradução de
idiomas em tempo real. Essas ferramentas prometem derrubar barreiras linguísticas e propor-
cionar que pessoas de todo o mundo se comuniquem sem diculdade, promovendo maior
compreensão e colaboração em escala global.
Serviços nanceiros: a IA está alimentando sistemas aprimorados de detecção e preveão
de fraudes. Ao analisar transações nanceiras em tempo real, a IA melhora a identicão de
padrões suspeitos e a prevenção de atividades fraudulentas, protegendo consumidores e
empresas de perdas nanceiras.
TI e desenvolvimento de software: a IA está democratizando o acesso à programação de
software. Com a ajuda dessa tecnologia, um grupo mais amplo de pessoas pode criar um sof-
tware de maneira mais eciente e intuitiva, abrindo portas para quem tem menos experiência
contribuir como programador e acelerar a inovação e a produtividade.
84 GOLDMAN SACHS. Generative AI could raise global GDP by 7%. 2023.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 67
Indústria manufatureira: a IA está revolucionando o setor de manufatura, aprimorando a
manutenção preditiva, a otimização de processos por meio de simulação, o controle de quali-
dade, a inovação de design e o treinamento da força de trabalho.
Embora o poder transformador da IA seja inegável, ele também deve ser inclusivo. Se os benefícios da
IA se concentrarem nas mãos de apenas alguns indivíduos, empresas ou países, isso poderá agravar
as desigualdades existentes. De uma perspectiva global, o Fórum Econômico Mundial destaca quatro
fontes (não exaustivas) de disparidades e exclusão global85 (44):
Infraestrutura: o desenvolvimento, treinamento e manuteão de sistemas de IA generativa
requerem uma extensa infraestrutura de computão em nuvem que muitas vezes está além do
alcance de países em desenvolvimento ou empresas menores.
Dados: os resultados gerados por um sistema de IA generativa são fortemente inuenciados
pelos conjuntos de dados em que são treinados, que muitas vezes sub-representam países ou
grupos demográcos marginalizados.
Talentos: as oportunidades educacionais e de mentoria necesrias para criar tecnologias de
ponta como a IA generativa muitas vezes estão fora do alcance dos estudantes em países des-
privilegiados.
Governaa: recursos nanceiros, políticos e técnicos limitados dicultam a capacidade de
muitos países de desenvolver políticas sólidas de governança de IA.
Governança e privacidade de dados
A capacidade da IA de identicar padrões e extrair informações de dados supera a de qualquer outra
tecnologia anterior. Ao analisar o que seriam quantidades excepcionais de dados, as aplicações de IA
conseguem descobrir conexões ocultas e apresentar novas oportunidades para aumentar a produti-
vidade, acelerar a inovação e enfrentar desaos complexos em áreas-chave como saúde, educão e
mudanças climáticas.
Em geral, quanto mais dados um sistema de IA recebe durante seu treinamento, melhor ele funciona.
Isso cria uma tensão entre a redução de restrições ao uso de dados e a proteção da privacidade e dos
direitos de propriedade intelectual dos usuários.
Por um lado, os dados usados no treinamento de IA podem conter informações pessoais, como con-
sultas de pesquisa, histórico de navegação e interações em redes sociais, que requerem a garantia
da privacidade do usuário, sua proteção e, quando aplicável, consentimento. Propriedade intelectual
também é um fator chave a ser considerado, uma vez que a IA generativa é normalmente treinada em
recursos existentes e usa padrões identicados nesses recursos para criar novas ideias e materiais.
Por outro lado, dados são o combusvel da IA e restrições ao seu uso podem dicultar o desenvol-
vimento e a inovação. Com o aumento das regulamentações de privacidade de dados em todo o
mundo, limitações estão sendo impostas à forma como os dados podem ser coletados, armazenados
e transferidos. Governos agora devem colaborar para facilitar o uxo de dados com segurança e cap-
turar o potencial da IA (para mais informações sobre este tópico, consulte a Policy Action2.2).
Encontrar um equilíbrio entre assegurar a privacidade de dados e os direitos de propriedade inte-
lectual e promover um ambiente saudável para o desenvolvimento da IA é um desao crítico para os
próximos anos.
85 WORLD ECONOMIC FORUM. AI Governance Alliance Brieng Paper Series. 2024.
68 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Dinâmica da força de trabalho e desenvolvimento de habilidades
A IA está transformando rapidamente a dinâmica da força de trabalho, levando a uma mudança nas
habilidades necesrias para prosperar no ambiente de trabalho moderno e criando oportunidades
totalmente novas. Do ponto de vista técnico, espera-se que inúmeros empregos surjam em áreas
relacionadas à IA e tecnologias associadas. Em outros campos, o foco tenderá a se voltar para a busca
de habilidades tipicamente humanas, como pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade
e comunicão. A capacidade de colaborar efetivamente com sistemas de IA, analisar dados e tirar
conclusões será crucial.
Por outro lado, é provável que os sistemas avançados de IA automatizem tarefas que atualmente são
realizadas por seres humanos. Embora seja positivo em termos de eciência e produtividade, isso
tende a resultar na substituição de parte da mão-de-obra. Ao contrio de automações anteriores,
que em geral substituíam tarefas manuais repetitivas, a capacidade da IA de aprender, inovar, tomar
decisões informadas e simular o comportamento humano tende a estender seu impacto para funções
cognitivas, soluções criativas de problemas e até mesmo interações sociais – áreas anteriormente con-
sideradas exclusivas dos seres humanos. Estimativas mostram que os sistemas de IA podem expor o
equivalente a 300 milhões de empregos em tempo integral a algum grau de automação86 (43).
Para garantir que a força de trabalho global esteja pronta para o futuro moldado pela IA e pela
automação, é essencial priorizar e investir em iniciativas de aprimoramento e requalicão. Esses
programas capacitarão os indivíduos com as habilidades técnicas e cognitivas necessárias para
navegar no cenário em evolução, adaptar-se às tecnologias emergentes e manter sua competitivi-
dade no mercado.
Bem social, conformidade regulatória e responsabilidade
A capacidade da IA de analisar e processar vastas quantidades de informações e fornecer soluções
informadas cria oportunidades de resolução de desaos globais, promoção do desenvolvimento sus-
tentável e melhoria o bem social. Com seus casos de uso em setores essenciais como saúde, educa-
ção e sustentabilidade, a IA tem o potencial de contribuir com os ODS da ONU.
No entanto, governos e organizações devem considerar os riscos associados e tomar ações para
garantir sistemas e aplicões de IA responsáveis. Preocupações relacionadas ao desenvolvimento e
uso da tecnologia de IA abrangem:
Segurança e proteção contra uso indevido: à medida que a IA se torna mais avançada e
autônoma, cresce o risco do surgimento de sistemas que busquem objetivos indesejáveis. A
probabilidade de sistemas de IA responderem a objetivos prejudiciais deliberadamente ou aci-
dentalmente criados aumenta à medida que eles se tornam mais complexos – especialmente
se os desenvolvedores priorizarem a velocidade em detrimento de testes minuciosos (e muitas
vezes custosos)87 (45).
Eliminação de vieses: são uma preocupação crescente à medida que sistemas inteligentes
apoiam cada vez mais organizações e indivíduos na tomada de decisões. Podem ser integrados
aos algoritmos de IA em diferentes etapas, desde os dados usados para treiná-los até a forma
como são programados. Se não forem identicados e abordados adequadamente, podem
levar a resultados discriminatórios.
