
8
RESUMO
Os óleos essenciais (OEs) apresentam diversas atividades biológicas já
comprovadas e sua utilização vem sendo muito explorada, principalmente pela
indústria de cosméticos para a substituição de compostos sintéticos contestados
pelos consumidores como os conservantes. Entretanto, a incorporação de OEs nas
formulações apresenta dificuldades, devido a insolubilidade em água, volatilização
de compostos que ocasionam a perda de suas atividades e baixa estabilidade, por
serem sensíveis a luz, oxigênio e temperatura. Estratégias como a incorporação de
OEs em sistemas nanoestruturados mostram-se promissoras para sua aplicação
em formulações, devido esses sistemas serem capazes de proteger da
volatilização, aumentar a eficácia das atividades biológicas (antimicrobiana e
antioxidante), reduzir a porcentagem de uso, melhorar a estabilidade e evitar que o
uso de OEs puros promovam reações adversas. Neste estudo, foram
desenvolvidas nanoemulsões (NEs) em dispersor Ultra-Turrax a partir da mistura
de água, Span 80 e Tween 80 nas quais foram incorporados blends formados por
6 OEs (Anis (Illicium verum Hook. f.), Canela (Cinnamomum verum J. Presl), Cravo
(Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M., Menta (Mentha spicata L.), Orégano
(Origanum vulgare L.), Tomilho (Thymus vulgaris L.)). As NEs obtidas
permaneceram estáveis por um período de 90 dias, com tamanhos de gotículas na
faixa de 100 a 286 nm, distribuição homogênea, potencial zeta > -30 mV, indicando
que não houve agregação de gotículas, com morfologia esférica, densidade em
torno de 1,00 g/mL e pH ácido. As NEs apresentaram atividade antimicrobiana
contra E. coli, P. aeruginosa, S. aureus e C. albicans e as formulações de menores
tamanhos apresentaram maior potência. No Challenge Test, realizado em uma
emulsão contendo 1% das NEs F2B1 e F2B3, avaliado nos tempos 0, 7, 14 e 28
dias, o crescimento microbiano foi controlado mesmo após duas inoculações.
Emulsões com 0,3%, 0,5%, 1%, 2% e 2,5% de F2B1 e F2B3 avaliadas quanto a
aspectos organolépticos e de pH nos tempos 0, 30, 60 e 90 dias à 25 ± 2°C,
demostraram resultados positivos em todos os parâmetros. No microbiológico, após
90 dias de desenvolvimento, foi visto crescimento bacteriano de 5x103 e 1x103
UFC/mL na concentração de 0,3% para F2B1 e F2B3, respectivamente. As NEs
apresentam compostos fenólicos, que mesmo com altas taxas de volatilidade e
possíveis perdas durante o processo de obtenção, foram determinados, assim
como os flavonoides. Ambos os compostos, corroboram para os achados de
atividade antioxidante, onde NEs apresentaram valores semelhantes e em alguns
casos superiores aos blends puros. Todavia, os blends atuam em sinergia e nas
NEs suas atividades biológicas são influenciadas pela mudança no coeficiente de
partição dos OEs, alterando a sua hidrofobicidade. Devido a isso, em alguns casos,
o blend se mostrou mais evidente, como nos resultados de citotoxicidade em
fibroblastos murinos, que apresentaram menor viabilidade celular (94,48%,
96,36%, 98,23%, 91,60% e 90,47%, para B1 e 99,64%, 104,83%, 100,20%,
101,10% e 103,47%, para B3) nas concentrações de 1, 2,5, 5, 7,5 e 10 μg/mL do
que as NEs que apresentaram viabilidade celular >111,87%. As NEs mostraram-se
promissoras para aplicação como conservantes em emulsões cosméticas,
apresentam potencial atividade antioxidante e ausência de citotoxicidade nos
aspectos e margens avaliados e ainda conferem fragrância ao produto.
Palavras-chave: nanoemulsão; óleos essenciais; conservante; antimicrobiano.