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negociações individuais, mas sim travada tendo em vista o mercado mundial e o modo
como as classes sociais se colocavam no seu processo que ia se consolidando na medida
em que “A burguesia, através de sua exploração do mercado mundial, deu um caráter
cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.” (ENGELS; MARX, 2017, p.
19). Assim, o embate entre aqueles que compram a força de trabalho alheia e os que
vendem se dão tanto em terreno nacional, com o extrapolam. Os trabalhadores aparecem
como massa homogênea, agindo com os mesmos objetivos e com as mesmas “armas”: a
máquina. Iguais condições, de trabalho e de exploração se colocam por todo globo
terrestres125:
O crescente emprego de máquinas e a divisão do trabalho, despojando o
trabalho do operário de seu caráter autônomo, tiram-lhe todo atrativo. O
produtor passa a um simples apêndice da máquina e só se requer dele a
operação mais simples, mais monótona, mais fácil de aprender. (ENGELS,
MARX, 2010, p. 31)
Conforme exposto, o trabalho para o proletariado já é obrigatório, como também
já é, em certa medida, unificado, no sentido de ser ditado e padronizado pela maquinaria
na qual ele emprega seu trabalho e pelo ritmo e dinâmica imposta tanto por ela, como
pelo burguês. Vê-se na citação anterior, ademais, como neste modo de produção o
trabalhador aparece despojado de seu caráter autônomo. O trabalho se torna, com isso,
um “sacrifício” (MARX, 2010c, p. 534) como já mencionado. Tem-se, com isso, um
125 Existe, como em todo Manifesto, um aspecto bastante generalizante. Porém, Marx enxerga
particularidades a depender, por exemplo, da idade e do gênero. Historicamente, talvez, os entraves deste
processo de desenvolvimento, quando analisamos de uma perspectiva do século XXI, podem ter sido mais
demorados do que Marx pensara. Em o capital ele assim afirma: “Mas como o capital é um leveller
[nivelador] por natureza – isto é, exige, em todas as esferas da produção, como seu direito humano inato,
condições iguais para a exploração do trabalho –, a limitação legal do trabalho infantil num ramo da
indústria torna-se a causa de sua limitação em outro.” (MARX, 2023, p.). Por iguais condições de
exploração, enquanto direito humano do capital, tem-se tanto o trabalho assalariado, como uma dimensão
mais concreta da afirmação, gerando com o advento da grande indústria o manuseio parecido e o tratamento
do trabalhador de maneira cada vez mais abstrata, retirando-lhe suas particularidades e individualmente.
Porém, percebe-se que por Marx que o capital assim imponha, Marx não afirma haver necessariamente
iguais condições de trabalho para todos. Esse desejo do capital não se coloca precisa e exatamente na
realidade. O fato óbvio de haver clara distinção do trabalho entre homens e mulheres atualmente demonstra
isso, por exemplo. Em um contexto brasileiro, os descendentes daqueles que foram escravizados,
forçosamente, se coloca de maneira totalmente distinta de outros. Marx não analisara todas as
particularidades possíveis, apenas trazendo tendências. O capital, de um ponto de vista econômico, em
síntese, deseja homogeneizar o trabalhador indistintamente, mas encontra barreiras histórico-sociais-
culturais, por vezes quase intransponíveis e isso, parece-nos, não é contraditório com a obra de Karl Marx.
Muito ao contrário. Pelo fato de o capital, assim como qualquer outra categoria econômica e social ser uma
relação social, ela é produzida por indivíduos específicos, atuando, trabalhando e agindo em determinadas
condições materiais e por meio de determinado modo de produção, ele não atua enquanto um sujeito da
história, por mais que, enquanto relação social, gere “pressão” na sociedade como um todo. Ainda assim,
o capital não atua diretamente sobre a realidade; ele não move a máquina, ele não carrega a pedra, ele não
manuseia a enxada e não aperta as teclas de um computador. São inarredavelmente os humanos que
realizam tais atividades, ainda que sob a égide do capital.