Transparência e responsabilidade: o comportamento não determinístico dos sistemas e algo-
ritmos de IA gera desaos na atribuição de responsabilidade em caso de erros. Em geral, não
é possível rastrear o raciocínio por trás de decisões especícas ou identicar a origem de um
erro. Esse problema se torna ainda mais complexo quando diferentes partes, como provedores
86 GOLDMAN SACHS. Generative AI could raise global GDP by 7%. 2023.
87 BENGIO, Y.; HINTON, G.; YAO, A. et al. Managing AI risks in an era of rapid progress. 2023.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 69
de dados, desenvolvedores de modelos e usuários nais, são envolvidas no desenvolvimento e
na utilização de sistemas de IA.
Conabilidade dos outputs de IA: uma consequência da capacidade da IA generativa de ino-
var e criar novo conteúdo é o risco de produzir informações factualmente imprecisas, também
conhecidas como alucinações, e propagar desinformação. Isso pode levar a confusão, descon-
ança e até mesmo a possíveis danos, especialmente quando modelos de IA são usados para
inuenciar a tomada de decisões.
Sustentabilidade, meio ambiente e mudanças climáticas
Há uma forte conexão entre IA e sustentabilidade e discussões destacam tanto oportunidades
quanto riscos.
Por um lado, a IA está emergindo como uma poderosa ferramenta para mitigar o impacto ambiental
e as mudanças climáticas. Casos de uso existentes e em desenvolvimento abarcam:
Modelos climáticos aprimorados: a capacidade da IA de identicar padrões complexos tor-
na-a uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento de modelos climáticos mais precisos e
sosticados. Esses modelos podem ajudar os pesquisadores a entender melhor os fatores com-
plexos que inuenciam as mudanças climáticas e prever seus impactos futuros, possibilitando
decisões mais informadas sobre a mitigação das mudanças climáticas.
Otimização de processos: ao processar grandes volumes de dados, os sistemas de IA podem
identicar padrões e tendências em processos complexos para otimizar o gerenciamento de
recursos. A IA é capaz, por exemplo, de otimizar o uso de energia em edifícios, aprimorar sis-
temas de transporte para reduzir emissões e possibilitar práticas agrícolas inteligentes para
minimizar o consumo de água e fertilizantes.
Por outro lado, sistemas de IA apresentam alto consumo de energia, principalmente durante a etapa
de treinamento e ajuste no, o que esgerando preocupações com relação ao consumo direto
de energia, emissões de carbono provenientes de fontes não renováveis e consumo de água doce
para resfriamento.
Embora o consumo de energia em data centers tenha permanecido relativamente estável global-
mente por quase uma década, ele agora está passando por um rápido aumento. Enquanto a capa-
cidade dos data centers aumentou em seis vezes entre 2010 e 2018, a demanda de energia cresceu
apenas 6% (de 194 TWh para 204 TWh) devido a melhorias signicativas na eciência energética.
No entanto, em 2022, o consumo de eletricidade dos data centers globais saltou para 460 TWh e es
projetado para atingir entre 620 TWh e 1.050 TWh até 202688 (46). Embora esse aumento seja impul-
sionado por várias tecnologias, incluindo criptomoedas e computão em nuvem, estima-se que a
IA tenha um peso considerável. Previsões sugerem que o consumo de eletricidade da indústria de IA
crescerá mais de dez vezes de 2023 a 202689 (47).
Um dos desaos relacionados a essa demanda adicional de energia é o fato de que, em muitos locais,
as necessidades de energia dos data centers são atualmente atendidas apenas por fontes de geração
de combustíveis fósseis, especialmente gás natural. As curvas de oferta de energia de fontes renová-
veis têm diculdade para acompanhar o perl de demanda constante dos data centers e atendê-la
com energias renováveis exigiria um investimento em capacidade de gerão e armazenamento que
atualmente é impraticável90 (48).
Nesse contexto, mitigar o impacto ambiental da IA torna-se uma etapa crucial do desenvolvimento
responsável da tecnologia e empresas já eso tomando medidas proativas para minimizar sua
88 MASSACHUSETTS INSTITUTE OF TECHNOLOGY - MIT. The Climate and Sustainability Implications of Generative AI . 2024.
89 INTERNATIONAL ENERGY AGENCY - IEA. Electricity 2024: analysis and forecast to 2026. 2024.
90 BAIN & COMPANY. How to Feed AI’s Hunger for Power. 2024.
70 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
pegada. Isso inclui otimização de software e hardware para maximizar a eciência energética, utiliza-
ção de fontes de energia renovável nos processos de treinamento, desenvolvimento de soluções de
resfriamento líquido e até mesmo uso da própria IA para acelerar as inovações em sustentabilidade.
No entanto, uma expansão sustentável da IA exigium aumento signicativo dessas iniciativas e da
quantidade de empresas contribuindo ativamente.
Mobilização global
A IA está evoluindo rapidamente e, com seu imenso potencial, surge a necessidade de garantir que
seu desenvolvimento e uso sejam responsáveis. Para isso, já há um movimento global em direção a
práticas responsáveis de IA. Entre as iniciativas recentes estão:
Princípios de IA da OCDE (OECD AI Principles): considerados os primeiros frameworks de po-
tica internacional de IA, os Princípios de IA da OCDE foram publicados em 2019 e endossados
por 42 nações e pelo G20. Seu objetivo é promover o uso de IA que seja inovadora, conável e
que respeite os direitos humanos e os valores democráticos”. A OCDE também lançou o Monitor
de Incidentes de IA (AIM) para documentar ocorrências e ajudar governos, prossionais e outras
partes interessadas a obter informações sobre os incidentes que concretizam os riscos da IA91 (49).
Resolução das Nações Unidas sobre IA: em março de 2024, a Assembleia Geral da ONU ado-
tou uma resolução histórica sobre a promoção de sistemas de IA “seguros, protegidos e con-
áveis”. Apoiado por mais de 120 Estados-membros, o texto reconhece o potencial dos sistemas
de IA para acelerar e viabilizar o progresso em direção aos 17 ODS92 (50).
A Recomendação da UNESCO sobre a Ética da Inteligência Articial (Recommendation on
the Ethics of Articial Intelligence): adotada por todos os 193 Estados-membros da UNESCO
em novembro de 2021, estabelece um framework em 10 princípios para o desenvolvimento
e uso éticos da IA, centrado em torno de quatro valores fundamentais: direitos humanos e
dignidade humana; sociedades pacícas, justas e interconectadas; diversidade e inclusão;
e ambiente e ecossistema orescente93 (51).
A Aliança de Governaa da IA do Fórum Econômico Mundial (AI Governance Alliance, ou
AIGA): lançada em junho de 2023, a AIGA do rum Econômico Mundial promove o diálogo
entre várias partes interessadas (representantes da indústria, governos, instituições acadêmicas e
sociedade civil) para defender o projeto global responsável e a implementação de sistemas de IA
transparentes e inclusivos. A Aliança é composta por três áreas principais de trabalho – Sistemas e
Tecnologias Seguras, Aplicações Responsáveis e Transformação, e Governança e Regulação Resi-
lientes – e reúne mais de 300 membros de mais de 260 organizações em seis continentes94 (52).
