interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional. Para Contrera, o
estudo do imaginário é natural, já que
Toda a vida humana é ritualizada. Essa ritualização começa já na constituição de
códigos primários biológicos que dão origens a campos sensoriais partilhados, campos
esses que por sua vez se desdobram nos rituais de convivência e comunicação
interpessoal. (CONTRERA, 2005, p. 118).
Para outros autores ainda, estamos cada vez mais conscientes da intangibilidade do real,
pois temos acesso aos sistemas simbólicos, mas não ao mundo real em si. Assim, segundo
Barros, o estudo do imaginário no campo da Comunicação é um mecanismo essencial para
observar os fenômenos aos quais somos expostos:
No campo da Comunicação, a discussão sobre o imaginário torna-se estratégica, posto
que a relação com o real é fundante dos fenômenos comunicacionais. Assumindo-se
a perspectiva simbólica (do imaginário), entende-se que o ato comunicacional não se
firma puramente em dados históricos, sociológicos, culturais; tampouco em pulsões
inconscientes. Na verdade, esses dois pólos definem a trajetória simbólica, também
chamada de trajeto antropológico e, ainda, de trajeto do sentido. (BARROS, 2010, p.
129, grifos do autor).
Durand levanta ainda um questionamento em sua discussão sobre a (nossa) civilização
da imagem, onde as inovações tecnológicas trouxeram uma revolução cultural na filosofia, uma
ruptura que constituiu o privilégio do ocidente no tratado do imaginário. Para ele, “as
civilizações não-ocidentais não separam as informações (digamos, ‘as verdades’) fornecidas
pela imagem daquelas fornecidas pela escrita” (1998, p. 6, grifos do autor), através da escrita
hieroglífica dos egípcios ou dos ideogramas chineses, por exemplo, que misturam imagens e
sintaxes para a sua linguagem “escrita”. Estas sociedades então “não fundamentam seus
princípios de realidade em um processo de dedução da verdade, num modelo do Absoluto sem
rosto e por vezes inominável” (1998, p. 7, grifos do autor), ao contrário, estabelecem um
universo mental, individual e social que se fundamenta desde o princípio no pluralismo e na
multiplicidade de ideias. Esta diferença é essencial para compreender aspectos básicos de
diferenças de visão simbólica entre o ocidente e o oriente:
Aqui, toda diferença é percebida como uma figuração diferenciada com qualidades
figuradas e imaginárias (alguns mencionam um “politeísmo de valores”). Portanto,
todo “politeísmo” ipso facto é receptivo às imagens (icónófilo) quando não aos ídolos
(eidôlon, em grego, significa “imagem”). Ora, o Ocidente, isto é, a civilização que nos
sustenta a partir do raciocínio socrático e seu subsequente batismo cristão, além de
desejar ser considerado, e com muito orgulho, o único herdeiro de uma única Verdade,
quase sempre desafiou as imagens. É preciso frisar este paradoxo de uma civilização,
a nossa, que, por um lado, propiciou ao mundo as técnicas, em constante
desenvolvimento, de reprodução da comunicação de imagens e, por outro lado, do
lado da filosofia fundamental, demonstrou uma desconfiança iconoclasta (que
“destrói” as imagens ou, pelo menos, suspeita delas) endêmica. (DURAND, 1998, p.
7, grifos do autor).