Recomendações do Presidio sobre IA Generativa Responsável do Fórum Econômico Mun-
dial (Presidio Recommendations on Responsible Generative AI): em abril de 2023, ocorreu a
“Responsible AI Leadership: A Global Summit on Generative AI”, reunindo mais de 100 líderes
e prossionais de IA, incluindo cientistas, líderes de IA responsável e ética, líderes acadêmicos,
empreendedores de IA, governos, investidores e membros da sociedade civil. O principal resul-
tado da cúpula foi um conjunto de 30 recomendações, as “Recomendações do Presidio sobre
IA Generativa Responsável”, para o desenvolvimento e a implementão responsáveis de IA,
inovação aberta, colaboração internacional e progresso social.
IA para o Bem da UIT (ITU’s AI for Good): em maio de 2024, ocorreu a primeira Cúpula IA para
o Bem em Genebra, na Suíça, organizada pela UIT em parceria com outras 40 organizações da
ONU. O objetivo era promover o diálogo entre várias partes interessadas para explorar aplicações
práticas de IA que pudessem apoiar os ODS e expandir essas soluções para um impacto global.
91 OECD. OECD AI Principles overview. Disponível em: https://oecd.ai/en/ai-principles. Accesso em: 05 jan. 2024.
92 UNITED NATIONS. Seizing the opportunities of safe, secure and trustworthy articial intelligence systems for sustinable development. 2024.
93 UNESCO. Recommendation on the Ethics of Articial Intelligence. 2022.
94 WORLD ECONOMIC FORUM. AI Governance Alliance. Disponível em: https://initiatives.weforum.org/ai-governance-alliance/home. Accesso em:
05 jan. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 71
Policy Action 3.1
Fortalecer a colaboração internacional e escalar frameworks pró-inovão baseados em gestão de
risco para o desenvolvimento, implementação e governança responsáveis da IA, com a nalidade de
acompanhar a evolução rápida da tecnologia e do cenário regulatório.
Sumário Executivo
Para alcançar esse objetivo, o G20 deve:
Buscar convergência global e interoperabilidade jurisdicional, incluindo terminologia e princí-
pios comuns, apoiando-se em frameworks existentes para denir um conjunto compartilhado
de padrões baseados em risco e evidências para uma IA ética, sustentável e inclusiva
Estabelecer clusters e ecossistemas nacionais e internacionais de inovação em IA que incen-
tivem a colaboração entre empresas, instituições de pesquisa, startups e agências governa-
mentais a m de permitir que as organizações aprimorem suas capacidades em IA e apoiar as
agências governamentais na manutenção de um ambiente regulatório atualizado.
Pano de Fundo e Contexto
O G20 pode moldar o cenário global da IA apoiando o desenvolvimento de viabilizadores-chave em
seus países membros. Esses viabilizadores são os elementos fundamentais que vão desbloquear o
potencial transformador da IA e garantir sua integrão responsável na sociedade, e incluem:
Infraestrutura: devido à sua alta dependência de dados, a IA requer o desenvolvimento de
uma infraestrutura robusta e moderna. Essa elevada capacidade de processamento é necessá-
ria para que os sistemas de IA gerem grandes volumes de dados e executem algoritmos com-
plexos. Uma conectividade de alta velocidade e conável permite acesso a dados e colabora-
ção em tempo real, enquanto serviços em nuvem fornecem recursos computacionais escaláveis
e econômicos para a adoção generalizada da IA.
Dados: dados de qualidade são essenciais para o desenvolvimento de uma IA responsável95
(53). Sistemas de IA aprendem e evoluem analisando enormes quantidades de dados e iden-
ticando padrões e relações. A qualidade e quantidade de dados impactam diretamente a
ecácia dos modelos de IA.
Talentos e habilidades: expertise é crucial para o desenvolvimento e a adão de IA. No lado
do desenvolvimento, pesquisadores, engenheiros e cientistas de dados são essenciais para
projetar, construir e gerenciar sistemas de IA de forma ecaz. No lado da adão, uma força
de trabalho especializada é fundamental para implementar soluções de IA em suas indústrias
e impulsionar inovação, eciência e crescimento econômico. Em ambos os lados, o conheci-
mento dos riscos associados é necessário para o avanço responsável da tecnologia.
95 EUROPEAN COMMISSION. AI Enablers. European Commission. Disponível em: https://ai-watch.ec.europa.eu/topics/ai-enablers_en. Accesso em:
05 jan. 2024.
72 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Governança e padrões: a governança e os padrões de IA são essenciais para garantir um
desenvolvimento responsável e promover conança. Eles mitigam riscos e promovem inovação
e crescimento, fornecendo um terreno comum para todas as partes interessadas. A compati-
bilidade internacional desses padrões é crucial para possibilitar a colaboração global e uma
abordagem unicada para uma IA responsável.
Clusters e ecossistemas: navegar pelas complexidades da IA pode ser um desao, especial-
mente para pequenas empresas e economias em desenvolvimento. Clusters e ecossistemas de
IA desempenham um papel vital no fornecimento de recursos, conhecimento e oportunidades
de colaboração. Conectando-se a pesquisadores, startups, corporações e agências governa-
mentais, as companhias podem receber o suporte necessário para desenvolver e implementar
soluções ecazes de IA.
Infraestrutura, dados e talentos foram abordados nas Recomendações 1 e 2. Portanto, as ações abaixo
se concentrarão em governança, padrões, clusters e ecossistemas.
O G20 deve buscar convergência global e interoperabilidade jurisdicional, incluindo terminologia e
princípios comuns, apoiando-se em frameworks existentes para denir um conjunto compartilhado
de padrões baseados em risco e evidências para uma IA ética, sustentável e inclusiva
Apesar da popularidade e das discussões em curso entre empresas e organizações, o campo da IA
ainda sofre com a falta de denições universais. A Aliança de Governança da IA do Fórum Econômico
Mundial ressalta a ambiguidade e a falta de um entendimento comum dos riscos e medidas gerais de
segurança como um desao-chave96 (44).
Essa falta de entendimento comum se estende aos princípios e padrões. O crescente interesse na
escalada responsável da tecnologia levou diversas organizações a propor seus próprios frameworks
de desenvolvimento e implementão éticos de IA. Embora essa proliferação de ideias seja positiva
do ponto de vista do conhecimento e inovação, também pode resultar em fragmentão, dicultando
a interoperabilidade e o estabelecimento de diretrizes universalmente aceitas.
À medida que as tecnologias de IA continuam a se expandir em vários setores e indústrias e princípios
evoluem para regulamentações (Box 3.1), a cooperão internacional se torna essencial para evitar
a fragmentação do ambiente global de governaa de IA em esferas isoladas com complexidade e
custos de conformidade proibitivos97 (44).
Nesse contexto, os membros do G20 devem promover a interoperabilidade jurisdicional por
meio da colaboração internacional para denição de frameworks compatíveis. Esses frameworks
devem considerar perspectivas de todas as partes interessadas, incluindo governo, setores público
e privado, academia e sociedade civil, para assegurar uma compreensão abrangente das ques-
tões-chave e das posveis respostas regulatórias. Também devem ser exíveis para se adaptar às
funcionalidades em rápida evolução e baseados em risco para equilibrar efetivamente inovação,
sustentabilidade e segurança.
Uma abordagem completa precisa considerar o impacto ambiental da IA, uma vez que as demandas
crescentes de energia para treinar e rodar modelos complexos sobrecarregam os data centers, que
muitas vezes dependem de fontes não renováveis. Frameworks devem, portanto, estabelecer diretri-
zes para o desenvolvimento e a implementão sustentável da IA, como melhorias de eciência dos
modelos e uso energia renovável para alimentar data centers.
96 WORLD ECONOMIC FORUM. AI Governance Alliance Brieng Paper Series. 2024.
97 WORLD ECONOMIC FORUM. AI Governance Alliance Brieng Paper Series. 2024.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 73
Para melhorar a comunicão entre as partes interessadas e facilitar esse esforço internacional, os
membros do G20 devem estabelecer uma terminologia comum e precisa e incentivar sua adão
por todas as partes. Para isso, o G20 pode aproveitar iniciativas existentes, como as apresentadas na
seção de mobilização global desta recomendão (página Box 3.1) e endossadas por organizações
internacionais (ex.: ONU, UNESCO, OCDE).
Box 3.1 – AI Act da Uno Europeia
O AI Act é a primeira grande legislação de IA no mundo, com previsão de ser aprovada em lei em 2024 e entrar
em vigor até 2026.
Ela adota uma abordagem baseada em risco, ou “horizontal”, na qual as aplicações de IA estão sujeitas a várias
exigências, dependendo do nível de risco associado ao caso de uso:
Aplicações e sistemas de “risco inaceitável” (ex.: sistemas de pontuação social, IA manipuladora) são
totalmente proibidos.
Casos de uso de “alto risco” passam por requisitos mais rígidos, como obrigações de gerenciamento de
riscos, padrões de qualidade e governança de dados, documentação técnica e supervisão humana. Esta
categoria engloba:
– IA usada para segurança.
Qualquer IA que apresente risco à saúde, segurança, direitos ou interesse público.
IA usada em casos de uso de “alto risco” explicitamente enumerados (ex.: para permissão de acesso a
serviços privados ou públicos, como empréstimos bancários).
Sistemas de “risco limitado”, que têm chance de manipulação ou engano (ex.: chatbots), estão sujeitos a
obrigações de transparência mais leves (ex.: usuários nais devem estar cientes de que estão interagindo
com uma IA).
Aplicações de “risco mínimo” (ex.: ltros de spam ou videogames) podem ser implantadas sem restrições.
Duas categorias são excluídas do AI Act:
IA de código aberto que não seja de “risco inaceitável” ou “alto risco” e não seja monetizada.
• IA que é utilizada exclusivamente para ns de pesquisa.
Fonte: European Parliament, EU Articial Intelligence Act
O G20 deve estabelecer clusters e ecossistemas nacionais e internacionais de inovação em IA que
incentivem a colaboração entre empresas, instituições de pesquisa, startups e ancias governa-
mentais a m de permitir que as organizações aprimorem suas capacidades em IA e apoiar as agên-
cias governamentais na manuteão de um ambiente regulatório atualizado
Dada a complexidade e a natureza em constante evolução do cenário de IA, navegá-lo pode ser
um desao, especialmente para pequenas empresas e aquelas que operam em países em desen-
volvimento. Nesse contexto, os clusters e ecossistemas de inovação em IA se tornam um importante
recurso. Esses ambientes colaborativos oferecem uma riqueza de recursos – de conhecimento com-
partilhado e oportunidades de mentoria a sandboxes regulatórios para capacitar os players de forma
que aproveitem o poder da IA. Ao se conectar a uma rede de pesquisadores estabelecidos, startups,
corporações maiores e agências governamentais, essas empresas obtêm acesso às orientações e
ao suporte necessários para desenvolver e implementar soluções adaptadas às suas necessidades
especícas.
Além disso, os ecossistemas de inovação em IA podem servir como um canal de feedback, agilizando
a comunicão entre partes interessadas e agências governamentais. Isso garante que as necessida-
des de diversos grupos sejam consideradas, as regulamentações revisadas e atualizadas prontamente
e a agilidade regulatória necessária alcançada para acompanhar o rápido avanço tecnológico.
74 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Portanto, os membros do G20 devem incentivar os clusters e ecossistemas de inovação em IA nacio-
nais e internacionais. Para isso, devem:
Identicar locais estratégicos: identicar regiões fortes em pesquisa, tecnologia e/ou talento
em IA para se tornarem centros de desenvolvimento de clusters.
Desenvolver infraestrutura viabilizadora: promover investimentos públicos e privados em
instalações de computão, data centers e conectividade para apoiar as necessidades compu-
tacionais intensivas da pesquisa.
Desenvolver ecossistemas de dados: incentivar o desenvolvimento de ecossistemas de dados
com uma ampla arquitetura de compartilhamento de informações para conectar entidades
públicas e privadas, permitindo que governos digitalizes serviços públicos e que o setor pri-
vado desenvolva novos produtos e serviços.
Desenvolver talentos: criar programas educacionais conjuntos com universidades e institui-
ções de pesquisa para criar uma força de trabalho qualicada em IA.
Facilitar o compartilhamento de conhecimento: organizar workshops, conferências e pro-
gramas de mentoria para incentivar a colaboração e a troca de conhecimento entre as partes
interessadas.
Fornecer sandboxes regulatórios: endereçar o desao de equilibrar inovação com desenvol-
vimento responsável por meio de experimentação controlada dentro de frameworks regulató-
rios denidos.
Promover nanciamento: facilitar o nanciamentoblico e privado por meio de regulamenta-
ções de apoio, parcerias público-privadas, incentivos scais e/ou investimento direto do governo.
Fornecer recursos de apoio: capacitar os participantes a desenvolver habilidades e conheci-
mentos, fornecendo recursos como ferramentas de avaliação de maturidade em IA e materiais
de treinamento direcionados.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 75
ANEXOS
Anexo A – ODS
Recomendação 1
A recomendação 1 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Susten-
tável (ODS) das Nações Unidas: ODS 4: educão de qualidade, ODS 5: igualdade de gênero, ODS
8: trabalho decente e crescimento econômico, ODS 9: indústria, inovação e infraestrutura, ODS 10:
redução das desigualdades e ODS 17: parcerias e meios de implementação. Os demais ODS também
podem ser impactados positivamente, uma vez que a tecnologia digital potencializa soluções em
diversos setores.
A Policy Action1.1 contribui para melhores padrões de trabalho e crescimento econômico por meio
da resolução de problemas de conectividade entre geograas. O aprimoramento da qualidade da
conexão tem um impacto positivo no PIB, contribuindo para os objetivos 8.1 (sustentar o crescimento
econômico per capita) e 8.2 (modernização tecnológica e inovação). O fomento à melhoria tecnoló-
gica e ao desenvolvimento da conectividade apoia o ODS 9, especicamente o 9.b (desenvolvimento
tecnológico, pesquisa e inovação) e o 9.c (acesso às TIC e acesso à internet a preços acessíveis). Isso
também se relaciona diretamente com o indicador 9.c.1 (proporção da população coberta por rede
móvel). Melhorar a cobertura e a acessibilidade nanceira da internet beneciaria os indicadores 17.6.1
(assinaturas de banda larga xa da internet por 100 habitantes, por velocidade) e 17.8.1 (proporção de
indivíduos usando a internet). Ao conceder o mesmo nível de conectividade entre grupos demográ-
cos e reduzir as desigualdades no acesso à tecnologia, também benecia os objetivos 10.1 (sustentar
o crescimento da renda dos 40% mais pobres da população) e 10.3 (garantir igualdade de oportunida-
des e reduzir as desigualdades de resultado).
A Policy Action1.2 visa reduzir as lacunas atuais de habilidades digitais, ajudando na realização do
objetivo 4.4 (habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e prossionais, para emprego,
trabalho decente e empreendedorismo), medido por 4.4.1 (proporção de jovens e adultos com habi-
lidades em tecnologia da informação e comunicação, por tipo de habilidade). A criação de uma força
de trabalho digital competente apoia a realização dos objetivos 8.5 (emprego pleno e produtivo e
trabalho decente para todas as mulheres e homens). A Policy Action1.2 enfatiza a urgência de garantir
acesso igual a treinamentos digitais e tecnológicos para todos, abrangendo os objetivos 5.b (uso de
tecnologia facilitadora, em particular a TIC, para promover o empoderamento das mulheres) e 10.2
(inclusão social, econômica e política de todos). Ao reduzir as lacunas de habilidades digitais, também
benecia o indicador 17.8.1 (proporção de indivíduos usando a Internet).
A Policy Action1.3 contribui para os objetivos 9.3 (acesso de pequenas empresas industriais e outras
empresas a serviços nanceiros), considerando o foco da recomendação no nanciamento susten-
tável, e 9.2 (industrialização inclusiva e sustentável), dada a relevância para o potencial das MSMEs
impulsionarem o crescimento econômico. Também uma relação signicativa com objetivos do
ODS 8: objetivo 8.3 (atividades produtivas, criação de empregos decentes, empreendedorismo, criati-
vidade e inovação, e incentivo à formalização e crescimento das MSMEs, inclusive por meio do acesso
a serviços nanceiros) e objetivo 8.10 (acesso a serviços bancários, seguros e nanceiros para todos).
Ao apoiar o desenvolvimento de MSMEs lideradas por mulheres, benecia o objetivo 5.5 (participa-
ção plena e efetiva das mulheres e igualdade de oportunidades de liderança em todos os níveis de
tomada de decisão na vida política, econômica e pública).
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 77
Recomendação 2
A recomendação 2 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentá-
vel (ODS) das Nações Unidas: ODS 8: trabalho decente e crescimento econômico, ODS 9: indústria,
inovação e infraestrutura, ODS 16: paz, justiça e instituições ecazes e ODS 17: parcerias e meios de
implementação.
A Policy Action2.1 visa melhorar a resiliência cibernética global de infraestruturas e empresas, con-
tribuindo para o objetivo 9.1 (infraestrutura de qualidade, conável, sustentável e resiliente), objetivo
8.1 (sustentar o crescimento econômico per capita) e objetivo 8.2 (produtividade econômica por meio
da diversicação, modernização tecnológica e inovação). Ao abordar a lacuna de habilidades em
cibersegurança, contribui para o objetivo 4.4 (habilidades, incluindo habilidades técnicas e prossio-
nais, para emprego, empregos decentes e empreendedorismo). A Policy Action2.1 pede cooperação
internacional para ação cibernética, contribuindo para o objetivo 16.3 (Estado de Direito nos âmbi-
tos nacional e internacional) e objetivo 17.16 (parceria global para o desenvolvimento sustentável).
Por m, ao construir conança digital, se relaciona com o indicador 17.8.1 (proporção de indivíduos
usando a internet).
A Policy Action2.2 visa apoiar a inovação e o crescimento econômico por meio do compartilhamento
seguro de dados, contribuindo para os objetivos 8.1 (sustentar o crescimento econômico per capita),
8.2 (produtividade econômica por meio da diversicação, atualização tecnológica e inovação), 9.5 (for-
talecer a pesquisa cientíca, melhorar as capacidades tecnológicas dos setores industriais em todos
os países) e 9.b (desenvolvimento tecnológico, pesquisa e inovação). Ao reforçar os aspectos de segu-
rança e conança, auxilia os objetivos 16.3 (Estado de direito nos níveis nacional e internacional) e 17.16
(parceria global para o desenvolvimento sustentável).
Recomendação 3
A recomendação 3 contribui para o alcance dos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentá-
vel (ODS) das Nações Unidas: ODS 8: trabalho decente e crescimento econômico, ODS 9: indústria,
inovação e infraestrutura, ODS 16: paz, justiça e instituições ecazes e ODS 17: parcerias e meios
de implementação.
A Policy Action3.1 visa promover a convergência internacional em torno de frameworks de IA res-
ponsável, contribuindo para a meta 17.16 (Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável), meta
16.6 (instituições ecazes, responsáveis e transparentes) e meta 16.7 (tomada de decisão responsiva,
inclusiva, participativa e representativa). Ao desbloquear o potencial da IA para impulsionar a inova-
ção e o crescimento econômico, a Policy Action3.1 contribui para a meta 8.1 (manter o crescimento
econômico per capita), meta 8.2 (produtividade econômica por meio da diversicação, atualização
tecnológica e inovação), meta 9.5 (aprimorar a pesquisa cientíca, atualizar as capacidades tecnológi-
cas dos setores industriais em todos os países) e meta 9.b (desenvolvimento tecnológico doméstico,
pesquisa e inovação).
78 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Anexo B – Princípios Orientadores
do B20 Brasil
Recomendação 1
A recomendação 1 tem o maior impacto em três Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Aumentar a produtividade por meio da inovação: a conectividade viabiliza o acesso a tecno-
logias de ponta, promovendo a inovação e a produtividade em diversos setores. Dado o papel
crítico das micro, pequenas e médias empresas (MSMEs) na economia global e a persistente
desigualdade digital, apoiar as MSMEs em sua jornada de digitalizão (Policy Action1.3) ace-
lera ainda mais esse processo.
Valorizar o capital humano: a eliminação das lacunas de habilidades digitais (Policy Action1.2)
melhora diretamente o capital humano, capacitando os indivíduos com habilidades críticas
necessárias para a economia moderna. A conectividade oferece acesso a recursos educacionais,
cursos online e oportunidades de desenvolvimento prossional, valorizando o capital humano.
Promover a resiliência das cadeias globais de valor: uma infraestrutura ICT resiliente (Policy
Action1.1) garante que as empresas possam manter operações e comunicações durante inter-
rupções, aumentando a resiliência das cadeias globais de valor. A transformação digital das
MSMEs (Policy Action1.3) melhora sua integrão nas cadeias globais de valor, levando ao apri-
moramento das cadeias de suprimentos e a respostas mais ecazes a interrupções.
Recomendação 2
A recomendação 2 tem o maior impacto em dois Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Promover a resiliência das cadeias globais de valor: harmonizar os padrões de cibersegu-
rança e governança de dados e melhorar a cooperação multilateral para ações cibernéticas
aumenta a capacidade de prevenir, responder e se recuperar de incidentes cibernéticos, man-
tendo assim a continuidade e a resiliência das cadeias globais de suprimentos.
Aumentar a produtividade por meio da inovação: ambientes digitais conáveis incentivam
a adoção de novas tecnologias, levando ao aumento da inovação e produtividade. A DFFT
(Policy Action2.2) viabiliza o compartilhamento internacional de dados de forma segura e sem
interrupções, promovendo a colaboração e a inovação entre empresas e instituições de pes-
quisa globais.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 79
Recomendação 3
A recomendação 3 tem o maior impacto em quatro Princípios Orientadores do B20 Brasil:
Aumentar a produtividade por meio da inovação: a IA é uma ferramenta poderosa para
impulsionar a inovão e a produtividade em diferentes setores. O desenvolvimento e a ado-
ção responsáveis dessa tecnologia podem levar a processos mais ecientes, novos modelos de
negócios e melhor tomada de decisão.
Valorizar o capital humano: a IA pode aumentar as capacidades humanas e abrir novas opor-
tunidades para o desenvolvimento de habilidades e emprego. Além disso, garantir que a IA
seja desenvolvida e adotada de forma responsável inclui mitigar riscos relacionados ao capital
humanos, como vieses e substituição de empregos.
Promover uma transão justa para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa:
a IA tem o potencial de otimizar o uso de energia, melhorar a eciência em diversos setores e
desenvolver novas tecnologias sustentáveis. Além disso, frameworks de risco garantem que o
impacto ambiental da própria tecnologia de IA seja mitigado.
Promover a resiliência das cadeias globais de valor: o uso responsável da IA por diversos
agentes econômicos permite a otimização da avaliação de cenários e da tomada de decisão,
ajudando organizações a reduzir gargalos logísticos e operacionais existentes na cadeia de
valor e denir melhores soluções a eventos inesperados.
80 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Anexo C – Prioridades do G20 Brasil
Recomendação 1
A recomendação 1 contribui para as prioridades do Grupo de Trabalho da Economia Digital do
G20 Brasil, em particular:
Inclusão digital, conectividade universal e signicativa: a recomendação 1 foca em alcaar
conectividade universal e signicativa para todos os indivíduos e empresas, contribuindo dire-
tamente para essa prioridade.
Governo digital, construção de uma infraestrutura pública digital conável e inclusiva: a
Policy Action1.1 apoia a colaboração entre os setoresblico e privado na criação de uma infra-
estrutura digital inclusiva e resiliente.
A recomendação 1 também apoia as prioridades do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Inovação ao
melhorar as capacidades de inovação e combater as desigualdades no acesso a recursos essenciais
por meio da tecnologia digital.
Recomendação 2
A recomendação 2 contribui para as prioridades do Grupo de Trabalho da Economia Digital do
G20 Brasil, em particular:
Integridade da informação online e conança na economia digital: a cooperação multi-
lateral em cibersegurança aumenta a capacidade de prevenir, identicar e conter incidentes
cibernéticos, mantendo assim a integridade da informação online e impulsionando a conança
na economia digital.
A recomendação 2 também apoia as prioridades do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Inovação
ao incentivar o compartilhamento seguro e eciente de dados necessários para a inovação em
diversas áreas.
Recomendação 3
A recomendação 3 contribui para as prioridades do Grupo de Trabalho da Economia Digital do G20
Brasil, em particular:
IA para o desenvolvimento sustentável inclusivo e redução de desigualdades: frameworks
de IA responsável e a colaborão internacional asseguram que as tecnologias de IA sejam
desenvolvidas e implementadas de maneiras que promovam o desenvolvimento sustentável e
diminuam desigualdades, abordando questões éticas, de segurança e inclusão.
A recomendação 3 também apoia as prioridades de outros grupos de trabalho — especialmente
Pesquisa e Inovação, Saúde, Redução de Riscos de Desastres, Educação, Economia Global,
Emprego e Agricultura — ao incentivar a inovação e adão de IA em diversos setores com foco em
soluções inovadoras para desaos globais.
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 81
Anexo D – Composição e Reuniões
da Força Tarefa
Distribuição de Membros por País
País #
África do Sul 1
Alemanha 11
Aráia Saudita 3
Argentina 8
Austrália 2
Bélgica 4
Brasil 32
Canadá 1
China 10
Emirados Árabes Unidos 1
Espanha 5
Estados Unidos 38
França 9
Índia 19
Indonésia 1
Itália 9
Japão 5
México 1
Polônia 1
Reino Unido 6
República da Coreia 2
Rússia 8
Singapura 1
Turquia 3
Total 181
Distribuição de Membros por Gênero
Gênero #
Feminino 75
Masculino 106
82 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Chair da Força-Tarefa
Nome Organização Cargo País
Fernando de Rizzo Tupy CEO Brasil
Deputy Chair da Força-Tarefa
Nome Organização Cargo País
Daniel Moraes Tupy Innovation and IT Director Brasil
Co-Chairs da Força-Tarefa
Nome Organização Cargo País
Darío Werthein Vrio Corporation President Argentina
Fabio Coelho Google Brasil President Brasil
Fariba Wells Kyndryl Vice President Global
Government Affairs and Policy Estados Unidos
Kate Purchase Microsoft Senior Director International AI
Governance Estados Unidos
K Krithivasan Tata Consultancy Services CEO and Managing Director Índia
Michael Miebach Mastercard CEO Estados Unidos
Pablo Roberto Fava Siemens CEO Alemanha
Rebecca Enonchong AppsTech and International
Chamber of Commerce (ICC)
Founder and CEO (AppsTech)/
Global Executive Board Member
(ICC)
Estados Unidos
Rodrigo Dienstmann Ericsson Group President Latam South Sweden
PMO da Força-Tarefa
Nome Organização País
Cristina Elsner de Faria National Confederation of Industry Brasil
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 83
Membros da Força-Tarefa
Nome Organização Cargo País
Abhishek Agrawal Accion Managing Partner Estados Unidos
Affonso Parga Nina
BRASSCOM (Association of
Information and Communication
Technology and Digital
Technologies Companies)
President of BRASSCOM Brasil
Afonso Lamounier SAP Vice President Government Affairs
– Latin America & Caribbean Alemanha
Agustin Velazquez Ava Firm, SC Managing Partner Mexico
Ahmet Ussal Sahbaz Union of Chambers of
Commerce of Turkish Senior Adviser on Technology Turquia
Akhilesh Agarwal The Hi-Tech Gears Ltd. Associate Vice President –
Strategy & Special Projects Índia
Alana Rizzo YouTube Head of Public Policy YouTube
Latam Estados Unidos
Alena Prot AWS Public Policy Manager Estados Unidos
Alessandra Holmo Swedish Brasilian Research and
Innovation Center (CISB) Managing Director Brasil
Ali Karami Ruiz FTI Consulting
Senior Managing Director
and Head of Multilateral
Engagement
Estados Unidos
Alix Jagueneau GSMA Head of External Affairs Reino Unido
Ana Luísa Pichinine
de Carvalho CAPEMISA Seguradora Head of IT Brasil
Andre Batista Lenovo Sr Manager, Government
Relations China
Andressa Marques
Theophane Pappas
Motion Picture Association -
Brasil
Country Manager & Director
of Government Affairs Estados Unidos
Andrew King World Employment
Confederation Public Affairs Manager Bélgica
Andrey Filippov Digital Economy ANO Deputy Director Rússia
Andrey Neznamov Sberbank of Russia Managing Director of AI
Regulation Center Rússia
Andriei Gutierrez Kyndryl Director of Global Government
Affairs and Policy Estados Unidos
Anoushka Marie
Marthe Alexandre Ernst & Young Strategy, Innovation and
Technology Director Reino Unido
Aparna Balram Bigsoft Technologies CEO Índia
Apurva Anand Tata Digital Revenue Head Índia
Arun Karna AT&T Global Network Services
Índia Pvt. Ltd. MD & CEO Estados Unidos
Ashutosh Chadha Microsoft Índia
Direct and Country Head
Corporate Affairs and Public
Policy Índia and South Asia
Estados Unidos
Bernard Spitz Les Gracques Chairman BSC and Les Gracques França
84 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Nome Organização Cargo País
Bruno Boldrin Bezerra Johnson & Johnson Government Affairs and Policy
Senior Manager Estados Unidos
Bruno Vath Zarpellon AHK Brasil - Câmara
Brasil-Alemanha
Diretor of Innovation
and Sustainability Alemanha
Candace Johnson Seraphim Space Chair of Advisory Board
and Partner Reino Unido
Carlo Linkevieius Pereira UNGC Brasil Local Netword CEO Brasil
Carlos Zarco Alonso Fundación Espriu General director Espanha
Carolina Castro INDUSTRIAS GUIDI PRESIDENT Argentina
Chang-beom Kim The Federation of Korean
Industries (FKI) Vice Chairman and CEO República da
Coreia
Cheryl Miller U.S. Council for International
Business Vice President of Digital Policy Estados Unidos
Christian Hoffmann Siemens AG Head of Geopolitics and
International Relations Alemanha
Cibele Leite Perillo
Ferreira Amazon Web Services (AWS) Public Policy Lead Estados Unidos
Cristiana Ceccagnoli
TIM TIM S.p.A. Public Affairs - European
Institutional Affairs Ofcer Itália
Daniel de Rosa Sompo Seguros S/A Executive Director (CIO) Japão
Daniel Ferrete Pita Allianz Head of CEO ofce - Inv. Director Alemanha
Daniel Neves ANAFIMA - Associação Nacional
da Indústria da música Presidente Brasil
Daniel Pujazón Peña Banco Santander Policy Lead - Digital Espanha
Dr Makoto (Mac)
YOKOZAWA Business@OECD/CFIEC Japão Committee Co-chair França
Dr Shuktij Singh Rao Confederation of Índian Industry Executive Director Índia
Dr. Holger Bingmann ICC Alemanha e.V. Chairman Alemanha
Edoardo Gisol Conndustria Presidente Itália
Eduardo Salido Amadeus Senior Advisor Industry
& Government Affairs Espanha
Emilio Carlos Rebouças
Santana Loures Intel Semicondutores do Brasil Government Affairs Manager Estados Unidos
Evgeny Melnikov Russian Union of Industrialists
and Entrepreneurs
First Deputy Chairman of RSPP
Committee for International
Cooperation
Rússia
Fabiano Barreto TikTok Public Policy Manager Estados Unidos
Fabio José S Coelho Google Brasil Presidente Brasil
Françasco Gabriele
Lucchese Intesa Sanpaolo Head of Trade & Receivable
Finance Products Itália
Francisco Jose Rios
Zanotti SEA Group Director, Group COO (Latam) Brasil
Gabriela Gayarre Aires City Technology Commitee Founder Argentina
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 85
Nome Organização Cargo País
Gabriely da Conceição
dos Santos
BRASSCOM (Association of
Information Technology and
Communication (ITC) and Digital
Technologies Companies)
Coordinator of Institutional
and Government Relations Brasil
Ganapathi R Trigyn Technologies Limited Chairman Índia
Guillermo Pivetta eNotus International Inc. Managing Director Estados Unidos
Gustavo Henrique
Bolognesi Donato “Brasil Digital” Institute
Chairman - “Brasil Digital”
Institute; Rector - FEI University;
“Impact Economy” Committee
Member - MDIC
Brasil
Hana AlSyead Wujud Founder & CEO Arábia Saudita
Heba Sham Mastercard Vice President Public Policy Estados Unidos
Hellen Harumi Miyamoto The Brasilian Federation for
Private Health Insurance and Plans Superintendent Brasil
Henrique Sengès
Coutinho Marques Comitê - CRISTO G20 Advisor Brasil
Husani Durans de Jesus Information Technology Industry
Council (ITI)
Senior Manager of Policy
for the Americas Estados Unidos
Isabel Cristina Raupp
Pimentel Interfarma Government Affairs and
Communications Director Brasil
Javier Alberto Bolzico ADEBA I ASOCIACION DE
BANCOS ARGENTINOS Ph.D. in Economics Argentina
Jayme Chataque
de Moraes Santander Head Ativos Digitais e Blockchain Espanha
Jie Ma Hikvision do Brasil Comércio
de Equipamento de Segurança President China
Joao Barroso Amazon Brasil Head of Public Policy for Brasil Estados Unidos
Jonathan Goudinho IBM Government Affairs Executive Estados Unidos
Jose Borges Frias Jr. Siemens Infraestrutura
e Indústria
Head of Strategy and Corporate
Innovation Alemanha
José Goutier Rodrigues Positivo Tecnologia Goverment Affair Senior Director Brasil
Juan Luis Redondo
Maillo TELEFONICA S.A. Director Digital Public Policies Espanha
Kaike Silveira Amcham Brasil Manager for Government
Relations Brasil
Kanta Singh UN WOMEN ÍNDIA OFFICE Deputy Representative Estados Unidos
Kantikumar Dugar MediaJade Chief Ninja / Founder Índia
Kate Purchase Microsoft Senior Director of Government
Affairs Estados Unidos
Kerstin Hubmer Eurochambres Digital Policy Advisor Bélgica
Koh Nakajima Keidanren (Japão Business
Federation)
Co-Director, Industrial
Technology Bureau Japão
Korshunova Larisa JSC UTLC ERA GR Director Rússia
Larissa de Jesus Silva Brasilian National Confederation
of Industry Communication’s Analyst Brasil
Laura Leka International Federation
of Accountants (IFAC) Principal Estados Unidos
86 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Nome Organização Cargo País
Lawrence Ng Kian Seng CrimsonLogic Pte Ltd CEO Singapura
Leandro Fonseca
da Silva Novartis Biociencias SA Head of Corporate Affairs Brasil
Leigh Howard Asialink Business, University of
Melbourne CEO Austrália
Lin Xiong Dahua Technology Brasil CEO China
Liu Zhen Xiaomi Corporation
General Manager of Xiaomi
Legal and Intl. Government
Relations Dept.
China
Louisa Tomar Center for International Private
Enterprise (CIPE)
Director, Center for Digital
Economy and Governance Estados Unidos
Lu Wang Kuaishou Technology Director of Global Public Policy China
Lu Yinghong Xiaomi Corporation Senior Director China
Lucas Tadeu Melo
Camara Mastercard Public Policy Director Estados Unidos
Lynnette Magasa Boniswa Group CEO South Africa
Maitreyee Kamble Dalit Índian Chamber of
Commerece and Industry (DICCI) National Conevenor Índia
Maram Aljishi Asharqiyah Chamber of
Commerce (Eastern province)
President of Sharqiyah Business
Women Executive Council and
an Advisor for eCommerce at
Ministry of Commerce
Arábia Saudita
Marcelo Lacerda Google Director of Public Policy
of Google Brasil Estados Unidos
Marcia Satie Miya Apple Government Affairs ALAC Estados Unidos
Marco Stefanini Stefanini Group President & Global CEO Brasil
Maria Agustina Briner UNION INDUSTRIAL
ARGENTINA ECONOMISTA Argentina
Marienne Coutinho KPMG Brasil
Tax Transformation & Innovation
Lead Partner and Member of the
Innovation Committee
Brasil
Mario Augusto Laftte Samsung Electronica
da Amazônia LTDA
Public Affairs Vice President
for Latin America
República
da Coreia
Martin Umaran Globant (NYSE:GLOB) President of Globant EMEA
and Co-founder Argentina
Martine Allaire Orange Director Corporate International
Public Affairs França
Mashael Bin Seaidan Al Saedan For Industrial Chairwoman Arábia Saudita
Maxence Demerle MEDEF Digital affairs director França
Maximiliano Villanueva CNP Assurances Latam Director of CNP Assurances
Latam França
Maylis Berviller Business at OECD Policy Analyst França
Mica Beleni (Micaela
Belen Iglesias) quabund.ai Articial Intelligence
Implementation Director Estados Unidos
Michaelle S. Bastos
Pereira Visa Inc Government Affairs Estados Unidos
Michele Bernardi
Colombo Race Comunicação Account Manager Brasil
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 87
Nome Organização Cargo País
Milania Rogovtseva SocialCap Co-founder & CMO Estados Unidos
Nan CHEN DiDi Global Inc. Vice President China
Natalia Soledad
Facciolo LUDMARC CEO & Co Founder LUDMARC
SRL Argentina
Nayana Rizzo Sampaio AWS - Amazon Web Services Public Policy, AWS Brasil Estados Unidos
Nicole Primmer Business at OECD (BIAC)
Deputy Executive Director, Policy
and Strategic Engagement
(Digital Policy Lead)
França
Norberto Capellán Cámara Argentina de Comercio
y Servicios Director Argentina
Oliver Wieck ICCAlemanha Secretary General Alemanha
Orlando Taddeo Mexedia CEO Itália
Ornella Nitardi BASF Open Innovation & Digital
Ecosystem Manager Alemanha
Ozan Acar Trendyol Executive Committee Member Turquia
Panish Hangal Larsen & Toubro Practice Head Índia
Patricia Ximenes Ulrich Vale External Affairs Senior Analyst Brasil
Paula Maria Bibini UNION INDUSTRIAL
ARGENTINA ABOGADA Argentina
Paulo Rogerio Lino Texan Chamber of Commerce
in Brasil Director Brasil
Payal Dalal Mastercard
Senior Vice President, Social
Impact, International Markets,
Center for Inclusive Growth
Estados Unidos
Pedro Henrique
Brasileiro do Vale Salesforce Gov affairs Manager Estados Unidos
Philipp-Andreas
Schmidt Bayer Global Digital Farming Policy
& Public Affairs Lead Alemanha
Pietro Caminiti Aeroporti di Roma SpA Chief Information and
Technology Ofcer Itália
Prabhkiran Kaur
Malhotra Confederation of Índian Industry Executive Índia
Prarthana Borah Aurassure Director Índia
Pravin Kulkarni INFOSYS LIMITED Vice President Índia
Prem Prakash Dalua TVS Motors Senior Divisional Manager Índia
Priscila Aguiar da Silva Confederação Nacional das
Seguradoras Analyst Sr Brasil
Prof. Vasily Vysokov JSC Center-invest Bank Chef of the Bord of Director Rússia
Rafael Cervone Netto Abit Presidente Emérito da Abit Brasil
Rajiv Kumar Gupta PB Fintech ltd (Policy Bazaar
and Paisa Bazaa ) Group President Índia
Rebecca Enonchong AppsTech CEO Estados Unidos
Renata Vasconcellos U.S. Chamber of Commerce Executive Director Estados Unidos
Renata Vasconcellos RELX Head of LATAM Government
Affairs Reino Unido
88 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Nome Organização Cargo País
Renato Gasparetto
Junior Vivo - Telefonica Brasil Vice President Public Affairs
and Sustainability Brasil
Renato Kindi Noda CIELO S.A Instituição de
Pagamentoc
Gerente de Relações
Governamentais Brasil
Ricardo Pelegrini Quantum4 Soluções de Inovação CEO Brasil
Rodrigo Caramez Sompo Seguros Chief Strategy Ofcer Brasil
Rohit Jain Harvard Business School Alumni
Association NC CIO Estados Unidos
Rohit Kumar Zedsoftpoint Founder and CEO Índia
Ruiqi Wei EMLYON Business School Associate Professor of Marketing França
Sandra Alverà Panasonic Head of Sustainability and
Government Affairs Europe Japão
Sandra Rogensch Sky Serviços de Banda Larga
Ltda Diretora Brasil
Sanjay Chadha Uber systems Ltd Director and Head of Public
Policy (Índia & South Asia) Estados Unidos
Sara Martucciello Wade World Network Italia Srl Lawyer expert in international
negotiation Itália
Sarah Goddard AMICE Secretary General Bélgica
Sergey Krasilnikov Russian Union of Industralists
and Enterpreneurs Vice-president Rússia
Sergio ARZENI INSME International network for
SME President Itália
Shipra Dawar IWill and ePsyClinic Founder and CEO Índia
Shota Watanabe Nomura Research Institute, Ltd. Expert Researcher Japão
Shriranjani Rao VFS Global Corporate Communications
Lead- Americas
United Arab
Emirates
Shweta Bhardwaj Johnson and Johnson Director, Global Digital and R&D
Policy Estados Unidos
Silvana Gonçalves
de Oliveira Studio Dibea CEO & Digital Export Manager Itália
Srikanth Rajagopalan Peros Account Aggregation
Services (P) Ltd. Chief Executive Ofcer Índia
Stefanie Stündel BDI Federation of German
Industries
Senior Representative
Digitalisation and Innovation Alemanha
Stephanie Marcucci
Viehmann
German-Brasilian Chamber of
Commerce and Industry Head of Communications Alemanha
Sundeep Sikka Nippon Life Índia Asset
Managment Limited CEO Índia
Svetlana Stoilova BusinessEurope Adviser Digital Economy Bélgica
Tatiana de Assis Ribeiro Movimento Brasil Competitivo Executive Director Brasil
Thais Marçal Globo Institutional Relations Manager Brasil
Thiago Regueira
Curvello Michelin Head of Digital Transformation
for South America França
Tiago Machado Telefonica VIVo Director of Institutional Relations Brasil
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 89
Nome Organização Cargo País
Ulrike Bahr-Gedalia Canadian Chamber of Commerce Senior Director, Digital Economy,
Technology & Innovation Canadá
Varsha Vibhandik Vv group CEO Índia
Venkat Krishnan ITAM Forum Sustainability Head Reino Unido
Vinod Sood Hughes Systique Corporation
(HSC)
Co-Founder & Managing
Director Índia
Vitaliy Anikin Zyfra Group Chairman of the Board
of Directors Rússia
Vittoria Carli Conndustria Servizi Innovativi
e Tecnologici - Vice President Itália
Vyani Manao Daikin Indonésia Digital Transformation
Consultant Japão
Wanderley Mariz Meta Head of Public Policy - Executive
Branch Estados Unidos
Wei Jiaxin Huawei do Brasil
Telecomunicacoes Ltda PR Manager Brasil
Wesley Leong Quantumblack Visual Analytics
Limited
Senior Principal Product
Manager Reino Unido
Wojciech Pawlus Comarch SA Vice-President, Member of the
Management Board Polônia
Yao Yuan CCOIC Project Manager China
Yasemin Avci TUSIAD Information Society and
Innovation Director Turquia
Yevgeny Charkin Joint Stock Company “Russian
Railways” (JSCo “RZD”)
Deputy CEO (Digital
Transformation and Information
Technology)
Rússia
Yohanes Lukiman Blibli Tiket Group
Senior Vice President - Head
of CEO Ofce and Business
Development
Indonésia
Yuri Maia Regional NSW Economic Development
Manager Austrália
Zeda XU China Council for the Promotion
of International Trade Director China
Zhan Ruichao China Chamber of International
Commerce Deputy Director General China
Agenda de Reuniões da Força-Tarefa
Data Format
22 fevereiro 2024 Virtual
26 março 2024 Virtual
19 abril 2024 Virtual
23 maio 2024 Virtual
12 junho 2024 Virtual
10 julho 2024 Virtual
90 | B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER
Anexo E – Parceiros
Parceiro de Conhecimento
Parceiros de Rede
B20 BRASIL 2024 | TRANSFORMAÇÃO DIGITAL POLICY PAPER | 91